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Lição 5

The Act and Habit of Friendship

Assim como nas virtudes uns se dizem bons segundo o hábito e outros segundo a operação, assim também na amizade: pois uns, convivendo, se alegram mutuamente e se dão bens; outros, porém, adormecidos ou separados por lugares, não operam de fato, mas estão dispostos de tal modo que operam amigavelmente. Pois os lugares não dissolvem a amizade absolutamente, mas a operação. [1596]

Se, porém, se faz uma ausência prolongada, parece também produzir esquecimento da amizade. Por isso se disse: Muitas amizades, na verdade, a falta de trato dissolve. [1597]

Não parecem, porém, nem os velhos nem os severos ser inclinados a amar; pois pouco há neles de deleite, e ninguém pode passar o dia junto com quem é triste nem com quem não é deleitável. Pois, sobretudo, a natureza parece fugir do triste e apetecer o deleitável. [1598]

Aqueles, porém, que se acolhem mutuamente, mas não convivem, assemelham-se mais a benevolentes do que a amigos. [1599]

Pois nada é tão próprio dos amigos como conviver. Com efeito, os que necessitam apetecem a utilidade, mas também os bem-aventurados desejam passar o dia juntos, pois de modo algum lhes convém ser solitários. Ora, não é possível conversar uns com os outros não sendo deleitáveis nem se alegrando nas mesmas coisas, o que parece ter a amizade dos que foram criados juntos. [1600]

Sobretudo, portanto, é amizade a que é dos bons, como muitas vezes foi dito. Pois parece amável e digno de escolha aquilo que é absolutamente bom ou deleitável, e para cada um aquilo que é tal para ele mesmo. Ora, o bom é amável ao bom por estas duas coisas. [1601]

Assemelha-se, porém, o amor a uma paixão, mas a amizade a um hábito. [1602]

Pois o amor não é menos dirigido às coisas inanimadas, mas retribuem o amor com escolha, e a escolha vem do hábito. [1603]

E querem bens aos amigos por causa deles mesmos, não segundo a paixão, mas segundo o hábito. [1604]

E, amando o amigo, amam o que é bem para si mesmos. Pois o bom, tornando-se amigo, torna-se um bem para aquele de quem é amigo; portanto, cada um ama tanto o que é bem para si quanto retribui igualmente na vontade e na espécie; pois a amizade se diz igualdade. Ora, isto se dá sobretudo naquela que é dos bons. [1605]

1596. Assim como nas virtudes etc. Depois que o Filósofo distinguiu as espécies de amizade, aqui determina acerca delas por comparação com o ato próprio da amizade.

E sobre isto faz duas coisas:

primeiro, distingue a amizade pelo hábito e pelo ato;

segundo, prova o que havia suposto, ali: assemelha-se, porém, o amor etc.

Acerca do primeiro faz três coisas:

primeiro, distingue a amizade pelo hábito e pelo ato;

segundo, mostra como alguns são privados da amizade por causa da falta de ato, ali: se, porém, prolongada etc.;

terceiro, mostra que a amizade dos bons é a máxima em razão do próprio ato da amizade, ali: sobretudo, portanto etc.

Diz, pois, primeiro que, assim como acontece nas outras virtudes que alguns se dizem bons, isto é, virtuosos, segundo o hábito, por exemplo, fortes ou liberais, mesmo quando não exercem o ato da virtude, ao passo que alguns se dizem virtuosos por exercerem em ato a operação da virtude, assim também acontece na amizade que alguns se dizem amigos em ato na medida em que convivem com deleite uns com os outros e fazem bem uns aos outros, duas coisas que parecem pertencer ao ato da amizade, ao passo que outros não operam em ato as obras da amizade, mas, todavia, estão dispostos segundo o hábito de tal modo que se inclinam a operar tais obras, como se vê nos amigos quando dormem ou quando são separados por lugar uns dos outros. Pois a própria amizade não se dissolve absolutamente pela distância dos lugares, mas apenas a operação da amizade. E assim é evidente que a amizade permanece em hábito mesmo cessando a operação.

1597. Em seguida, quando diz: se, porém, prolongada etc., mostra como em alguns falta a amizade por causa da falta de ato.

E primeiro mostra o proposto;

segundo, prova o que havia suposto, ali: pois nada é tão próprio etc.

Mostra, porém, o proposto acerca de três gêneros de homens.

Primeiro, a respeito daqueles que ficam por muito tempo separados uns dos outros.

Por isso diz que, se a ausência dos amigos uns dos outros for prolongada, ela parece produzir o esquecimento da amizade precedente, assim como também os outros hábitos se enfraquecem pela falta de exercício e por fim se destroem; pois é preciso que, assim como os hábitos são adquiridos pelo costume das obras, assim também sejam conservados pelo mesmo meio, pois cada coisa se conserva por sua causa. E por isso se diz no provérbio que muitas amizades se dissolvem pelo fato de que um não chama o outro, isto é, não conversa nem convive com o outro.

1598. Em segundo lugar, em não parecem porém etc., mostra o mesmo a respeito dos velhos e dos severos. E diz que nem os velhos nem os severos, isto é, os homens austeros nas palavras e no convívio, parecem ser dados à amizade, isto é, aptos à amizade, por isto, a saber, porque não são aptos ao ato da amizade, que é conviver; pois pouco se encontra neles de deleite e por isso não podem facilmente conviver com os outros, porque ninguém pode, ao longo do dia, isto é, por algum tempo prolongado, permanecer com um homem que entristece ou que também não deleita. Pois máximamente parece ser conforme à natureza dos homens e dos demais animais que fujam da tristeza e busquem o deleite, o qual parece não ser outra coisa senão o repouso do apetite no bem desejado.

1599. Em terceiro lugar, em os que porém acolhem etc., mostra o mesmo a respeito do terceiro gênero de homens, a saber, os que se acolhem uns aos outros, nisto, a saber, que um aceita os costumes e o trato do outro e, contudo, por alguma causa nunca convivem entre si. E diz que tais são mais semelhantes aos benevolentes do que aos amigos, porque a amizade requer o convívio durante algum tempo.

1600. Em seguida, quando diz: pois nada etc., prova o que havia suposto, a saber, que o conviver é requerido para a amizade como seu ato próprio. E diz que nada é tão próprio dos amigos quanto conviver. Pois estabeleceu acima que duas coisas pertencem ao ato da amizade, a saber, conviver e conceder bens uns aos outros, o que é trazer utilidade ao amigo. E essa utilidade nem todos a buscam nos amigos, mas somente os necessitados; mas o permanecer juntos ao longo do dia, isto é, por algum tempo prolongado, com os amigos, desejam-no também os felizes, isto é, os homens que abundam em bens, aos quais não convém que sejam solitários. E os homens não podem conviver uns com os outros se não forem mutuamente deleitáveis e não se alegrarem nas mesmas coisas; essas duas coisas encontram-se na amizade daqueles que foram criados juntos. Assim, pois, fica claro que o ato principal da amizade é conviver com o amigo.

1601. Em seguida, quando diz: máximamente, portanto etc., conclui do que precede que a maior amizade é aquela que é dos bons, como já muitas vezes foi dito. Pois parece ser amável e elegível segundo si mesmo e absolutamente aquilo que é absolutamente bom ou deleitável, mas para cada um é amável e elegível aquilo que é tal, isto é, bom ou deleitável, quanto a ele mesmo. Mas um virtuoso é amável e elegível para outro por causa destas duas coisas, a saber, porque cada um é bom e deleitável absolutamente e cada um é bom e deleitável para o outro. Por isso, os virtuosos podem máximamente conviver deleitávelmente uns com os outros.

1602. Em seguida, quando diz assemelha-se porém etc., prova o que havia suposto, a saber, que a amizade não se diz somente segundo o ato, mas também segundo o hábito.

E a respeito disto faz três coisas.

Primeiro, propõe o que pretende. E diz que o amar parece importar uma paixão, mas a amizade parece importar um hábito e ser semelhante aos outros hábitos.

1603. Em segundo lugar, em pois o amar etc., prova o proposto com duas razões.

A primeira delas é que o amar simples pode existir até em relação às coisas inanimadas, como dizemos amar o vinho ou o ouro, mas o retribuir o amor, que pertence à noção de amizade, como acima foi dito, é acompanhado de eleição; pois só existe entre seres racionais uns em relação aos outros. Ora, o que se faz por eleição não se faz por paixão, mas antes por hábito. Logo, a amizade é um hábito.

1604. A segunda razão põe em e querem bens etc. E diz que os homens, segundo a amizade, querem bens aos amigos por causa dos próprios amigos; pois, se lhes quisessem bens por causa de si mesmos, isto seria antes amar-se a si do que aos outros. Ora, amar os outros por causa deles não é segundo a paixão, porque a paixão, uma vez que pertence ao apetite sensitivo, não excede o próprio bem do que ama. Por isso resta que isto seja segundo o hábito e assim a amizade é um hábito.

1605. Em terceiro lugar, em e os que amam o amigo etc., responde a uma certa objeção tácita. Pois foi dito acima que para cada um é amável o que lhe é bom, contra o que parece estar o fato de que o homem ame o amigo por causa deste. Mas ele responde que aqueles que amam o amigo amam o que é bom para si mesmos. Pois, quando aquele que é bom em si se torna amigo de alguém, torna-se também um bem para seu amigo e assim ambos, enquanto amam o amigo, amam o que lhes é bom, e ambos retribuem igualmente ao seu amigo, tanto quanto à vontade, isto é, enquanto lhe querem o bem, quanto à espécie da vontade, isto é, enquanto lhe querem o bem não por causa de si, mas por causa dele; porque a amizade é uma certa igualdade, isto é, enquanto requer o amor mútuo. E isto parece acrescentar algo além do modo da virtude; pois em qualquer virtude basta o ato de um só virtuoso. Mas na amizade não basta o ato de um só, mas é preciso que concorram os atos de dois que mutuamente se amam; e por isso o Filósofo acima não disse absolutamente que fosse virtude, mas acrescentou: ou com a virtude, porque parece acrescentar algo além da noção de virtude.

1606. Ora, estas coisas que agora foram ditas sobre a amizade parecem encontrar-se máximamente na amizade dos bons.