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Lição 9

Virtues Regarding Honors

Quanto à honra e à desonra, o meio-termo é a magnanimidade, o excesso é uma certa disposição chamada caumotes, e o defeito é a pusilanimidade. [345]

E, assim como dizemos que a liberalidade, diferente por referir-se às pequenas coisas, se relaciona com a magnificência, assim também há uma certa virtude que se relaciona com a magnanimidade, a qual se refere à honra que é grande, ao passo que aquela se refere à que é pequena. Pois é possível desejar a honra como é preciso, e mais do que é preciso, e menos. Chama-se philotimus aquele que excede nos desejos, aphilotimus aquele que é deficiente, e o intermediário é inominado. Inominadas são também as disposições. Contudo, a do philotimus é a philotimia. Por isso os extremos disputam a região do meio. E, quanto a nós, há vezes em que chamamos o intermediário de philotimus, e há vezes em que o chamamos aphilotimus; e há vezes em que louvamos o philotimus, e há vezes em que louvamos o aphilotimus. Por qual causa fazemos isso, se dirá no que se segue; agora, porém, falemos das demais coisas segundo o modo exposto. [346]

Há também, quanto à ira, excesso, defeito e meio-termo. E, sendo estes quase inominados, chamando o intermediário de manso, denominamos o meio-termo mansidão; dos extremos, aquele que excede seja o iracundo, e o vício, a iracúndia; aquele que é deficiente, um certo inirascível, e o defeito, a inirascibilidade. [349]

Há também outras três disposições intermediárias que têm entre si certa semelhança, mas diferem umas das outras. Pois todas se referem à comunicação de palavras e de ações. Diferem, porém, porque uma delas se refere ao verdadeiro que está nelas, e as outras ao deleitável, e, deste, uma no jogo e a outra em tudo o que diz respeito à vida. É preciso, portanto, falar delas para que conheçamos melhor que em todas o meio-termo é louvável, ao passo que os extremos não são <... > louváveis, mas censuráveis. Muitas destas coisas também são inominadas, mas devemos tentar, como fizemos nas outras, forjar-lhes nomes, em vista da clareza e do bem que daí resulta. [350]

Quanto ao verdadeiro, portanto, que o intermediário se chame veraz e o meio-termo veracidade; ao fingimento que é para mais, jactância, e a quem a possui, jactancioso; ao que é para menos, ironia, e a quem a possui, irônico. [352]

Quanto ao deleitável que está no jogo, o intermediário é eutrapelos e a disposição eutrapelia; o excesso, bomolochia, e quem a possui, bomolochos; aquele que é deficiente, um certo agricos, e o hábito, agroykia. [353]

Quanto ao restante deleitável que está na vida, aquele que é agradável como é preciso é amigo, e o meio-termo, amizade; aquele que excede, se por causa de nada, é obsequioso, mas, se por causa de alguma utilidade própria, é adulador; aquele que é deficiente e em tudo desagradável é um certo litigioso e intratável. [354]

Há também, nas paixões e nas coisas que dizem respeito às paixões, meios-termos. Pois o pudor não é uma virtude, mas o pudico é louvado, pois também nessas coisas se diz haver um meio-termo. Aquele que excede, como o cataplex que se envergonha de tudo, e aquele que é deficiente ou de modo algum se envergonha é o desavergonhado; e o intermediário é o pudico. [355]

A nêmesis, por sua vez, é o meio-termo entre a inveja e a epicacocharchia. Elas dizem respeito à tristeza e ao deleite quanto às coisas que acontecem aos próximos. Pois o nemesítico se entristece com os que prosperam indignamente, o invejoso, excedendo-o, entristece-se com todos, e o epicacocharchos é tão deficiente no entristecer-se que até se alegra. Mas sobre isso haverá tempo em outro lugar. Quanto à justiça, porque não se diz de modo absoluto, depois disto, distinguindo-a, diremos de uma e de outra de que modo são meios-termos. E semelhantemente também das virtudes racionais. [356]

345. Quanto à honra, porém etc. Postas as virtudes que se referem às riquezas, aqui expõe as virtudes que se referem às honras.

E primeiro expõe a virtude que se refere às grandes honras;

em segundo lugar, a virtude que se refere às honras moderadas, ali: e, assim como dizemos etc.

Diz portanto, primeiro, que a magnanimidade é o meio-termo quanto à honra e à desonra. Ora, o excesso em buscar aquilo que pertence à grande honra é uma certa disposição que se chama chaumotes, pelo fato de arder nas coisas que pertencem ao apetite da honra, pois cauma quer dizer incêndio. Mas, porque capnos em grego é o mesmo que fumaça, pode-se também, se assim se escreve, chapnotes, dizer como que fumosidade; pois costumamos chamar de ventosos ou fumosos aqueles que anelam demasiadamente por ascender a coisas altas ou grandes. Mas o defeito oposto à magnanimidade chama-se pusilanimidade.

346. Em seguida, quando diz: e, assim como dizemos etc., expõe outra virtude que se refere às honras moderadas. E diz que, assim como se disse que a liberalidade difere da magnificência em que a liberalidade se refere às pequenas coisas ao passo que a magnificência se refere às grandes, assim também com a magnanimidade, que se refere à grande honra, se relaciona uma certa virtude que se refere à honra que é pequena. E que a respeito disto deva haver alguma virtude existindo no meio, manifesta-o por acrescentar que também acontece desejar a honra moderada como é preciso, o que pertence ao meio-termo da virtude, e mais do que é preciso, o que pertence ao excesso, e menos do que é preciso, o que pertence ao defeito. Ora, aquele que excede no desejo da honra chama-se philotimus, isto é, amador da honra; aquele que é deficiente no apetite da honra chama-se aphilotimus, isto é, sem amor da honra; aquele, porém, que se comporta de modo intermediário é inominado.

347. E semelhantemente também as disposições, isto é, os hábitos dos vícios e da virtude intermediária, são inominados. Podemos, contudo, forjar nomes, chamando de philotimia a disposição pela qual alguém é philotimus; e semelhantemente a disposição pela qual alguém se diz aphilotimus pode chamar-se aphilotimia. Mas, porque o meio não é nomeado, por isso aqueles que estão no extremo disputam a região do meio, enquanto cada um diz estar no meio. E fala à semelhança de duas cidades, entre as quais costuma haver contenda acerca das fronteiras intermediárias quando não há um limite certo prefixado, enquanto cada uma diz que o território do meio lhe pertence. Mas, porque isto é quase comum em todos os vícios, que cada um dos extremos julga estar no meio e considera virtuoso o outro extremo, assim como o tímido julga que o forte é audaz, ao qual o audaz julga tímido, expõe em seguida o que é próprio nesta matéria: que não só os viciosos atribuem a si mesmos o nome da virtude, mas também os virtuosos, pelo fato de que o meio-termo da virtude é inominado, usam o nome do vício como se fosse nome da virtude.

348. E isto é o que acrescenta: que também nós, falando razoavelmente, às vezes chamamos aquele que está no meio de philotimus e às vezes o chamamos aphilotimus. Pois às vezes louvamos um homem pelo fato de ser philotimus; costumamos, com efeito, dizer, louvando alguém, que é um homem que cuida de sua honra, e assim chamamos o virtuoso de philotimus. Às vezes, porém, louvamos o aphilotimus, como quando, em louvor de alguém, dizemos que não cuida das honras dos homens, mas da verdade, e assim chamamos o virtuoso de aphilotimus. Por que isso acontece, se dirá no que se segue, a saber, no livro IV. Mas agora é preciso prosseguirmos com os demais meios-termos segundo o modo mencionado, a saber, a título de exemplo.

349. Em seguida, quando diz: há também, quanto à ira etc., expõe a virtude que se refere aos males exteriores, pelos quais o homem é provocado à ira. E diz que, quanto à ira, há excesso, defeito e meio-termo. E, embora todos estes sejam na maior parte inominados, costumamos, contudo, nomear o intermediário de manso e o meio-termo de mansidão, ao passo que aquele que excede nisto chamamos de iracundo e à sua disposição iracúndia, e aquele que é deficiente chamamos de inirascível e ao defeito inirascibilidade.

350. Em seguida, quando diz: há também outras três etc., expõe as virtudes que se referem aos atos humanos.

E primeiro mostra a distinção delas;

em segundo lugar, exemplifica sobre elas, ali: quanto ao verdadeiro, portanto etc.

Diz portanto, primeiro, que há outros três meios-termos que em certo aspecto convêm e em certo aspecto diferem. Convêm quanto a isto: que todos se referem às palavras e às obras pelas quais os homens comunicam entre si; diferem, porém, quanto a isto: que um deles se refere à verdade de tais palavras e feitos, e os outros ao deleite deles, de tal modo, contudo, que um deles se refere ao deleite daquilo que se diz ou faz por brincadeira, e o outro àquilo que pertence à vida comum, a saber, às coisas sérias.

351. Sobre estas coisas também se deve falar para que apareça mais claramente que em todas o meio-termo é louvável, ao passo que os extremos não são louváveis, mas censuráveis. Muitas destas coisas são inominadas, mas, como fizemos nas outras, tentaremos impor nomes para que se torne manifesto o que se diz e por causa do bem que daí resulta; porque o fim desta ciência não é a manifestação da verdade, mas o bem da ação.

352. Em seguida, quando diz: quanto ao verdadeiro, portanto etc., exemplifica sobre as virtudes mencionadas.

E primeiro daquela que se refere ao verdadeiro. E diz que, quanto ao verdadeiro, o intermediário é aquele que se chama veraz e o meio-termo se chama veracidade; mas o fingimento do falso que é para mais, a saber, quando alguém finge de si coisas maiores do que são, chama-se jactância, e tal fingidor chama-se jactancioso; mas o fingimento que é para menos, a saber, quando alguém finge de si coisas vis, chama-se ironia, como que zombaria, e tal fingidor chama-se irônico, isto é, zombador.

353. Em segundo lugar, ali: quanto ao deleitável, porém etc., exemplifica sobre a virtude que se refere aos jogos. E diz que, quanto ao deleite que há nos jogos, aquele que mantém o meio-termo chama-se eutrapelus, como que voltando-se bem para tudo, e a disposição chama-se eutrapelia. Ora, aquele que excede chama-se bomolochus, de bomos, que é altar, e lochos, que é raptor; e diz-se à semelhança do milhafre que sempre voava ao redor dos altares dos ídolos, nos quais se imolavam os animais, para arrebatar algo; e semelhantemente aquele que excede no jogo sempre insiste em arrebatar a palavra ou o feito de alguém para convertê-lo em brincadeira; e a disposição chama-se bomolochia. Aquele que é deficiente chama-se agroicus, isto é, rústico, e a disposição chama-se agroichia.

354. Em terceiro lugar, ali: quanto ao restante, porém etc., exemplifica sobre a terceira das virtudes mencionadas. E diz que, quanto ao restante deleitável que há na vida no tocante àquilo que se faz seriamente, o intermediário chama-se amigo, não pelo afeto de amar, mas pelo trato conveniente; ao qual nós podemos chamar afável, e o próprio meio-termo chama-se amizade ou afabilidade. Ora, aquele que excede nisto, se o faz apenas por causa de deleitar, chama-se obsequioso; mas, se o faz por causa de alguma utilidade própria, por exemplo, por causa do lucro, chama-se lisonjeiro ou adulador. Aquele, porém, que é deficiente nisto e não teme entristecer aqueles com quem vive chama-se litigioso e intratável.

355. Em seguida, quando diz: há também, nas paixões etc., expõe um exemplo de certas paixões louváveis.

E primeiro sobre o pudor. E diz que também nas paixões e naquilo que se junta às paixões há certos meios-termos. Pois o pudor não é uma virtude, como se mostrará no livro IV, mas, contudo, o pudico é louvado, porque em tais coisas cabe tomar o meio-termo. Ora, aquele que excede, de modo a envergonhar-se de tudo, chama-se cataplex, isto é, estupefato; aquele que é deficiente ou de nada se envergonha chama-se desavergonhado.

356. Em segundo lugar, ali: a nêmesis, por sua vez etc., trata de outra paixão que se chama nêmesis, isto é, reprovação, que é o meio-termo entre a inveja e a epicacocharchia; pois charchos quer dizer alegria, cacos, mal, epi, sobre, como se se dissesse: alegria com o mal. Ora, estas disposições dizem respeito ao deleite e à tristeza pelas coisas que sucedem aos próximos. Pois o nemesítico, isto é, o reprovador, entristece-se se alguns maus prosperam em sua malícia, ao passo que o invejoso excede, de modo a entristecer-se com todos os que prosperam, sejam bons, sejam maus, mas aquele que se chama epicacocharchos é tão deficiente no entristecer-se que até se alegra com os maus que prosperam em sua malícia. Mas sobre isso se dirá em outro lugar, a saber, no livro II da Retórica.

357. Por fim, que, porque a justiça tem diversas espécies nas quais o meio-termo não é tomado do mesmo modo, sobre a justiça se falará depois, no livro V, e de que modo as suas partes estão no meio. E semelhantemente, depois, se falará no livro VI sobre as virtudes racionais, isto é, intelectuais.