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Lição 9

Friendships and Civic Association

Parece, porém, como foi dito nos princípios, que acerca das mesmas coisas e nas mesmas coisas existam tanto a amizade quanto o justo; pois em toda comunicação parece haver algo de justo; e também de amizade. [1657]

Chamam, portanto, de amigos os companheiros de navegação e os companheiros de milícia, e semelhantemente também aqueles que estão em outras comunicações. Ora, quanto mais comunicam, tanto maior é a amizade. Pois também o justo. [1659]

E o provérbio: Comuns são as coisas dos amigos, corretamente; pois na comunicação está a amizade. [1660]

Ora, para os irmãos e os que foram criados juntos todas as coisas são comuns, mas para os outros são distintas, e para estes mais, para aqueles menos. Pois também das amizades estas são mais, aquelas menos. [1661]

Diferem, porém, também os justos. Pois não é o mesmo o que há entre os pais para com os filhos e entre os irmãos entre si, nem o que há entre os companheiros e os concidadãos; e semelhantemente também nas outras amizades. Portanto, é diverso também o justo para com cada um destes. [1662]

E recebem aumento no fato de serem mais para com os amigos, por exemplo, privar de dinheiro um companheiro é mais duro do que privar um concidadão, e não ajudar um irmão do que um estranho, e ferir o pai do que qualquer outro. Ora, é natural que aumentem juntamente a amizade e o justo, como existindo nas mesmas coisas e estendendo-se a algo igual. [1663]

Ora, todas as comunicações assemelham-se a partes da comunicação política. Pois reúnem-se em vista de algo conferente e adquirindo algo daquilo que é necessário à vida. Mas também a comunicação política parece congregar-se e permanecer por causa do conferente e desde o princípio. Pois isto também os legisladores conjecturam, e dizem ser justo aquilo que é comumente conferente. [1665]

Assim, pois, as outras comunicações apetecem o conferente segundo as partes, por exemplo, os navegantes aquilo que segundo a navegação se ordena à obtenção de dinheiro ou de algo tal, os companheiros de milícia aquilo que segundo a guerra apetecem, seja dinheiro, seja vitória, seja a cidade; e semelhantemente também os companheiros de tribo e os plebeus. [1667]

Ora, algumas das comunicações parecem fazer-se por causa do deleite, as dos que dançam juntos e as dos contribuintes de festins. Pois estas são em vista do sacrifício e da convivência. [1668]

Todas estas, porém, costumavam estar sob a comunicação política. Pois a política não apetece o conferente presente, mas o que se estende a toda a vida. E os que oferecem sacrifícios e organizam essas congregações, tanto tributando honras aos deuses como adquirindo para si mesmos repouso com deleite. Pois os antigos sacrifícios e congregações parecem fazer-se após a coleta dos frutos, por exemplo, as primícias; pois sobretudo nesses tempos tinham lazer. [1669]

Assim, pois, todas as comunicações parecem ser partes da política. Ora, tais amizades acompanham tais comunicações. [1671]

1657. Parece, porém, como nos princípios etc. Depois que o Filósofo tocou em comum nas diversas espécies de amizades que são de pessoas desiguais, aqui distingue tais espécies segundo as razões próprias delas.

E a respeito disto faz duas coisas:

primeiro mostra que estas espécies de amizades acompanham as comunicações políticas;

em segundo lugar distingue as espécies de amizades segundo as distinções das políticas, ali: ora, das políticas há três espécies etc.

A respeito do primeiro apresenta a seguinte razão: toda amizade consiste em uma certa comunicação; ora, toda comunicação se reduz à política; logo, todas as espécies de amizade devem ser tomadas segundo as comunicações políticas.

A respeito disto, portanto, faz três coisas:

primeiro prova o primeiro;

em segundo lugar o segundo, ali: ora, todas as comunicações etc.;

em terceiro lugar infere a conclusão, ali: assim, pois, todas as comunicações etc.

A respeito do primeiro faz duas coisas:

primeiro, mostra que toda amizade consiste na comunicação;

segundo, mostra que a amizade se diversifica segundo a diversidade da comunicação, em: há, porém, entre irmãos etc.

Mostra o primeiro de três modos.

1658. Primeiro, pela razão, que é a seguinte: como se disse acima, a justiça e a amizade versam sobre as mesmas coisas; mas a justiça consiste em alguma comunicação, pois a justiça é para com outro, como se disse no quinto livro; logo, também a amizade consiste na comunicação.

1659. Segundo, em: por isso chamam etc., mostra o mesmo pelo uso da linguagem. Pois os homens costumam chamar amigos aqueles que se comunicam entre si segundo alguma comunicação, por exemplo, os companheiros de navegação, que se comunicam no navegar, os companheiros de armas, que se comunicam na milícia; e a mesma razão vale nas outras comunicações, pois parece haver tanto de amizade entre alguns quanto se comunicam entre si. E, segundo isso, há também justiça entre eles.

1660. Terceiro, em: e o provérbio etc., prova o mesmo por um provérbio comum. Pois vulgarmente se diz no provérbio que as coisas dos amigos são comuns, e isso se diz com razão, porque a amizade consiste na comunicação.

1661. Depois, quando diz: há, porém, entre irmãos etc., mostra que as amizades diferem segundo as diversas comunicações.

E a respeito disto faz três coisas.

Primeiro, mostra a diversidade das amizades segundo a diversidade da comunicação. Pois vemos que entre irmãos e pessoas assim unidas todas as coisas são comuns, por exemplo, a casa, a mesa e outras coisas deste gênero; mas, para os demais amigos, algumas coisas são distintas, e para uns são mais e para outros menos. E, segundo isso, também das amizades algumas são maiores, a saber, entre aqueles que têm mais coisas em comum, e outras menores, a saber, entre aqueles que se comunicam em menos coisas. E disto aparece manifestamente que, se não houvesse nenhuma comunicação, não poderia haver amizade.

1662. Segundo, em: diferem, porém etc., mostra que também a justiça se diversifica segundo as diversas comunicações. Pois não é a mesma coisa justa em qualquer comunicação, mas diferente, como é claro que não é a mesma coisa justa entre pais e filhos e entre irmãos entre si; e semelhantemente, outra coisa é a justiça entre os etayros, isto é, os coetâneos e criados juntos, e entre os cidadãos, porque prestam mutuamente coisas diferentes como devidas; e a mesma razão vale nas outras amizades. E assim é claro que há coisas justas diferentes entre cada um dos mencionados.

1663. Terceiro, em: e o aumento etc., mostra como a justiça se diversifica segundo a diferença da amizade. E diz que a justiça e a injustiça recebem aumento pelo fato de serem para com amigos mais próximos, porque, a saber, fazer o bem a um amigo mais próximo é de fato mais justo, e prejudicá-lo é mais injusto; assim como privar de dinheiro, por furto ou roubo, um homem familiar e criado junto é mais duro e mais injusto do que se privasse um cidadão; e semelhantemente, se subtrai auxílio a um irmão do que se o subtraísse a um estranho, e se fere o pai do que se ferisse qualquer outro.

1664. Que a amizade e o justo se aumentem ao mesmo tempo procede do fato de existirem nas mesmas pessoas e de ambos pertencerem a certa igualdade de comunicação. E por este sinal se confirma o que se disse acima.

1665. Depois, quando diz: todas as comunicações, porém etc., mostra que todas as comunicações se reduzem à comunicação política.

E a respeito disto faz duas coisas:

primeiro, mostra que todas as comunicações têm semelhança com a comunicação política;

segundo, mostra que todas as outras estão contidas sob a política, em: as outras, portanto etc.

Diz, pois, primeiro que todas as comunicações têm alguma semelhança com as partes da comunicação política. Pois vemos que todos os que se comunicam convêm em algo útil, a saber, para adquirirem algo das coisas que são necessárias à vida. E isso também parece ter a comunicação política, porque, por causa da utilidade comum, parece que os cidadãos tanto se reuniram desde o princípio como também nisso perseveram.

O que é claro por duas coisas:

1666. primeiro, porque os legisladores parecem visar sobretudo a isto: procurar a utilidade comum;

segundo, porque os homens dizem ser justo na cidade aquilo que aproveita comumente aos cidadãos.

1667. Depois, quando diz: as outras, portanto etc., mostra que as outras comunicações estão contidas sob a política.

E a respeito disto faz três coisas.

Primeiro, mostra como algumas das outras comunicações se ordenam a alguma utilidade particular. E diz que as outras comunicações, além da política, visam a algo particular que aproveita, por exemplo, os companheiros de navegação visam a adquirir dinheiro, se são mercadores, ou algo outro deste gênero, como alguma cidade, se são guerreiros; os companheiros de armas, porém, visam a adquirir aquilo por causa do qual há a guerra, seja isto dinheiro, seja só a vitória, seja o domínio de alguma cidade; e semelhantemente também aqueles que são de uma tribo ou de um povo se reúnem por causa de algum proveito particular.

1668. Segundo, em: algumas, porém etc., mostra que também as comunicações que parecem fazer-se por causa do prazer se fazem por causa de algo útil. E diz que algumas comunicações parecem fazer-se por causa do prazer, como as dos que dançam juntos, isto é, daqueles que cantam juntos em coro ou em dança, e as dos eranistas, isto é, daqueles que usam sons de instrumentos de bronze, por exemplo, trombetas ou címbalos. Ora, comunicações deste gênero costumavam fazer-se por causa do sacrifício, para que ali os homens fossem retidos com prazer, e por causa das núpcias, isto é, do casamento, para que o marido e a esposa mais se amem, ao reunirem-se em tanta alegria.

1669. Terceiro, em: todas, porém etc., mostra a partir do que precede que todas as comunicações mencionadas estão contidas sob a política. E diz que todas costumavam estar sob a política, enquanto, a saber, é costume que todas sejam ordenadas pela política. E atribui a razão disto, porque as outras comunicações, como se disse, ordenam-se a alguma utilidade particular, mas a política não visa a algum proveito particular e presente, mas visa àquilo que é útil por toda a vida. E isso mostra especialmente a respeito das comunicações dos que buscam prazer, e sobretudo nos sacrifícios, a respeito dos quais parece menos.

1670. E diz que aqueles que fazem sacrifícios em congregações deste gênero visam a tributar honra a Deus e a adquirir para si mesmos repouso com algum prazer, o que se ordena à utilidade da vida. Por isso, também entre os antigos, depois da colheita dos frutos, a saber, no outono, faziam-se sacrifícios e congregações de homens, por exemplo, para pagar as primícias; pois este era o tempo apto para que os homens tivessem lazer, tanto para que descansassem dos trabalhos precedentes, como porque lhes sobrava abundância de víveres. E assim é claro que todas essas coisas se submetem à ordenação política, como pertencentes à utilidade da vida.

1671. Depois, quando diz: assim, todas as comunicações etc., introduz a conclusão pretendida, a saber, que todas as comunicações estão contidas sob a política como certas partes suas, enquanto as outras se ordenam a certos proveitos particulares, mas a política à utilidade comum. E porque as amizades se seguem a tais comunicações, é consequente também que a distinção das amizades se considere segundo a política.