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Lição 5

Examination of the Opinions

Digamos, porém, de onde partimos. Pois não sem razão parecem julgar o bem e a felicidade a partir daquelas coisas que são desta vida. [55]

Muitos, e os mais notáveis, colocam-na no prazer. Por isso também amam a vida voluptuosa. [56]

Há, com efeito, três gêneros de vida sobretudo eminentes: aquele que acaba de ser mencionado, o que é civil e o terceiro, que é contemplativo. [58]

Muitos, portanto, parecem ser inteiramente bestiais, escolhendo a vida dos animais. [60]

E encontram uma razão para isso, porque muitos daqueles que estão no poder padecem de coisas semelhantes às de Sardanapalo. [61]

Os que são, porém, eminentes e dados à ação colocam-na na honra. [62]

Pois quase este é o fim da vida civil. [63]

Mas parece ser algo mais superficial do que aquilo que se busca, pois parece estar mais nos que honram do que no honrado; ao passo que adivinhamos ser o bem algo próprio e que dificilmente se tira de alguém. [64]

Além disso, parecem buscar a honra para crerem que eles mesmos são bons; buscam, pois, ser honrados pelos prudentes e junto àqueles pelos quais são conhecidos e por causa da virtude. É manifesto, portanto, que, segundo esses, a virtude é melhor. [65]

Talvez alguém julgue, e até com maior razão, que este seja o fim da vida civil. [66]

Mas esta também parece ser mais imperfeita. Pois parece possível que alguém, tendo a virtude, esteja dormindo e não a exerça durante a vida. [67]

E, junto com isso, que padeça males e seja muitíssimo desafortunado. Ora, ninguém chamaria feliz aquele que assim vive, a não ser que estivesse a defender uma posição. E sobre estas coisas, pois, já basta, pois delas se tratou suficientemente nos Encíclios. [68]

O terceiro é o contemplativo, sobre o qual faremos investigação no que se segue. [69]

Já o homem que acumula riquezas é alguém que vive sob coação. [70]

E as riquezas não são o bem que se busca, pois são úteis e em vista de outra coisa. Por isso, alguém julgaria antes que sejam fins aquelas coisas antes mencionadas, pois são amadas por si mesmas;

mas parece que nem mesmo aquelas o são, embora muitos discursos tenham sido compostos a respeito delas. Fiquem, porém, de lado estas coisas. [72]

55. Digamos, porém, de onde partimos etc. Depois de o Filósofo ter relatado as diversas opiniões de outros a respeito da felicidade, aqui investiga a verdade sobre as opiniões mencionadas.

E, primeiro, investiga a opinião dos que falam da felicidade moralmente, isto é, dos que colocavam a felicidade em algum dos bens desta vida;

em segundo lugar, investiga a opinião dos que falam da felicidade não moralmente, isto é, dos que colocam a felicidade em certo bem separado, ali: o que, porém, é universal etc.

Acerca do primeiro ponto, faz duas coisas:

primeiro, propõe aquilo que é comum a todas as opiniões deste gênero;

em segundo lugar, investiga a diversidade das opiniões. Portanto, porque parecia que o Filósofo tinha feito uma digressão do propósito principal enquanto determinava o modo de proceder, retorna ao propósito principal de onde havia partido, isto é, às opiniões sobre a felicidade. E diz que não sem razão alguns parecem julgar que o bem final que se chama felicidade seja algo dentre aquelas coisas que pertencem a esta vida, a saber, a humana. Pois é o fim de todas as obras da vida; ora, aquelas coisas que são para o fim são proporcionadas ao fim; por isso é provável que a felicidade seja algo do número dos bens pertencentes a esta vida. Mas, sobre isto, dir-se-á adiante o que é verdadeiro.

56. Em seguida, quando diz: muitos, com efeito, e os mais graves etc., busca a verdade acerca daquelas coisas em que se diversificam. E acerca disto faz duas coisas:

primeiro, investiga as opiniões que mais parecem aproximar-se da verdade;

na segunda, a opinião que mais se afasta da verdade, ali: o homem que acumula riquezas é alguém que vive sob coação etc.

Acerca do primeiro ponto, faz três coisas:

primeiro, investiga a opinião que coloca a felicidade naquelas coisas que pertencem à vida voluptuosa;

na segunda, as opiniões dos que colocam a felicidade naquelas coisas que pertencem à vida civil, ali: os que, porém, são eminentes e dados à ação etc.

na terceira, faz menção da vida contemplativa, ali: o terceiro, porém, é etc.

Acerca do primeiro ponto, faz três coisas:

primeiro, propõe a opinião;

em segundo lugar, incidentalmente distingue os gêneros de vida, ali: há, com efeito, três etc.;

em terceiro lugar, investiga a verdade da opinião proposta, ali: muitos, portanto etc.

57. Diz, pois, primeiro que, entre os bens desta vida, alguns escolhem o prazer, colocando nele a felicidade. E estes são não apenas os muitos, isto é, os homens do povo, que quase todos se inclinam para os prazeres, mas também alguns que são muito graves, quer pela autoridade da ciência e da doutrina, quer também pela honestidade da vida. Pois até os epicuristas, que estimavam o prazer como o sumo bem, cultivavam diligentemente as virtudes, mas, ainda assim, por causa do prazer, isto é, para que o seu prazer não fosse impedido pelos vícios contrários; pois a gula, pela imoderação da comida, gera dores no corpo; por causa do furto, alguém é lançado no cárcere; e assim os diversos vícios impedem o prazer de diversos modos. E, porque o último fim é o que mais se ama, por isso aqueles que colocam o prazer como sumo bem amam sobretudo a vida voluptuosa.

58. Em seguida, quando diz: há, com efeito, três sobretudo etc., distingue três gêneros de vida, a saber, a voluptuosa, que acaba de ser mencionada, a civil e a contemplativa, e diz que estas são as mais eminentes. Para evidência disto, deve-se saber que, como se dirá adiante no livro IX, cada um reputa como sua vida aquilo a que mais se afeiçoa, assim como o filósofo o filosofar, o caçador o caçar, e assim por diante. E, porque o homem se afeiçoa sobretudo ao último fim, é necessário que os gêneros de vida se diversifiquem segundo a diversidade do último fim. Ora, o fim tem caráter de bem. E o bem se divide em três, a saber, o útil, o deleitável e o honesto, dos quais dois, a saber, o deleitável e o honesto, têm caráter de fim, porque ambos são apetecíveis por si mesmos. Chama-se, porém, honesto o que é bem segundo a razão, o qual tem, na verdade, algum deleite anexo. Por isso, o deleitável que se distingue do honesto é o deleitável segundo o sentido. Ora, a razão é tanto especulativa quanto prática.

59. Diz-se, portanto, voluptuosa a vida que constitui o fim no prazer do sentido; diz-se civil a vida que constitui o fim no bem da razão prática, por exemplo, no exercício das obras virtuosas; e contemplativa a vida que constitui o fim no bem da razão especulativa, a saber, na contemplação da verdade.

60. Em seguida, quando diz: muitos, portanto etc., investiga a opinião acima mencionada. E acerca disto faz duas coisas:

primeiro, refuta-a;

em segundo lugar, aduz a razão que conduz a ela, ali: e encontram uma razão etc.

Acerca do primeiro ponto, deve-se considerar que a vida voluptuosa, que coloca o fim em torno do deleite do sentido, necessariamente há de colocar o fim em torno dos maiores deleites, que se seguem às operações naturais, pelas quais, a saber, a natureza se conserva quanto ao indivíduo, pela comida e pela bebida, e quanto à espécie, pela união dos sexos. Ora, tais deleites são comuns aos homens e aos animais. Por isso, a multidão dos homens que colocam o fim em tais prazeres parece ser inteiramente bestial, como que escolhendo tal vida como a melhor vida, na qual os animais têm parte conosco. Pois, se nisto consistisse a felicidade do homem, por igual razão seriam felizes os animais que fruem do deleite da comida e do coito. Se, portanto, a felicidade é o bem próprio do homem, é impossível que a felicidade consista nestas coisas.

61. Em seguida, quando diz: e encontram uma razão etc., apresenta a razão que conduz a esta opinião. E diz que aqueles que sustentam esta opinião tomam como razão o fato de que muitos daqueles que estão constituídos nos maiores poderes, como os reis e os príncipes, que são reputados felicíssimos pelo vulgo, padecem de coisas semelhantes às de um certo rei dos assírios, chamado Sardanapalo, que se entregava totalmente aos prazeres; e, por isso, reputam que o prazer é o melhor, na medida em que é sobretudo amado pelos poderosos.

62. Em seguida, quando diz: os que, porém, são eminentes etc., investiga as opiniões pertencentes à vida ativa ou civil.

E, primeiro, quanto à honra;

em segundo lugar, quanto à virtude, ali: talvez, porém, e com maior etc.

E isto com razão. Pois a vida civil ou ativa visa o bem honesto, e chama-se honesto como que estado de honra; por isso, parece pertencer a ela tanto a própria honra quanto a virtude, que é causa da honra.

Acerca do primeiro ponto, faz três coisas.

Primeiro, propõe a opinião. E diz que aqueles que são eminentes, isto é, virtuosos, e dados à ação, isto é, entregues à vida ativa, colocam a felicidade na honra.

63. Em segundo lugar, ali: pois quase este é o fim da vida civil etc., aduz uma razão para isto. Porque o fim de quase toda a vida civil parece ser a honra, que é conferida aos que agem bem na vida civil como que supremo prêmio. E por isso, aos que cultivam a vida civil, parece provável que a felicidade consista na honra.

64. Em terceiro lugar, ali: mas parece ser algo mais superficial etc., refuta esta opinião por duas razões.

A primeira delas põe dizendo que, antes de designarmos a verdadeira noção da felicidade, adivinhamos, isto é, conjecturamos, que a felicidade é um certo bem que é próprio do próprio feliz, na medida em que lhe pertence sobretudo, e que dificilmente lhe é tirado; ora, isto não convém à honra, porque a honra parece consistir mais em certo ato do que honra e em seu poder do que no próprio que é honrado; logo, a honra é algo mais extrínseco e superficial do que o bem que se busca, a saber, a felicidade.

65. A segunda razão põe ali: além disso, parecem etc. É esta. A felicidade é algo ótimo que não se busca por causa de outra coisa. Mas há algo melhor do que a honra, por causa do qual a honra é buscada; pois os homens parecem buscar a honra para isto: para que eles próprios recebam uma opinião firme sobre si mesmos, de que são bons, e para que isto seja crido pelos outros; e por isso os homens buscam ser honrados pelos prudentes, que são de reto juízo, e junto àqueles pelos quais são conhecidos, que melhor podem julgar deles, e buscam ser honrados pela virtude, pela qual alguém é bom, como se dirá no livro II; e assim a virtude é algo melhor do que a honra, pela qual a honra é buscada. Não consiste, portanto, a felicidade na honra.

66. Em seguida, quando diz: talvez, porém etc., investiga a opinião dos que colocam a felicidade na virtude.

E a respeito disso faz duas coisas.

Primeiro, apresenta a opinião. E diz que talvez alguém julgue que o fim da vida civil seja mais a virtude do que a honra, pela razão já dita.

67. Segundo, ali: parece, porém, mais imperfeita etc., refuta-a por dupla razão.

A primeira delas é a seguinte. A felicidade parece ser um bem perfeitíssimo. Mas a virtude não é tal; pois às vezes se encontra sem a operação, que é a perfeição segunda, como fica claro naqueles que dormem e todavia possuem o hábito da virtude, e naqueles que têm o hábito da virtude e em toda a sua vida não lhes ocorre a oportunidade de operar segundo aquela virtude, como fica claríssimo na magnanimidade e na magnificência, pois algum pobre tem tal hábito e, contudo, nunca pode fazer coisas magníficas. Logo, a virtude não é o mesmo que a felicidade.

68. A segunda razão apresenta ali: e, com estas coisas, sofrer males etc. Ela é a seguinte. Acontece que alguém, tendo o hábito da virtude, sofra males e seja infortunado. Mas ninguém chamará tal homem de feliz, a não ser alguém que queira defender obstinadamente sua posição contra razões manifestas. Logo, a felicidade não é o mesmo que a virtude. E diz que isto basta para o propósito, mas que sobre estas coisas se tratou suficientemente nos escritos encíclicos, isto é, em certos versos circulares que compôs sobre a felicidade.

69. Depois, quando diz: a terceira, porém etc., faz menção da vida contemplativa. E diz que sobre a terceira vida, a saber, a contemplativa, será examinado mais adiante, isto é, no livro X.

70. Depois, quando diz: o rico, porém etc., investiga outra opinião menos razoável, que põe a felicidade em algo que tem caráter de bem útil, a saber, no dinheiro. E isto repugna à razão do último fim, pois algo se diz útil pelo fato de estar ordenado a um fim; contudo, porque o dinheiro tem utilidade universal em relação a todos os bens temporais, por isso tem certa probabilidade esta opinião que põe a felicidade no dinheiro.

71. Aristóteles, porém, refuta-a por dupla razão.

A primeira delas é a seguinte: o dinheiro é adquirido por violência e por violência é perdido; mas isto não convém à felicidade, que é o fim das operações voluntárias; logo, a felicidade não consiste no dinheiro.

72. A segunda razão apresenta ali: e as riquezas não são etc. Ela é a seguinte: nós buscamos a felicidade como um bem que não é buscado por causa de outra coisa; mas o dinheiro é buscado por causa de outra coisa, pois tem caráter de bem útil, como se disse; logo, nele não consiste a felicidade.

73. Conclui, além disso, que aquelas coisas ditas acima, a saber, o prazer, a honra e a virtude, podem ser consideradas últimos fins, porque são requeridas por si mesmas, como se disse, e todavia nem mesmo elas são o último fim, como se mostrou, embora por diversos autores tenham sido compostos muitos discursos para afirmar que a felicidade consiste nos bens sobreditos. Mas essas opiniões devem doravante ser abandonadas.