Lição 12
Refutation of the Opinion That No One Is Voluntarily Evil
Mas talvez alguém seja tal que não seja diligente. [507]
Mas eles próprios são causa de se tornarem tais, vivendo de modo relaxado. E de serem injustos ou incontinentes: uns fazendo males, outros passando a vida em bebedeiras e em coisas tais. [508]
Pois as operações relativas a cada coisa fazem os homens tais. Isto, porém, é manifesto a partir dos que se exercitam para qualquer competição ou operação; pois aperfeiçoam-se operando. Ignorar, portanto, que a partir do operar acerca de cada coisa se formam os hábitos, é próprio de quem é quase insensível. [511]
Além disso, é irracional que quem faz coisas injustas não queira ser injusto, ou que quem comete estupro não queira ser incontinente. Se, porém, alguém, não sendo ignorante, pratica aquelas coisas das quais será injusto, será injusto querendo. [512]
Contudo, se, sendo injusto, o quiser, não descansará e se tornará justo. Pois nem o que está doente se torna são; e, se assim acontece, adoece querendo, vivendo de modo incontinente e desobedecendo aos médicos; então, portanto, estava nele não adoecer, mas, uma vez emitido o ato, já não. Assim como tampouco os que soltaram a pedra podem ainda retomá-la, mas contudo estava neles lançá-la e arremessá-la; pois o princípio está neles. Assim também tanto no injusto como no incontinente, desde o princípio estava neles não se tornarem tais, pelo que são voluntários; mas, uma vez tornados tais, já não está neles não o ser. [513]
Ora, não só as malícias da alma são voluntárias, mas em alguns também as do corpo, os quais também censuramos: pois os torpes por natureza ninguém censura, mas aqueles que o são por preguiça e negligência. Do mesmo modo, também acerca da debilidade e da torpeza e da cegueira: pois ninguém insultará o cego por natureza ou por enfermidade ou por golpe, mas antes terá compaixão dele; ao que, porém, o é por beber vinho ou por outra incontinência, todos certamente censurarão. Ora, das malícias que dizem respeito ao corpo, censuram-se as que estão em nós, mas as que não estão em nós, não. Ora, se é assim, também nas outras coisas que se censuram as malícias estarão em nós. [514]
507. Mas talvez alguém tal etc. Depois que o Filósofo excluiu o erro dos que dizem que ninguém é voluntariamente mau, aqui exclui as raízes deste erro.
E primeiro quanto à disposição interior a partir da qual alguém poderia ser inclinado ao mal contra a sua vontade;
segundo quanto à faculdade apreensiva pela qual algo é julgado bom ou mau, ali: se, porém, alguém disser etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro propõe aquilo em que alguém poderia apoiar-se para sustentar o erro sobredito;
segundo reprova isto, ali: mas eles próprios são causa de se tornarem tais etc.
Ora, o Filósofo havia dito acima que está no poder do homem que alguém seja diligente ou negligente acerca de algo; mas alguém poderia negar isto, dizendo que alguém é naturalmente tal que não seja diligente, como vemos que os fleumáticos são naturalmente preguiçosos, os coléricos, porém, iracundos, os melancólicos tristes e os sanguíneos alegres, e conforme isto segue-se que não está no poder do homem ser diligente.
508. Em seguida, quando diz: mas eles próprios são causa de se tornarem tais etc., exclui o que foi dito. Para cuja evidência deve-se considerar que alguém pode ser dito de determinado modo de duas maneiras.
De um modo, segundo a disposição corporal, seja a que decorre da compleição do corpo, seja a que decorre da impressão dos corpos celestes, e a partir de tal disposição não pode ser imediatamente alterado o intelecto ou a vontade, que são potências totalmente incorpóreas, não usando de órgão corporal, como é evidente pelo Filósofo no III Da alma; pode, porém, por tal disposição seguir-se alguma alteração da parte do apetite sensitivo que usa de órgão corporal, cujos movimentos são as paixões da alma, e conforme isto, a partir de tal disposição, a razão e a vontade, que são princípios dos atos humanos, não são movidas mais do que a partir das paixões da alma, das quais acima, no livro I, se disse que são persuadíveis pela razão.
Outra, porém, é a disposição da parte da alma, que é um hábito a partir do qual a vontade ou a razão é inclinada na operação.
509. E por isso o Filósofo, postas de lado as disposições ou qualidades corporais, trata apenas da disposição dos hábitos. Acerca disto, portanto, faz duas coisas:
primeiro mostra que os hábitos da alma segundo os quais alguém é negligente ou injusto são voluntários, pelo fato de que por causa deles alguém é censurado;
segundo mostra que também os defeitos corporais que são censuráveis são voluntários, ali: não só, porém, as malícias da alma etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro mostra que os hábitos da alma são voluntários quanto à sua geração;
segundo mostra que não são voluntários depois que já está completa a sua geração.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro propõe o que pretende;
segundo prova o proposto, ali: pois as operações relativas a cada coisa etc.
510. Ora, deve-se considerar que os hábitos maus diferem assim como também os atos maus. Pois alguns são hábitos maus pelo fato de retraírem do bem agir; e quanto a hábitos deste gênero diz que os próprios homens são para si mesmos causa de se tornarem tais, isto é, não diligentes para o bem operar, por isto que vivem de modo relaxado, isto é, sem esforço para as boas operações. Outros hábitos maus, porém, são aqueles pelos quais alguém é inclinado ao mal agir, seja isto em prejuízo dos outros, seja em sua própria desordem; e quanto a isto diz que os homens são para si mesmos causa de serem injustos, enquanto fazem males aos outros, e incontinentes, enquanto conduzem a sua vida em bebidas supérfluas e em outras coisas deste gênero que pertencem aos deleites do tato.
511. Em seguida, quando diz: pois as operações relativas a cada coisa etc., prova o proposto. E primeiro por uma semelhança em outras coisas. Pois vemos que em cada coisa as operações fazem os homens tais, isto é, dispostos a operar coisas semelhantes. E isto é manifesto por aqueles que estudam e se dedicam a qualquer exercício, por exemplo, da luta ou da milícia, ou a qualquer operação; pois todos, pelo fato de operarem muitas vezes, tornam-se tais que podem fazer coisas semelhantes perfeitamente. Como, portanto, vemos isto acontecer em todas as coisas, isto parece ser próprio de um homem quase carente de sentido, que ignore que a partir das operações se geram os hábitos.
512. Segundo, ali: além disso, é irracional etc., mostra o mesmo por uma razão tomada da ordem do ato ao hábito. Pois se alguém quer alguma causa da qual sabe seguir-se tal efeito, segue-se que quer aquele efeito; e ainda que talvez não queira aquele efeito em si mesmo, contudo quer antes que aquele efeito exista a que a causa não seja. Assim como, se alguém quer caminhar no calor, sabendo de antemão que irá suar, segue-se que quer suar; pois, ainda que isto em si mesmo não queira, contudo quer antes sofrer o suor do que abster-se do caminho.
Pois nada impede que algo não seja em si mesmo voluntário e que contudo seja voluntário por causa de outra coisa, como a poção amarga por causa da saúde. Seria de outro modo, porém, se o homem não soubesse que tal efeito se seguiria de tal causa; por exemplo, se alguém caminhando pelo caminho cai entre ladrões, isto não se torna voluntário, porque não foi previsto. É manifesto, porém, que os homens que fazem coisas injustas se tornam injustos e os que cometem estupros se tornam incontinentes. Logo, é irracional que alguém queira fazer coisas injustas e não queira ser injusto, ou queira cometer estupros e não queira ser incontinente. Mas é manifesto que, se, não sendo ignorante, opera voluntariamente aquelas coisas das quais se segue que é injusto, voluntariamente será injusto.
513. Em seguida, quando diz: contudo, se o quiser etc., mostra que os hábitos maus não estão de todo sujeitos à vontade, depois que estão gerados. E diz que não é por que alguém se torna injusto voluntariamente que, sempre que quiser, deixará de ser injusto e se tornará justo. E isto prova por semelhança nas disposições corporais. Pois se houver alguém que, estando são, querendo caiu em enfermidade por isto que vive de modo incontinente, a saber, usando de alimento e bebida imoderados e não obedecendo aos médicos, no princípio estava em seu poder não adoecer; mas depois que emitiu a ação, a saber, tomado já o alimento supérfluo ou nocivo, já não está em seu poder não adoecer. Assim como aquele que arremessa a pedra pode não arremessá-la, contudo não está em seu poder retomá-la depois que a arremessou, e todavia dizemos que soltar ou arremessar a pedra está no poder do homem, porque no princípio assim era. Assim também se dá com os hábitos dos vícios, porque no princípio está no poder do homem não se tornar injusto ou incontinente, donde dizemos que os homens são injustos e incontinentes querendo; ainda que, depois que se tornaram tais, já não esteja isto em seu poder, a saber, que imediatamente deixem de ser injustos ou incontinentes, mas para isto se requer grande empenho e exercício.
514. Em seguida, quando diz: não só, porém etc., mostra por semelhança com os defeitos corporais que os hábitos viciosos são voluntários. E diz que não só as malícias da alma são voluntárias, mas em alguns também os defeitos corporais, e a tais homens censuramos justamente: pois ninguém censura justamente os que são torpes naturalmente, mas apenas os que são torpes por causa de alguma negligência do devido cuidado. E do mesmo modo se dá com a debilidade ou com a cegueira: pois ninguém insultará justamente aquele que é cego de nascença ou por enfermidade ou por algum golpe, porque isto não é voluntário, mas antes por isto os homens têm compaixão deles. E assim é evidente que, das malícias ou defeitos corporais, são censurados aqueles que estão em nosso poder, mas não aqueles que não estão em nosso poder. Donde é manifesto que também nas outras coisas, isto é, naquelas que pertencem à alma, as malícias, isto é, os hábitos viciosos, que são censurados, estão em nosso poder.