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Lição 3

Kinds of Friendship

Ora, estes objetos diferem entre si em espécie; portanto, também os amores e as amizades. Pois há três espécies de amizade, iguais em número aos objetos amáveis; segundo cada um deles há retribuição de amor não oculta. E os que se amam mutuamente querem bens uns aos outros assim, segundo aquilo pelo qual se amam. [1562]

Portanto, os que se amam mutuamente por causa do útil não se amam segundo si mesmos, mas segundo o bem que de um advém ao outro. Semelhantemente também os que se amam por causa do deleite; pois não amam os graciosos por serem de tal ou qual índole, mas por serem deleitáveis a si mesmos. E os que amam por causa do útil amam por causa do bem que a si mesmos advém, e os que amam por causa do deleite, por causa do deleitável a si mesmos, e não segundo aquilo que é o amado, mas segundo é útil ou deleitável. E por acidente é que estas amizades existem, pois não é segundo aquilo que é qualquer um que é amado que assim é amado, mas segundo estes proporcionam algum bem, e aqueles, deleite. [1565]

Tais amizades são facilmente dissolúveis, não permanecendo eles mesmos semelhantes; pois, se já não são deleitáveis ou úteis, cessam de amar. Ora, o útil não permanece, mas ora se faz uma coisa, ora outra; dissolvido, portanto, aquilo por causa do qual eram amigos, dissolve-se também a amizade, como existindo a amizade em vista daquilo. [1567]

Ora, tal amizade parece dar-se sobretudo entre os velhos; pois tais pessoas não perseguem o deleitável, mas o útil. [1568]

E entre os que estão na adolescência e os jovens, todos os que perseguem o proveitoso. Tais pessoas, porém, não convivem inteiramente umas com as outras; pois às vezes nem sequer são deleitáveis nem necessitam de tal companhia, se não forem úteis, pois só são deleitáveis na medida em que têm esperança de algum bem. [1569]

Nesta espécie colocam também a amizade dos que peregrinam. [1570]

A amizade dos jovens, porém, parece ser por causa do deleite; pois estes vivem segundo a paixão, e perseguem sobretudo o que lhes é deleitável e presente. [1571]

Passada, porém, a idade, também os deleitáveis se tornam outros. Por isso rapidamente se fazem amigos e cessam de sê-lo, pois ao mesmo tempo que o deleitável a amizade se dissolve; e tal deleite tem rápida mudança. [1572]

E os jovens são também dados ao amor, pois amam segundo a paixão e por causa do deleite, por isso são muito dados ao amor. Por isso amam e rapidamente cessam, muitas vezes mudando no mesmo dia. Mas querem permanecer juntos o dia inteiro e conviver, pois assim se dá para eles o que é segundo tal amizade. [1573]

Perfeita, porém, é a amizade dos bons e dos que são semelhantes segundo a virtude. Pois estes querem semelhantemente o bem um ao outro segundo são bons, e são bons em si mesmos. [1574-1575]

Ora, os que querem os bens aos amigos por causa deles mesmos são sobretudo amigos. Pois assim se comportam por causa deles mesmos e não por acidente. [1576]

Permanece, portanto, a amizade destes enquanto forem bons. Ora, a virtude é algo permanente. [1577]

E cada um é bom absolutamente e também para o amigo; pois os bons são bons absolutamente e úteis um ao outro. Semelhantemente também são deleitáveis, pois os bons são deleitáveis absolutamente e um ao outro; pois a cada um são deleitáveis, segundo o deleite, as ações próprias e as de tal índole, e as dos bons são de tal índole ou semelhantes. [1578]

É razoável, porém, que tal amizade seja permanente; pois nela se une tudo quanto é preciso existir entre amigos. Pois toda amizade é por causa do bem ou por causa do deleite, quer absolutamente, quer para quem ama, e segundo certa semelhança. A esta, porém, competem todas as coisas ditas segundo si mesmas; pois por esta são semelhantes, e as demais, cada uma, o absolutamente bom e o absolutamente deleitável. [1579]

Portanto, estas coisas são sobretudo amáveis; e o amar e a amizade estão nestas sobretudo e são os melhores. [1580]

É verossímil, porém, que tais amizades sejam raras. Pois poucos são tais. [1581]

Além disso, requer tempo e convivência; pois, segundo o provérbio, não é possível conhecerem-se mutuamente antes de terem consumido juntos o dito sal, nem convém aceitar-se antes nem ser amigos antes que cada um pareça ao outro amável e seja tido por digno de confiança. [1582]

Ora, os que rapidamente realizam entre si atos de amizade querem, sim, ser amigos, mas não o são, se não forem também amáveis e o souberem. Pois a vontade de amizade faz-se rapidamente, mas a amizade não. [1583]

Esta, portanto, é perfeita tanto segundo o tempo quanto segundo o restante, e segundo todos estes aspectos se realiza, e cada um recebe do outro o semelhante, o que é preciso existir entre amigos. [1584]

1562. Ora, estes objetos diferem etc. Depois que o Filósofo mostrou o que é a amizade, aqui distingue as suas espécies.

A respeito disto faz três coisas:

primeiro, distingue as espécies de amizade;

segundo, mostra em quais espécies de amizade se dão acusações ou queixas, ali: sendo, pois, três etc.

A respeito do primeiro faz duas coisas:

primeiro, distingue as espécies de amizade que se conservam na igualdade das pessoas;

segundo, distingue as espécies de amizade que existem entre pessoas desiguais, ali: há, porém, outra espécie de amizade etc.

A respeito do primeiro faz duas coisas:

primeiro, distingue as espécies de amizade;

segundo, mostra que elas existem na igualdade, ali: são, portanto, as ditas amizades etc.

A respeito do primeiro faz três coisas:

primeiro, distingue as espécies de amizade;

segundo, determina a respeito delas por comparação com o ato, ali: assim como, porém, nas virtudes etc.;

terceiro, por comparação com o sujeito, ali: nos austeros, porém, e nos velhos etc.

A respeito do primeiro faz duas coisas:

primeiro, apresenta a distinção das espécies;

segundo, determina a respeito de cada uma das espécies, ali: os que, portanto etc.

1563. Diz, pois, primeiro que, havendo três objetos amáveis, como foi dito, a saber, o bem absolutamente, o deleitável e o útil, estes diferem em espécie entre si, não, todavia, como três espécies que dividem por igual algum gênero, mas comportam-se segundo o anterior e o posterior; e porque segundo a diferença dos objetos se diversificam os atos, segue-se que os amores diferem em espécie segundo estes três, de modo que uma seja a espécie de amor pela qual se ama algo por causa do bem, e outra pela qual se ama algo por causa do deleitável, e outra pela qual por causa do útil; e porque o ato da amizade é o amar, segue-se que também há três espécies de amizade, iguais em número aos objetos amáveis, das quais uma é a amizade por causa do honesto, que é o bem absolutamente; outra por causa do deleitável, e a terceira por causa do útil;

1564. pois em cada um destes se conserva a noção de amizade acima apresentada, porque segundo cada um destes três pode haver retribuição de amor não oculta. E segundo estes três podem querer bens uns aos outros segundo se amam; por exemplo, se se amam por causa da virtude, querem um ao outro o bem da virtude; se, porém, por causa do útil, querem um ao outro bens úteis; e se por causa do deleite, bens deleitáveis.

1565. Depois, quando diz: os que, portanto etc., determina a respeito das ditas espécies de amizade, as quais não estão contidas sob a amizade igualmente, mas segundo o anterior e o posterior.

Assim, pois, faz três coisas:

primeiro, determina a respeito da amizade do útil e daquela que é do deleitável, as quais participam da noção de amizade por posterioridade;

segundo, determina a respeito da amizade do honesto, que é o bem absolutamente, à qual primeira e por si compete a noção de amizade, ali: perfeita, porém, é a dos bons etc.;

terceiro, compara as outras amizades com esta, ali: a que, porém, é por causa do deleitável etc.

A respeito do primeiro faz duas coisas:

primeiro, mostra quais são as espécies imperfeitas de amizade;

segundo, mostra a quem competem, ali: sobretudo, porém, entre os velhos etc.

A respeito do primeiro faz duas coisas:

primeiro, mostra que as amizades úteis e deleitáveis são amizades por acidente;

segundo, mostra que são facilmente dissolúveis, ali: facilmente dissolúveis, na verdade etc.

1566. Diz, portanto, primeiro que aqueles que se amam mutuamente por causa da utilidade, um não ama o outro por si mesmo, mas conforme recebe do outro algum bem para si. E semelhante é o que se dá naqueles que se amam por causa do deleite; pois um não ama o outro por causa de estar de tal modo disposto, por exemplo, por ser eutrapélico, isto é, por comportar-se virtuosamente nos jogos, mas somente enquanto lhe é deleitável. E assim é evidente que tanto aqueles que amam por causa do útil amam por causa do bem que lhes advém, quanto também aqueles que amam por causa do deleite amam por causa do deleitável que percebem, e assim não amam o amigo conforme ele é em si mesmo, mas conforme aquilo que lhe é acidental, a saber, conforme é útil ou deleitável. Donde é evidente que tais amizades não são amizades por si, mas por acidente, porque não se ama o homem segundo aquilo que ele mesmo é, mas segundo o que ele apresenta, a saber, a utilidade ou o deleite.

1567. Em seguida, quando diz: facilmente dissolúveis etc., mostra que tais amizades são facilmente dissolúveis; pois são por causa de algo que é acidental aos homens que são amados, no que os homens não permanecem sempre semelhantes a si mesmos, assim como não é sempre o mesmo homem deleitável ou útil; quando, portanto, aqueles que eram amados deixam de ser deleitáveis ou úteis, seus amigos cessam de amar. E isto é sobretudo manifesto na amizade do útil; pois nem sempre é o mesmo o útil ao homem, mas ora uma coisa ora outra, segundo os diversos tempos e lugares, assim como na enfermidade é útil o médico, na navegação o marinheiro, e assim das demais coisas; porque, portanto, a amizade não se tinha para com o próprio homem em si mesmo, mas para com a utilidade que dele provinha, é consequente que, dissolvida a causa da amizade, também a amizade se dissolva. E o semelhante ocorre a respeito da amizade do deleite.

1568. Em seguida, quando diz: sobretudo, porém, nos velhos etc., mostra a quem convêm tais amizades.

E primeiro mostra a quem convém a amizade do útil;

segundo, a quem convém a amizade do deleitável, ali: a amizade dos jovens, porém etc.

Estabelece, porém, primeiro três gêneros de homens a quem convém a amizade do útil.

E primeiro diz que sobretudo tal amizade parece dar-se nos velhos, que não buscam o deleitável por causa da debilidade do calor e dos sentidos, mas buscam o útil, na medida em que necessitam que se socorra a natureza já em declínio.

1569. Segundo, ali: e daqueles que na adolescência etc., diz que esta amizade convém também aos adolescentes e jovens que buscam o útil. E estes, na verdade, não são de todo tais que se amem mutuamente, nem tampouco convivem uns com os outros, porque às vezes não são deleitáveis uns aos outros nem um necessita da companhia do outro senão apenas por causa da utilidade, pois a mútua companhia lhes é deleitável na medida em que por meio dela têm alguma esperança do bem para o qual tal companhia lhes seja útil.

1570. Terceiro, ali: a estas, porém etc., diz que às amizades que são por causa da utilidade alguns reduzem também a amizade dos peregrinos, que parecem amar-se mutuamente por causa da utilidade que um tem do outro em sua peregrinação.

1571. Em seguida, quando diz: dos jovens, porém etc., mostra a quem convém a amizade do deleitável.

E a respeito disto faz duas coisas.

Primeiro mostra a quem convém tal amizade. E diz que a amizade que é por causa do deleite parece ser sobretudo dos jovens, porque vivem segundo são levados pelas paixões, não estando ainda robustecido neles o juízo da razão pelo qual as paixões se ordenam; e porque todas as paixões terminam no deleite e na tristeza, como se estabeleceu no segundo livro, é consequente que eles sobretudo persigam aquilo que lhes é deleitável no tempo presente; pois as paixões pertencem à parte sensitiva, que sobretudo olha para o presente. Amar, porém, algo por causa de ser produtivo de deleite no futuro já se aproxima da noção de útil.

1572. Segundo, ali: com a idade, porém etc., mostra que as amizades destes são facilmente mutáveis de dois modos.

Primeiro, na verdade, da parte dos deleitáveis, porque, a saber, com o passar da idade tornam-se-lhes deleitáveis outras coisas; pois não são as mesmas aquelas em que se deleitam as crianças, os adolescentes e os jovens. E por isso tais pessoas facilmente se tornam amigas e facilmente cessam de o ser, porque, ao mesmo tempo em que se transmuda o deleitável, passa a amizade; ora, do deleite juvenil é veloz a transmutação (pois toda a sua natureza consiste numa certa transmutação).

1573. Segundo, ali: e são amativos, porém etc., mostra o mesmo da parte dos que amam. E diz que os jovens são amativos, isto é, prontos e veementes no amor, porque, a saber, amam não por eleição, mas segundo a paixão e na medida em que cobiçam o deleite, e por isso amam veemente e intensamente. E porque a paixão facilmente passa, assim como facilmente advém, disso resulta que tais pessoas, assim como facilmente começam a amar, assim rapidamente cessam de amar e muitas vezes no mesmo dia entabulam e dissolvem a amizade. Mas, enquanto dura a amizade, tais pessoas querem permanecer juntas o dia inteiro e conviver umas com as outras, na medida em que são mutuamente deleitáveis; pois deste modo se dispõe neles a amizade.

1574. Em seguida, quando diz: a perfeita, porém, é etc., trata da amizade principal, que é por causa do bem da virtude.

E primeiro propõe que tal amizade é perfeita. E diz que a terceira amizade, que é dos bons e mutuamente semelhantes segundo a virtude, é a amizade perfeita.

1575. Segundo, ali: pois estes os bens etc., prova o que dissera, mostrando as condições desta amizade.

E primeiro mostra que tal amizade é por si e não por acidente;

segundo, mostra que nada lhe falta, ali: e cada um é absolutamente bom etc.;

terceiro, que é rara, ali: é verossímil, porém, que raras etc.

A respeito do primeiro faz três coisas.

Primeiro mostra que a referida amizade é por si e não por acidente. Pois aqueles que são semelhantes entre si na virtude querem mutuamente bens um ao outro na medida em que são bons; ora, são bons segundo si mesmos, pois a virtude é uma certa perfeição que torna bom o homem e a sua obra; logo, é evidente que tais pessoas querem bens um ao outro segundo si mesmos. Donde a sua amizade é por si.

1576. Segundo, ali: querendo, porém, os bens etc., conclui disto que tal amizade é a máxima. Pois sempre aquilo que é por si é preferível ao que é por acidente. Como, portanto, esta amizade seja por si, e as outras por acidente, é consequente que os virtuosos, que querem os bens aos amigos por causa deles e não por causa de algo que lhes advenha deles, sejam sobretudo amigos.

1577. Terceiro, ali: permanece, portanto etc., conclui ainda que, pelo fato de tais pessoas se amarem por serem boas, é consequente que a sua amizade permaneça enquanto forem boas segundo a virtude. Ora, a virtude é um hábito permanente e não facilmente transitório, como é evidente pelo que se disse no segundo livro. Logo, tal amizade é duradoura.

1578. Em seguida, quando diz: e cada um é absolutamente etc., mostra que a esta amizade nada falta, o que pertence à noção do perfeito, como é evidente no terceiro livro da Física.

E a respeito disto faz três coisas.

Primeiro mostra que esta amizade compreende em si aquilo que há nas outras amizades. E diz que nesta amizade cada um dos amigos é bom não somente absolutamente, a saber, segundo si mesmo, mas também por comparação ao seu amigo, porque aqueles que são virtuosos são também absolutamente bons e úteis um ao outro. E semelhantemente são absolutamente deleitáveis e também um ao outro; e isto porque a cada um são deleitáveis as próprias ações e as tais, isto é, as ações semelhantes às próprias; ora, as ações dos virtuosos são as de um, próprias a si, e as do outro, semelhantes às próprias (pois não se contrariam entre si as operações que são segundo a virtude, mas todas são segundo a reta razão). Assim, portanto, é manifesto que a amizade dos virtuosos não só tem o bem absolutamente, mas também o deleite e a utilidade.

1579. Segundo, ali: tal amizade, porém etc., conclui novamente que tal amizade é, com razão, longamente permanente e não facilmente transitória, porque nela se conjugam todas as coisas quaisquer que se requerem para os amigos. Pois toda amizade é por causa do bem ou por causa do deleite, e isto ou absolutamente, por exemplo, porque aquilo que se ama é absolutamente bom e deleitável, ou porque é bom e deleitável para o que ama, e isto é ser bom e deleitável não absolutamente e propriamente, mas segundo uma certa semelhança com aquilo que é verdadeira e propriamente bom e deleitável. Nesta amizade, porém, todas as coisas referidas existem não por acidente, mas por si; pois aqueles que são semelhantes segundo esta amizade da virtude têm também os demais bens, porque aquilo que é absolutamente bom é também deleitável. E assim, porque tal amizade tem tudo o que se requer para a amizade, não se dissolve facilmente; pois costuma-se preterir aquilo em que se encontra algum defeito.

1580. Terceiro, ali: sobretudo, portanto etc., conclui novamente que esta amizade é a máxima, porque, a saber, aquelas coisas em que se conjugam todas as razões de amar são sobretudo amáveis, e tais são os bens honestos, porque são bons absolutamente e são deleitáveis e úteis, donde, por consequência, é preciso que também o amar ocorra sobretudo nestes e a amizade deles seja a máxima.

1581. Em seguida, quando diz: raras, porém etc., mostra que a referida amizade é rara, o que é sinal de perfeição, pois as coisas perfeitas em qualquer gênero encontram-se mais raramente.

A respeito disto, porém, faz três coisas.

Primeiro mostra o propósito por duas razões.

Segundo, exclui uma objeção, ali: aqueles, porém, que rapidamente.

Terceiro, epiloga, ali: esta, portanto.

A respeito do primeiro faz duas coisas.

A primeira delas é que esta amizade é dos virtuosos, e poucos são tais por causa da dificuldade de atingir o meio, como se disse no segundo livro. Donde é verossímil que tais amizades sejam raras.

1582. A segunda razão estabelece ali: além disso, porém etc. Porque, a saber, a amizade de tais pessoas necessita de longo tempo e de mútuo trato para que possam conhecer-se mutuamente como virtuosos e amigos, porque, segundo se diz no provérbio, não acontece que alguns se conheçam mutuamente antes de comerem juntos uma medida de sal; ora, não convém que um aceite o outro para que seja seu amigo antes que um pareça ao outro digno de ser amado e se creia que assim é, e isto raramente ocorre. Donde tais amizades são raras.

1583. Segundo, ali: aqueles, porém, que rapidamente etc., exclui a objeção acerca daqueles que parecem tornar-se amigos rapidamente. E diz que aqueles que rapidamente prestam mutuamente os ofícios da amizade manifestam que querem ser amigos, todavia ainda não o são até que saibam que são mutuamente amáveis. E assim é evidente que rapidamente se dá no homem a vontade de amizade, mas não é assim quanto à própria amizade.

1584. Terceiro, ali: esta, portanto etc., concluindo por epílogo, diz que a referida amizade é perfeita tanto quanto ao tempo, porque é duradoura, quanto quanto às demais coisas que se disseram, e se aperfeiçoa segundo tudo o que há nas outras amizades, e cada um dos amigos é semelhante ao outro, o que se requer para a amizade, a saber, por causa de serem semelhantes na virtude.