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Lição 21

How Sorrows, Pleasures, and Desires Affect the Temperate Man

Ora, em relação às tristezas, não se diz temperante por suportá-las, como na fortaleza, nem intemperante por não as suportar; mas o intemperante, sim, é aquele que se entristece mais do que é preciso por não alcançar as coisas deleitáveis, e o deleite lhe causa tristeza; ao passo que o temperante, sim, é aquele que não se entristece com a ausência delas nem por abster-se do deleitável. [626]

O intemperante, portanto, deseja todas as coisas deleitáveis, ou aquelas que são sumamente deleitáveis, e é conduzido pela concupiscência a escolhê-las de preferência às outras. Por isso também se entristece, tanto por não as alcançar como por desejá-las; pois com a tristeza está a concupiscência. Ora, assemelha-se a algo inconveniente entristecer-se por causa do deleite. [628]

Ora, os que são deficientes em relação aos deleites e se alegram menos do que é preciso não se tornam muitos. Pois tal insensibilidade não é humana; com efeito, também os demais animais discernem os alimentos e com uns se alegram, mas com outros não; se, porém, para alguém nada é deleitável nem uma coisa difere da outra, este certamente estará muito longe do ser dos homens. Ora, tal pessoa não recebeu um nome, por não se tornar muitos. [630]

Ora, o temperante se comporta de modo intermédio em relação a estas coisas. Pois nem se deleita com aquelas coisas com que sumamente se deleita o intemperante, mas antes se entristece, nem universalmente com aquilo com que não é preciso, nem veementemente de modo algum de tal maneira. Nem se entristece com as coisas ausentes. Nem as deseja, ou apenas de modo medido, nem mais do que é preciso de modo algum, nem quando não é preciso, nem universalmente nada de tais coisas. [632]

Ora, todas as coisas que, sendo deleitáveis, se ordenam à saúde ou à boa disposição, estas ele apetecerá de modo medido e como é preciso, e as outras coisas deleitáveis, contanto que não sejam impedimentos a estas, nem contra o bem, nem acima dos seus meios. Pois quem se comporta assim ama tais deleites mais do que seria digno. Ora, o temperante não é assim, mas age conforme a reta razão. [633]

626. Ora, em relação às tristezas, não como etc. Depois de o Filósofo ter determinado de que modo a temperança diz respeito aos deleites, aqui mostra como ela diz respeito às tristezas.

E a respeito disto faz duas coisas:

primeiro mostra como de modos diversos se comportam em relação à tristeza o forte, o temperante e o intemperante;

segundo esclarece o que havia dito, ali: o intemperante, portanto etc.

Diz, pois, primeiro que não se comportam de modo semelhante em relação à tristeza o forte, o temperante e o intemperante; pois o forte, sim, padece grandes tristezas, mas é louvado por suportá-las bem, como foi dito acima; ao passo que o temperante não é louvado por suportar tristezas, nem o intemperante é vituperado por não as suportar, como é vituperado o tímido; mas o intemperante é vituperado por se entristecer mais do que é preciso, e a sua tristeza não vem de algo lesivo iminente, como é a tristeza do tímido, mas ele se entristece por não alcançar as coisas deleitáveis que deseja, e assim o deleite, pela sua ausência, causa nele tristeza; ao contrário, porém, o temperante é louvado por não se entristecer ao abster-se das coisas deleitáveis, mas está pronto a abster-se das coisas deleitáveis, porque não as deseja muito. Ora, é mais poderoso o efeito que se segue da presença de alguma causa do que o que se segue da ausência,

627. e por isso a fortaleza diz respeito principalmente às tristezas que se seguem da presença das coisas nocivas, ao passo que a temperança diz respeito secundariamente às tristezas que se seguem da ausência das coisas deleitáveis, mas principalmente aos deleites que se seguem da presença das coisas deleitáveis.

628. Em seguida, quando diz: o intemperante, portanto etc., esclarece o que havia dito, isto é, que ao intemperante o deleite causa tristeza. Pois isto acontece porque o intemperante deseja todas as coisas deleitáveis (pois apetece o deleite por si mesmo e por isso apetece tudo o que causa deleite), ou apetece aquelas coisas que são sumamente deleitáveis, em comparação com as quais menos se importa com as outras coisas deleitáveis, e daí vem que a sua escolha não é regida pela razão, mas é conduzida pela concupiscência a escolher as coisas deleitáveis, e principalmente as que são sumamente tais, acima dos outros bens que são úteis ou honestos; pois os intemperantes pospõem o útil e o honesto para alcançar o deleitável. E por isso o intemperante se entristece quando não alcança o deleite que deseja; pois a concupiscência, quando não alcança a coisa desejada, está com tristeza.

629. E embora isto pareça ser inconveniente segundo uma verossimilhança superficial, isto é, que alguém se entristeça por causa do deleite, é contudo verdade que o intemperante se entristece por causa do deleite; pois ele não se entristece senão pela ausência dele, assim como também a nau perece pela ausência do piloto.

630. Em seguida, quando diz: ora, os deficientes etc., determina acerca do vício oposto à intemperança, que é deficiente em relação aos deleites. E diz que não acontece muito que alguns sejam deficientes em relação aos deleites, de sorte a alegrar-se menos do que é preciso, isto é, do que se requer para a saúde e a boa disposição do corpo e para uma decente convivência com os outros, no que consiste o defeito vicioso que acima, no livro II, chamou de insensibilidade. A qual não convém à natureza humana, porque também os demais animais discernem os alimentos, deleitando-se com alguns deles, mas não com outros, e assim aceitar alguns deleites parece pertencer à natureza comum do gênero,

631. donde, se há alguém para quem nada é deleitável, este parece estar muito longe da natureza humana. E porque isto raramente acontece, aquele que assim é deficiente não tem nenhum nome, a não ser que acima o chamou insensível. Ora, não pertence a esta insensibilidade que alguns se abstenham dos deleites por causa de algum fim útil ou honesto, como os negociantes por causa dos lucros e os soldados por causa da vitória; pois isto não se faz além daquilo que é preciso, o que pertence ao vício do defeito.

632. Em seguida, quando diz: ora, o temperante etc., mostra de que modo o temperante se comporta em relação à matéria mencionada.

E a respeito disto faz duas coisas:

primeiro mostra de que coisas o temperante se abstém;

segundo de que coisas e de que modo se serve, ali: ora, todas as coisas que à saúde etc.

Diz, pois, primeiro que o temperante se comporta de modo intermédio em relação às coisas mencionadas, isto é, em relação ao deleite, à tristeza e à concupiscência.

Pois, primeiro, quanto aos deleites, não se deleita naquelas coisas torpes em que sumamente se deleita o intemperante, mas antes se entristece se alguma vez algo de tal ocorre, e universalmente não se deleita naquilo em que não é preciso, nem tampouco se deleita mais veementemente do que é preciso, e semelhantemente segundo nenhuma outra circunstância superabunda.

Em segundo lugar, quanto às tristezas, não se entristece supérfluamente com a ausência das coisas deleitáveis.

Em terceiro lugar, quanto à concupiscência, ele não deseja os prazeres ausentes, porque não se preocupa muito com eles, ou os deseja na devida medida, que não excede, não desejando nem mais do que é preciso, nem quando não é preciso, nem excedendo, segundo alguma outra circunstância, a medida da razão.

633. A seguir, quando diz: quaisquer que etc., mostra de quais prazeres e de que modo o temperante faz uso. E diz que quaisquer prazeres que sejam úteis à saúde do corpo ou à boa disposição, isto é, para que o homem esteja pronto e desimpedido para as coisas que tem de fazer, tais prazeres o temperante apetece, contudo segundo a devida medida e conforme é preciso. Se, porém, houver outros prazeres que não sejam necessários às duas coisas antes mencionadas, o temperante os apetece, observada, contudo, uma tríplice condição.

634. Primeiro, que não sejam impeditivos da saúde e da boa disposição, como é o alimento ou a bebida supérfluos.

Segundo, que não sejam contrários ao bem, isto é, contrários à honestidade, como é o prazer do adultério.

Terceiro, que não estejam acima dos recursos, isto é, que não excedam a capacidade do homem, como seria se um pobre quisesse fazer uso de alimentos demasiado dispendiosos.

De fato, aquele que está de tal modo disposto que apetece os prazeres impeditivos da saúde e da boa disposição, ou contrários à honestidade, ou que excedem as suas riquezas, ama os prazeres mais do que é digno. O que não convém ao temperante, que os ama segundo a reta razão.