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Lição 8

Magnanimity

A magnanimidade, por seu próprio nome, parece referir-se a coisas grandes. Devemos primeiro apreender a respeito de que tipo de coisas ela se ocupa. Ora, nada difere considerar o hábito ou aquele que age segundo o hábito. [735]

Parece ser magnânimo aquele que se julga digno de grandes coisas, sendo de fato digno. [736]

Pois aquele que assim age sem corresponder à sua dignidade é insensato; mas, entre os que agem segundo a virtude, nenhum é insensato nem tolo. O magnânimo, portanto, é aquele que descrevemos. [737]

Com efeito, aquele que é digno de pequenas coisas e por elas se julga digno é temperado, mas não é magnânimo; pois a magnanimidade está na grandeza, assim como a beleza está em um corpo grande; os pequenos podem ser formosos e bem proporcionados, mas não belos. [738]

Mas aquele que se julga digno de grandes coisas, sendo indigno, é presunçoso. Aquele, porém, que se julga digno de coisas maiores do que merece nem sempre é presunçoso. [739]

Por outro lado, aquele que se julga digno de coisas menores do que merece é pusilânime, quer seja digno de coisas grandes, moderadas ou pequenas, se ainda assim se julgar digno de coisas menores. E isto parecerá sobretudo naquele que é digno de grandes coisas; pois o que faria ele se não fosse digno de tais coisas? [740]

Ora, o magnânimo é extremo quanto à grandeza, mas é meio quanto ao que convém, pois julga-se digno segundo a sua dignidade; os outros, porém, excedem e ficam aquém. [741]

Se alguém se julga digno de grandes coisas, sendo de fato digno, e sobretudo das maiores, ocupar-se-á principalmente com uma só coisa. Ora, a dignidade diz-se em relação aos bens exteriores. E poremos como o maior aquilo que atribuímos aos deuses e o que mais desejam os que estão em posição de dignidade e o que é o prêmio das melhores ações. Tal é a honra. Pois esta é o maior dos bens exteriores. Portanto, a respeito das honras e das desonras o magnânimo comporta-se como convém. [742]

E mesmo sem raciocínio parecem os magnânimos ocupar-se da honra. Pois é sobretudo pela honra que os grandes se julgam dignos segundo a sua dignidade. [743]

O pusilânime, porém, fica aquém tanto em relação a si mesmo quanto em relação à dignidade do magnânimo. Já o presunçoso excede em relação a si mesmo, mas não em relação ao magnânimo. [744]

Mas o magnânimo, se é digno das maiores coisas, será o melhor. Pois o melhor é sempre digno de coisas maiores, e o ótimo, das maiores. Assim, o verdadeiro magnânimo deve ser bom. [745]

Ora, parece pertencer ao magnânimo aquilo que há de grande em cada virtude. [746]

E de modo algum convém ao magnânimo fugir daquele que o admoesta nem cometer injustiças; pois em vista de quê praticaria ele ações torpes, aquele para quem nada é grande? [747]

Mas, a quem observa os casos particulares, parecerá totalmente ridículo o magnânimo que não é bom; pois quem é perverso não será digno de honra, já que a honra é o prêmio da virtude e é atribuída aos bons. [748]

Parece, portanto, que a magnanimidade é como um certo ornamento das virtudes; pois as torna maiores e não se dá sem elas. Por isso é difícil ser verdadeiramente magnânimo; pois não é possível sem a bondade. [749]

735. A magnanimidade, por seu próprio nome etc. Depois que o Filósofo tratou das virtudes que se referem ao dinheiro, aqui trata das virtudes que se referem às honras.

E primeiro da magnanimidade, que se refere às grandes honras;

segundo, de uma certa virtude sem nome, que se refere às honras moderadas, ali: parece haver também a respeito destas uma certa virtude etc.

A respeito do primeiro ponto, faz duas coisas:

primeiro, investiga a matéria da magnanimidade e dos vícios opostos;

segundo, determina os atos e as propriedades deles, ali: na maior parte, portanto, a respeito das honras etc.

A respeito do primeiro ponto, faz duas coisas:

primeiro, propõe o que pretende;

segundo, manifesta o proposto, ali: parece ser magnânimo etc.

Diz, portanto, primeiro que, pelo próprio nome da magnanimidade, aparece que a magnanimidade se refere a coisas grandes. Mas é preciso primeiro apreender a respeito de que tipo de coisas grandes ela se ocupa.

E determina o modo de consideração, a saber, que nada difere falarmos do próprio hábito da magnanimidade ou daquele que é disposto segundo o hábito, isto é, do magnânimo.

736. Em seguida, quando diz: parece ser magnânimo etc., manifesta o proposto.

E a respeito disto faz duas coisas:

primeiro, manifesta a matéria da magnanimidade em geral;

segundo, em especial, ali: se alguém se julga digno de grandes coisas etc.

A respeito do primeiro ponto, faz três coisas:

primeiro, mostra que a magnanimidade se refere a coisas grandes;

segundo, mostra de que modo, a respeito das mesmas coisas, se dão os vícios opostos, ali: mas aquele que se julga digno de grandes coisas etc.;

terceiro, mostra de que modo a virtude consiste no meio, ali: ora, o magnânimo etc.

A respeito do primeiro ponto, faz três coisas.

Primeiro, propõe o que pretende, dizendo que parece ser magnânimo aquele que se julga digno de grandes coisas, isto é, de fazer grandes coisas e de que grandes coisas lhe aconteçam, sendo contudo de fato digno.

737. Segundo, ali: pois aquele que não age segundo a dignidade etc., mostra que para o magnânimo se requer que seja digno de grandes coisas. Pois aquele que se julga digno de grandes coisas não segundo a dignidade, isto é, de coisas de que não é digno, é insensato; pois é próprio do sábio conservar em todas as coisas a ordem devida. Ora, nenhum virtuoso é insensato ou tolo, porque a virtude opera segundo a reta razão, como se estabeleceu no livro II. Assim, portanto, é claro que o magnânimo é aquele que foi descrito, a saber, o que é digno das grandes coisas de que se julga digno.

738. Terceiro, ali: pois aquele que é digno de pequenas coisas etc., mostra que o magnânimo se julga digno de grandes coisas. Pois aquele que é digno de pequenas coisas e por elas se julga digno pode ser chamado temperado, na medida em que a temperança é tomada amplamente por qualquer moderação. Não pode, contudo, ser chamado magnânimo, porque a magnanimidade consiste em uma certa grandeza, assim como a beleza propriamente consiste em um corpo grande; por isso aqueles que são pequenos podem ser chamados formosos, pela conveniência da cor, e bem proporcionados, pela devida proporção dos membros, mas não podem ser chamados belos, pela falta de grandeza.

379. Em seguida, quando diz: mas aquele que se julga digno de grandes coisas etc., mostra de que modo os vícios opostos se comportam a respeito das coisas grandes.

E primeiro, de que modo se comporta a respeito das coisas grandes o vício que está no excesso;

segundo, de que modo se comporta a respeito disto o vício que está no defeito, ali: mas aquele que se julga digno de coisas menores do que merece etc.

Diz, portanto, primeiro que aquele que se julga digno de grandes coisas, sendo indigno, é chamado presunçoso, isto é, cheio de fumaça, o qual podemos chamar de ventoso ou presunçoso. Mas aquele que é digno de grandes coisas e ainda se julga digno de coisas maiores nem sempre é chamado presunçoso, porque é difícil atingir a medida exata, de modo que alguém não se julgue digno de coisas maiores ou menores.

740. Em seguida, quando diz: mas aquele que se julga digno de coisas menores do que merece etc., mostra de que modo se comporta a respeito das coisas grandes o vício que está no defeito. E diz que aquele que se julga digno de coisas menores do que é digno é chamado pusilânime, e isto quer seja digno de coisas grandes, medíocres ou pequenas, contanto que ainda assim se julgue digno de coisas menores. Contudo, é chamado pusilânime sobretudo aquele que é digno de grandes coisas, se recusa dedicar-se a essas grandes coisas e se dedica a algumas menores; pois muito mais se rebaixaria a coisas pequenas se não fosse digno de grandes.

741. Em seguida, quando diz: ora, o magnânimo etc., mostra de que modo a magnanimidade está no meio. Pois parece que, se ela se refere a coisas grandes, esteja no extremo, pois, sendo o igual o meio entre o grande e o pequeno, o grande tem caráter de extremo. Por isso diz que o magnânimo, quanto às grandes coisas de que se julga digno, consiste no extremo, mas, enquanto o faz segundo o que convém, consiste no meio, a saber, porque se julga digno de grandes coisas segundo a sua dignidade (pois o meio da virtude não se considera segundo a quantidade da coisa, mas segundo a reta razão; por isso, por maior que seja a obra que o homem faça, contanto que não se afaste da reta razão, não está por isso fora do meio da virtude); mas os vícios opostos excedem e ficam aquém daquilo que convém.

742. Em seguida, quando diz: se alguém se julga digno de grandes coisas etc., manifesta a matéria da magnanimidade em especial.

E a respeito disto faz três coisas:

primeiro, mostra que a magnanimidade se refere às honras;

segundo, mostra de que modo os vícios opostos se comportam a respeito disto, ali: o pusilânime, porém etc.;

terceiro, mostra de que modo a magnanimidade se relaciona com as outras virtudes, ali: mas o magnânimo, se é digno etc.

E o primeiro ponto mostra de dois modos.

Primeiro por meio de um argumento, dizendo que, se o magnânimo se considera digno de grandes coisas por ser realmente digno delas, segue-se que ele se considere digno, no mais alto grau, das maiores coisas; e, além disso, que a magnanimidade diga respeito principalmente a uma só coisa, pois aquilo que se diz por excelência atribui-se a um só. Ora, quando se diz que alguém é digno de certas coisas, tal dignidade se refere aos bens exteriores que são dados ao homem como prêmio. Deve-se, porém, considerar máximo aquilo que se atribui a Deus, que é sumamente desejado por aqueles que estão em posição de dignidade e que é o prêmio dos atos mais nobres. Ora, tal é a honra. Pois prestamos honra a Deus; a honra é também aquilo que buscam os que estão em posição de dignidade; e com a honra são premiados os atos virtuosos. Donde é manifesto que a honra é o melhor entre todos os bens exteriores. E assim se segue que a magnanimidade diga respeito sobretudo às honras e ao seu oposto, isto é, enquanto o magnânimo se comporta como é preciso a respeito de tais coisas.

743. Em segundo lugar, em e mesmo sem argumento etc., manifesta o proposto pela experiência, dizendo que também sem argumento se mostra que a magnanimidade diz respeito sobretudo à honra, pelo fato de que vemos pela experiência que os magnânimos se consideram sumamente dignos de honra, mas não acima de sua dignidade.

744. Em seguida, quando diz: o pusilânime, porém etc., mostra como os vícios opostos se comportam a respeito da referida matéria. E diz que o pusilânime é deficiente tanto em relação a si mesmo, porque se considera digno de coisas menores do que aquelas de que é digno, quanto também em relação à dignidade do magnânimo, porque se considera digno de coisas menores do que aquelas de que o magnânimo é digno. Mas o chaymus, isto é, o presunçoso, é excessivo em relação a si mesmo, porque se engrandece com coisas maiores do que aquelas de que é digno; não excede, contudo, o magnânimo, porque não se considera digno de coisas maiores do que aquelas de que o magnânimo é digno.

745. Em seguida, quando diz: o magnânimo, porém etc., trata da magnanimidade por comparação com as outras virtudes.

E a respeito disto faz duas coisas:

primeiro mostra que a magnanimidade não existe sem as outras virtudes;

segundo tira algumas conclusões do que foi dito, em: parece, portanto etc.

A respeito do primeiro faz duas coisas:

primeiro mostra por um argumento comum que a magnanimidade não existe sem as outras virtudes;

segundo mostra o mesmo por aquilo que aparece nos casos particulares, em: segundo os casos particulares, porém etc.

A respeito do primeiro faz três coisas:

primeiro mostra que a magnanimidade não existe sem as outras virtudes;

segundo mostra o que faz da magnanimidade uma virtude especial, em: parece, porém, que é próprio etc.;

terceiro exclui certo erro, em: e de modo algum convém etc.

Diz, pois, primeiro que, uma vez que o magnânimo se considera digno dos maiores bens e é realmente digno deles, segue-se que ele seja ótimo. Pois de um bem maior é sempre digno o melhor, e, por conseguinte, aquele que é digno das maiores coisas deve ser o melhor. É preciso, portanto, que o magnânimo seja verdadeiramente bom; do contrário, não seria digno das maiores honras.

746. Em seguida, quando diz: parece, porém, que é próprio do magnânimo etc., mostra por que a magnanimidade é uma virtude especial, embora acompanhe as outras virtudes. E diz que à magnanimidade parece pertencer aquilo que é grande em cada uma das virtudes, pelo fato de que não é digno de grande honra quem não realiza um grande ato de virtude. Assim, pois, a respeito do ato de alguma outra virtude opera aquela virtude atendendo àquilo que lhe é próprio; por exemplo, a fortaleza intenta agir corajosamente, mas a magnanimidade atende a realizar algo grande no agir corajosamente; e, porque as coisas morais recebem a espécie do fim que intentam, é manifesto que a magnanimidade e a fortaleza diferem em espécie, ainda que operem a respeito da mesma coisa, porque cada uma das virtudes não atende à mesma razão do móvel.

747. Em seguida, quando diz: e de modo algum etc., exclui certo erro. Pois parece a alguns que ao magnânimo pertence apoiar-se sempre em seu próprio parecer e não seguir a admoestação de nenhum outro, e que não hesite em cometer injustiça contra quem quer que seja. Mas o Filósofo diz que isso é falso, porque ninguém pratica algo indecoroso senão por causa do apetite de alguma coisa; ora, o magnânimo não aprecia tanto coisa exterior alguma a ponto de, por causa dela, querer praticar algo torpe.

748. Em seguida, quando diz: segundo os casos particulares, porém etc., manifesta o que foi dito por aquilo que aparece nos casos particulares. E diz que, se alguém quiser atender aos casos singulares, aparecerá totalmente ridículo aquele que se reputa magnânimo sem ser bom, porque, se for mau, não será digno de honra, pois a honra é o prêmio da virtude. Donde o magnânimo se considera digno de grandes honras. Donde não pode ser que alguém mau seja magnânimo.

749. Em seguida, quando diz: parece, portanto etc., tira duas conclusões das premissas.

A primeira delas é que a magnanimidade parece ser como um ornamento de todas as virtudes, porque pela magnanimidade todas as virtudes se tornam maiores, visto que à magnanimidade pertence realizar algo grande em todas as virtudes, e disto crescem as virtudes; e, além disso, a magnanimidade não se dá sem as outras virtudes, e assim parece acrescentar-se às outras como seu ornamento.

A segunda conclusão é que é difícil ser verdadeiramente magnânimo, porque a magnanimidade não pode existir sem a bondade da virtude e também sem uma grande virtude, à qual se deva grande honra; ora, alcançar isto é difícil; donde é difícil que o homem seja magnânimo.