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Lição 11

Pleasure and Pain

Cabe àquele que filosofa sobre a política considerar o deleite e a tristeza. Pois este é o fim arquitetônico, olhando para o qual dizemos que cada coisa é, esta, má, e aquela, boa em sentido absoluto. [1469]

Além disso, é também necessário ocupar-se deles. Pois estabelecemos que a virtude e a malícia moral versam sobre as tristezas e os deleites. [1471]

E muitos afirmam que a felicidade está unida ao deleite; por isso também deram ao bem-aventurado um nome derivado do gozar. [1472]

A estes, portanto, parece que o prazer não é um bem, nem por si mesmo nem por acidente; pois não são a mesma coisa o bem e o prazer. A outros, porém, parece que alguns prazeres são bons, mas muitos são maus. Ainda outros, em terceiro lugar, sustentam que, mesmo que todos os prazeres fossem bons, não seria possível que o prazer fosse o melhor bem. [1473]

Totalmente, pois, não é um bem, porque todo prazer é uma geração em direção à natureza do sensível, e nenhuma geração é da mesma classe que os fins, assim como a construção de uma casa não é a casa. [1474]

Além disso, o temperante foge dos prazeres. [1475]

Ademais, o prudente busca não entristecer-se, não o deleitável. [1476]

Além disso, os prazeres são um impedimento para que se seja prudente, e quanto mais alguém se alegra, tanto mais; por exemplo, o prazer dos atos venéreos, pois ninguém poderia compreender coisa alguma durante ele. [1477]

Ademais, não há nenhuma arte do prazer, embora todo bem seja obra de alguma arte. [1478]

Além disso, as crianças e os animais buscam os prazeres. [1479]

Mas nem todos os prazeres deste gênero são bons, porque alguns são torpes e vergonhosos; e porque alguns são nocivos, pois certos deleitáveis causam enfermidades. [1480]

E que o prazer não seja o melhor bem, é porque não é um fim, mas uma geração. Estas, pois, são quase todas as coisas que se dizem. [1481]

1469. Sobre o prazer, porém, e a tristeza etc. Depois que o Filósofo determinou acerca da continência e da incontinência, mostrando que dizem respeito aos prazeres e às tristezas, aqui pretende determinar acerca dos prazeres e das tristezas.

E primeiro mostra que esta consideração pertence à presente intenção;

segundo, executa o proposto, ali: a estes, portanto etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas.

Primeiro propõe o que pretende. E diz que considerar acerca do prazer e da tristeza pertence àquele que filosofa em torno da ciência política, à qual toda a doutrina moral se reduz como à principal, conforme se estabeleceu no princípio.

1470. Segundo, ali: pois este é o fim etc., prova o proposto com três razões.

A primeira delas é que, assim como o fim da arte arquitetônica é aquele para o qual olham, como para uma certa medida, todas as coisas que estão contidas sob aquela arte, assim se comporta o prazer naquilo que pertence à doutrina moral; pois, olhando para o prazer, dizemos que algo é mau e algo é bom absolutamente. Com efeito, dizemos que é bom aquele que se deleita nas coisas boas, e mau aquele que se deleita nas más; e também naquilo que se faz se observa o mesmo juízo, pois julgamos ser mau aquilo que procede de um prazer mau, e bom o que procede de um bom. Ora, em qualquer ciência deve-se considerar sobretudo aquilo que se toma por regra. Por isso, ao filósofo moral pertence sobretudo considerar acerca do prazer.

1471. A segunda razão põe ali: além disso etc. E diz que não somente é conveniente ao moralista considerar acerca do prazer, mas também lhe é necessário. Porque a ele pertence considerar as virtudes e as malícias; ora, mostrou-se acima, no segundo livro, que a virtude e a malícia moral dizem respeito aos prazeres e às tristezas; logo, é necessário ao moralista considerar acerca do prazer e da tristeza.

1472. A terceira razão põe ali: e a felicidade etc. Pois ao filósofo moral pertence considerar a felicidade, como fim último; mas muitos sustentam que a felicidade está unida ao prazer, entre os quais também o próprio Aristóteles, donde entre os gregos o bem-aventurado é assim denominado a partir do alegrar-se; logo, ao filósofo moral pertence determinar acerca do prazer.

1473. Em seguida, quando diz: a estes, portanto etc., determina acerca do prazer e da tristeza.

E primeiro determina acerca deles em geral;

segundo, determina especialmente acerca dos prazeres corporais, em torno dos quais estabeleceu estarem a continência e a incontinência, ali: quanto aos corporais, porém etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas:

primeiro, expõe as opiniões dos que impugnam o prazer;

segundo, determina a verdade contrária, ali: mas todavia, visto que também a tristeza é um mal etc.

Acerca do primeiro faz três coisas:

primeiro, expõe as opiniões dos que impugnam os prazeres;

segundo, apresenta as razões deles, ali: totalmente, pois etc.;

terceiro, as resolve, ali: visto, porém, que não se segue etc.

Acerca do primeiro põe três opiniões.

Pois a alguns parecia que nenhum prazer era bom, nem por si nem por acidente, e, ainda que aconteça de algum deleitável ser bom, não é todavia o mesmo nele aquilo que é bom e o prazer.

Outros, porém, disseram que alguns prazeres são bons, mas muitos são maus. E assim nem todo prazer é um bem.

Os terceiros, porém, disseram que, mesmo que todos os prazeres fossem bons, não seria todavia possível que algum prazer fosse o melhor bem.

1474. Em seguida, quando diz: totalmente, pois etc., apresenta as razões para as opiniões referidas.

E primeiro para a primeira;

segundo para a segunda, ali: mas deste etc.;

terceiro para a terceira, ali: e que não é o melhor bem etc.

Acerca do primeiro põe seis razões.

A primeira delas toma-se da definição do prazer que estabeleciam, dizendo que o prazer é uma certa geração sensível em direção à natureza (pois, quando algo é sensivelmente gerado em nossa natureza como que conatural a nós, por isso nos deleitamos, como é evidente na tomada de alimento e de bebida), ora, nenhuma geração é do gênero dos fins, mas antes a geração é o caminho para o fim, assim como a construção não é a casa. Mas o bem tem a noção de fim. Logo, nenhuma geração e, por conseguinte, nenhum prazer é um bem.

1475. A segunda razão põe ali: além disso, o temperante etc. Que é a seguinte. Nenhum virtuoso é louvado pelo fato de fugir daquilo que é bom. Ora, o temperante é louvado pelo fato de fugir dos prazeres. Logo, o prazer não é algo bom.

1476. A terceira razão põe ali: ademais, o prudente etc. Que é a seguinte. Assim como o prudente busca, isto é, procura, não se entristecer, assim também procura não se deleitar. Mas a tristeza não é um bem. Logo, tampouco o prazer.

1477. A quarta razão põe ali: além disso, é um impedimento etc. Que é a seguinte. Por nenhum bem se impede a prudência. Ora, ela é impedida pelos prazeres, e tanto mais quanto maiores são eles, donde parece que impedem por si e não por acidente; assim como é evidente que o prazer dos atos venéreos, que é o máximo, impede a razão a tal ponto que ninguém, no ato mesmo desse prazer, pode compreender algo em ato, mas toda a intenção da alma é arrastada para o prazer. Logo, o prazer não é algo bom.

1478. A quinta razão põe ali: além disso, não há arte etc. Que é a seguinte. Todo bem humano parece ser obra de alguma arte, porque o bem do homem provém da razão. Mas o prazer não é obra de alguma arte, porque nenhuma arte existe para deleitar. Logo, o prazer não é algo bom.

1479. A sexta razão põe ali: além disso, as crianças etc. Que é a seguinte. Aquilo que no homem é pueril e bestial é censurado. Mas as crianças e os animais buscam, isto é, procuram, os prazeres. Logo, o prazer não é algo bom.

1480. Em seguida, quando diz: mas deste etc., mostra que nem todos os prazeres são bons. E diz que, quanto a isto, a saber, que nem todos os prazeres são bons, o demonstrativo é que há certos prazeres torpes, isto é, desonestos, e vergonhosos, isto é, infames; e, com isto, também certos prazeres são nocivos, o que é evidente pelo fato de que certos deleitáveis induzem enfermidade no homem. E assim é evidente que nem todos os prazeres são bons.

1481. Em seguida, quando diz: e que não é o melhor bem etc., prova que nenhum prazer é o melhor bem, ainda que todos fossem bons. Pois o fim é aquilo que é o melhor bem. Ora, o prazer não é um fim, mas antes uma certa geração. Logo, o prazer não é o melhor bem.

1482. Por fim, concluindo em recapitulação, diz que aquilo que se diz acerca do prazer é quase isto.