Skip to main content

Lição 9

A Comparison Between Counsel and Choice

Ora, o objeto da deliberação e o objeto da escolha são o mesmo, todavia o objeto da escolha já está determinado. [483]

Pois o que foi previamente julgado por meio da deliberação é objeto de escolha. Com efeito, cada um cessa de buscar como operará, quando reduzir a si mesmo o princípio, e este ao que é anterior. Pois isto é o que se escolhe. [484]

Ora, isto é manifesto também pelos antigos costumes políticos que Homero imitou. Pois os reis anunciavam ao povo as coisas que escolhiam. [485]

Sendo, porém, o objeto da escolha um objeto de deliberação desejável dentre as coisas que estão em nós, também a escolha será um desejo deliberado das coisas que estão em nós. Pois, julgando a partir da deliberação, desejamos segundo a deliberação. [486]

A escolha, portanto, foi agora definida por tipo, não como se costuma dizer, segundo a descrição plena, mas de modo universal; e foi dito acerca de que coisas ela é, e que é das coisas que são para os fins. [487]

483. Ora, o objeto da deliberação e o objeto da escolha etc. Depois que o Filósofo determinou acerca da deliberação de modo absoluto, aqui determina acerca da deliberação por comparação com a escolha.

E a respeito disto faz duas coisas:

primeiro, compara a deliberação com a escolha;

segundo, disto conclui o que é a escolha, ali: sendo, porém, o objeto da escolha etc.

Acerca do primeiro, faz duas coisas:

primeiro, propõe o que pretende;

segundo, prova o proposto, ali: pois o que pela deliberação etc.

Compara, pois, primeiro a deliberação com a escolha de dois modos: de um modo, na verdade, quanto ao objeto ou matéria de ambas, em que convêm, e quanto a isto diz que é o mesmo o objeto da deliberação e o objeto da escolha, porque, a saber, tanto a deliberação quanto a escolha é acerca daquelas coisas que operamos por causa do fim; de outro modo, porém, quanto à ordem de ambas, e quanto a isto diz que, quando já foi determinado algo por meio da deliberação, então primeiro se escolhe, como que precedendo a deliberação à escolha.

484. Em seguida, quando diz: pois o que pela deliberação etc., esclarece o que dissera. E primeiro, na verdade, por meio de uma razão tomada daquelas coisas que foram ditas acima acerca da deliberação. E diz que, por isso, a determinação da deliberação precede a escolha, porque é preciso que, depois da investigação da deliberação, siga o juízo acerca das coisas encontradas por meio da deliberação, e então primeiro se escolhe aquilo que antes foi julgado. E que o juízo da razão siga a investigação da deliberação, esclarece-o por isto, que cada um que investiga, deliberando, como deve operar, cessa de deliberar quando, resolvendo sua investigação, a conduz até aquilo que ele mesmo pode operar, e, se pode operar várias coisas, quando a reduzir ao anterior, isto é, àquilo que primeiro lhe ocorre operar. E isto é o que se escolhe, a saber, aquilo que primeiro ocorre operar. Por isso fica que a escolha pressupõe a determinação da deliberação.

484. Segundo, ali: ora, isto é manifesto etc., prova o que dissera por meio de um exemplo. E diz que isto, a saber, que a escolha siga a determinação da deliberação, fica claro pelos antigos costumes políticos, isto é, pelo costume das antigas comunidades civis, segundo o qual os reis não tinham poder dominativo sobre a multidão de modo que fizessem todas as coisas conforme lhes parecesse, mas eram governantes da multidão, à qual pertencia escolher aquelas coisas que haviam sido determinadas pelos príncipes na deliberação. E por isso diz que antigamente os reis anunciavam ao povo aquelas coisas que eles mesmos haviam escolhido pela determinação de sua deliberação, a saber, para que o povo escolhesse o que por eles havia sido determinado. E isto seguiu Homero, apresentando os príncipes dos gregos anunciando ao povo aquelas coisas que haviam determinado na deliberação.

486. Em seguida, quando diz: sendo, porém etc., mostra a partir das premissas o que é a escolha. E diz que, sendo o objeto da escolha nada mais que algo do número daquelas coisas que estão em nosso poder, o qual é desejado a partir da deliberação, é consequente que a escolha nada mais seja que o desejo daquelas coisas que estão em nosso poder, proveniente da deliberação; pois a escolha é ato do apetite racional que se chama vontade. Ora, por isso disse que a escolha é um desejo deliberado, porque, pelo fato de o homem deliberar, chega a julgar aquelas coisas que foram encontradas por meio da deliberação <...>, e este desejo é a escolha.

487. Por último, porém, mostra qual seja a referida definição dada acerca da escolha. E diz que agora a escolha foi definida por tipo, isto é, figuradamente, não segundo o que é costume determinar-lhe aquilo que é segundo a descrição plena, isto é, segundo a definição cujas partes singulares são investigadas, mas de modo universal foi transmitida a definição da escolha, e foi dito acerca de que coisas ela é, a saber, acerca daquelas coisas que estão em nós, e acima também foi dito que é das coisas que são para o fim, acerca das quais também há deliberação.