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Lição 6

Choice and Opinion

Tampouco será opinião. Pois a opinião parece versar sobre todas as coisas e não menos sobre as eternas e impossíveis do que sobre as que estão em nós. [448]

E divide-se em falsa e verdadeira, não em má e boa, ao passo que a escolha antes se divide nestas últimas. Universalmente, portanto, talvez ninguém diga que ela seja idêntica à opinião. [449]

Mas tampouco é idêntica a alguma opinião determinada. Pois, ao escolher coisas boas ou más, somos qualificados de certo modo, mas não ao opinar. [450]

E escolhemos aceitar ou fugir ou algo de tal gênero, mas opinamos o que uma coisa é, ou para que serve, ou de que modo; aceitar, porém, ou fugir não é muito objeto de opinião. [452]

E a escolha, na verdade, é louvada por ser daquilo que é preciso, antes, ou de modo reto, ao passo que a opinião é louvada por ser conforme a verdade. [453]

E escolhemos aquilo que sumamente sabemos ser bom, mas opinamos aquilo que não sabemos muito. [454]

E parece que não são os mesmos os que escolhem o melhor e os que opinam. Alguns, porém, opinam o que é melhor, mas por causa da malícia não escolhem o que é preciso. [455]

Se a opinião precede a escolha ou a segue, em nada importa; pois não é isto que pretendemos, mas se ela é idêntica a alguma opinião. [456]

Que é, então, ou de que gênero é, já que não é nenhuma das coisas ditas? Parece, na verdade, ser algo voluntário. Mas nem todo voluntário é objeto de escolha, e sim, certamente, o que é precedido de deliberação. Pois a escolha é acompanhada de razão e intelecto. E o próprio nome parece indicar que ela é algo preferido às demais coisas escolhíveis. [457]

448. Tampouco será opinião etc. Depois de o Filósofo ter mostrado que a escolha não é o mesmo que o desejo concupiscível nem que a ira, os quais pertencem ao apetite sensitivo, nem tampouco que a vontade, que pertence ao apetite racional, aqui mostra que ela não é o mesmo que a opinião, que pertence à própria razão.

E acerca disto faz três coisas:

primeiro, mostra que a escolha não é o mesmo que qualquer opinião;

segundo, que não é o mesmo, em especial, que a opinião que versa sobre aquilo que deve ser operado por nós, ali: mas tampouco alguma determinada etc.;

terceiro, suscita certa dúvida que deixa sem solução, ali: se, porém, precede a opinião etc.

Diz, portanto, primeiro que, segundo o que foi dito, fica claro que a escolha não é o mesmo que a opinião tomada universalmente.

E isto ele prova por duas razões, das quais a primeira é esta. A opinião pode versar sobre todas as coisas e não menos sobre as necessárias e impossíveis do que sobre as que estão em nosso poder, mas a escolha versa somente sobre aquilo que está em nós, como se disse. Logo, a escolha não é o mesmo que a opinião.

449. A segunda razão ele a apresenta ali: e divide-se em falsa e verdadeira etc. E é esta. Aquilo que se divide por diferenças diversas difere e não é o mesmo. Mas a opinião divide-se em verdadeira e falsa, porque pertence à faculdade cognoscitiva, cujo objeto é o verdadeiro, e não se divide em bom e mau, pelos quais se divide a escolha, que pertence à faculdade apetitiva, cujo objeto é o bem. E disto conclui que a escolha não é o mesmo que a opinião tomada universalmente, e isto é de tal modo manifesto que ninguém diz o contrário.

450. Em seguida, quando diz: mas tampouco alguma determinada etc., mostra que a escolha não é o mesmo que alguma opinião determinada, a saber, aquela que versa sobre aquilo que cai sob a nossa operação. E isto ele mostra por cinco razões, das quais a primeira é esta. Pelo fato de escolhermos coisas boas ou más somos ditos de certo modo qualificados, isto é, bons ou maus, mas não somos ditos bons ou maus pelo fato de opinarmos coisas boas ou más, ou verdadeiras ou falsas. Logo, a escolha não é o mesmo que a opinião que versa sobre as coisas escolhíveis.

451. A razão desta diferença é que alguém é dito bom ou mau não segundo a potência, mas segundo o ato, como se estabelece no livro IX da Metafísica, isto é, não pelo fato de ser capaz de operar bem, mas pelo fato de operar bem; ora, pelo fato de o homem ser perfeito segundo o intelecto, torna-se ele capaz de operar bem, mas não operante do bem, assim como aquele que tem o hábito da gramática, por isso mesmo é capaz de falar corretamente, mas, para que fale corretamente, requer-se que o queira, porque o hábito é aquilo pelo qual alguém age quando quer, como diz o Comentador no livro III do De anima; por onde fica patente que a boa vontade faz o homem operar bem segundo qualquer potência ou hábito que obedeça à razão; e por isso alguém é dito absolutamente homem bom pelo fato de ter boa vontade, mas, pelo fato de ter bom intelecto, não é dito homem bom absolutamente, e sim sob certo aspecto, por exemplo, bom gramático ou bom músico; e por isso, porque a escolha pertence à vontade e a opinião ao intelecto, é pela escolha que somos ditos bons ou maus, e não pela opinião.

452. A segunda razão ele a apresenta ali: e escolhemos, na verdade etc. E é esta. A escolha considera principalmente as nossas ações, pois escolhemos aceitar isto ou fugir ou qualquer outra coisa que pertença às nossas ações; mas a opinião considera principalmente as coisas, pois opinamos o que isto é, por exemplo, que é pão, ou para que serve, ou de que modo se deve usar dele; a opinião, porém, não versa principalmente sobre as nossas operações, por exemplo, que opinemos aceitar ou fugir de algo, porque as nossas ações são certos singulares contingentes e que passam depressa, por isso o conhecimento ou a opinião delas não é muito buscado por causa da verdade que nelas há, mas somente por causa da obra. Logo, a escolha não é o mesmo que a opinião.

453. A terceira razão ele a apresenta ali: e a escolha, na verdade, é louvada etc. E é esta. O bem da escolha consiste em certa retidão, a saber, enquanto o apetite ordena retamente algo ao fim, e é isto que diz, que a escolha é antes louvada por ser daquilo que é preciso, como que retamente; mas a opinião é louvada por ser verdadeiramente de algo, e assim o bem e a perfeição da opinião é a verdade. Ora, aquilo cujas perfeições são diversas, também elas mesmas são diversas. Logo, a escolha não é o mesmo que a opinião.

454. A quarta razão ele a apresenta ali: e escolhemos, na verdade etc. E é esta. A escolha é com certa certeza, pois escolhemos aquilo que sumamente sabemos ser bom; mas a opinião é sem certeza, pois opinamos aquilo que não sabemos muito ser verdadeiro. Logo, não são o mesmo.

455. A quinta razão ele a apresenta ali: e parece etc. Pois, se a opinião e a escolha fossem o mesmo, seria preciso que fossem os mesmos aqueles que escolhem o melhor e aqueles que têm verdadeira opinião a respeito dele. Mas isto é patentemente falso; pois alguns opinam verdadeiramente, em geral, o que é melhor, mas por causa da malícia não escolhem o que é melhor, e sim o que é pior. Logo, a escolha e a opinião não são o mesmo.

456. Em seguida, quando diz: se, porém, precede etc., suscita certa dúvida, a saber, se a opinião precede a escolha ou se a segue. E diz que isto em nada importa para o proposto, porque agora não pretendemos determinar a ordem delas, mas somente se a escolha é o mesmo que alguma opinião. Deve-se saber, todavia, que a opinião, por pertencer à faculdade cognoscitiva, por si mesma falando, precede a escolha, que pertence à faculdade apetitiva, a qual é movida pela cognoscitiva. Por acidente, porém, acontece às vezes que a opinião segue a escolha, por exemplo, quando alguém, pela afeição àquilo que escolhe, muda a opinião que antes tinha.

457. Em seguida, quando diz: que é, então etc., mostra o que é a escolha. E diz que, como ela não é nenhuma das quatro coisas mencionadas, é preciso considerar o que ela é, segundo o gênero, ou de que gênero é, segundo a diferença. E quanto ao gênero, parece que seja algo voluntário. Todavia, nem todo voluntário é objeto de escolha, como se disse acima, mas o voluntário precedido de deliberação. E que esta diferença deva ser acrescentada, torna-o manifesto por isto: que a deliberação é ato da razão, e a própria escolha deve estar acompanhada de ato da razão e do intelecto. E isto parece indicar por baixo, isto é, assinalar ocultamente, o próprio nome dela, que significa que algo seja tomado de preferência às outras coisas; ora, isto pertence à razão que compara, para que uma coisa seja preferida às outras.