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Lição 2

The Act of Liberality

Ora, as operações que são segundo a virtude são boas e por causa do bem. E, portanto, o liberal dará por causa do bem e retamente, pois a quem é preciso e quando é preciso e todas as demais coisas que se seguem à reta doação. [666]

E fá-lo-á com prazer ou sem tristeza (pois o que é segundo a virtude é prazeroso ou não é triste), ou com um mínimo de tristeza. [667]

Aquele, porém, que dá a quem não é preciso, ou não por causa do bem, mas por causa de alguma outra causa, não será chamado liberal, mas outro qualquer. [668]

Nem aquele que dá com tristeza; pois estes prefeririam antes o dinheiro à boa operação, e isto não é do liberal. [669]

Nem receberá de onde não é preciso; pois tal recepção não é de quem não honra o dinheiro. Nem tampouco será dado a pedir; pois não é de quem faz o bem receber o benefício facilmente. [670]

Receberá, porém, de onde é preciso, por exemplo, das próprias posses, não como um bem, mas como algo necessário, para que tenha do que dar. Nem descuidará dos bens próprios, querendo por meio deles atender a alguns. Nem dará a quaisquer pessoas, para que tenha do que dar àqueles a quem é preciso e quando e onde é bom. [671]

O liberal, porém, é dado veementemente até a superabundar na doação, de modo a deixar para si mesmo o menos; pois não olhar para si mesmo é próprio do liberal. [672]

A liberalidade, porém, se diz segundo a substância; pois o que é liberal não está na quantidade das coisas dadas, mas no hábito do que dá, e este dá segundo a substância. Ora, nada impede que seja mais liberal aquele que dá coisas menores, se dá de recursos menores. [673]

Parecem, porém, ser mais liberais não os que adquiriram, mas os que receberam a substância. Pois são inexperientes da indigência. E todos amam mais as próprias obras, como os pais e os poetas. [674]

Enriquecer, porém, não é fácil para o liberal, já que ele não é de receber nem de guardar, mas de desembolsar, e não honra as riquezas por elas mesmas, mas por causa da doação. [675]

Por isso também acusam a fortuna, porque, sendo os mais dignos, de modo algum enriquecem. Acontece, porém, isto não sem razão; pois não é possível ter dinheiro quem não se preocupa em tê-lo, assim como também nas outras coisas. [676]

Não dará, contudo, a quem não é preciso, nem quando não é preciso, nem nenhuma outra coisa tal; pois já não operaria segundo a liberalidade, e, consumindo nestas coisas, não teria com que consumir naquelas em que é preciso. Como se disse, com efeito, o liberal é aquele que gasta segundo a substância e naquilo em que é preciso. [677]

666. Ora, as operações que são segundo a virtude etc. Depois que o Filósofo mostrou qual seja o ato principal da liberalidade, aqui mostra qual ele deve ser.

E primeiro mostra qual seja o seu ato principal;

segundo, quais sejam os seus atos secundários, em: nem receberá etc.

A respeito do primeiro faz duas coisas:

primeiro, mostra qual deve ser a doação da liberalidade, que é o seu ato principal;

segundo, mostra que as outras doações não pertencem à liberalidade, em: aquele, porém, que dá a quem não é preciso etc.

A respeito do primeiro faz duas coisas.

Primeiro, mostra que a doação liberal deve estar revestida das devidas circunstâncias, porque, com efeito, todas as operações que são segundo a virtude devem ser boas, isto é, retificadas pela razão segundo as devidas circunstâncias, e, além disso, ordenadas pela intenção a um bom fim. Portanto, como a doação é o ato principal da liberalidade, segue-se que o liberal dê por causa de um bom fim e retamente, isto é, segundo a regra da razão, na medida em que dá a quem é preciso e quando é preciso e todas as demais devidas circunstâncias que se seguem à reta doação.

667. Em segundo lugar, em: e isto com prazer etc., mostra que a doação liberal deve ser prazerosa. E é isto o que diz, que o liberal dá com prazer ou ao menos sem tristeza (pois assim é em toda virtude, como fica claro do que foi dito acima, que o ato virtuoso ou é prazeroso ou ao menos é sem tristeza), ou, se for preciso misturar-se alguma tristeza, ele terá o mínimo em comparação com os outros homens, assim como se disse acima do corajoso que, se não se deleita muito em seu ato, contudo não se entristece, ou ao menos se entristece menos entre todos os que enfrentam tais perigos.

668. Em seguida, quando diz: aquele, porém, que dá a quem não é preciso etc., mostra que as outras doações não pertencem ao liberal,

e primeiro sobre as doações às quais faltam as devidas circunstâncias. E diz que aquele que dá a quem não convém ou não por causa da honestidade, mas por alguma outra causa, lícita ou ilícita, não se chama liberal, mas é designado por outro nome segundo a diferença do fim por causa do qual dá, do qual as coisas morais recebem a espécie e o nome.

669. Segundo, em: nem quem com tristeza etc., mostra o mesmo acerca das doações que se fazem com tristeza. E diz que também aqueles que dão com tristeza não são liberais, porque pelo próprio fato de se entristecerem ao dar, parece que prefeririam antes o dinheiro do que a operação virtuosa da doação honesta, o que não pertence ao liberal.

670. Depois, quando diz: nem aceitará etc., mostra quais sejam as operações da liberalidade, como o aceitar e outras deste gênero.

E acerca disto faz duas coisas:

primeiro mostra o que o liberal evita ao aceitar;

segundo mostra o que ele observa, em: de onde, porém, convém etc.

Acerca do primeiro põe duas coisas.

Das quais a primeira é que o liberal não aceita de onde não convém; pois aceitar assim não parece competir ao homem que não dá grande valor ao dinheiro.

A segunda é que o liberal não é pronto a pedir; pois assim como nas coisas naturais aquilo que é muito ativo é pouco passivo, como o fogo, assim também nas coisas morais o liberal, que é pronto a beneficiar doando, não quer facilmente receber benefícios de outrem, o que é ser bem passivo.

671. Depois, quando diz: de onde, porém, convém etc., mostra o que o liberal observa ao aceitar ou reter.

E põe três coisas.

Das quais a primeira é que o liberal aceita de onde convém, a saber, das próprias posses ou de outras deste gênero, não porque busque o dinheiro como um bem por si mesmo, mas como algo necessário para dar.

A segunda é que o liberal não negligencia a administração dos próprios bens, porque quer ter com que baste para dar aos outros.

A terceira é que o liberal não dá a quaisquer pessoas, mas retém para poder dar àqueles a quem convém e no lugar e no tempo devidos.

672. Depois, quando diz: o liberal, porém etc., põe quatro propriedades da liberalidade.

Das quais a primeira é que pertence ao liberal que superabunde veementemente na doação, não de modo que exceda a reta razão, mas de modo que nele a doação exceda a retenção, porque deixa menos para si do que dá aos outros; pois com poucas coisas se contenta em si mesmo, mas, ao querer prover a muitos, é preciso que distribua muitíssimo; pois não pertence ao liberal que atente somente a si mesmo.

673. Põe a segunda propriedade em: segundo a substância, porém etc. E diz que a liberalidade é louvada segundo a proporção da substância, isto é, das riquezas; pois a doação não se julga liberal pela quantidade dos dons, mas pelo hábito, isto é, pela faculdade e vontade de quem dá, o qual, a saber, dá segundo o modo de suas riquezas. Por isso nada impede que alguém que dá coisas menores seja julgado mais liberal, se dá a partir de riquezas menores.

674. Põe a terceira propriedade em: mais liberais, porém etc. E diz que aqueles que recebem as riquezas dos pais são mais liberais do que aqueles que as adquirem pelo próprio trabalho.

E disto atribui duas razões.

Das quais a primeira é que aqueles que recebem as riquezas dos pais nunca experimentaram a indigência; por isso não a temem e por causa disto não temem gastar, como aqueles que alguma vez experimentaram a pobreza.

A segunda razão é que é natural que todos amem as suas próprias obras, assim como os pais amam os seus filhos e os poetas os seus poemas; ora, aqueles que adquirem as riquezas pelo próprio trabalho reputam-nas como suas obras, por isso querem mais conservá-las.

675. Põe a quarta propriedade em: enriquecer, porém, não é fácil etc.

E acerca disto faz três coisas.

Primeiro põe a propriedade. E diz que não é fácil que o homem liberal se torne rico, visto que não aceita facilmente nem guarda muito as riquezas; mas antes as emite de si, dando e gastando, e não valoriza as riquezas por elas mesmas, mas somente por causa da doação.

676. Segundo, em: por isso etc., manifesta o que dissera por meio de certo sinal. Pois, como os liberais não se tornam facilmente ricos, os homens vulgares acusam a fortuna, à qual atribuem as riquezas, por não serem ricos aqueles que mais seriam dignos, a saber, os liberais, que distribuem generosamente aos outros. Mas ele mesmo diz que isto não acontece irracionalmente, porque não é possível que tenha dinheiro o homem que não se importa muito de tê-lo, assim como também não é possível que se possua qualquer outra coisa com que o homem não se importa.

677. Terceiro, em: não obstante, não dará etc., exclui uma falsa opinião. Pois não se disse que ele não se importa com as riquezas por dar a quem não convém, ou quando não convém, ou indevidamente segundo qualquer outra circunstância, tanto porque tal operação não seria liberal, quanto porque por isso seria impedido da operação liberal, pois, consumindo inutilmente, não teria com que consumir oportunamente. Pois, como se disse, chama-se liberal aquele que gasta segundo a proporção da própria substância e naquilo em que convém.