Lição 13
Some Place Happiness in Virtue with Pleasure; Others Say External Goods Are Necessary for Happiness
A vida deles também é, por si mesma, deleitável. [154]
Deleitar-se é próprio dos animais, e para cada um é deleitável aquilo do qual se diz amante de tais coisas, por exemplo, o cavalo para o que ama o cavalo, e o espetáculo para o que ama o espetáculo. Do mesmo modo também as coisas justas para o que ama a justiça, e universalmente as coisas que são segundo a virtude para o que ama a virtude. [155]
A muitos, com efeito, as coisas deleitáveis se opõem entre si, porque não são tais por natureza. Aos que amam o bem, porém, são deleitáveis as coisas que por natureza são deleitáveis. Ora, tais são as operações segundo a virtude. Por isso também a estes são deleitáveis, e por si mesmas. [156]
Em nada, porém, necessita de prazer a vida deles como de algo acrescentado, mas tem o prazer em si mesma. [157]
Pois, junto com o que foi dito, nenhum é bom que não se alegre com as boas operações. Com efeito, ninguém chamaria justo o que não se alegra com a operação justa, nem liberal o que não se alegra com as operações liberais; e semelhantemente nas outras. Ora, se é assim, então as operações segundo a virtude serão por si mesmas deleitáveis. [158]
Mais ainda, também são belas e boas, e cada uma destas qualidades no mais alto grau, se o homem virtuoso julga bem acerca delas; e ele julga, como dissemos. A felicidade, portanto, é o que há de ótimo, de mais belo e de mais deleitável. [159]
E estas coisas não estão separadas, segundo a inscrição de Delos: o ótimo é o que é mais justo, o mais desejável é ter saúde, e o mais deleitável é aquilo de que alguém deseja fruir. Pois todas estas coisas existem nas operações ótimas. E dizemos que a felicidade é todas estas, ou a melhor delas. [161]
Parece, contudo, que também necessita dos bens que são exteriores, como dissemos. [162]
Pois é impossível, ou não fácil, operar boas coisas o que é impotente, sendo desprovido; muitas coisas, com efeito, são realizadas, como dissemos, por meio de instrumentos, por meio de amigos, por meio das riquezas e do poder civil. E a privação de algumas coisas mancha a bem-aventurança, por exemplo, da nobreza, da boa prole, da beleza; pois de modo algum é feliz o que é feíssimo de aparência, ou de baixa origem, ou solitário e sem prole. E, além disso, talvez seja menos feliz se tiver filhos ou amigos péssimos, ou se, sendo bons, morreram. Assim, portanto, como dissemos, parece necessitar também de tal prosperidade. [163]
Por isso, alguns identificam a boa fortuna com a felicidade, outros, porém, a virtude. [164]
154. A vida deles também é etc. Depois que o Filósofo demonstrou, acerca da primeira opinião, que pôs a felicidade como sendo a virtude, em que concorda com a definição acima posta e em que dela se afasta, demonstra agora o mesmo acerca da segunda opinião, que pôs a felicidade como sendo a virtude com o prazer.
E acerca disto faz duas coisas:
primeiro, demonstra em que esta posição concorda com a sua sentença;
segundo, demonstra em que se afasta, ali: em nada, porém, necessita de prazer etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro propõe o que pretende;
segundo manifesta o propósito, ali onde diz: com efeito, deleitar-se etc.
Diz, portanto, primeiro que a vida daqueles que agem segundo a virtude é por si mesma deleitável, e assim à felicidade que colocamos na operação da virtude não falta o deleite que, segundo esses, a felicidade requer.
155. Depois, quando diz: com efeito, deleitar-se etc., prova o propósito.
E primeiro mostra que na operação da virtude há deleite;
segundo mostra que esse deleite é mais poderoso que os outros, ali onde diz: a muitos, portanto etc.
Diz, portanto, primeiro que deleitar-se é próprio dos animais; pois, embora atribuamos algum apetite, a saber, o natural, às coisas inanimadas, contudo não atribuímos o deleite senão àquelas que têm conhecimento; do que se dá a entender que o deleite pertence propriamente às operações da alma, nas quais se coloca a felicidade. Ora, em operações desse tipo, para cada um é deleitável aquilo de que se diz ser amigo; pois, assim como o amante deseja a coisa amada se estiver ausente, assim se deleita nela se estiver presente, como o cavalo é deleitável para quem ama o cavalo e o espetáculo para quem ama o espetáculo. Ora, é manifesto que todo virtuoso ama a operação da própria virtude, como conveniente a si; por isso, para o justo, enquanto ama a justiça, é deleitável praticar ações justas, e, universalmente, as operações que são segundo a virtude são deleitáveis aos virtuosos que amam a virtude.
156. Depois, quando diz: a muitos, portanto etc., mostra que esse deleite é mais poderoso que os outros. E propõe que aquilo que é deleitável para a multidão dos homens vulgares é contrário entre si, porque, assim como o pródigo se deleita na dissipação, assim o avarento na retenção supérflua; e isso ocorre porque tais deleites não são segundo a natureza do homem, que é comum a todos; pois não são segundo a razão, mas segundo a corrupção do apetite que se afasta da razão. Mas para aqueles que amam o bem da virtude são deleitáveis as coisas que são deleitáveis segundo a natureza, a saber, porque convêm ao homem segundo a razão, que é aperfeiçoadora da sua própria natureza, e por isso todos os virtuosos se deleitam nas mesmas coisas. Ora, tais são as operações segundo a virtude, a saber, naturalmente deleitáveis ao homem, pelo fato de serem segundo a reta razão. E por isso não são só deleitáveis quanto aos próprios homens, mas também são deleitáveis por si mesmas; ao passo que as operações viciosas são deleitáveis quanto aos próprios homens aos quais são conformes segundo os hábitos corrompidos que têm. Portanto, uma vez que aquilo que é por si e naturalmente tal é mais poderoso, segue-se que o deleite que é segundo a operação da virtude é mais deleitável.
157. Depois, quando diz: mas em nada carece etc., mostra em que a referida posição falha quanto à verdade. E a respeito disso faz duas coisas:
primeiro propõe o que pretende;
segundo manifesta o propósito, ali onde diz: pois com as coisas ditas etc.
É preciso, portanto, considerar acerca do primeiro que os que dizem ser a felicidade a virtude com o prazer pareciam insinuar que a virtude, para o complemento da felicidade, carece de um prazer extrínseco. Mas ele exclui isso, dizendo que a vida daqueles que agem segundo a virtude não carece do prazer como de algo extrínseco acrescentado, mas tem o prazer em si mesma.
158. Depois, quando diz: pois com as coisas ditas etc., manifesta o que havia dito.
E a respeito disso faz três coisas:
primeiro prova que a vida virtuosa tem o deleite em si mesma;
segundo mostra que, além disso, tem beleza e bondade segundo a excelência, ali onde diz: ao contrário, até belas etc.;
terceiro exclui a respeito disso uma sentença falsa, ali onde diz: e não estão separadas estas coisas etc.
Diz, portanto, primeiro que, junto às razões ditas pelas quais se mostrou que as operações segundo a virtude são naturalmente deleitáveis, deve-se ainda acrescentar isto: que o deleite é de necessidade da virtude e pertence à sua noção; pois ninguém é bom ou virtuoso que não se alegra nas boas operações. E isso manifesta por indução, porque ninguém diria ser justo aquele que não se alegra por praticar ações justas, e o mesmo se dá na liberalidade e em qualquer outra virtude. A razão disso é que, para cada virtuoso, a operação da própria virtude lhe é conveniente segundo o próprio hábito e, por consequência, se lhe torna deleitável. Do que fica patente que as operações segundo a virtude são por si mesmas deleitáveis e assim não requerem deleite extrínseco.
159. Depois, quando diz: ao contrário etc., mostra que as operações segundo a virtude não são só deleitáveis, mas também belas e boas; deleitáveis, com efeito, na ordem ao agente a quem convêm segundo o próprio hábito; belas, porém, segundo a ordem devida das circunstâncias como de certas partes, pois a beleza consiste na devida comensuração das partes; boas, por sua vez, segundo a ordem ao fim.
160. Acrescenta, ademais, que cada uma destas três coisas convém sobremaneira a elas, e isso prova pelo juízo do estudioso que, tendo reto senso acerca das coisas operáveis humanas, tem verdadeiro juízo sobre elas, como aquele que tem o gosto são tem verdadeiro juízo sobre os sabores; ora, o estudioso julga que as operações segundo a virtude são sobremaneira deleitáveis e belas e boas, como aquelas por que abandona todas as coisas deleitáveis e belas e boas. Portanto, uma vez que a felicidade consiste nas operações das virtudes, segue-se que a felicidade é o ótimo e o mais belo e o mais deleitável.
161. Depois, quando diz: e não estão separadas estas coisas etc., exclui do propósito uma certa opinião. Para cuja evidência é preciso considerar que em Delos ou Delfos, no templo de Apolo, estava escrito por cima que ótimo é aquilo que é o mais justo, o mais desejado é estar são, e o mais deleitável é aquilo de que alguém deseja fruir. Mas o Filósofo diz que essas três coisas não convêm a coisas diversas, mas todas convêm às operações que são segundo a virtude, nas quais, ou na melhor das quais, consiste a felicidade. Por isso, uma e mesma coisa, a saber, a felicidade, é o que é ótimo e o mais desejado, ou o mais belo e o mais deleitável.
162. Depois, quando diz: parece, contudo, também deles etc., aborda a terceira opinião, que sustentava serem necessários os bens exteriores para a felicidade.
E a respeito disso faz três coisas:
primeiro propõe em que esta opinião concorda com a verdade;
segundo manifesta o propósito, ali onde diz: pois é impossível etc.;
terceiro conclui a partir do que foi dito, ali onde diz: donde para o mesmo etc.
Diz, portanto, primeiro que a terceira opinião acima posta parece, quanto a isto, ser verdadeira: que a felicidade carece de bens exteriores, como acima se disse.
163. Depois, quando diz: pois é impossível etc., manifesta o propósito. Acerca do que é preciso considerar que a felicidade carece de alguns bens exteriores como de instrumentos de que necessitamos para exercer as obras da virtude nas quais consiste a felicidade. E quanto a isto diz que é impossível ou difícil que o homem que não tem riquezas com que possa doar e despender realize certas obras virtuosas; pois muitas das obras virtuosas fazemos por meio de amigos e por meio das riquezas e por meio do poder civil, por exemplo pelo fato de alguém ser rei ou procônsul. Certos bens exteriores, porém, são os que contribuem para uma certa beleza da felicidade, a saber, enquanto tornam o homem agradável aos olhos dos outros, o que pertence à noção de beleza;
e quanto a isto acrescenta que ser privado de certos bens exteriores mancha a bem-aventurança, a saber, enquanto torna o homem de algum modo desprezível aos olhos dos outros, como é patente naquele que carece de nobreza ou de boa prole ou também de beleza corporal; pois não é totalmente feliz quem é disforme na aparência, porque por isso se torna desprezível e menosprezado aos olhos dos outros, e a mesma razão vale para aquele que é innobre ou que carece de boa prole e de outros parentes segundo a carne, existindo como que solitário, porque por todas essas coisas o homem é desprezado. E muito mais menos feliz é se tiver péssimos filhos ou amigos, porque por eles é impedido da operação da virtude; e igualmente também repugna à felicidade se algum dia os teve bons e morreram, porque disso permanece no seu coração alguma causa de tristeza. Assim, portanto, parece que a felicidade carece de prosperidade exterior.
164. Depois, quando diz: donde para o mesmo etc., tira a conclusão do que foi dito. Pois, porque a felicidade consiste principalmente na operação da virtude, mas carece de algum modo de bens exteriores que se chamam bens da fortuna, porque muitas vezes fortuitamente sobrevêm ao homem ou dele se retiram, daí provém que alguns sustentaram ser a mesma coisa a boa fortuna e a felicidade, e outros disseram ser a mesma coisa a felicidade e a virtude, como acima se disse.