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Lição 11

Ways of Becoming Virtuous

Que a virtude moral é um meio-termo, e de que modo, e que é um meio-termo entre dois vícios, um segundo o excesso, outro segundo o defeito, e que é tal porque busca o meio que está nas paixões e nas operações, foi dito suficientemente. [369]

Por isso também é difícil ser virtuoso. Pois em cada caso é difícil alcançar o meio; por exemplo, encontrar o centro de um círculo não é próprio de qualquer um, mas de quem sabe; assim também irar-se é próprio de qualquer um e é fácil, e dar dinheiro e gastá-lo; mas dá-lo a quem convém, na medida devida, no tempo devido, para o fim devido e do modo devido, isto já não é próprio de qualquer um nem é fácil, o que é bom e raro e louvável e nobre. [370]

Por isso é preciso que aquele que busca o meio primeiramente se afaste do que é mais contrário, assim como também Calipso advertia: Mantém o navio fora da fumaça e da onda. Pois, dos extremos, um é o pecado maior e o outro o menor. Portanto, uma vez que atingir o meio é sumamente difícil, deve-se, segundo a segunda navegação, como dizem, escolher o menor dos males. E isto se fará sobretudo do modo que dizemos. [371]

Deve-se, porém, atentar também para aquilo a que nós mesmos facilmente nos inclinamos; pois uns são aptos por natureza para umas coisas, outros para outras. E isto se tornará conhecido pelo prazer e pela tristeza que se produzem em nós. É preciso, então, arrastarmo-nos a nós mesmos para o contrário. Pois, afastando-nos muito do pecado, chegaremos ao meio. É o que fazem os que endireitam as madeiras tortas. [374]

Em tudo, porém, deve-se sobretudo observar o deleitável e o prazer. Pois não o julgamos sem sermos por ele afetados. Portanto, o que os anciãos do povo sentiam em relação a Helena, isto também nós devemos sentir em relação ao prazer, e em tudo o que a ele diz respeito repetir a voz daqueles. Assim, portanto, rejeitando-o, pecaremos menos. Fazendo, pois, estas coisas, para dizê-lo em suma, poderemos sobretudo alcançar o meio. [377]

Isto, porém, talvez seja difícil, e sobretudo nos casos particulares. Pois não é fácil determinar de que modo, em relação a quem, em que tipo de coisas e por quanto tempo se deve determinar. Pois nós às vezes louvamos os que são deficientes e os chamamos de mansos, e às vezes chamamos de viris os que se irritam. [379]

Mas quem se afasta pouco do que é bom não é censurado, nem para o mais nem para o menos, mas sim quem se afasta muito; pois este não passa despercebido. [380]

Até que ponto, porém, e em que medida alguém é censurável, não é fácil de determinar por palavras, nem tampouco qualquer outra das coisas sensíveis. Ora, tais coisas estão nos casos particulares, e o juízo delas está no sentido. Isto, pois, mostra apenas que o hábito intermediário é louvável em todas as coisas; mas é preciso inclinar-se às vezes para o excesso, às vezes para o defeito, pois assim facilmente alcançaremos o meio e o que é bom. [381]

369. Que a virtude moral etc. Depois que o Filósofo determinou o que é a virtude, aqui mostra como alguém pode adquirir a virtude, porque, como se disse acima, o fim desta doutrina não é o conhecimento da verdade, mas que nos tornemos bons.

E acerca disto faz duas coisas:

primeiro, mostra que é difícil o homem tornar-se virtuoso;

segundo, mostra de que modo se pode chegar a isto, ali: por isso é preciso que aquele que busca o meio etc.

Acerca do primeiro ponto, faz duas coisas.

Primeiro, retoma aquilo que foi dito. E diz que se disse suficientemente acima que a virtude moral é um meio-termo, e de que modo é meio-termo, a saber, não segundo a coisa, mas quanto a nós, e de que coisas é meio-termo, a saber, que é meio-termo entre dois vícios, dos quais um se comporta segundo o excesso, outro segundo o defeito; disse-se também por que a virtude é meio-termo, a saber, porque busca o meio, isto é, inquirindo e escolhendo o meio tanto nas paixões quanto nas ações.

370. Em segundo lugar, ali: por isso também é difícil etc., conclui do que foi mostrado antes que é difícil ser estudioso, isto é, virtuoso. Pois em todas as coisas vemos que atingir o meio é difícil, ao passo que desviar-se do meio é fácil, assim como atingir o meio em um círculo não é próprio de qualquer um, mas de quem sabe, a saber, do geômetra, ao passo que desviar-se do centro qualquer um pode fazê-lo; do mesmo modo também irar-se de qualquer maneira qualquer um pode fazê-lo e facilmente, e igualmente dar dinheiro e gastá-lo, mas que alguém dê a quem é preciso dar e quanto é preciso e quando é preciso e em vista de quê é preciso e como é preciso, pelo que se entende dar bem, não é próprio de qualquer um nem é fácil, mas, por causa de sua dificuldade, é raro e é louvável e virtuoso, enquanto é conforme à razão.

371. Em seguida, quando diz: por isso é preciso etc., mostra os modos pelos quais alguém pode chegar a tornar-se virtuoso. E a respeito disso faz duas coisas:

primeiro ensina como alguém pode chegar ao meio uma vez encontrado;

segundo trata da própria descoberta do meio, ali: mas isto talvez seja difícil etc.

A respeito do primeiro apresenta três advertências.

A primeira delas toma-se da própria natureza da coisa. E diz que, porque tornar-se virtuoso e atingir o meio é difícil, por isso é preciso que aquele que visa ao meio, isto é, que pretende chegar ao meio, se empenhe principalmente nisto: em afastar-se do extremo que mais se opõe à virtude. Assim, se alguém quer chegar ao meio da fortaleza, deve empregar o principal esforço em afastar-se da timidez, que mais se opõe à fortaleza do que a audácia, como foi dito.

372. E apresenta o exemplo de certo nauta ou poeta que advertia os navegantes a que se acautelassem principalmente dos maiores perigos do mar, que são as ondas que emborcam a nave e as névoas nebulosas que impedem a visão dos nautas; e isto é o que diz: mantém a nave para além da fumaça e da onda, como que dizendo: guarda a nave de tal modo que passes ao largo das névoas e das ondas.

373. E atribui a razão da mencionada advertência, dizendo que um dos extremos viciosos, a saber, aquele que é mais contrário à virtude, é um pecado maior, enquanto aquele extremo que é mais semelhante à virtude é um pecado menor. E por isso, porque é muito difícil atingir o meio da virtude, o homem deve esforçar-se por evitar ao menos os maiores perigos, que são, a saber, os mais contrários à virtude, assim como os navegantes dizem que, depois da primeira navegação em que o homem não sofre perigo algum, a segunda navegação consiste em que o homem escolha os menores dos perigos. E algo semelhante acontece a respeito da vida humana do modo como foi dito, a saber, que o homem evite principalmente os vícios que mais se contrariam à virtude.

374. Apresenta a segunda advertência ali: é preciso porém atentar etc. E toma-se de nossa parte, a saber, quanto àquilo que é próprio de cada um. E diz que é preciso que aquele que quer tornar-se virtuoso atente para o que seja aquilo para o qual seu apetite é naturalmente inclinado a mover-se; pois diversos naturalmente se inclinam mais a coisas diversas. Ora, para o que cada um naturalmente se inclina, pode conhecê-lo a partir do prazer e da tristeza que se produzem a seu respeito, porque para cada um é deleitável aquilo que lhe é conveniente segundo a natureza,

375. donde, se alguém se deleita muito em alguma ação ou paixão, é sinal de que naturalmente se inclina para aquilo. Ora, os homens tendem veementemente para aquilo a que naturalmente se inclinam e por isso facilmente a esse respeito o homem transpõe o meio, e por causa disso é preciso que nos atraiamos para o contrário quanto pudermos, porque, quando nos empenhamos em afastar-nos muito do pecado para o qual somos propensos, assim finalmente a custo chegaremos ao meio. E apresenta a comparação com aqueles que endireitam madeiras retorcidas, os quais, quando as querem endireitar, torcem-nas para a outra parte e assim finalmente são reconduzidas ao meio.

376. E deve-se considerar que esta via de adquirir as virtudes é a mais eficaz, a saber, que o homem se empenhe pelo contrário daquilo para o qual se inclina, seja por natureza, seja por costume; contudo, a via que os estoicos propuseram é mais fácil, a saber, que o homem paulatinamente se afaste daquilo para o qual se inclina, como Túlio narra no livro Das questões tusculanas. A via também que aqui Aristóteles propõe convém àqueles que veementemente desejam afastar-se dos vícios e chegar à virtude; mas a via dos estoicos convém mais àqueles que têm vontade débil e tíbia.

377. Apresenta o terceiro modo ali: em tudo porém sobretudo etc. E também esta advertência toma-se de nossa parte, não porém segundo aquilo que é próprio de cada um, como foi dito da segunda advertência, mas segundo aquilo que é comum a todos. Pois todos naturalmente se inclinam para os prazeres, e por isso diz que universalmente devem os que tendem para a virtude acautelar-se sobretudo dos deleitáveis e dos prazeres. Pois, por causa disto, que o homem se inclina sobremaneira para o prazer, os deleitáveis apreendidos movem facilmente o apetite, e por isso diz que não podemos facilmente julgar o prazer, isto é, demorando-nos em sua consideração, sem que o apetite o aceite, isto é, lançando-se em seu desejo. E por isso aquilo que os anciãos do povo troiano sofriam diante de Helena, a saber, julgando que ela devia ser rejeitada, isto é preciso que nós o soframos diante do prazer, e em tudo o que diz respeito ao prazer dizer a voz daqueles, a saber, que rejeitemos de nós os prazeres corporais. E assim, rejeitando o prazer, pecaremos menos, porque o desejo dos prazeres conduz os homens a numerosíssimos pecados.

378. Conclui, portanto, que os que fazem aquilo que foi dito neste capítulo, isto é, sumariamente, poderão sobretudo alcançar o meio da virtude.

379. Em seguida, quando diz: mas isto talvez seja difícil etc., mostra como se deve determinar o meio da virtude. E a respeito disso faz três coisas:

primeiro mostra a dificuldade disto;

segundo mostra o que basta para a determinação do meio, ali: mas aquele que pouco etc.;

terceiro responde a uma questão tácita, ali: até onde porém etc.

Diz, portanto, primeiro que isto, a saber, encontrar o meio, é difícil e sobretudo considerando as circunstâncias singulares nos casos singulares das coisas a fazer. Pois não é fácil determinar como algo deva ser feito e a respeito de quem e em que tipo de coisas e por quanto tempo se deva determinar. E mostra um sinal desta dificuldade, porque àqueles que são deficientes, por exemplo em irar-se, às vezes os louvamos e os chamamos mansos, e às vezes louvamos aqueles que mais agravam ao punir ou ao resistir, e os chamamos viris.

380. Em seguida, quando diz: mas aquele que etc., mostra o que basta para o meio da virtude. E diz que aquele que pouco transgride daquilo que é bem feito segundo o meio da virtude não é censurado, nem se declina para o mais nem se declina para o menos, porque um modesto afastamento do meio da virtude passa despercebido, por causa da dificuldade do meio, mas aquele que se afasta muito é censurado, porque não passa despercebido.

381. Em seguida, quando diz: até onde porém etc., responde a certa questão tácita. Pois alguém poderia perguntar quanto afastamento do meio é censurado e quanto não o é. Mas ele, respondendo, diz que não se pode facilmente determinar por nenhum discurso até que limite e quanto alguém que se afasta do meio seja censurado, assim como tampouco qualquer outra das coisas sensíveis, que mais se discernem pelo sentido do que podem ser determinadas pela razão. Ora, as coisas deste gênero que pertencem às operações das virtudes consistem em casos singulares e por isso o juízo delas consiste no sentido, ainda que não no exterior, ao menos no interior, pelo qual alguém bem estima acerca dos casos singulares, ao qual pertence o juízo da prudência, como se dirá abaixo no livro VI. Mas isto apenas basta aqui para mostrar que o hábito médio em todas as coisas é louvável, mas às vezes é preciso declinar para a superabundância, às vezes porém para o defeito, seja por causa da própria natureza da virtude, seja por causa de nossa inclinação, como fica claro do que foi dito acima, e por este modo alcançaremos facilmente o meio segundo o qual algo é bem feito. E nisto se encerra o segundo livro.