Lição 7
Pleasures Differ in Kind
Por isso, parecem também diferir em espécie; pois estimamos que coisas de espécie diversa são aperfeiçoadas por outras de espécie diversa. Assim, com efeito, parece ser tanto nas coisas naturais como nas que provêm da arte, como os animais e as árvores e as pinturas e as imagens e a casa e o vaso. E, do mesmo modo, também as operações que diferem em espécie são aperfeiçoadas por coisas que diferem em espécie. Ora, as da mente diferem das que são segundo os sentidos, e estas mesmas diferem entre si segundo a espécie. E, portanto, também as delectações que as aperfeiçoam. [2039]
Ora, isto também aparecerá pelo fato de que cada uma das delectações é apropriada à operação que aperfeiçoa; pois a delectação própria intensifica a operação. Com efeito, os que operam com delectação julgam cada coisa melhor e a investigam com mais certeza; por exemplo, os geômetras se tornam alegres com o geometrizar e entendem melhor cada coisa; e do mesmo modo também os que amam a música e os que amam a arte de edificar, e cada um dos demais, progridem em sua própria obra alegrando-se com ela. Ora, as delectações intensificam; e o que intensifica é próprio; mas a coisas diversas em espécie são próprias outras diversas em espécie. [2042]
Além disso, isto aparecerá ainda mais pelo fato de que as delectações provenientes de outras operações são impeditivas destas. Pois os que amam as flautas não podem prestar atenção aos discursos se ouvem alguém tocando flauta, alegrando-se mais com o tocar flauta do que com a operação presente; segundo o tocar flauta, portanto, a delectação corrompe a operação que se ocupa do discurso. E do mesmo modo isto acontece nas outras coisas, quando se opera simultaneamente acerca de duas coisas: pois a mais deleitável expulsa a outra e, se difere muito segundo a delectação, ainda mais, de modo que nem se opera segundo a outra. Por isso, alegrando-nos veementemente com qualquer coisa, não operamos de modo algum a outra, e fazemos outras coisas quando algumas nos agradam quietamente; por exemplo, também nos teatros, os que comem legumes o fazem sobretudo quando os competidores são maus. E porque a delectação própria confirma as operações e as torna mais duradouras e melhores, ao passo que as alheias as prejudicam, é manifesto que distam muito. [2044]
Pois as delectações alheias produzem quase o que produzem as tristezas próprias. Com efeito, as tristezas próprias corrompem as operações; por exemplo, se para este escrever é indeleitável e triste, ou raciocinar, este não escreve e aquele não raciocina, sendo a operação triste. Acontece, portanto, acerca das operações o contrário pelas delectações e tristezas próprias; e próprias são as que se fazem na operação segundo si mesma. Ora, foram chamadas alheias as delectações porque produzem algo próximo à tristeza: pois corrompem, todavia não do mesmo modo. [2048]
2039. Unde videntur et specie differre etc. Depois que o Filósofo mostrou a natureza da delectação e suas propriedades, aqui determina acerca da diferença das delectações entre si.
E acerca disto faz duas coisas:
primeiro determina acerca da diferença das delectações que se toma da parte das operações;
em segundo lugar, acerca da diferença das delectações que se toma da parte do sujeito, ali: videtur autem esse etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro mostra de que modo as delectações diferem em espécie segundo a diferença das operações;
em segundo lugar, de que modo diferem em bondade e malícia, ali: differentibus autem operationibus etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro mostra pela razão que as delectações diferem em espécie segundo a diferença das operações;
em segundo lugar, manifesta o mesmo por sinais, ali: apparebit autem utique etc.
Diz, pois, primeiro que, sendo a delectação a perfeição da operação, segue-se que, assim como as operações diferem em espécie, assim também as delectações parecem diferir; pois estimamos comumente, como que por si notório, que aquilo que é diverso segundo a espécie é aperfeiçoado por perfeições diferentes em espécie, o que é manifesto acerca das perfeições essenciais que constituem a espécie, e o mesmo necessariamente se dá também acerca das outras perfeições consequentes, contanto que sejam próprias, porque seguem dos princípios essenciais da espécie. E vemos isto acontecer tanto acerca das coisas naturais quanto acerca das artificiais:
2040. acerca das naturais, com efeito, porque uma é a perfeição dos animais, que consiste na perspicácia do sentido, e outra a das árvores, que consiste em sua fecundidade; acerca das artificiais, porque uma é a perfeição das pinturas, isto é, que sejam distinguidas por cores deleitáveis, e outra é a perfeição das imagens, isto é, que representem bem aquilo de que são imagens; do mesmo modo também uma é a perfeição da casa, isto é, que seja um receptáculo firme, e outra a do vaso, isto é, que seja de boa capacidade. Por isso é preciso que operações diferentes em espécie sejam aperfeiçoadas por delectações diferentes em espécie.
2041. Ora, é manifesto que as operações da mente, isto é, do intelecto, diferem em espécie das operações do sentido, e do mesmo modo as operações dos sentidos entre si, pois se diversificam tanto segundo os objetos quanto segundo as potências, que são os princípios das operações. Por isso resta que as delectações que aperfeiçoam as operações diferem em espécie.
2042. Em seguida, quando diz: apparebit autem etc., manifesta o mesmo por sinais.
E primeiro pelo fato de que a operação é fortalecida pela delectação própria;
em segundo lugar, pelo fato de que é impedida pela delectação estranha, ali: adhuc autem magis etc.
Diz, pois, primeiro que isto, a saber, a diferença das delectações segundo as operações, aparece pelo fato de que qualquer delectação, por certa afinidade, é apropriada à operação que aperfeiçoa, porque cada operação é aumentada por sua própria delectação, assim como qualquer coisa é naturalmente aumentada por aquilo que lhe é semelhante e conforme.
2043. Pois vemos que aqueles que operam com delectação qualquer obra da razão podem julgar melhor cada coisa e investigar com certeza aquilo em que se ocupam deleitavelmente; como os geômetras, que se deleitam nas considerações da geometria, podem entender melhor cada coisa de tal consideração, porque a mente se detém mais naquilo em que se deleita; e a mesma razão vale para todos os outros, como para os que amam as coisas musicais e se deleitam nelas e para os que se deleitam na arte de edificar e para todos os outros, porque, pelo fato de se alegrarem em tal obra, fazem grande progresso na própria obra. E assim fica evidente que as delectações aumentam as operações; ora, é manifesto que aquilo que aumenta é próprio daquilo que é aumentado; por isso é preciso que coisas diversas sejam aumentadas por coisas diversas. Se, pois, as operações que são aumentadas pelas delectações diferem em espécie, como se mostrou, segue-se que também as próprias delectações que aumentam diferem em espécie.
2044. Em seguida, quando diz: adhuc autem magis etc., introduz outro sinal, que se toma do impedimento que é trazido às operações pelas delectações estranhas.
E primeiro a partir disto mostra a diferença das delectações;
em segundo lugar, compara as delectações estranhas com as tristezas próprias, ali: fere enim alienae etc.
Diz, pois, primeiro que aquilo que foi dito acerca da diferença das delectações segundo as operações aparece mais pelo fato de que as operações são impedidas pelas delectações produzidas por outras operações. Ora, por isso o que se propõe se manifesta mais, porque o fato de as delectações aumentarem as operações poderia atribuir-se à razão comum da delectação, e não à razão própria desta delectação, segundo a qual as delectações diferem entre si;
2045. mas aparece manifestamente que as delectações diferem em espécie quando se descobre que a delectação própria aumenta a operação e a estranha a impede. Pois vemos que aqueles que são amantes do som das flautas não podem prestar atenção aos discursos que lhes são dirigidos quando ouvem alguém tocando flauta, pelo fato de se alegrarem mais na obra da arte de tocar flauta do que na operação presente, isto é, na audição dos discursos que lhes são dirigidos; e assim fica evidente que a delectação que se dá segundo a operação da arte de tocar flauta corrompe a operação segundo o discurso. E assim vemos acontecer nas outras coisas, quando ocorre a alguém operar simultaneamente acerca de duas coisas;
2046. pois é manifesto que a operação mais deleitável exclui a outra, a tal ponto que, se há grande diferença no excesso de delectação, o homem omite totalmente operar segundo a operação menos deleitável para ele. E daí vem que, quando nos deleitamos veementemente em qualquer coisa, não podemos operar nenhuma outra, mas quando algumas coisas nos agradam quietamente, isto é, de modo remisso ou pouco, podemos também fazer certas outras coisas; como é evidente naqueles que nos teatros, isto é, nos espetáculos de jogos, porque pouco ali se deleitam com o que veem, podem dedicar-se a comer legumes, o que não é muito deleitável, e isto os homens fazem sobretudo quando contemplam alguns que não lutam bem no combate, de modo que a contemplação de tal luta não lhes seja deleitável.
2047. Porque, pois, a delectação própria confirma as operações das quais provém, isto é, de modo que o homem se dedique a elas mais veementemente, e as torna mais duradouras, isto é, de modo que o homem persevere mais nelas, e as torna melhores, isto é, atingindo o fim mais perfeitamente, e com isto as delectações alheias, isto é, as que acompanham certas outras operações, prejudicam, isto é, danificam, segue-se manifestamente que as delectações diferem muito entre si, porque o que uma delectação ajuda, outra impede.
2048. Em seguida, quando diz: fere enim etc., compara as delectações alheias com as tristezas próprias, para que disto apareça mais a diferença das delectações. E diz que quase o mesmo efeito tem acerca de alguma operação a delectação alheia, a saber, a que é causada por alguma outra operação, e a tristeza própria, segundo a qual, a saber, alguém se entristece com a própria operação. Pois é manifesto que a tristeza que é acerca de alguma operação a corrompe; como, se para alguém escrever ou raciocinar não é deleitável, ou é mais triste, não escreverá nem raciocinará por causa da tristeza que lhe provém de tal operação.
2049. Assim, pois, acerca das operações têm efeito contrário as delectações próprias e as tristezas próprias, a saber, as que são causadas pelas próprias operações, ao passo que alheias são as que são causadas por outras operações. E foi dito que as delectações estranhas produzem algo próximo à tristeza própria: pois de ambas as partes a operação é corrompida, todavia não do mesmo modo, mas mais pela tristeza própria, que direta e por si mesma se contrapõe à delectação, ao passo que a delectação alheia se contrapõe segundo outra coisa, a saber, segundo a operação.