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Lição 12

The Virtue Concerned with Ordinary Honors

Parece, porém, haver também acerca disto certa virtude, como foi dito nos primeiros capítulos, a qual, sem dúvida, parecerá relacionar-se com a magnanimidade de modo semelhante ao que a liberalidade se relaciona com a magnificência. Com efeito, ambas distam daquilo que é grande, mas nos dispõem, como é preciso, acerca das coisas moderadas e pequenas. [792]

Ora, assim como no receber e no dar dinheiro há o meio, a superabundância e o defeito, assim também no apetite da honra há o mais do que é preciso, o menos, e o de onde não é preciso, e o como é preciso. [793]

Com efeito, censuramos o filótimo por apetecer a honra mais do que é preciso e de onde não é preciso, e o não amante da honra por não escolher ser honrado nem sequer nos bens. Há, porém, ocasião em que louvamos o amante da honra como viril e amante do bem, e o não amante da honra como moderado e temperado, como também dissemos nos primeiros capítulos. [794]

É manifesto, porém, que, sendo o amante de tais coisas dito de muitos modos, nem sempre atribuímos o amante da honra à mesma coisa, mas louvando-o, por certo, enquanto o é mais do que a maioria, e censurando-o enquanto o é mais do que é preciso. [795]

Ora, sendo o meio inominado, como que abandonado, parecem ser duvidosos os extremos. [796]

Naquelas coisas, porém, em que há superabundância e defeito, há também o meio; ora, apetecem a honra tanto mais do que é preciso quanto menos, e também como é preciso. [797]

Louva-se, portanto, este hábito, sendo um meio acerca da honra; é inominado, porém, e parece, em relação ao amor da honra, ser não amor da honra, mas, em relação ao não amor da honra, ser amor da honra, e, em relação a ambos, ser de algum modo ambas as coisas. Parece, porém, que isto ocorre também acerca das outras virtudes. [798]

Aqui, porém, os extremos parecem opor-se, por não ser nomeado o meio. [799]

792. Parece, porém, haver também acerca disto etc. Depois que o Filósofo tratou da magnanimidade, que versa sobre a grande honra, aqui trata de certa outra virtude inominada, que versa sobre as honras medíocres.

E acerca disso faz três coisas:

primeiro, propõe que existe alguma virtude desse gênero;

segundo, prova o que dissera, ali: ora, assim como no receber etc.;

terceiro, mostra de que modo se consideram o meio e o extremo nesta virtude, ali: ora, sendo inominado etc.

Diz, pois, primeiro que, como antes foi dito no livro II, parece haver certa virtude acerca disto, ou seja, da honra, a qual se relaciona com a magnanimidade assim como a liberalidade com a magnificência. Com efeito, ambas essas virtudes, ou seja, a liberalidade e aquela de que agora falamos, distam daquelas duas, ou seja, da magnificência e da magnanimidade, como de algo grande, porque, a saber, a magnanimidade versa sobre a grande honra, e a magnificência sobre os grandes gastos, mas as duas virtudes, ou seja, a liberalidade e aquela de que agora tratamos, dispõem-nos acerca das coisas pequenas e moderadas, sejam honras, sejam riquezas.

793. Em seguida, quando diz: ora, assim como etc., prova o que dissera.

E primeiro por uma razão tomada da semelhança;

segundo, pelo uso comum de falar, ali: com efeito, o filótimo etc.

Diz, pois, primeiro que, assim como no receber e no dar dinheiro, ou seja, pequenas e medíocres quantias, há o meio, a superabundância e o defeito, como se estabeleceu acima, assim também no apetite da honra pequena ou medíocre acontece que alguém se comporte mais do que é preciso e menos do que é preciso, quanto à intenção do apetite, e também pela causa de onde não é preciso, na medida em que, a saber, um deseja ser honrado por mais coisas ou por coisas maiores do que é preciso, e outro por menos ou por coisas menores; acontece também que alguém apeteça ser honrado segundo o que é preciso quanto a todas as coisas. E assim fica patente que, acerca das honras pequenas ou moderadas, cabe tomar o meio virtuoso e os extremos viciosos, assim como acerca das quantias moderadas de dinheiro.

794. Em seguida, quando diz: com efeito, o filótimo etc., manifesta o proposto pelo uso comum de falar.

E acerca disso faz duas coisas:

primeiro, propõe o uso comum de falar;

em segundo lugar, a partir disso argumenta em favor do proposto, em: é manifesto, porém etc.

Diz, portanto, primeiro que às vezes censuramos o filótimo, isto é, o amante da honra, como quem apetece a honra mais do que é preciso e de onde não é preciso, e semelhantemente às vezes censuramos aquele que não é amante da honra, como quem não quer realizar as boas obras pelas quais seria honrado. Ao contrário, porém, às vezes louvamos aquele que é amante da honra, como quem é viril, isto é, possui grande ânimo, e como amante do bem, a saber, do ato virtuoso ao qual se deve a honra; e semelhantemente às vezes louvamos aquele que não é amante da honra, como quem se modera e se tempera a si mesmo para não exceder sua condição, conforme foi dito no livro II.

795. Depois, quando diz: é manifesto, porém etc., argumenta a partir do referido uso da linguagem. E diz que, porque às vezes louvamos o amante da honra e às vezes o censuramos, é manifesto que o amante da honra se diz de muitos modos, e por isso não referimos o louvor e a censura ao mesmo, mas louvamos o amante da honra enquanto se empenha mais nas coisas que pertencem à honra do que a multidão vulgar, e o censuramos enquanto deseja as honras mais do que é preciso. E a mesma razão vale a respeito do não amante da honra. Donde se segue que o meio a respeito disso é louvável, a saber, enquanto a honra é tanto apetecida quanto desprezada segundo é preciso, ao passo que os extremos são censuráveis, a saber, enquanto a honra é apetecida mais ou menos do que é preciso.

796. Depois, quando diz: sendo, porém, inominado etc., determina a respeito do meio e dos extremos em torno desta virtude.

E a respeito disso faz duas coisas:

primeiro mostra a dúvida que ocorre a respeito disso;

em segundo lugar mostra o que se segue daquela dúvida, em: opõem-se, porém etc.

A respeito do primeiro faz três coisas.

Primeiro propõe a dúvida. E diz que, porque a mediania a respeito do apetite da honra é inominada e assim parece estar como que deserta, por não ser designada por nenhum nome, daí resulta que os extremos parecem ser duvidosos, enquanto às vezes são louvados e às vezes censurados.

797. Em segundo lugar, em: naquelas coisas, porém etc., mostra de que modo nesta matéria se dá a verdade a respeito do meio e dos extremos. E diz que, em quaisquer coisas em que se encontra superabundância e defeito, ali também é preciso haver um meio; e por isso, como alguns apetecem a honra tanto mais quanto menos do que é preciso, é consequente que também alguns apeteçam segundo é preciso, o que pertence à noção de meio.

798. Em terceiro lugar, em: louva-se, portanto etc., mostra a razão da referida dúvida. Pois, porque há um meio a tomar a respeito das honras, o hábito médio é louvado; e porque é inominado, é nomeado com os nomes dos extremos, enquanto, por comparação a um extremo, parece ter semelhança com o outro extremo; pois o hábito médio, por comparação ao amor excessivo da honra, parece ser desprezo da honra, e por comparação ao desprezo da honra parece ser amor da honra, e por comparação a ambos parece ser ambos de algum modo. E isso também aparece nas outras virtudes; pois o corajoso, por comparação ao tímido, parece ser audaz, e por comparação ao audaz parece ser tímido. Assim, portanto, no proposto, os extremos são censurados considerados em si mesmos, mas são louvados enquanto atribuídos ao meio.

799. Depois, quando diz: opõem-se, porém etc., mostra que da referida dúvida se segue que os vícios extremos parecem opor-se somente um ao outro, e não ao meio da virtude, por causa de este ser inominado.