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Lição 4

Useful and Pleasurable Friendships Compared

Aquela, porém, que é por causa do deleitável tem semelhança com esta; pois também os bons são deleitáveis uns aos outros. Semelhantemente também os que são por causa do útil; pois também tais são bons uns para os outros. [1585]

Sobretudo, porém, também nestas amizades permanecem quando de parte a parte se faz um retorno igual, por exemplo, do deleite. E não só assim, mas também pelo mesmo objeto, como entre os eutrapélicos. E não como entre o amante e o amado: pois estes não se deleitam nas mesmas coisas, mas um, na verdade, vendo aquele, e o outro recebendo os obséquios do amante; cessando, porém, isto, às vezes também a amizade cessa, pois para um não é deleitável a visão, e para o outro não se prestam os obséquios. [1586]

Muitos, por outro lado, permanecem se, pelo costume, amam os modos de ser, sendo de costume semelhante. [1588]

Aqueles, porém, que não permutam o deleitável, mas o útil, nas coisas amáveis, são tanto menos amigos quanto menos permanecem. [1589]

Aqueles, porém, que existindo amigos por causa do útil, dissolvem-se juntamente com o que confere proveito; pois não eram amigos um do outro, mas do útil. [1590]

Por causa do deleite, portanto, e por causa do útil, acontece que também os maus sejam amigos uns dos outros, e o virtuoso dos maus, e aquele que não é nem um nem outro de qualquer sorte de pessoa. Por causa de si mesmos, porém, é claro que somente os bons, pois os maus não se comprazem uns nos outros, se não sobrevém alguma utilidade. [1591]

E somente a amizade dos bons é imutável. Pois não é fácil crer em nada de mal a respeito daquele que por muito tempo foi provado por ele mesmo e crer nestas coisas, e nunca cometer injustiça, e todas as demais coisas que naquela que é verdadeiramente amizade são consideradas dignas. Nas outras, porém, nada impede que tais coisas ocorram. Pois, porque os homens chamam amigos também por causa do útil, à maneira das cidades, pois parecem dar-se as alianças bélicas entre as cidades por causa do proveito, e aqueles que se amam mutuamente por causa do deleite, à maneira das crianças, talvez, na verdade, seja preciso que também nós chamemos amigos a tais. [1592]

As espécies de amizade, porém, são muitas. E, primeiro e principalmente, há a amizade dos bons enquanto bons. As demais, contudo, dizem-se por semelhança; pois, na medida em que algo é bom e algo é semelhante ao bom, assim são amigos. Com efeito, o deleitável é algum bem para os que amam os deleites. Mas estas amizades não se juntam inteiramente, nem os mesmos se tornam amigos por causa do útil e do deleitável; pois não se unem de todo aquelas coisas que são por acidente. Dividida a amizade nestas espécies, os maus serão amigos por causa do deleite ou do útil, sendo assim semelhantes, ao passo que os bons são amigos por si mesmos, isto é, enquanto bons. Estes, portanto, são amigos absolutamente; aqueles, porém, por acidente e por se assemelharem a estes. [1594]

1585. As que são por causa do deleitável etc. Depois que o filósofo determinou acerca das três espécies de amizade, aqui as compara entre si.

E sobre isto faz três coisas:

primeiro, mostra em que as outras amizades são semelhantes à perfeita;

segundo, em que dela diferem, ali: por causa do deleite, portanto etc.;

terceiro, faz um epílogo do que foi dito, ali: as espécies de amizade, porém etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas.

Primeiro, mostra a semelhança das outras amizades com a perfeita quanto à causa do amar. E diz que aquela amizade que é por causa do deleitável tem semelhança com a amizade perfeita, na medida em que os virtuosos são deleitáveis uns aos outros. E, de modo semelhante, a amizade que é por causa do útil é semelhante à amizade perfeita, na medida em que os virtuosos são úteis uns aos outros.

1586. Segundo, ali: mas, sobretudo etc., mostra a semelhança quanto à permanência da amizade.

E sobre isto faz duas coisas:

primeiro, mostra como também as amizades do útil e do deleitável são permanentes;

segundo, qual delas é mais permanente, ali: os que, porém, por causa do útil etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas:

primeiro, apresenta dois modos pelos quais as duas amizades mencionadas são permanentes e, nisto, têm semelhança com a amizade perfeita;

segundo, apresenta o modo em que ficam aquém da permanência, ali: os que, porém, não o deleitável etc.

Primeiro, pois, apresenta o primeiro modo de permanência, dizendo que também naqueles que são amigos por causa do útil e do deleitável as amizades são sobretudo permanentes quando retribuem uns aos outros o mesmo e o igual, por exemplo, deleite por deleite. E porque, segundo os diversos deleitáveis, há deleites diversos que diferem em espécie e em quantidade, é preciso que, para a permanência da amizade, não só se retribua deleite, mas também a partir do mesmo deleitável, como acontece nos jocosos, dos quais um se deleita na brincadeira do outro. Não é preciso, porém, que seja assim como acontece entre duas pessoas que se amam com amor venéreo, porque às vezes tais pessoas não se deleitam nas mesmas coisas,

1587. mas o amante se deleita em ver a pessoa amada, que se deleita em receber o serviço do amante; cessando estas coisas, às vezes cessa a amizade, isto é, quando de uma parte cessa a visão e da outra parte cessa o serviço.

1588. Apresenta o segundo modo de permanência ali: muitos, porém, por sua vez etc. E diz que também na amizade do útil e do deleitável muitos permanecem na amizade, se um ama os costumes do outro, como o luxurioso ama os costumes de outro luxurioso, ou um cobiçoso de lucro os costumes de outro, não porque tais costumes sejam amáveis por si mesmos como os costumes do virtuoso, mas são amáveis por hábito, isto é, na medida em que ambos têm hábito semelhante. Ora, a semelhança é por si causa de amizade, a não ser que por acidente prejudique o bem particular, como foi dito acima; por isso, uma vez que também os maus costumes adquiridos por hábito são permanentes, segue-se que tal amizade é permanente.

1589. Em seguida, quando diz: os que, porém, não o deleitável etc., apresenta o modo pelo qual a amizade falha na permanência. E diz que aqueles que, nas coisas amáveis, não retribuem o deleitável pelo deleitável, mas o útil pelo deleitável, são menos amigos por causa da menor semelhança, e por isso também permanecem menos na amizade.

1590. Em seguida, quando diz: os que, porém, por causa do útil etc., compara a permanência de uma e outra amizade. E diz que aqueles que são amigos por causa do útil ao mesmo tempo se separam da amizade quando cessa a utilidade, porque não eram amigos uns dos outros, mas da utilidade. O deleite, porém, provém mais do próprio amigo em si mesmo do que a utilidade, que às vezes está em alguma coisa exterior.

1591. Em seguida, quando diz: por causa do deleite, portanto etc., apresenta duas diferenças das duas amizades em relação à perfeita.

Primeiro, pois, conclui do que precede que, por causa do deleite e da utilidade, podem tornar-se amigos uns dos outros homens de qualquer condição, isto é, tanto os maus com os maus, e os bons com os maus, e até mesmo aqueles que não são nem virtuosos nem viciosos com uns e outros e entre si. Mas, segundo a amizade perfeita, pela qual os homens são amados por si mesmos, só os bons podem tornar-se amigos, porque nos maus não se encontra algo pelo qual possam amar-se mutuamente ou deleitar-se um no outro, a não ser por causa de alguma utilidade.

1592. Apresenta a segunda diferença ali: e só, porém etc. E diz que só a amizade dos bons, que é perfeita, é de si imutável. Pois a amizade se transmuta sobretudo por isto: que um dos amigos encontra no outro aquilo que é contrário à amizade; mas isto não pode acontecer na amizade dos bons, porque o homem não crê facilmente algum mal daquele que provou por muito tempo e nunca encontrou fazendo algo injusto, e no qual encontrou todas as coisas quaisquer que se reputam dignas para a verdadeira amizade. Por isso, tal amizade não se dissolve, tanto porque é por si e não por acidente, quanto porque é perfeita, contendo em si tudo o que se requer para a amizade, cujas razões foram apresentadas acima, quanto também porque não admite o impedimento da amizade, que agora se aduz como razão.

1593. Mas nas outras amizades nada impede que um creia mal do outro e que um cometa injustiça contra o outro, e por isso, segundo estas amizades, não se deveriam chamar alguns de amigos. Mas, porque os homens costumaram chamar tais pessoas de amigos, tanto aqueles que amam por causa do útil, como se diz haver amizade entre as cidades por causa da utilidade de combater juntas contra os inimigos, quanto também aqueles que se amam mutuamente por causa do deleite, como se vê nas crianças, por isso é preciso que também nós, seguindo o costume dos que falam comumente, chamemos tais pessoas de amigos.

1594. Em seguida, quando diz: as espécies de amizade, porém etc., faz um epílogo do que foi dito sobre as espécies de amizade. E diz que são muitas as espécies de amizade. E, primeiro e principalmente, há a amizade dos bons enquanto são bons. As demais amizades, porém, dizem-se por semelhança desta; pois, segundo essas amizades, alguns se dizem amigos na medida em que aí há alguma semelhança com a verdadeira amizade. Com efeito, é manifesto que o deleitável parece ser algum bem para os que amam os deleites, e assim esta amizade tem alguma semelhança com aquela que é por causa do bem absoluto; e a mesma razão vale para a amizade do útil.

1595. Contudo, estas duas amizades nem sempre se juntam, isto é, de modo que sejam os mesmos amigos por causa do útil e do deleitável; porque aquelas coisas que são por acidente não se juntam universalmente, como o músico e o branco, que se juntam por acidente em Sócrates, não se juntam em todos; ora, as amizades mencionadas são por acidente, como foi dito acima, e por isso nem sempre se juntam. Assim, portanto, dividindo-se a amizade nas espécies mencionadas, os maus podem ser amigos uns dos outros por causa do deleite ou da utilidade, isto é, na medida em que são semelhantes uns aos outros em um destes; mas os bons são amigos por si mesmos, isto é, na medida em que são amigos enquanto são bons. Por isso, só os bons são amigos absolutamente; os outros, porém, são amigos por semelhança, isto é, na medida em que se assemelham aos bons.