Lição 2
Opinions on Pleasure as a Good
Eudoxo, portanto, julgava que o prazer é um bem, pelo fato de ver que todos os seres o desejam, tanto os racionais quanto os irracionais; ora, em todos os casos o que é digno de ser escolhido é adequado e bom, e sobretudo o mais poderoso; e o fato de que todas as coisas são levadas ao mesmo objeto anuncia que ele é o ótimo para todas; pois cada coisa encontra para si o seu bem, assim como também o alimento; portanto, o que é bom para todos, e o que todos apetecem, é um bem. [1964]
Ora, as suas palavras eram cridas mais por causa da virtude de seu caráter do que por elas mesmas. Pois parecia ser temperado de modo diferente, de sorte que não parecia dizer isto como amigo do prazer, mas por assim ser segundo a verdade. [1966]
Ora, não menos julgava ser isto manifesto a partir do contrário. Pois a tristeza, segundo ela mesma, deve ser fugida por todos; semelhantemente, portanto, o contrário é digno de ser escolhido. [1967]
Ora, o máximo digno de ser escolhido é aquilo que escolhemos não por causa de outra coisa nem em vista de outra coisa. E é reconhecido que o prazer é tal: pois ninguém pergunta em vista de que alguém se deleita, como se o prazer, existindo por si mesmo, fosse digno de ser escolhido. [1968]
E, acrescentado a qualquer dos bens, torna-o mais digno de ser escolhido; por exemplo, àquilo que é agir com justiça e ser temperado. Assim, o bem é aumentado por ele. [1969]
Ora, este argumento parece anunciar que ele é um bem, e nada mais do que outro; pois toda coisa, com outro bem, é mais digna de ser escolhida do que solitária. [1970]
E por um argumento deste tipo também Platão destrói a tese de que o prazer é bem por si; pois a vida deleitável é mais digna de ser escolhida com a prudência do que sem ela; ora, se o misto é melhor, o prazer não é bem por si, pois nada, acrescentado ao que é bem por si, o torna mais digno de ser escolhido. [1971]
Ora, é manifesto que nenhuma outra coisa será bem por si, se se torna mais digna de ser escolhida quando com algo dos bens que são bons segundo si mesmos. Que é, portanto, tal coisa de que também nós participamos? Pois é uma tal coisa que se busca. [1973]
Ora, os que objetam que não é bem aquilo que todos apetecem não dizem nada. Pois aquilo que parece a todos, dizemos que é. E quem destrói esta crença não diz coisas de modo algum mais críveis. Pois, se só as coisas que apetecem sem intelecto o apetecessem, haveria algo no que se diz; mas, se também as que têm sabedoria o fazem, como dirão algo? Talvez também nos maus haja algum bem natural melhor do que eles mesmos, que apetece o bem próprio. [1974]
Ora, também não parece ser bem dito a respeito do contrário. Pois não dizem que, se a tristeza é mal, o prazer seja bem; pois também o mal se opõe ao mal, e ambos àquilo que não é nem um nem outro. Dizendo isto, não dizem mal, mas contudo, naquilo que foi dito, não dizem a verdade. Pois, sendo ambos males, ambos deveriam ser fugidos; e, se nenhum dos dois fosse mal, nenhum deveria ser fugido, ou ambos semelhantemente. Ora, agora parece que os homens fogem de uma como mal, mas escolhem a outra como bem. Assim, portanto, opõem-se. [1978]
1964. Eudoxo, portanto, o prazer etc. Depois de o Filósofo ter mostrado que se deve tratar do prazer, aqui começa a tratar dele.
E primeiro prossegue as opiniões de outros;
segundo, determina a verdade, ali: que é, porém, ou qual coisa etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro prossegue a opinião dos que põem o prazer no gênero dos bens;
segundo, prossegue a opinião contrária, ali: por um argumento deste tipo etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro põe os argumentos pelos quais Eudoxo provava que o prazer está no gênero dos bens;
segundo, põe os argumentos pelos quais provava que ele é o máximo bem, ali: ora, o máximo digno de ser escolhido etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro mostra como Eudoxo provava que o prazer é do gênero dos bens da parte do próprio prazer;
segundo, como provava isto da parte do contrário, ali: ora, não menos etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro põe a opinião e o argumento de Eudoxo;
segundo, mostra por que se dava crédito à sua opinião e argumento, ali: ora, eram cridas etc.
1965. Diz, portanto, primeiro que Eudoxo julgava que o prazer é do gênero dos bens porque via que todos o desejam, tanto os racionais, isto é, os homens, quanto os irracionais, isto é, os animais brutos; ora, aquilo que junto de todos é digno de ser escolhido parece ser adequado, isto é, bom, e o máximo poderoso em bondade, pelo qual pode atrair a si todo apetite; e assim, o fato de que todas as coisas são levadas ao mesmo, isto é, ao prazer, denuncia que o prazer não só é bem, mas também algo ótimo; pois é manifesto que cada coisa busca encontrar aquilo que lhe é bom, assim como o alimento é bom para todos os animais, pelos quais é comumente apetecido. Assim, portanto, fica patente que o prazer, que todos apetecem, é algo bom.
1966. Em seguida, quando diz: ora, as palavras eram cridas etc., mostra por que a Eudoxo se dava máximo crédito. E diz que às palavras de Eudoxo se dava crédito mais por causa da virtude moral de quem falava do que também por causa da sua eficácia. Pois ele era temperado a respeito dos prazeres de modo diferente, como que mais excelentemente do que os outros, e por isso, quando louvava o prazer, não parecia dizer isto como amigo do prazer, mas porque assim se dá segundo a verdade da coisa.
1967. Em seguida, quando diz: ora, não menos etc., põe o argumento de Eudoxo que se tomava da parte do contrário. E diz que Eudoxo julgava ser manifesto que o prazer é do gênero dos bens não menos a partir do contrário, isto é, da parte da tristeza, do que da parte do próprio prazer. Pois aparece manifestamente que a tristeza, segundo si mesma, deve ser fugida por todos; donde o contrário, isto é, o prazer, parece dever ser escolhido por todos.
1968. Em seguida, quando diz: ora, o máximo etc., aduz dois argumentos de Eudoxo para mostrar que o prazer é o máximo bem.
O primeiro deles é este: ora, parece ser o máximo digno de ser escolhido, e por consequência o máximo bem, aquilo que não é escolhido por causa de outra coisa que lhe advenha nem em vista de algo como fim. Ora, isto todos manifestamente reconhecem a respeito do prazer: pois ninguém pergunta a outro em vista de que queira deleitar-se; como se o prazer fosse digno de ser escolhido segundo si mesmo. Logo, o prazer é o máximo bem.
1969. Põe o segundo argumento ali: e acrescentado etc. E acerca disto faz duas coisas.
Primeiro põe o próprio argumento. Pois isto aparece a respeito do prazer: que, acrescentado a qualquer bem, torna-o mais digno de ser escolhido, assim como, se for acrescentado àquilo que é agir com justiça ou ser temperado, aumenta a bondade destes; pois é melhor quem se deleita na operação da justiça ou da temperança. E a partir disto queria concluir que o prazer seria o ótimo, como que aumentando a bondade em todas as coisas.
1970. Segundo, ali: ora, parece etc., mostra a falha deste argumento. E diz que o dito argumento parece concluir que o prazer é do gênero dos bens, mas não que seja mais bem do que algo outro; pois de qualquer bem também se verifica isto: que, unido a outro bem, é melhor do que se fosse solitário por si mesmo.
1971. Em seguida, quando diz: por um argumento deste tipo etc., prossegue a opinião dos que põem que o prazer não é bem.
E primeiro mostra como saem ao encontro dos argumentos precedentes;
segundo, põe os argumentos deles que aduzem em contrário, ali: contudo, não, se não das qualidades etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro mostra como usavam ao contrário o argumento acima aduzido para mostrar que o prazer é o ótimo;
segundo, mostra como saíam ao encontro dos outros argumentos, ali: ora, os que objetam etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro mostra como Platão usava o argumento precedente para o oposto;
segundo, dissolve o processo de Platão, ali: ora, é manifesto etc.
Diz, portanto, primeiro que, pelo argumento imediatamente precedente, Platão, que era de opinião contrária, tentava destruir aquilo que foi dito, mostrando que o prazer não é bem por si. Pois é manifesto que o prazer é mais digno de ser escolhido se for unido à prudência; visto, portanto, que o prazer misturado a outra coisa é melhor, concluía que o prazer não é bem por si, pois aquilo que é bem por si não se torna mais digno de ser escolhido pelo acréscimo de outra coisa.
1972. Acerca disto se deve saber que Platão chamava bem por si aquilo que é a própria essência da bondade, assim como homem por si a própria essência do homem; ora, à própria essência da bondade nada pode ser acrescentado que seja bom de outro modo senão participando da essência da bondade, e assim tudo o que há de bondade naquilo que é acrescentado é derivado da própria essência da bondade; e assim o bem por si não se torna melhor por algo acrescentado.
1973. Em seguida, quando diz: é manifesto, porém etc., Aristóteles refuta o processo de Platão. Com efeito, é manifesto que, segundo essa razão, nada mais nas coisas humanas será bom por si, pois qualquer bem humano se torna mais eligível quando acrescentado a algo bom por si; ora, não se pode encontrar nada que entre na comunicação da vida humana que seja tal que não se torne melhor pela adição de outra coisa. Mas é justamente algo assim que buscamos, isto é, algo que entre na comunicação da vida humana; pois os que dizem que o prazer é um bem entendem que ele é um certo bem humano, e não o próprio bem divino, que é a própria essência da bondade.
1974. Em seguida, quando diz: os que se opõem, porém etc., mostra de que modo os platônicos rebatiam as razões de Eudoxo que provavam que o prazer é um bem.
E, primeiro, de que modo rebatiam a razão que se tomava por parte do próprio prazer;
segundo, de que modo rebatiam a razão que se tomava por parte do contrário, ali: parece, porém etc.
Ora, rebatiam a primeira razão suprimindo aquela premissa: o bem é o que todas as coisas apetecem. Mas Aristóteles refuta isso, dizendo que aqueles que se opõem à razão de Eudoxo, afirmando que não é necessário que seja bom aquilo que todas as coisas apetecem, parecem não dizer nada.
1975. Com efeito, aquilo que parece a todos, dizemos que assim é, e isto se toma como um princípio, porque não é possível que o juízo natural falhe em todos; ora, como o apetite não é senão daquilo que parece bom, aquilo que é apetecido por todos parece bom a todos, e assim o prazer, que é apetecido por todos, é bom.
1976. Ora, quem suprime aquilo que é crido por todos não diz absolutamente coisas mais dignas de crédito. Pois aquilo que se diz poderia sustentar-se se somente aqueles que agem sem intelecto, como os animais brutos e os homens depravados, apetecessem os prazeres, porque o sentido não julga o bem senão como agora, e assim não seria preciso que o prazer fosse bom absolutamente, mas somente que fosse bom como agora; mas, como também os que possuem sabedoria apetecem algum prazer, de modo algum parecem dizer algo verdadeiro.
1977. E, contudo, se todos os que agem sem intelecto apetecessem o prazer, ainda seria provável que o prazer fosse um certo bem, porque também nos homens depravados há um certo bem natural que inclina ao apetite do bem conveniente, e esse bem natural é melhor do que os homens depravados enquanto tais; pois, assim como a virtude é perfeição da natureza e por isso a virtude moral é melhor do que a virtude natural, como se disse no sexto livro, assim também, sendo a malícia corrupção da natureza, o bem natural é melhor, como o íntegro é melhor do que o corrompido; ora, é manifesto que os homens depravados se diversificam segundo aquilo que pertence à malícia, pois as malícias são contrárias entre si, e por isso aquilo em que todos os depravados convêm, isto é, apetecer o prazer, parece pertencer mais à natureza do que à malícia.
1978. Em seguida, quando diz: não parece, porém etc., mostra de que modo rebatiam a razão que se tomava por parte da tristeza. Diziam, com efeito, que não se segue, se a tristeza é um mal, que por isso o prazer seja um bem, porque se verifica que o mal se opõe não somente ao bem, mas também ao mal, assim como a audácia se opõe não somente à fortaleza, mas também à timidez, e ambos, isto é, o bem e o mal, se opõem àquilo que não é nem bem nem mal, assim como os extremos se opõem ao meio; ora, há algo tal considerado segundo sua espécie, como levantar uma palha do chão ou algo semelhante.
1979. Mas Aristóteles, refutando esse processo, diz que não dizem mal quanto a essa oposição do mal ao mal, mas, contudo, não dizem a verdade no que está em questão. Pois a tristeza não se opõe ao prazer como o mal ao mal; se, com efeito, ambos fossem males, seria preciso que ambos fossem de evitar, pois, assim como o bem enquanto tal é apetecível, assim o mal enquanto tal é de evitar; se, porém, nenhum deles fosse mal, nenhum seria de evitar, ou ambos se comportariam de modo semelhante. Mas, de fato, todos parecem evitar a tristeza como mal e apetecer o prazer como bem. Assim, portanto, opõem-se entre si como o bem e o mal.