Lição 16
Acts of Civic and Military Fortitude
Dizem-se também outras conforme cinco modos. O primeiro é a política, pois é ela que mais se assemelha à verdadeira. Com efeito, os cidadãos parecem suportar os perigos por causa das repreensões e opróbrios estabelecidos pelas leis e por causa das honras. E por isso parecem ser muito corajosos aqueles entre os quais os medrosos são desonrados, e os corajosos, honrados. [561]
Tais homens também Homero apresenta, como Diomedes e Heitor: Polidamas será o primeiro a lançar-me em rosto a repreensão. E Diomedes: Pois Heitor um dia dirá, arengando entre os troianos: o Tidida fugiu de mim. [563]
Ora, esta assemelha-se sobretudo àquela de que antes se falou, porque se faz por causa da virtude; faz-se, com efeito, por causa do pudor e do desejo do bem. Pois faz-se em vista da honra e da fuga do opróbrio, que é algo torpe. [564]
Alguém poderá certamente incluir no mesmo grupo também os que são coagidos pelos príncipes; mas estes são piores, na medida em que agem assim não por pudor, mas por medo. E fogem não do que é torpe, mas do que é penoso. Pois os senhores os coagem, como Heitor: Aquele que eu perceber temendo, afastado do combate, não lhe bastará fugir dos cães. [565]
E os que dão ordens e batem naqueles que recuam fazem o mesmo; e também os que, de antemão, dispõem muros, fossos e coisas semelhantes; pois todos coagem. Ora, é preciso ser corajoso não por necessidade, mas porque é um bem. [566]
Parece também que a experiência acerca de cada coisa é uma certa fortaleza. Por isso, também Sócrates julgou que a fortaleza era ciência. E tais são uns em certas coisas, mas nas coisas da guerra são os soldados. Com efeito, parecem existir muitas coisas vãs na guerra, que estes sobretudo observaram; parecem, pois, corajosos, porque os outros não sabem quais elas são. Depois, podem ao máximo, pela experiência, atacar e não sofrer, e defender-se e ferir, sendo capazes de usar as armas e tendo tais coisas que serão as mais eficazes tanto para atacar quanto para não sofrer; assim como, portanto, os armados combatem contra os desarmados. E os atletas contra os inexperientes; pois também em tais combates não são os mais corajosos que mais combatem, mas os mais fortes e os que têm os melhores corpos. [567]
Ora, os soldados tornam-se medrosos quando o perigo se estende para além da medida e são inferiores em número e em preparativos. Pois são os primeiros a fugir, ao passo que os cidadãos, permanecendo, morrem. O que também aconteceu junto ao templo de Hermes; pois para estes é torpe fugir e a morte é mais preferível do que tal salvação, mas aqueles, desde o princípio, expunham-se ao perigo como se fossem mais fortes; quando, porém, o reconhecem, fogem, temendo mais a morte do que a torpeza. Mas o corajoso não é assim. [570]
559. Dizem-se também outras conforme cinco modos etc. Depois que o Filósofo determinou qual é o ato da verdadeira fortaleza e dos vícios opostos, aqui determina acerca de certas coisas que têm um ato semelhante à fortaleza, mas que ficam aquém da verdadeira fortaleza.
E isso acontece de cinco modos.
Com efeito, sendo a verdadeira fortaleza uma virtude moral, para a qual se requer saber e, por causa disso, escolher, pode alguém, ao exercer o ato de fortaleza, ficar aquém da verdadeira fortaleza de três maneiras.
De um modo, porque não age sabendo, e assim há um modo de não verdadeira fortaleza segundo o qual alguém é dito corajoso por ignorância.
De outro modo, porque alguém não age por escolha, mas por paixão, quer seja uma paixão que impele a enfrentar os perigos, como é a ira, quer seja uma paixão que aquieta o ânimo do medo, como é a esperança;
e segundo isso tomam-se dois modos de não verdadeira fortaleza.
560. De um terceiro modo, alguém fica aquém da verdadeira fortaleza pelo fato de que age, sim, por escolha, mas ou <não> escolhe aquilo que o corajoso escolhe, isto é, suportar os perigos, enquanto, por causa da perícia com as armas, julga não lhe ser perigoso combater na guerra, como se vê nos soldados; ou porque alguém escolhe suportar os perigos, mas não por aquele fim pelo qual o corajoso escolhe, mas por causa das honras ou das penas propostas pelos governantes das cidades.
561. Segundo isso, portanto, esta parte divide-se em cinco partes.
Na primeira parte, determina acerca da fortaleza política ou civil;
na segunda, acerca da fortaleza militar, ali: parece também que a experiência etc.;
na terceira parte, acerca da fortaleza que se dá pela ira, ali: e também o furor sobre a fortaleza etc.;
na quarta parte, acerca da fortaleza que se dá pela esperança, ali: nem tampouco os de boa esperança etc.;
na quinta, acerca da fortaleza que se dá pela ignorância, ali: parecem também corajosos os que ignoram etc.
Quanto ao primeiro, expõe três graus da fortaleza política.
Dos quais o primeiro é o daqueles que suportam os perigos por causa da honra;
o segundo, o daqueles que suportam por causa do medo das penas, ali: alguém poderá certamente etc.;
o terceiro, o daqueles que atacam e suportam as coisas perigosas por causa de uma coação presente, ali: e os que dão ordens etc.
Quanto ao primeiro, faz três coisas.
562. Primeiro, propõe este grau de fortaleza e diz que, uma vez que, além da verdadeira fortaleza, se dizem certas outras fortalezas conforme cinco modos, o primeiro lugar entre elas ocupa a fortaleza política, isto é, civil, pelo fato de que tal fortaleza se assemelha ao máximo à verdadeira. Com efeito, os cidadãos suportam os perigos para evitar as repreensões e os opróbrios que, conforme os estatutos das leis civis, são infligidos aos medrosos, e para alcançar as honras que, segundo as mesmas leis, são concedidas aos corajosos. E daí vem que, naquelas cidades em que se aplicam vitupérios aos medrosos e honras aos corajosos, encontram-se homens muito corajosos segundo esta fortaleza, e talvez também segundo a verdadeira, por causa do costume.
563. Segundo, ali: tais homens também etc., aduz exemplos de Homero, o qual, descrevendo a guerra de Troia, apresenta homens corajosos deste modo, isto é, por causa das honras ou dos vitupérios, como Diomedes da parte dos gregos e Heitor da parte dos troianos. Com efeito, apresenta Heitor dizendo estas palavras: Polidamas, isto é, um certo chefe dos troianos, será o primeiro a lançar-me em rosto a repreensão, isto é, o primeiro a repreender-me se eu não agir corajosamente. E Diomedes dizia, exortando-se a si mesmo a agir corajosamente: Heitor, arengando entre os troianos, dirá, louvando a si mesmo e vituperando-me, que o Tidida, isto é, Diomedes, assim chamado pelo nome do pai, fugiu de mim, ou seja, fugiu ou foi vencido.
564. Terceiro, ali: ora, esta assemelha-se etc., manifesta o que dissera, isto é, que esta fortaleza se assemelha ao máximo à verdadeira. E diz que esta fortaleza política se assemelha ao máximo àquela de que acima se disse que se faz por causa da virtude; pois esta fortaleza política se faz por causa do pudor, que é o medo do torpe, na medida em que alguém foge dos opróbrios, e se faz por causa do desejo do bem, isto é, do honesto, na medida em que esta fortaleza busca a honra, que é o testemunho da honestidade. E por isso, expondo isto, acrescenta que tal fortaleza se faz por causa da honra e por causa da fuga do opróbrio, que é algo torpe. Portanto, uma vez que a honra é algo próximo do bem honesto, e o vitupério, do torpe e desonesto, daí vem que esta fortaleza é próxima da verdadeira fortaleza, que visa o honesto e foge do desonesto.
565. Depois, quando diz: alguém poderá certamente etc., expõe o segundo grau da fortaleza política, que se dá por causa do medo da pena. E diz que ao mesmo modo de fortaleza política podem reduzir-se aqueles que são corajosos pelo fato de que são coagidos pelo medo das penas pelos príncipes da cidade; são, contudo, piores do que os precedentes, na medida em que não agem corajosamente por causa do pudor da torpeza, mas por causa do medo da pena. E isto é o que acrescenta: que não fogem do torpe, isto é, do desonesto, mas de algo penoso, isto é, doloroso ou danoso, do qual alguém se entristece. Pois, por isto, os senhores coagem os seus súditos a combater corajosamente, como, segundo Homero, Heitor ameaçava os troianos, dizendo: aquele que eu perceber fugindo, afastado do combate, isto é, sem que combata corajosamente, tratá-lo-ei tão mal que não lhe bastará para fugir dos cães.
566. Depois, quando diz: e os que dão ordens etc., expõe o terceiro grau da fortaleza política, isto é, na medida em que alguns são coagidos pelos príncipes presencialmente e não apenas pelo medo das penas futuras. E isto é o que diz: que fazem o mesmo, por sua ação, os príncipes que ordenam aos súditos que não fujam do combate e que batem naqueles que recuam, e igualmente aqueles que, diante dos combatentes, para que não possam fugir, constroem muros e fossos e outros impedimentos semelhantes à fuga; pois todos os príncipes que fazem tais coisas coagem os súditos a combater. Mas aqueles que assim são coagidos não são verdadeiramente corajosos, porque é preciso que o virtuoso seja corajoso não por causa da necessidade que padece, mas por causa do bem da virtude.
567. Depois, quando diz: parece também que a experiência etc., determina acerca da fortaleza militar.
E quanto a isto faz duas coisas:
primeiro, mostra que os soldados <pela experiência estão aptos> a agir corajosamente;
segundo, compara a fortaleza militar com a política, ali: ora, os soldados tornam-se medrosos etc.
Diz, pois, primeiro que, em cada caso particular, a experiência parece ser uma certa fortaleza. Com efeito, em qualquer atividade age audaz e sem medo aquele que é experiente, como diz Vegécio no livro Da arte militar: Ninguém hesita em fazer aquilo que confia ter aprendido bem. E por isso Sócrates julgou que a fortaleza era uma certa ciência, que também se adquire pela experiência; julgou também que todas as outras virtudes eram ciências, mas disto se tratará adiante no livro VI. Assim, portanto, uma vez que alguns são corajosos pela experiência em certas outras coisas, nas coisas da guerra os soldados são corajosos pela experiência.
568. Disto seguem-se duas coisas.
A primeira delas é que, nas guerras, há muitas coisas vãs, que incutem terror aos inexperientes, embora tenham pouco ou nenhum perigo, como o estrondo das armas, o choque dos cavalos e outras coisas semelhantes, as quais os soldados sobretudo observaram, pela experiência, não serem terríveis; por isso parecem corajosos quando sem medo se lançam contra tais coisas que aos outros, isto é, aos inexperientes, parecem perigosas, porque não sabem quais elas são.
Em segundo lugar, seguem-se da experiência que podem atacar, isto é, ferir os adversários, e não sofrer, isto é, não ser feridos por eles, defendendo-se, a saber, dos golpes e ferindo os outros, na medida em que têm capacidade para bem usar as armas e têm outras coisas semelhantes que são eficazes para que eles próprios possam ferir os outros sem serem feridos; por isso é manifesto que eles combatem contra os outros como os armados contra os desarmados, pois como que desarmado parece aquele que não pode usar as armas ou não sabe.
569. E o mesmo se dá com os atletas, isto é, os pugilistas fortes e instruídos, em relação aos inexperientes, isto é, aos rústicos inábeis; porque em tais combates, a saber, dos atletas, não são os que mais podem combater os mais fortes, mas aqueles que são poderosos segundo a força corporal, por terem corpos bem dispostos.
570. Depois, quando diz: ora, os soldados tornam-se medrosos etc., compara a fortaleza militar com a política. E diz que os soldados agem corajosamente enquanto não veem o perigo iminente, mas quando o perigo excede a perícia que têm nas armas e quando não têm consigo o número nem os outros preparativos de guerra, então tornam-se medrosos. E então são os primeiros a fugir, pois não eram audazes por outra coisa senão porque julgavam que o perigo não lhes era iminente, e por isso, quando veem o perigo, são os primeiros a fugir; mas aqueles que são corajosos civilmente, permanecendo nos perigos, morrem. Como aconteceu num certo lugar em que, tendo os soldados fugido, os cidadãos permaneceram, porque os cidadãos reputavam torpe fugir e preferiam mais a morte do que salvar-se pela fuga, mas os soldados, desde o princípio, expunham-se aos perigos como que julgando-se mais poderosos, mas depois que reconheceram que os adversários eram mais poderosos, fugiram, temendo mais a morte do que a torpe fuga. Não é, porém, assim com o corajoso, que teme mais a torpeza do que a morte.