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Lição 15

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Ora, a respeito quase das mesmas coisas está também a mediania da jactância; ela mesma, porém, é sem nome. [831]

Não é mau, porém, percorrer também tais coisas; pois saberemos ainda melhor as coisas relativas a cada caráter percorrendo-as. [832]

E creremos, sem dúvida, que as medianias são virtudes, considerando o que assim ocorre em todos os casos. [833]

No conviver, sem dúvida, os que conversam visando ao prazer ou à tristeza já foram mencionados; a respeito dos que dizem a verdade e dos que dizem a falsidade, porém, falemos de modo semelhante nas palavras, nas ações e na fingimento. [834]

Parece, sem dúvida, que o jactancioso é simulador de coisas gloriosas que não existem e de coisas maiores do que existem. O irônico, ao contrário, nega as coisas que existem ou as diminui. O intermediário, porém, sendo alguém sincero, é verídico tanto na vida quanto na palavra, confessando existir a seu respeito as coisas que existem, e nem maiores nem menores. [835]

Ora, cada uma destas coisas pode ser feita por causa de algo e por causa de nada; cada um, porém, qual é, tais coisas diz e opera e assim vive, se não operar por causa de algo. [836]

Ora, por si a mentira é má e a ser evitada, ao passo que a verdade é boa e louvável. E assim também o verídico, sendo intermediário, é louvável. Os dois mentirosos, porém, são ambos censuráveis, mas mais o jactancioso. [837]

Falaremos, porém, de ambos, mas primeiro do verídico. Pois não falamos do que diz a verdade nos acordos, nem daquelas coisas que dizem respeito à justiça ou à injustiça; pois estas coisas pertencerão a outra virtude. Mas daquele que, não havendo nenhuma diferença de tal gênero, diz a verdade tanto na palavra quanto na vida, pelo fato de ser tal segundo o hábito. [838]

Parecerá, sem dúvida, que tal homem é moderado. Pois, sendo amante da verdade e dizendo a verdade naquilo em que ela não faz diferença, dirá a verdade ainda mais naquilo em que ela faz diferença. Pois temerá a mentira como torpe, à qual já temia por si mesma. E tal homem é louvável. [839]

Ora, desvia-se da verdade mais para o menos; pois isto parece mais prudente, por causa das superabundâncias que são onerosas. [840]

Aquele, porém, que finge coisas maiores do que existem por causa de nada assemelha-se ao mau, pois de outro modo não se comprazeria na mentira; parece, porém, mais vão do que mau. Se, porém, o faz por causa de algo, aquele que o faz por causa da glória ou da honra não é muito censurável como jactancioso. Aquele, porém, que o faz por causa do dinheiro ou de quaisquer coisas que se resolvem em dinheiro é mais deforme. [841]

Ora, o jactancioso não o é pela capacidade, mas pela escolha. Pois é jactancioso segundo o hábito e pelo fato de ser tal, assim como também o mentiroso: este se compraz na própria mentira, aquele, porém, apetecendo a glória ou o lucro. [843]

Aqueles, portanto, que se jactam por causa da glória fingem tais coisas nas quais há louvor ou felicidade. Aqueles, porém, que o fazem por causa do lucro fingem aquilo em que há deleite para os próximos e o que, sendo inexistente, pode passar despercebido; por exemplo, um médico ou um adivinho sábio; por isso muitos fingem tais coisas e se jactam, pois nelas se encontram as coisas que foram ditas. [844]

Os irônicos, porém, e os que dizem menos, parecem mais graciosos segundo os costumes; pois não parecem falar por causa do lucro, mas fugindo do que é presunçoso. [846]

Ao máximo, porém, também estes negam as coisas gloriosas, como fez Sócrates. Aqueles, porém, que não fingem coisas pequenas e manifestas são chamados de dissimulados velhacos e facilmente são desprezíveis; e às vezes parece jactância, por exemplo, a veste dos lacônios, pois tanto a superabundância quanto o defeito excessivo são dos jactanciosos. Aqueles, porém, que usam moderadamente da ironia e ironizam a respeito daquilo que não é muito evidente e manifesto parecem graciosos. [847]

Parece, porém, que o jactancioso se opõe ao verídico; pois é pior. [849]

831. A respeito quase das mesmas coisas está etc. Depois de o Filósofo ter determinado a respeito da virtude que mantém o meio nos atos humanos quanto ao prazer, aqui determina a respeito da virtude que mantém o meio nos mesmos atos humanos quanto à verdade.

E a respeito disso faz duas coisas:

primeiro, diz qual é sua intenção;

segundo, determina o proposto, em: parece decerto o jactancioso etc.

A respeito do primeiro, faz três coisas:

primeiro, propõe que uma certa virtude média é oposta à jactância;

segundo, mostra que se deve tratar desta virtude, em: não é mal, porém etc.;

terceiro, mostra a diferença desta virtude para a precedente, em: no conviver decerto etc.

Diz, portanto, primeiro que a mediania oposta à jactância versa quase sobre as mesmas coisas que a virtude anteriormente referida, pois versa sobre os atos humanos, mas não segundo o mesmo aspecto, pois não segundo o deleite, mas segundo algo diverso, como se dirá depois; e, contudo, esta própria mediania é inominada, assim como também a virtude anteriormente referida.

832. Em seguida, quando diz: não é mal, porém etc., mostra por que é necessário determinar acerca desta virtude.

E aduz para isso duas razões.

Acerca da primeira delas, diz que não é mal, antes é útil às ciências morais tratar de passagem de tais virtudes, porque por isso saberemos mais aquilo que pertence aos costumes, se, de passagem, tratarmos daquilo que pertence a cada um dos hábitos, pois o conhecimento das coisas morais se aperfeiçoa por isto: que os particulares sejam conhecidos.

833. A segunda razão aduz em: e as medianias etc. E diz que, considerando que em cada uma delas as coisas se dão assim, mais nos certificaremos de que as virtudes são certas medianias.

834. Em seguida, quando diz: no conviver decerto etc., determina a diferença desta virtude para a precedente. E diz que daqueles que de algum modo se comportam quanto ao deleite ou à tristeza no convívio e na conversação já se falou; resta, porém, falar daqueles que se comportam segundo a verdade e a falsidade nas palavras e nas operações feitas segundo a verdade ou segundo a ficção.

835. Em seguida, quando diz: parece decerto etc., determina acerca das virtudes e dos vícios.

E primeiro aduz a virtude e os vícios contrários;

segundo, determina acerca deles, em: de ambos, porém, falaremos etc.

A respeito do primeiro, faz três coisas:

primeiro, mostra o que pertence ao meio e aos extremos nesta matéria;

segundo, mostra de que modo aquilo que foi dito pertence ao hábito médio e aos extremos, em: é, porém, cada uma destas coisas etc.;

terceiro, mostra que o hábito médio é louvável, mas que os extremos são viciosos, em: por si, porém etc.

Diz, portanto, primeiro que o jactancioso, que peca por superabundância, simula algumas coisas gloriosas, e isto de dois modos:

de um modo, porque simula haver nele algumas coisas gloriosas que nele não há;

de outro modo, porque simula que aquelas que nele há são maiores do que são.

Já aquele que peca por defeito diz-se que é eíron, e isto de dois modos:

de um modo, porque nega haver nele coisas gloriosas que nele há;

de outro modo, porque diz que elas são menores do que são.

Mas aquele que mantém o meio diz-se autochiastos, isto é, admirável por si, porque, com efeito, não busca estar em admiração mais do que por si lhe convém; ou diz-se autophastos, isto é, manifesto por si, porque se manifesta tal qual é; pois é veraz enquanto confessa de si aquilo que é, e isto não só pela palavra, mas também pela vida, enquanto, a saber, seu comportamento exterior é conforme à sua condição, assim como também o seu modo de falar.

836. Em seguida, quando diz: é, porém, cada uma destas coisas etc., mostra de que modo o que foi dito pertence aos três hábitos referidos. E diz que cada um dos atos referidos pode ser feito de dois modos:

de um modo, por causa de algo diverso, por exemplo, quando alguém nega ser tal qual é por causa do temor;

de outro modo, não por causa de algo diverso, mas por causa disto: que em tal ato se deleita; e isto pertence propriamente ao hábito, pois cada um fala, opera e leva a vida segundo a qualidade do seu hábito, a não ser que às vezes opere de outra maneira por causa de algo diverso que sobrevenha.

837. Em seguida, quando diz: por si, porém, a mentira etc., mostra o que nos referidos hábitos é louvável e repreensível. E diz que a mentira por si é má e deve ser evitada, ao passo que o verdadeiro é bom e louvável. Pois para isso foram instituídos os sinais: que representem as coisas segundo o que são; e por isso, se alguém representa a coisa de outra maneira do que é, mentindo, age desordenada e viciosamente; já quem diz o verdadeiro age ordenada e virtuosamente. Ora, é manifesto que aquele que diz o verdadeiro mantém o meio, porque significa a coisa segundo o que é; pois a verdade consiste na igualdade, que é meio entre o grande e o pequeno. Já quem mente está no extremo, [pois] ou segundo a superabundância, porque diz mais do que é, ou segundo o defeito, porque diz menos do que é; donde se vê que ambos são repreensíveis, mas mais o jactancioso, que excede para mais, porque se afasta mais do verdadeiro, pois no igual encontra-se o menos, mas não o maior.

838. Em seguida, quando diz: de ambos, porém etc., determina acerca dos referidos hábitos.

E primeiro acerca da virtude;

segundo, acerca dos vícios opostos, em: maiores, porém, sendo as coisas existentes etc.

A respeito do primeiro, faz três coisas:

primeiro, determina de qual veraz se deve tratar;

segundo, mostra o que principalmente lhe pertence, em: parecerá decerto tal etc.;

terceiro, mostra para qual extremo mais declina, em: para o menos, porém etc.

Diz, portanto, primeiro que se deve falar dos referidos hábitos, mas primeiro do veraz. Não pretendemos, porém, agora tratar daquele que fala a verdade nas confissões dos juízos, por exemplo, quando alguém, interrogado pelo juiz, confessa o que é verdadeiro, nem tampouco daquele que diz o verdadeiro em quaisquer coisas pertencentes à justiça ou à injustiça; pois estas pertencem a outra virtude, a saber, à justiça. Mas pretendemos tratar daquele verídico que diz o verdadeiro tanto pela vida quanto pela palavra em tais coisas que não têm diferença de justiça e injustiça, mas diz o verdadeiro apenas por causa da disposição do hábito. Assim como também acima se disse acerca da virtude precedente que ela quer deleitavelmente conviver com os outros não por causa do amor, mas por causa da disposição do seu hábito, assim também esta virtude diz o verdadeiro não para observar a justiça, mas por causa da aptidão que tem para dizer o verdadeiro.

839. Em seguida, quando diz: parecerá decerto etc., mostra o que máximamente pertence ao veraz de que trata. E diz que tal parece ter moderação em suas palavras e feitos, evitando o excesso e o defeito. Pois ama a verdade e diz o verdadeiro mesmo naquelas coisas em que não importa muito quanto a dano ou proveito, e muito mais naquelas em que dizer o verdadeiro ou o falso faz alguma diferença quanto ao dano ou à ajuda de outrem. E isto porque abomina a mentira em si como algo torpe, e não só enquanto redunda em dano de outrem. E diz que tal é louvável.

840. Em seguida, quando diz: para o menos, porém etc., mostra para qual extremo mais declina. E diz que, se às vezes é difícil dizer a verdade totalmente com exatidão, prefere declinar para o menos do que para o mais; pois isto parece pertencer mais à prudência, porque os homens que falam superabundantemente de si mesmos tornam-se pesados aos outros, pois por isso parecem querer preferir-se aos outros.

841. Em seguida, quando diz: maiores, porém etc., determina acerca dos vícios opostos.

E a respeito disso faz três coisas:

primeiro, determina acerca do vício que pertence à superabundância;

segundo, acerca do vício que pertence ao defeito, em: os eírones, porém etc.;

terceiro, determina acerca da oposição dos vícios à virtude, em: parece, porém, opor-se etc.

A respeito do primeiro, faz três coisas:

primeiro, mostra de quantos modos se comete o vício da jactância, que excede para mais;

segundo, mostra segundo o que principalmente se atende ao vício da jactância, em: não no poder, porém etc.;

terceiro, mostra em quais coisas principalmente se comete o vício da jactância, em: os que, portanto, se jactam por causa da glória etc.

842. Diz, pois, primeiro que às vezes alguém se vangloria de coisas que não são ou maiores do que são, não por causa de algum outro fim, mas porque nisso se deleita; e diz que tal pessoa tem certa semelhança com o mal, pois de outro modo não se alegraria com a mentira, uma vez que isso provém da desordem do ânimo; contudo, tal pessoa não é totalmente má, porque não pretende malícia alguma, mas é vã, na medida em que se deleita numa coisa que, por si mesma, não é boa nem útil.

De um segundo modo, acontece que alguém se vangloria por apetite de glória ou de honra, e diz que tal pessoa não é muito repreensível, na medida em que a glória e a honra têm certa afinidade com as coisas honestas, pelas quais alguns são louvados e honrados.

De um terceiro modo, alguns se vangloriam por causa do dinheiro ou de qualquer outra coisa que possa ser avaliada em dinheiro, e diz que tal pessoa é mais disforme, porque mente por um bem menor.

843. Depois, quando diz: não porém no poder etc., mostra sob que aspecto principalmente se considera a jactância. E diz que alguém não é julgado jactancioso pelo fato de ter ou não ter aquilo com que se possa assim vangloriar, mas pelo fato de escolher isso. Com efeito, alguém é dito jactancioso segundo o hábito que tal escolha acompanha, assim como com qualquer mentiroso, que é dito mentiroso pelo fato de escolher mentir, ou porque se alegra com a própria mentira, ou porque mente por apetite de glória ou de lucro.

844. Depois, quando diz: aqueles, pois, que etc., mostra de que coisas principalmente alguns se vangloriam. Ora, é manifesto que aqueles que se alegram com a própria jactância se vangloriam indiferentemente de quaisquer coisas. Mas aqueles que se vangloriam por causa da glória fingem tais coisas que pareçam ser louváveis, como são as obras virtuosas, ou coisas que pertencem à felicidade, como a nobreza, as riquezas e outras deste gênero. Já aqueles que se vangloriam por causa do lucro fingem tais coisas com que os outros se deleitem, pois de outro modo nada lucrariam; e, além disso, cuidam de que sejam de tal natureza as coisas de que se vangloriam que, se não forem verdadeiras, isso possa passar despercebido, de modo que a sua mentira não seja descoberta;

845. e apresenta um exemplo de dois campos,

a saber, das coisas que pertencem à medicina, porque todos desejam a saúde, e não pode ser descoberto por quaisquer pessoas se alguém erra ao medicar;

outras, porém, são as que pertencem às adivinhações do futuro, com as quais os homens naturalmente se preocupam e a respeito das quais não se descobre facilmente a mentira;

e por isso aqueles que se vangloriam por causa do lucro principalmente fingem ser médicos ou sábios na adivinhação. Embora o que ele diz de sábio possa referir-se a isto, que tais pessoas se vangloriam do conhecimento das coisas divinas, o qual é desejável e oculto.

846. Depois, quando diz: os irônicos, porém etc., trata do vício que pertence ao defeito.

E a respeito disto faz duas coisas:

primeiro, compara este vício com o da jactância;

segundo, mostra a diversidade deste vício, ali: alguns, porém, sobretudo estes etc.

Diz, pois, primeiro que os irônicos, que dizem de si mesmos menos do que é, parecem ter costumes mais agradáveis do que os jactanciosos, porque não parecem dizer tais coisas por causa do lucro, mas como que fugindo do inchaço da soberba.

847. Depois, quando diz: alguns, porém, sobretudo estes etc., mostra de que modos diversos ocorre este vício. E diz que há alguns que sobretudo negam de si aquelas coisas que parecem pertencer a uma grande glória, como Sócrates, que negava ser sabedor.

Há, porém, alguns que em certas coisas pequenas e manifestas querem mostrar que não fingem de si coisas maiores do que são, e estes são chamados blancopanurgos, como que tendo as suas delícias em certa astúcia de simulação; pois em grego chamam-se panurgos os astutos, e blancon é o mesmo que deleitoso. Ora, diz que estes são facilmente desprezíveis, porque a sua simulação é demasiado manifesta; e tal defeito nas coisas exteriores às vezes parece pertencer à jactância, quando por meio disso querem mostrar-se melhores e mais moderados, como os lacedemônios, que usavam vestimentas mais desprezíveis do que convinha ao seu estado, porque tanto a superabundância nas coisas exteriores quanto também o defeito imoderado parecem pertencer à jactância, na medida em que por ambos se mostra certa excelência do homem.

848. Há, porém, alguns que usam moderadamente deste vício, porque nem negam totalmente de si as coisas gloriosas, nem tampouco assumem coisas demasiado pequenas, e usam deste vício naquilo que não é imediato e manifesto; e tais parecem ser agradáveis, como se disse acima.

849. Depois, quando diz: parece, porém, opor-se etc., trata da oposição do vício à virtude. E diz que mais parece opor-se ao veraz o jactancioso, na medida em que é pior, como se disse; pois o vício pior sempre se opõe mais à virtude.