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Lição 13

One Pleasure is the Highest Good

Contudo, uma vez que a tristeza é um mal, isso é reconhecido, e é algo a ser evitado; pois uma é mal absolutamente, e outra enquanto é impeditiva. Ora, ao que é de evitar, o contrário, na medida em que é de evitar e mal, é algo bom. É necessário, portanto, que o prazer seja algum bem. [1498]

Pois a solução que Espeusipo dava não convém, a saber, que o maior é contrário ao menor e ao igual. Com efeito, ele não diria que o prazer seja verdadeiramente um mal. [1500]

Nada impede, porém, que algum prazer seja o ótimo, ainda que alguns prazeres sejam maus, tal como também alguma ciência é o ótimo, embora algumas sejam más. [1504]

Mas talvez seja até necessário que, se de cada hábito há operações não impedidas, quer a felicidade seja a operação de todos, quer de algum deles, quando não impedida, tal operação seja a mais elegível. E esta é o prazer. Por isso, algum prazer será o ótimo, ainda que muitos prazeres sejam maus, se assim se der, absolutamente. [1505]

E por isso todos julgam que a vida feliz é prazerosa e razoavelmente inserem o prazer na felicidade. Pois nenhuma operação perfeita é impedida, e a felicidade é dos que são perfeitos. [1506]

Por isso o feliz necessita dos bens que estão no corpo e dos que são exteriores e da fortuna, para que estes não impeçam. Ora, aqueles que dizem que quem é sacudido e cai em grandes infortúnios é feliz, contanto que seja bom, quer o queiram, quer não, nada dizem. [1507]

Por causa dessa necessidade da fortuna, a alguns parece que a boa fortuna se identifica com a felicidade, o que não é verdade. Pois a própria boa fortuna, quando excessiva, é impeditiva, e talvez não seja justo chamar de boa fortuna essa superabundância; com efeito, seu limite está em referência à felicidade. [1508]

E o fato de todos os seres, tanto os animais quanto os homens, buscarem o prazer é um certo sinal de que ele é de algum modo o ótimo: Não se perde de todo a fama que muitos povos difundem. [1509]

Mas, como nem a mesma natureza nem o mesmo hábito é nem parece ser o ótimo para todos, tampouco todos buscam o mesmo prazer; contudo, todos buscam o prazer. [1510]

Talvez até busquem não aquele que julgam nem aquele que porventura diriam, mas o mesmo. Pois todas as coisas têm por natureza algo de divino. [1511]

Mas os prazeres corporais assumiram a herança do nome porque muitas vezes as pessoas se inclinam para eles e todos deles participam. Por isso, como somente esses são conhecidos, julgam que somente esses existem. [1512]

É manifesto também que, se o prazer e a operação não fossem um bem, o feliz não viveria de modo prazeroso. Pois de que necessitaria ele desse prazer, se de fato não fosse um bem? [1513]

Mas seria possível também viver de modo triste; pois a tristeza não seria nem mal nem bem, se de fato tampouco o prazer o fosse; então, por que motivo se haveria de fugir dela? [1514]

Tampouco seria prazerosa a vida do virtuoso, se suas operações não o fossem. [1515]

1498. Mas, contudo, visto que também a tristeza é um mal etc. Depois que o Filósofo tratou das opiniões dos que impugnam o prazer e resolveu seus argumentos, aqui mostra a verdade contrária.

E primeiro por meio de razões demonstrativas;

segundo, conduzindo ao inconveniente, ali: é manifesto também que etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas;

primeiro mostra que o prazer é um bem;

segundo, que algum prazer é o ótimo, ali: ora, nada impede etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas;

primeiro apresenta o argumento;

segundo, exclui uma certa resposta, ali: pois, como Espeusipo etc.

Diz, pois, primeiro que é admitido por todos que a tristeza é, [absolutamente], algo mau e a ser evitado, mas isto de dois modos:

com efeito, uma certa tristeza é absolutamente má, como a tristeza que se tem a respeito do bem,

outra, porém, é má sob certo aspecto, na medida em que é impeditiva do bem, pois também a tristeza que se tem a respeito do mal impede o ânimo de operar o bem de modo pronto e expedito.

1499. Ora, é manifesto que àquilo que é mau e a ser evitado se encontra um duplo contrário: um que é a ser evitado e mau, outro que é bom; assim como à timidez, que é má, se contrapõe a fortaleza como bem e a audácia como mal. À tristeza, porém, se contrapõe o prazer. Donde conclui ser necessário que o prazer seja um certo bem.

1500. Em seguida, quando diz: pois, como Espeusipo etc., exclui uma certa solução do argumento anterior. Pois parecia que o referido argumento não valia, por concluir de uma disjuntiva para uma de suas partes, a saber: se ao que é a ser evitado se contrapõe um bem ou algo a ser evitado, então o prazer, que se contrapõe à tristeza a ser evitada, seria algo bom.

1501. E por isso Espeusipo, que foi sobrinho e sucessor de Platão na escola, resolvia dizendo que, assim como o maior se contrapõe ao menor e ao igual, assim a tristeza se contrapõe ao prazer não como a um igual, mas como o maior ao menor ou ao inverso, isto é, não como o mal extremo ao bem médio, mas como um mal extremo a outro, por exemplo como aquilo que está no defeito àquilo que está no excesso ou ao inverso.

1502. Mas Aristóteles diz que essa solução não é conveniente, porque se seguiria que o prazer fosse verdadeiramente mau, a saber, segundo sua própria noção, como a superabundância ou o defeito. Mas isto ninguém o diz.

1503. Pois os platônicos, dos quais era esta opinião de que o prazer não é um bem, não sustentavam que o prazer fosse mau absolutamente e por si, mas negavam que fosse algo bom, na medida em que é algo imperfeito ou impeditivo da virtude, como fica claro pelo desenrolar dos argumentos precedentes.

1504. Em seguida, quando diz: ora, nada impede etc., mostra que algum prazer é o ótimo.

E primeiro mostra o que propôs;

segundo, atribui a causa do erro, ali: mas os prazeres corporais etc.

Mostra o primeiro por dois argumentos,

dos quais o segundo começa ali: e o fato de todos buscarem etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas:

primeiro apresenta o argumento;

segundo, manifesta o que dissera por meio de certos sinais, inferindo alguns corolários do que foi dito, ali: e por isso todos etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas.

Primeiro exclui um argumento contrário. Pois parece que alguns prazeres são maus, do que alguém poderia estimar que o prazer não é algo ótimo. Mas ele diz que isto de modo algum impede que o prazer seja o ótimo, assim como também vemos que alguma ciência é a ótima, a saber, a sabedoria, como se disse no sexto livro, e contudo algumas ciências são más, não porém enquanto são ciências, mas por causa de algum defeito que têm, ou por defeito dos princípios, a saber, porque procedem de princípios falsos, ou por defeito da matéria, como fica claro nas ciências operativas cujo uso conduz ao mal.

1505. Segundo, ali: ora, talvez seja necessário etc., apresenta o argumento para o que propõe. E diz que de cada hábito há algumas operações não impedidas, e a felicidade é a operação não impedida ou de todos os bons hábitos ou de algum deles, como fica claro pelas coisas que foram ditas no primeiro livro; donde é necessário que operações desse gênero, não impedidas, sejam apetecíveis por si. Ora, a operação não impedida é o prazer, como se disse acima. Donde se segue que algum prazer é o ótimo, a saber, aquele em que consiste a felicidade, ainda que muitos prazeres sejam maus, mesmo que aconteça serem maus absolutamente.

1506. Em seguida, quando diz: e por isso todos etc., manifesta o que dissera por meio de sinais, inferindo três corolários.

O primeiro deles é que, porque a operação não impedida é a felicidade e isto também causa prazer, daí vem que todos estimam que a vida feliz é prazerosa e razoavelmente juntam o prazer à felicidade. Pois nenhuma operação perfeita é impedida; ora, a felicidade é o bem perfeito, como se mostrou no primeiro livro; donde é operação não impedida, que causa prazer.

1507. Disto, porém, conclui ainda, ali: por isso necessita etc., que, porque a felicidade é a operação não impedida, o feliz necessita dos bens do corpo, por exemplo a saúde e a integridade, e dos bens exteriores que se chamam bens da fortuna, para que, pela falta destes, o feliz não seja impedido em sua operação. Ora, aqueles que dizem: Se o homem é virtuoso, é feliz, ainda que seja sacudido e submetido a grandes infortúnios, nada de razoável dizem, quer o digam querendo, como que assentindo interiormente a esta afirmação, quer o digam não querendo, como que coagidos pela razão contra o que lhes parece; e alude aos estoicos, dos quais era essa opinião.

1508. Infere o terceiro corolário ali: ora, por causa de necessitar etc. E diz que, porque a felicidade necessita da boa fortuna, a alguns pareceu que a felicidade e a boa fortuna são o mesmo, o que, contudo, não é verdade. Pois a própria superexcelência dos bens da fortuna é impeditiva da felicidade, na medida em que alguns por isso são impedidos da operação da virtude, na qual consiste a felicidade, e então não é justo que tal superexcelência seja chamada boa fortuna, porque o termo, isto é, o fim ou a noção, da boa fortuna se dá por comparação à felicidade, de modo que se diga boa na medida em que ajuda à felicidade.

1509. Em seguida, quando diz: e o fato de todos buscarem etc., apresenta o segundo argumento para mostrar que a felicidade é algo ótimo; e o toma a partir de um certo sinal,

donde primeiro o apresenta. E diz que o fato de todos buscarem, isto é, procurarem, o prazer é um certo sinal de que o prazer é de algum modo o ótimo; pois aquilo em que todos ou a maioria concordam não pode ser de todo falso, donde se diz no provérbio que não se perde de todo a fama que é divulgada entre muitos povos. E a razão disto é que a natureza não falha nem em todos nem na maioria dos casos, mas somente em poucos; donde aquilo que se encontra em todos ou na maioria parece provir da inclinação da natureza, a qual não inclina nem ao mal nem ao falso. E assim parece que o prazer, no qual concorre o apetite de todos, é algo ótimo.

1510. Segundo, ali: mas, como nem o mesmo etc., exclui algo que se poderia reputar contrário, a saber, que nem todos apetecem o mesmo prazer. Mas ele mostra que por isto não se impede o que principalmente propõe,

por dupla razão.

Primeiro, porque não é a mesma a natureza e o hábito ótimo de todos, nem segundo a verdade nem segundo a aparência; pois uma é a ótima disposição do homem, outra a do cavalo, e igualmente uma é a do jovem, outra a do velho; e porque para cada um é prazeroso aquilo que lhe é conveniente, daí vem que nem todos apetecem o mesmo prazer, ainda que todos apeteçam o prazer, a saber, porque o prazer é o ótimo para todos, mas não o mesmo, assim como tampouco a mesma disposição da natureza é a ótima para todos.

1511. Apresenta o segundo argumento ali: ora, talvez etc. E pode-se dizer que todos os homens apetecem o mesmo prazer segundo o apetite natural, não porém segundo o próprio juízo; pois nem todos julgam no coração nem dizem com a boca que o mesmo prazer é o ótimo, contudo a natureza inclina todos ao mesmo prazer como ao ótimo, por exemplo à contemplação da verdade inteligível, segundo a qual todos os homens por natureza desejam saber. E isto acontece porque todas as coisas têm naturalmente em si mesmas algo de divino, a saber, a inclinação da natureza, que depende do primeiro princípio, ou também a própria forma, que é o princípio dessa inclinação.

1512. Em seguida, quando diz: mas os prazeres corporais etc., atribui a razão pela qual alguns opinaram que o prazer não é um bem ou o ótimo. E diz que a razão disto é que os prazeres corporais assumiram para si, como que por herança, o nome de prazer, pelo fato de nos inclinarmos mais frequentemente para eles, por estarem ligados às coisas necessárias à vida, e porque todos deles participam, por serem sensíveis e conhecidos de todos. E porque somente eles são conhecidos comumente por todos, por isso julgam que somente esses são prazeres. E por isso, porque tais prazeres não são os ótimos, alguns estimam que o prazer não é o ótimo.

1513. Em seguida, quando diz: é manifesto também que etc., mostra o que propõe conduzindo ao inconveniente. Ora, conduz a três inconvenientes,

dos quais o primeiro é que, se o prazer e a operação prazerosa não fossem um certo bem, seguir-se-ia que o feliz não viveria de modo prazeroso. Pois, sendo a felicidade boa por si, a vida do feliz não requereria o prazer se o prazer não fosse um certo bem.

1514. Em segundo lugar, em: mas também é triste etc., diz que, se o prazer não for algum bem, acontecerá que viver na tristeza não seja algum mal; pois, se o prazer não for nem bom nem mau, seguir-se-ia o mesmo quanto à tristeza, que lhe é contrária, e assim a tristeza não deveria ser evitada.

1515. Em terceiro lugar, em: nem tampouco etc., conduz ao terceiro inconveniente. Pois se seguirá que a vida do virtuoso não é deleitável, se as suas operações não são deleitáveis; o que já seria o caso se o prazer não fosse algum bem, pois é manifesto que a virtude é operativa do bem.