Lição 5
Pleasure is Neither a Motion Nor a Process of Change
Ora, o que é e de que qualidade seja tornar-se-á mais manifesto se retomarmos a questão desde o princípio. [2005]
Pois a visão parece ser perfeita segundo qualquer momento; pois não carece de nada que, produzido posteriormente, complete a sua espécie. E tal parece ser também o deleite; pois é um certo todo, e em nenhum momento alguém apreenderia certamente um deleite cuja espécie, produzida em mais tempo, se aperfeiçoe. [2006]
Por isso também não é movimento. [2008]
Pois todo movimento se dá no tempo e visa a algum fim. Por exemplo, a arte de edificar é perfeita quando faz aquilo que busca, seja em todo o tempo, seja neste momento final; nas partes do tempo, porém, todos os movimentos são imperfeitos e diferentes em espécie do todo e entre si. Pois a composição das pedras é outra que o estriamento da coluna, e estas são outras que a construção do templo. E a do templo é de fato perfeita (pois nada carece para o propósito), mas a do fundamento e do tríglifo é imperfeita; pois cada uma é de uma parte. Diferem, portanto, em espécie, e não é possível apreender em qualquer momento o movimento perfeito em espécie, mas, se acaso, em todo o tempo. [2010]
Semelhantemente também no caminhar e nos demais movimentos. Pois, se o deslocamento é movimento de onde para onde, também deste há diferenças segundo as espécies: voo, caminhada, salto e coisas tais. Não somente assim, porém, mas também no próprio caminhar; pois este de onde para onde não é o mesmo no estádio inteiro e numa parte, nem numa e noutra parte, nem é o mesmo percorrer esta linha e aquela; pois não somente percorre uma linha, mas uma linha existente num lugar, e esta está em outro lugar que aquela. Com precisão, portanto, tratou-se do movimento em outra obra, mas parece que ele não é perfeito em todo momento, mas que há muitos movimentos imperfeitos e diferentes em espécie, uma vez que o de onde para onde é o que especifica. A espécie do deleite, porém, é perfeita em qualquer momento. É manifesto, portanto, que também os movimentos serão diferentes entre si, e que o deleite é algo dos todos e dos perfeitos. [2013]
Ora, isto parecerá também pelo fato de não ser possível mover-se em não-tempo, mas ser possível deleitar-se (pois aquilo que se dá no próprio agora é um certo todo). [2018]
Destas coisas é também manifesto que não dizem bem os que afirmam ser o deleite movimento ou geração. Pois estas coisas não se dizem de todas, mas das divisíveis e não dos todos. Pois nem da visão há geração, nem do ponto, nem da unidade, nem de nenhuma destas coisas há movimento. Nem tampouco, portanto, do deleite, pois é um certo todo. [2020]
2005. Ora, o que é e de que qualidade seja etc. Depois que o Filósofo determinou sobre o deleite segundo a opinião dos outros, aqui determina sobre ele segundo a verdade.
E primeiramente mostra que o deleite não pertence ao gênero do movimento ou da geração, como era sustentado pelos platônicos;
em segundo lugar, determina a sua natureza e propriedade, ali: ora, todo sentido etc.
A respeito do primeiro, faz duas coisas.
Primeiramente, diz sobre o que versa a intenção e o modo de proceder. E diz que se tornará mais manifesto pelo que se segue o que seja o deleite, segundo o seu gênero, ou de que qualidade seja, isto é, se é bom ou mau, se retomarmos desde o princípio a consideração sobre ele.
2006. Em segundo lugar, ali: pois a visão parece etc., executa o proposto.
E a respeito disto faz três coisas:
primeiramente, premissa um certo princípio necessário para mostrar o proposto;
em segundo lugar, mostra o proposto, ali: por isso também não é movimento etc.;
em terceiro lugar, conclui o principalmente pretendido, ali: destas coisas é manifesto etc.
Diz, portanto, primeiramente que a operação do sentido da visão, que se chama visão, é perfeita segundo qualquer momento; pois não carece de nada que sobrevenha posteriormente e que complete a sua espécie, e isto porque a visão se completa no primeiro instante do tempo; se, porém, se requeresse tempo para o seu complemento, não bastaria para isso qualquer tempo, mas seria preciso que houvesse um tempo determinado, como acontece nas demais coisas que se fazem no tempo, cuja geração requer uma certa medida de tempo; mas a visão logo num momento se aperfeiçoa. E o mesmo se dá com o deleite:
2007. pois o deleite é um certo todo, isto é, completo, no primeiro instante em que começa a ser, de modo que não se pode apreender algum tempo em que haja deleite que requeira mais tempo para aperfeiçoar a espécie do deleite, como acontece naquelas coisas cuja geração se dá no tempo; pois pode-se apreender algum tempo da geração humana que requeira mais tempo para aperfeiçoar a espécie humana.
2008. Em seguida, quando diz por isso também não é movimento etc., mostra o proposto por duas razões.
A primeira delas é a seguinte: todo movimento ou geração se aperfeiçoa em tempo determinado, em parte do qual ainda não há movimento perfeito; ora, isto não acontece a respeito do deleite; logo, o deleite não é movimento nem geração.
2009. A respeito desta razão, primeiramente põe a conclusão, concluindo a partir do princípio premissado, no qual virtualmente se contém toda a razão, que o deleite não é movimento.
2010. Em segundo lugar, ali: pois no tempo etc., põe a premissa maior da razão precedente, a saber, que todo movimento se dá no tempo e todo movimento é de algum fim, isto é, tem algum fim ao qual se ordena e ao qual chega em tempo determinado.
E manifesta isto primeiramente a respeito da geração. Pois a arte de edificar aperfeiçoa a sua operação quando aperfeiçoa aquilo que pretende, a saber, a casa; o que faz em todo um tempo determinado, em cujas partes todas as gerações são imperfeitas e diferem em espécie da geração total completa e também entre si. A razão disto é que a geração recebe a espécie segundo a forma, que é o fim da geração;
2011. ora, é manifesto que uma coisa é a forma do todo e outra são as formas de cada uma das partes; donde também as gerações diferem em espécie entre si. Pois, se algum templo for edificado em algum tempo determinado, em alguma parte daquele tempo compõem-se as pedras para a construção da parede, em outra parte do tempo, porém, estriam-se as colunas, isto é, esculpem-se em forma de estrias, mas em todo o tempo constrói-se o próprio templo; e estas três coisas diferem em espécie, a saber, a composição das pedras, o estriamento das colunas e a edificação do templo.
2012. Deve-se, contudo, considerar a respeito disto que, assim como a forma do templo inteiro é perfeita, ao passo que as formas das partes são imperfeitas, assim também a própria construção do templo é uma geração perfeita (pois de nada exterior carece para cumprir o propósito do edificador), mas a geração do fundamento é imperfeita e semelhantemente a geração do tríglifo, isto é, das colunas esculpidas dispostas em três ordens acima do fundamento, porque cada uma destas coisas é geração de uma parte, que tem caráter de imperfeito. Assim, portanto, se vê que as sobreditas gerações do todo e das partes diferem em espécie e que não se deve entender que a espécie do movimento se aperfeiçoe em qualquer momento, mas se aperfeiçoa em todo o tempo.
2013. Em segundo lugar, ali: semelhantemente também etc., manifesta o mesmo no movimento local. E diz que aquilo que foi dito da geração parece semelhantemente ser verdadeiro no caminhar e em todos os demais movimentos. Pois é manifesto que o deslocamento, isto é, o movimento local, é movimento de onde e para onde, isto é, de um termo e para um termo, e assim é preciso que se diversifique em espécie segundo a diversidade dos termos; ora, há diversas espécies de movimento local nos animais: o voo, que convém às aves, o caminhar, que convém aos que andam, o salto, que convém aos gafanhotos, e outras coisas tais, que diferem segundo as diversas espécies dos princípios motores, pois as almas dos diversos animais não são da mesma espécie.
2014. E não somente do modo sobredito se diversificam as espécies dos movimentos locais, mas também numa das ditas espécies, por exemplo o caminhar, encontram-se diversas espécies; pois, se se tomar o movimento pelo qual alguém percorre o estádio e o movimento pelo qual alguém caminha alguma parte dele, não é o mesmo em ambos os casos o de onde e o para onde, isto é, o termo do qual e o termo para o qual, e o mesmo se dá com os movimentos pelos quais alguém percorre esta e aquela parte do estádio, porque não são os mesmos os termos, pois não é o mesmo em espécie percorrer esta linha e aquela; ainda que todas as linhas, enquanto tais, sejam da mesma espécie,
2015. contudo, na medida em que se constituem em certa situação ou lugar, são tomadas como diferentes em espécie segundo a diversidade dos lugares, a qual se considera segundo a diversa ordem em relação ao primeiro continente; ora, aquele que percorre a linha não somente percorre a linha, mas a linha existente num lugar, porque uma linha está num lugar diverso de outra. E assim é manifesto que, segundo a diversidade dos termos, todo o movimento local difere em espécie de cada uma das partes, de tal modo, contudo, que todo o movimento tem espécie perfeita, ao passo que as partes têm espécie imperfeita.
2016. E porque, para a manifestação das coisas sobreditas, seria necessário conhecer plenamente a natureza do movimento, acrescenta que em outra obra, isto é, no livro da Física, tratou-se do movimento com precisão, isto é, suficiente e completamente, mas basta aqui ter dito do movimento que ele não é perfeito em todo tempo, mas que há muitos movimentos imperfeitos e diferentes em espécie nas diversas partes do tempo, pelo fato de que o de onde e o para onde, isto é, os termos do movimento, especificam o movimento.
2017. Assim, portanto, manifestada a proposição maior, acrescenta a menor, a saber, que a espécie do deleite é perfeita em qualquer momento, e isto é manifesto pelo que foi dito acima. Donde conclui ser manifesto que o deleite e a geração ou mudança são diferentes entre si e que o deleite é algo do número dos todos e dos perfeitos, porque, a saber, em qualquer parte do tempo o deleite tem o complemento da sua espécie.
2018. A segunda razão ele põe ali: ora, isto parecerá etc. Que é a seguinte: não é possível mover-se em não-tempo, como foi provado no sexto livro da Física; mas é possível deleitar-se em não-tempo (pois assim foi dito que deleitar-se é algo todo, porque é possível deleitar-se também no agora; pois aqui se diz ser todo aquilo que logo no próprio agora tem o seu complemento); logo, o deleite não é movimento.
2019. E deve-se considerar que a diferença de que procede este argumento é a causa da diferença de que procedia o primeiro argumento; pois é por isso que a espécie do prazer é perfeita em qualquer tempo, mas não a espécie do movimento, porque o prazer está no instante, ao passo que todo movimento está no tempo. E isto o próprio modo de falar do Filósofo designa quando diz: parecerá, porém, que isto também decorre do não caber etc.
2020. A seguir, quando diz: a partir destas coisas, porém, é manifesto etc., conclui das premissas o que principalmente pretendia. E diz ser manifesto, a partir das premissas, que não falam bem os que dizem que o prazer é movimento ou geração. Pois a noção de movimento e de geração não pode ser atribuída a qualquer coisa, mas somente às coisas divisíveis, que não são um todo, isto é, que não têm de imediato o seu complemento.
2021. Pois não se pode dizer que haja geração da visão, de modo que a visão se complete sucessivamente, assim como também não se pode dizer isso do ponto e da unidade; estes, de fato, não são gerados, mas seguem-se à geração de certas coisas; do mesmo modo, não se lhes pode atribuir movimento. Donde tampouco ao prazer, que também é um certo todo, isto é, que tem a sua perfeição no indivisível.