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Lição 19

Happiness and Virtue

Se, porém, a felicidade é certa operação segundo a virtude perfeita, deve-se investigar sobre a virtude. Pois talvez assim contemplemos também melhor a felicidade. [224]

Ora, parece que, segundo a verdade, a ciência civil se esforça sobretudo em torno disto; pois quer tornar os cidadãos bons e obedientes às leis, e disso temos o exemplo dos legisladores dos cretenses e dos lacedemônios, e de outros, se algum se tornou tal. Mas, se esta investigação pertence à política, é manifesto que a questão se fará segundo aquela escolha feita desde o princípio. [225]

Deve-se, porém, investigar sobre a virtude, a saber, a humana. Pois buscávamos o bem humano e a felicidade humana. E chamamos virtude humana não aquela que é do corpo, mas aquela que é da alma. E também dizemos que a felicidade é operação da alma. Ora, se estas coisas são assim, é manifesto que é preciso que o político conheça de algum modo aquelas coisas que se referem à alma, assim como aquele que cuida dos olhos e de todo o corpo, e tanto mais quanto a política é mais honorável e melhor que a medicina. Mas também os médicos excelentes se ocupam de muitas coisas em torno do conhecimento do corpo. Cabe, portanto, também ao homem civil contemplar a alma. [226]

Deve-se, porém, contemplá-las por causa destas coisas e na medida em que baste suficientemente para o que se busca. Pois investigar com mais exatidão é talvez mais trabalhoso do que aquilo que se propõe. [228]

Ora, dizem-se sobre isto, também nos discursos exteriores, suficientemente algumas coisas. E deve-se usar delas, por exemplo, esta: que uma parte dela é irracional, e outra tem razão. [229]

Mas se estas coisas são distintas assim como as partículas do corpo e todo divisível, ou se, sendo dois pela razão, são por natureza indivisíveis, assim como na periferia o convexo e o côncavo, em nada difere para o presente. [230]

224. Se, porém, a felicidade etc. Depois que o Filósofo determinou sobre a felicidade, aqui começa a determinar sobre a virtude.

E primeiro estabelece previamente certas coisas que se exigem para a consideração da virtude;

em segundo lugar, começa a determinar sobre a virtude, no princípio do II livro, ali: sendo dupla a virtude etc.

Acerca do primeiro faz três coisas:

primeiro, mostra que a esta ciência pertence considerar a virtude;

em segundo lugar, assume certas coisas que é preciso conhecer sobre as partes da alma, ali: deve-se, porém, investigar sobre a virtude etc.;

em terceiro lugar, segundo a divisão das partes da alma, divide a virtude, ali: determina-se, porém, a virtude etc.

O primeiro, mostra-o de dois modos.

Primeiro, por uma razão tomada da parte da felicidade. Pois foi dito acima que a felicidade é certa operação segundo a virtude perfeita, e assim, pelo conhecimento da virtude, poderemos considerar melhor a felicidade; donde também, no X livro, determinado o que respeita a todas as virtudes, completa o tratado sobre a felicidade; como, portanto, esta ciência busca principalmente o bem humano, que é a felicidade, é consequente que a esta ciência pertença investigar a virtude.

225. Em segundo lugar, ali: parece também, segundo a verdade etc., prova o que propõe pela razão própria desta ciência. Pois a ciência civil, segundo a verdade da coisa, parece sobretudo empenhar-se e trabalhar em torno da virtude; pois pretende tornar os cidadãos bons e obedientes às leis, como fica claro pelos legisladores dos cretenses e dos lacedemônios, que tinham a organização civil otimamente ordenada, ou por outros semelhantes, se os há, que estabelecem leis para tornar os homens virtuosos. Mas a consideração da presente ciência pertence à política, porque nesta ciência se transmitem os princípios da política. Donde é manifesto que a questão sobre a virtude se fará conveniente a esta ciência, segundo aquilo que no proêmio escolhemos, isto é, a política, que, dentre todas as outras disciplinas, investiga o último fim das coisas humanas.

226. A seguir, quando diz: deve-se, porém, investigar sobre a virtude etc., assume certas coisas sobre as partes da alma necessárias ao conhecimento das virtudes. E acerca disto faz duas coisas:

primeiro, mostra que é necessário que tais coisas sejam assumidas nesta ciência;

em segundo lugar, assume-as, ali: dizem-se, porém, sobre isto etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas:

primeiro, mostra que é necessário a esta ciência considerar certas coisas sobre as partes da alma;

em segundo lugar, mostra de que modo deve considerá-las, ali: deve-se, porém, contemplá-las etc.

Diz, pois, primeiro que, quando pretendemos investigar sobre a virtude, entendemos isto da virtude humana; pois foi dito acima que buscamos nesta ciência o bem humano e a felicidade humana, e por isso, se buscamos a virtude por causa da felicidade, é necessário que busquemos a virtude humana. Ora, a virtude que é propriamente humana não é aquela que é do corpo, na qual comunica com as outras coisas, mas aquela que é da alma, que lhe é própria. Mas isto também condiz com o que dissemos acima, que a felicidade é operação da alma.

227. Assim, pois, o político se comporta, para considerar a alma cuja virtude busca, como o médico para considerar o corpo cuja saúde investiga. Donde é manifesto que é preciso que o político conheça de algum modo aquelas coisas que pertencem à alma, assim como o médico que cura os olhos e todo o corpo precisa considerar os olhos e todo o corpo, e tanto mais isto pertence à política, que ela considere a alma, cuja virtude investiga, quanto ela mesma é melhor que a ciência da medicina, como fica claro pelo que foi dito acima, e por isso é preciso que sua consideração seja mais completa. Ora, vemos que os médicos excelentes tratam de muitas coisas em torno do conhecimento do corpo e não somente das operações medicinais. Donde também o político deve considerar algumas coisas sobre a alma.

228. A seguir, quando diz: deve-se, porém, contemplá-las etc., mostra de que modo deve considerar sobre estas coisas. E diz que nesta ciência se deve contemplar a alma por causa destas coisas, isto é, das virtudes e dos atos do homem, sobre os quais é aqui a intenção principal, e por isso deve-se considerar sobre a alma tanto quanto basta para aquelas coisas que buscamos principalmente. Se, porém, alguém quisesse investigar sobre a alma com mais exatidão do que basta para o que se propõe, isto exigiria uma obra maior do que aquelas coisas que se buscam no propósito. E assim é em todas as outras coisas que se buscam por causa do fim, que sua medida deve ser tomada conforme convém ao fim.

229. A seguir, quando diz: dizem-se, porém, sobre isto etc., assume aquelas coisas que aqui se devem considerar sobre as partes da alma.

E primeiro divide as partes da alma em racional e irracional;

em segundo lugar, subdivide o irracional, ali: o irracional, porém etc.;

em terceiro lugar, subdivide o racional, ali: se, porém, é preciso também isto etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas:

primeiro, estabelece a divisão;

em segundo lugar, diz que se deve deixar de lado certa dúvida, ali: mas se estas coisas etc.

Diz, pois, primeiro que sobre a alma foram ditas suficientemente algumas coisas no livro Sobre a alma, o qual chama de discursos exteriores, ou porque escreveu aquele livro à maneira de epístola a alguns que se encontravam longe, pois os livros que escrevia ensinando seus ouvintes eram chamados audições, assim como o livro da Física se diz Da audição física; ou, melhor, chamam-se discursos exteriores aqueles que estão fora da ciência proposta. Ora, daquelas coisas que ali foram ditas deve-se usar aqui, por exemplo, que certa parte da alma é racional e certa parte irracional, como se diz no III livro Sobre a alma.

230. A seguir, quando diz: mas se estas coisas são distintas etc., levanta certa dúvida que diz dever ser deixada de lado no propósito, a saber, se estas duas partes da alma, isto é, a racional e a irracional, são distintas entre si por sujeito, lugar e situação, assim como as partículas do corpo ou de qualquer outro contínuo divisível, como Platão sustentou que o racional está no cérebro, o concupiscível no coração e o nutritivo no fígado; ou, antes, se estas duas partes não se dividem segundo o sujeito, mas somente segundo a razão, assim como na circunferência do círculo o curvo, isto é, o convexo, e o côncavo não se dividem por sujeito, mas somente pela razão. E diz que, quanto ao que pertence ao propósito, não faz diferença qual destas coisas se diga, e por isso deixa de lado esta questão, como não pertencente ao propósito.