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Lição 3

Signs of Virtue

Ora, deve-se tomar como sinal dos hábitos o prazer ou a tristeza que sobrevém às obras. Pois aquele que se afasta dos prazeres corporais e por isso mesmo se alegra é temperante, ao passo que aquele que se entristece é intemperante. E aquele que suporta os perigos e se alegra, ou não se entristece, é forte, ao passo que aquele que se entristece é tímido. Pois a virtude moral versa acerca dos prazeres e das tristezas. [265]

Pois é por causa do prazer que praticamos o mal, e por causa da tristeza que nos afastamos dos bens. Por isso é preciso, como diz Platão, que se seja de algum modo conduzido desde a juventude a alegrar-se e a entristecer-se com aquilo que convém. Pois esta é a reta educação. [268]

Além disso, se as virtudes versam acerca dos atos e das paixões, e a todo ato e a toda paixão se seguem o prazer e a tristeza, por isso certamente a virtude versará acerca dos prazeres e das tristezas. [269]

Demonstram-no também as penas aplicadas por meio destas coisas. Pois são como que remédios. E os remédios são por natureza feitos por meio dos contrários. [270]

Além disso, como dissemos antes, todo hábito da alma tem sua natureza voltada para aquelas coisas e acerca daquelas coisas pelas quais é por natureza tornado pior ou melhor. Ora, por causa dos prazeres e das tristezas os homens se tornam maus, ao perseguir estes e ao fugir daqueles, seja os que não convém, seja quando não convém, seja de qualquer outro modo em que se desvie da razão. E por isso alguns definem as virtudes como certas impassibilidades e quietudes. Mas não o fazem bem, porque falam de modo absoluto, e não determinando como não convém, e quando não convém, e todas as demais coisas que se acrescentam. Supõe-se, portanto, que a virtude seja tal que opere o melhor acerca dos prazeres e das tristezas, ao passo que a malícia opera o contrário. [271]

Tornar-se-á também para nós manifesto, a partir destas coisas, ainda mais o que diz respeito às mesmas. Pois, havendo três coisas que dizem respeito às escolhas e três que dizem respeito às fugas — o bem, o útil e o agradável, e três contrárias, o mal, o nocivo e o triste —, acerca de todas estas o homem bom se dirige retamente, ao passo que o mau peca, sobretudo acerca do prazer. Pois este é comum aos animais e acompanha todas as coisas que se dão sob a escolha. Com efeito, tanto o bem como o útil parecem agradáveis. [273]

Além disso, desde a infância ele cresce conosco em todos nós, e por isso é difícil extirpar esta paixão, adquirida juntamente com a vida. [276]

E regulamos também as operações, uns mais, outros menos, pelo prazer e pela tristeza. Por isso, pois, é necessário que todo o nosso empreendimento verse acerca destas coisas; pois não é de pouca importância, nas operações, alegrar-se e entristecer-se bem ou mal. [277]

Além disso, é mais difícil combater o prazer do que a ira, como diz Heráclito. Ora, é sempre acerca do mais difícil que se dão a arte e a virtude, pois nisto o bem é melhor. Por isso, também por esta razão, todo o empreendimento da virtude e da política versa acerca dos prazeres e das tristezas; pois aquele que usa bem destes será bom, e aquele que usa mal, mau. [278]

Fique, pois, dito que a virtude versa acerca dos prazeres e das tristezas, e que, a partir daquelas coisas de que se produz, também por elas é aumentada e corrompida quando não são feitas do mesmo modo, e que, a partir daquelas coisas de que se produz, acerca dessas mesmas também opera. [279]

265. Ora, deve-se tomar como sinal etc. Depois que o Filósofo mostrou quais devam ser as operações a partir das quais são causadas as virtudes, aqui mostra qual é o sinal da virtude já gerada.

E acerca disto faz duas coisas:

primeiro, propõe o que pretende;

em segundo lugar, prova o que se propôs, em: pois é por causa do prazer etc.

Acerca do primeiro, deve-se considerar que, como a virtude opera coisas semelhantes àquelas operações a partir das quais foi gerada, conforme se disse acima, a execução de tais operações difere depois da virtude e antes da virtude; pois, antes da virtude, o homem faz a si mesmo certa violência para operar deste modo, e por isso tais operações têm alguma tristeza mesclada; mas, depois de gerado o hábito da virtude, tais operações se realizam com prazer, porque o hábito está presente ao modo de uma certa natureza, e é agradável aquilo que convém a alguém segundo a natureza.

266. Diz, portanto, que o sinal dos hábitos já gerados, quer bons quer maus, é aquele que se toma do prazer ou da tristeza que sobrevém às operações. E manifesta isto por exemplos. Pois aquele que se alegra por se afastar dos prazeres corporais é temperante, ao passo que aquele que nisto se entristece é intemperante, porque opera aquilo que é contrário ao seu hábito. E, do mesmo modo, aquele que suporta os perigos com prazer, ou ao menos sem tristeza, é forte (pois, de modo especial, no ato da fortaleza basta não se entristecer, como se dirá adiante no livro III), ao passo que aquele que suporta os perigos com tristeza é tímido. E dá a causa do que foi dito a partir do fato de que toda virtude moral versa acerca dos prazeres e das tristezas.

267. Isto, porém, não se deve entender como se toda virtude moral versasse acerca dos prazeres e das tristezas como acerca de sua matéria própria, pois a matéria de cada virtude moral é aquilo sobre o que ela impõe a medida da razão, como a justiça, acerca das operações que se referem a outrem; a fortaleza, acerca dos temores e das audácias; a temperança, acerca de certos prazeres e tristezas; mas, como se dirá no livro VII desta obra, o prazer é o fim principal de todas as virtudes morais, pois isto se requer em toda virtude moral: que alguém se alegre e se entristeça com aquilo que convém; e, segundo isto, aqui se diz que a virtude moral versa acerca dos prazeres e das tristezas, porque a intenção de qualquer virtude moral é que alguém se comporte retamente ao alegrar-se e ao entristecer-se.

268. Em seguida, quando diz: pois é por causa do prazer etc., prova o que se propôs:

e, primeiro, por razões tiradas daquilo que pertence à virtude;

em segundo lugar, da parte do próprio homem virtuoso, em: tornar-se-á também para nós etc.

Acerca do primeiro, apresenta quatro razões, das quais a primeira se toma do empenho dos homens que tendem à virtude. Pois foi mostrado acima que, a partir das mesmas coisas feitas de modo contrário, a virtude é gerada e corrompida. Ora, vemos que a virtude se corrompe por causa do prazer e da tristeza, porque, por causa da concupiscência dos prazeres, praticamos o mal, e, por causa da tristeza que tememos nos trabalhos da honestidade, afastamo-nos dos bens, isto é, das obras virtuosas. E por isso, como disse Platão, é preciso que aquele que tende à virtude seja de algum modo conduzido desde logo, desde a juventude, se alegre e se entristeça com aquilo que convém. Pois esta é a reta educação dos jovens: que se acostumem deleitar-se nas boas obras e a entristecer-se com as más; e por isso os instrutores dos jovens, quando estes agem bem, aplaudem-nos, mas, quando agem mal, repreendem-nos.

269. Apresenta a segunda razão em: além disso, se as virtudes etc. Ela se toma da matéria da virtude moral deste modo. Toda virtude moral versa acerca dos atos, como a justiça, que versa acerca das compras e das vendas e outras coisas deste gênero, ou acerca das paixões, como a mansidão, que versa acerca das iras, e assim das demais. Mas a toda paixão se segue o prazer ou a tristeza, porque a paixão da alma não é outra coisa senão o movimento da potência apetitiva na busca do bem ou na fuga do mal; quando, pois, se alcança o bem para o qual o apetite tende, ou quando se evita o mal do qual fugia, segue-se o prazer, mas, quando ocorre o contrário, segue-se a tristeza, como o irado, quando consegue a vingança, alegra-se, e do mesmo modo o tímido, quando escapa dos perigos, mas, quando ocorre o contrário, entristece-se. Resta, portanto, que, do modo já dito, toda virtude moral versa acerca dos prazeres e das tristezas como acerca de certas coisas finais.

270. Apresenta a terceira razão em: demonstram-no também as penas etc. E ela se toma do remédio da virtude. Pois, assim como os remédios para restituir a saúde são certas poções amargas ministradas e prazeres subtraídos, assim também as penas são certos remédios para reparar a virtude; e estas se dão pela subtração de alguns prazeres ou pela aplicação de algumas tristezas. Ora, os remédios são por natureza feitos por meio dos contrários, como quando o calor é excessivo os médicos aplicam coisas frias. Logo, também a virtude moral versa acerca de alguns prazeres e tristezas.

271. Apresenta a quarta razão em: além disso, como antes etc. Ela se toma daquilo que é contrário à virtude e a corrompe. E diz que todo hábito tem sua natureza voltada para operar aquelas coisas e acerca daquelas coisas pelas quais é tornado pior e melhor, isto é, pelas quais é aumentado em bondade, se for um hábito bom, ou aumentado em malícia, se for um hábito mau. Ou pode-se entender daquelas coisas pelas quais é por natureza tornado pior ou melhor, isto é, pelas quais é por natureza gerado ou aumentado, o que é tornar-se melhor, ou corrompido ou diminuído, o que é tornar-se pior. Ora, vemos que os homens se tornam maus pela corrupção da virtude, pelo fato de seguirem os prazeres e fugirem das tristezas, seja os que não convém, seja quando não convém, seja de qualquer outro modo em que alguém se desvie da reta razão.

272. E, por esta ocasião, os estoicos foram levados a dizer que as virtudes são certas impassibilidades e quietudes; pois, porque viam que os homens se tornam maus pelos prazeres e pelas tristezas, julgaram ser consequente que a virtude consista em que cessem por completo as transmutações das paixões. Mas nisto não falaram bem, ao quererem excluir totalmente do virtuoso as paixões da alma; pois pertence ao bem da razão que por ela seja regulado o apetite sensitivo, cujos movimentos são as paixões; por isso não pertence à virtude excluir todas as paixões, mas somente as desordenadas, isto é, aquelas que são como não convém e quando não convém e todas as demais coisas que se acrescentam, pertencentes às outras circunstâncias. Destas coisas, pois, conclui que se deve supor que a virtude opere o que é ótimo acerca dos prazeres e das tristezas, ao passo que a malícia, que é o hábito contrário à virtude, opere o mau.

273. Em seguida, quando diz: tornar-se-á também para nós etc., aduz em favor do que se propôs outras quatro razões tomadas da parte dos homens em quem estão a virtude, o prazer e a tristeza, das quais a primeira se toma da comunidade dos prazeres. Diz que três são as coisas que caem sob a escolha humana, a saber, o bem, isto é, o honesto; o conveniente, isto é, o útil; e o agradável; aos quais se contrariam três coisas, a saber, o mal, isto é, o vício, que se opõe ao honesto; o nocivo, que se opõe ao útil; e o triste, que se opõe ao agradável. Ora, acerca de todas estas coisas o homem bom se comporta retamente, ao passo que o homem mau peca, e sobretudo acerca do prazer, que é o mais comum entre os mencionados, por uma dupla comunidade.

274. Primeiro, quanto àqueles que sentem prazer; pois o prazer se encontra em todos os animais, porque não está somente na parte intelectiva, mas também na sensitiva; ao passo que o útil e o honesto pertencem somente à parte intelectiva; pois o honesto é o que se faz segundo a razão, e o útil importa a ordenação de algo para outra coisa, e ordenar é próprio da razão.

275. Há, porém, outra coisa comum da parte das próprias realidades; com efeito, o prazer acompanha tudo aquilo que cai sob a escolha, pois o honesto é deleitável para o homem enquanto é conveniente à razão, e o útil é deleitável por causa da esperança do fim; não é, contudo, o inverso, que todo deleitável seja útil ou honesto, como fica evidente nos deleitáveis segundo o sentido.

276. A segunda razão ele apresenta em: e ainda desde a infância etc. Ela se toma da conaturalidade do prazer. De fato, ao mesmo tempo com todos os homens o próprio prazer é nutrido desde a infância, porque a criança, logo depois de nascida, deleita-se no leite, e por isso é difícil que o homem possa subjugar essa paixão que está associada à vida, isto é, no fato de que ela começou com o homem desde o princípio da vida. E por isso a virtude moral versa sobretudo acerca do prazer.

277. A terceira razão ele apresenta em: e regulamos etc. Ela se toma do empenho humano. Todos os homens, de fato, regulam as suas operações pelo prazer e pela tristeza, isto é, aplicando-se àquelas operações nas quais se deleitam e abstendo-se daquelas com as quais se entristecem. E por isso é necessário que todo o encargo da virtude moral, que se ordena ao bem operar, verse acerca do prazer e da tristeza; pois não pouco importa para as operações que alguém se alegre ou se entristeça bem ou mal, porque, se se alegra com os bens, operará bem, mas, se com os males, mal.

278. A quarta razão ele apresenta em: e ainda é mais difícil etc. Ela se toma da comparação dela com a ira. Porque, como disse Heráclito, é mais difícil lutar contra o prazer do que contra a ira, embora, contudo, lutar contra a ira pareça dificílimo por causa do seu ímpeto, mas a concupiscência do prazer é ao mesmo tempo mais comum e mais natural e dura mais. Ora, a arte e a virtude versam acerca do mais difícil, no qual mais se requer que alguém opere bem, ao que se ordenam a arte e a virtude; pois nas coisas fáceis qualquer um pode operar bem, mas operar bem nas coisas difíceis é próprio somente de quem tem virtude e arte. E por isso fica manifesto, pelo que foi dito, que todo o encargo da virtude e da política, isto é, do convívio civil, consiste acerca dos prazeres e das tristezas, das quais quem usa bem será bom, mas quem usa mal será mau.

279. Em seguida, quando diz: uma vez, pois, que etc., resume o que foi dito, a saber, que a virtude versa acerca dos prazeres e das tristezas, e que são as mesmas coisas das quais a virtude é gerada e aumentada e das quais também é corrompida quando feitas de modo contrário, e que são as mesmas coisas das quais a virtude é gerada e as que a virtude opera uma vez gerada.