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Lição 7

An Absolute Good

Alguém, porém, sem dúvida perguntará que querem dizer por 'em si mesmo' cada coisa, se tanto no homem-em-si como no homem é uma e a mesma a razão que é a de homem. Pois, enquanto homem, em nada diferem. Ora, se assim é, tampouco enquanto bem. [83]

On the same supposition, an absolute good, or a good in itself, and a particular good do not differ as good. [83]

Mas nem por ser perpétuo será mais bem. Nem tampouco será mais bem o que é mais duradouro do que o que é de um só dia. [85]

Mais provavelmente, porém, parecem falar dele os pitagóricos, pondo o uno na coordenação dos bens. E parece que também Espeusipo os segue. Mas sobre estas coisas haja, pois, outro discurso. [87]

Quanto ao que foi dito, porém, aparece por baixo certa dúvida, pelo fato de os discursos não serem ditos e feitos sobre todo bem. Dizem-se, porém, segundo uma só espécie aquelas coisas que por si mesmas são buscadas e amadas; ao passo que produtivas destas de algum modo, ou conservativas, ou proibitivas dos contrários, dizem-se bens por causa daquelas e segundo outro modo. É manifesto, portanto, que o bem se dirá de dois modos: umas coisas por si mesmas, e outras por causa daquelas. [89]

Separando, portanto, das úteis aquelas que são bens por si mesmas, vejamos se se dizem segundo uma só ideia. [91]

Que coisas, porém, poria alguém como bens por si mesmas? Acaso todas aquelas que se buscam mesmo isoladas, por exemplo saber e ver e certos prazeres e as honras? Pois estas coisas, ainda que as busquemos por causa de outra coisa, todavia poderiam ser postas por alguém entre os bens por si mesmos. Ou não há nada mais além da ideia? [92]

Nesse caso, a ideia será vã. [93]

Se também estas coisas são das que são bens por si mesmas, será preciso que a razão do bem apareça em todas elas a mesma, do modo como em todas a razão da brancura na neve e na cerusa. Mas da honra, da prudência e do prazer as razões são outras e diferentes, precisamente enquanto são bens. Não é, portanto, o bem algo comum segundo uma só ideia. [94]

Mas de que modo então se dizem? Pois não se assemelham aos equívocos por acaso. Mas certamente por serem a partir de um só ou por tenderem todos a um só. Ou antes segundo a analogia; pois assim como no corpo a visão, na alma o intelecto, e assim uma coisa numa e outra em outra. [95]

83. Alguém porém perguntará com razão etc. O Filósofo mostrou acima que não há uma única ideia comum de todos os bens; mas, porque os platônicos chamavam aquele bem separado não apenas de ideia do bem, mas também de bem por si, aqui Aristóteles pretende investigar se isso se diz convenientemente.

E acerca disto faz duas coisas:

primeiro mostra que aquele bem separado não se denomina convenientemente bem por si;

segundo mostra que sustentar que o bem separado seja bem por si repugna àquilo que se diz, isto é, que ele seja a ideia comum de todos os bens, ali: mas com aquilo que foi dito etc.

Acerca do primeiro faz três coisas:

primeiro mostra que aquele bem separado não se diz convenientemente bem por si;

segundo exclui uma certa resposta, ali: mas certamente nem o ser perpétuo etc.;

terceiro compara esta afirmação com a opinião dos pitagóricos, ali: mais provavelmente porém parecem etc.

84. Acerca do primeiro deve-se considerar que aquele bem separado, que é causa de todos os bens, é preciso colocá-lo num grau mais elevado de bondade do que os que estão entre nós, pelo fato de ser o fim último de todos; ora, por essa afirmação parece que ele não é de grau mais elevado em bondade do que os outros bens. E isto ele o manifesta pelo fato de que Platão chamava cada um dos seres separados de por si, assim como chamava a ideia do homem de homem por si e a ideia do cavalo de cavalo por si; ora, é manifesto que uma só e mesma é a noção do homem que está entre nós e a do homem por si, isto é, do separado. E isto ele o manifesta pelo fato de que o homem separado e o homem que está na matéria não diferem enquanto homem, mas diferem segundo algumas outras coisas, por exemplo, que aquele homem é imaterial e este é material; assim como o animal comum e o homem não diferem na noção de animal, mas diferem no fato de que o homem acrescenta o racional sobre o animal; assim também parece que na noção de homem o homem separado não difere deste homem, mas este homem acrescenta a matéria. Pela mesma razão, portanto, aquele bem separado que denominam bem por si não será de noção diversa em bondade do que este bem particular, poderá porém haver diferença quanto a algumas outras coisas que estão fora da noção de bem.

85. Em seguida, quando diz: nem o ser perpétuo etc., exclui uma certa resposta. Pois alguém poderia responder que aquele bem por si é melhor porque é perpétuo, ao passo que estes bens são corruptíveis; e o que é mais duradouro parece ser melhor e mais digno de ser escolhido. Mas, para excluir isto, ele diz que nem mesmo o ser perpétuo faz aquele bem por si ser mais bom. Pois o perpétuo difere do não perpétuo pela duração; ora, a diferença de duração de uma coisa está fora da noção da própria espécie, assim como a vida que é de um só dia e a vida que é duradoura não diferem na noção de vida, mas diferem apenas na duração. Assim, portanto, se se tomar o bem como uma única espécie, a duração estará fora da noção de bem, e assim, pelo fato de algo ser mais duradouro, não diferirá segundo a noção de bem como se fosse melhor do que se fosse apenas de um só dia.

86. Mas, se supusermos que não há uma única espécie ou ideia do bem, como sustentaram os platônicos, mas que o bem se diz, assim como o ente, em todos os gêneros, então o próprio fato de ser mais duradouro será um bem no tempo, donde acrescentará à bondade, e assim o que é mais duradouro será melhor. Mas isto não se pode dizer se o bem for uma única espécie por si, e assim se seguirá que tampouco é melhor pelo fato de ser perpétuo.

87. Em seguida, quando diz: mais provavelmente porém parecem etc., compara a referida posição dos platônicos com a posição dos pitagóricos. Acerca do que se deve considerar que, segundo os platônicos, uma só era a noção do bem e do uno, e por isso sustentavam ser o mesmo o uno por si e o bem por si, do que necessariamente resultava que sustentassem um primeiro uno por si bem. Isto, na verdade, os pitagóricos não faziam, mas colocavam o uno como algo entre as coisas que se contêm na coordenação do bem, sob a qual colocavam a luz, o uno, o repouso, o masculino, o direito, o finito, o ímpar, o reto, o quadrado; ao contrário, sob o mal colocavam as trevas, a multidão, o movimento, o feminino, o esquerdo, o infinito, o número par, o curvo, o mais longo de um lado que do outro.

88. Diz, portanto, que, quanto a isto, os pitagóricos falaram mais provavelmente do que os platônicos, porque não eram obrigados a sustentar uma única noção do bem. E por isso Espeusipo, que foi sobrinho de Platão, filho de sua irmã, e seu sucessor nas escolas, nisto não seguiu Platão, mas antes Pitágoras. Diz porém que sobre estas coisas se deve fazer outro discurso, a saber, na Metafísica.

89. Em seguida, quando diz: mas com aquilo que foi dito etc., mostra que dizer que aquele bem separado é bem por si repugna àquilo que é ser uma única ideia de todos os bens. E acerca disto faz três coisas:

primeiro mostra que o bem por si não pode ser a ideia comum de todos os bens;

segundo, que não pode a ideia comum nem mesmo de todas as coisas que se dizem bens por si, ali: dividindo, portanto etc.;

terceiro responde a uma certa questão, ali: mas de que modo então etc.

Diz, portanto, primeiro que, contra aquilo que foi dito pelos platônicos, aparece ocultamente uma certa dúvida pelo fato de que, quando se fala daquele bem por si, não parece que os discursos se digam de todo bem, tanto quanto à própria aparência das palavras, quanto ao que se faz, no tocante à conveniência das coisas. E isto porque são diversas as espécies ou noções dos bens.

90. Pois se dizem bons segundo uma única espécie ou noção aqueles bens que são buscados por si mesmos, isto é, procurados ou desejados, e prezados, isto é, amados.

E segundo outra noção se dizem bons aqueles que são de algum modo produtivos ou conservativos daqueles que são bons por si.

De um terceiro modo, na verdade, algumas coisas se dizem bens porque são impeditivas dos contrários.

Assim, portanto, é manifesto que o bem se diz de dois modos: pois algumas coisas são bens por si mesmas, a saber, as primeiras, das quais se disse que são buscadas por si; ambas as outras, porém, a saber, as produtivas ou conservativas e também as impeditivas dos contrários, se dizem bens por causa daquelas que são bens por si. E assim é manifesto que a noção de bem por si não pode aplicar-se a todos os bens.

91. Em seguida, quando diz: dividindo, portanto etc., mostra que uma única noção de bem por si não pode convir a todos os bens por si.

E primeiro diz qual é a intenção. Acerca do que se deve considerar que as coisas produtivas ou conservativas dos bens por si e as impeditivas dos contrários se dizem bens como úteis. Portanto, porque é manifesto que a tais coisas não se aplica a noção de bem por si, separemos delas aquelas que são bens por si e vejamos se podem dizer-se bens segundo uma única ideia que chamam de bem por si.

92. Segundo, ali: as coisas por si mesmas, porém etc., para investigar isto propõe uma certa questão, a saber, quais coisas devem ser postas como bens por si, e determina esta questão por dois membros.

O primeiro deles é se se devem chamar bens por si quaisquer coisas que sejam buscadas isoladamente, isto é, mesmo se estivessem sozinhas, de modo que nenhuma outra utilidade se seguisse delas, como o saber, o ver, certos prazeres e as honras. Pois tais coisas, ainda que às vezes sejam buscadas por causa de outra coisa para a qual são úteis, todavia, se para nada mais valessem, seriam por si bens e desejáveis.

O segundo membro da questão é se nada mais é bem por si a não ser somente a ideia.

93. Terceiro, ali: por isso será etc., deduz este segundo membro imediatamente antes proposto. E conclui que, se nada mais for bem por si a não ser a ideia, a ideia será vã, isto é, sem eficácia. Pois a ideia é posta como um certo exemplar cuja semelhança seja impressa nas outras coisas; ora, o exemplar é supérfluo se nada se lhe assemelha; donde se segue que a ideia é vã, se nada mais for bem por si.

94. Quarto, ali: se são também estas etc., deduz o primeiro membro. E diz que, se todas as coisas referidas fossem bens por si por participarem da ideia que é bem por si, seria preciso que em todas aparecesse a mesma noção de bondade, assim como na neve e na cerusa há a mesma noção de brancura pelo fato de participarem de uma única forma. Mas isto não parece ser verdadeiro nas coisas referidas: pois a honra, a prudência e o prazer têm noções diversas, não só próprias, ou seja, enquanto a noção de honra, enquanto é honra, difere da noção de prudência, enquanto é prudência, mas também enquanto são bens; pois não há uma única noção de bondade em todas estas coisas, nem são apetecíveis segundo a mesma noção. Donde resta que aquilo que chamam de bem por si não é algo comum como uma única ideia comum de todos os bens.

95. Em seguida, quando diz: mas de que modo então etc., responde a uma certa questão tácita, que é como as coisas referidas se dizem bens segundo noções diversas. E esta questão, na verdade, tem lugar porque acontece de dois modos que algo se diga de muitas coisas segundo noções diversas. De um modo, segundo noções totalmente diversas que não têm respeito a algo uno; e estas se dizem equívocas por acaso, porque, a saber, aconteceu por acaso que um homem impôs um único nome a uma coisa e outro a outra coisa, como aparece sobretudo em diversos homens denominados pelo mesmo nome.

De outro modo, um único nome se diz de muitas coisas segundo noções diversas não totalmente, mas convenientes em algo uno.

Às vezes, na verdade, pelo fato de se referirem a um único princípio, assim como alguma coisa se diz militar ou porque é instrumento do soldado, como a espada, ou porque é sua proteção, como a couraça, ou porque é seu veículo, como o cavalo.

Às vezes, porém, pelo fato de se referirem a um único fim, assim como o remédio se diz sadio por ser produtivo da saúde, a dieta por ser conservativa da saúde, e a urina por ser significativa da saúde.

Às vezes, porém, segundo proporções diversas para com o mesmo sujeito, assim como a qualidade se diz ente porque é disposição do ente por si, isto é, da substância, e a quantidade porque é medida da mesma, e assim das outras.

Ou segundo uma única proporção para com sujeitos diversos; pois a visão tem para com o corpo a mesma proporção que o intelecto para com a alma; donde, assim como a visão é potência de um órgão corporal, assim também o intelecto é potência da alma sem a participação do corpo.

96. Assim, portanto, diz que o bem se diz de muitas coisas não segundo noções inteiramente diferentes, como acontece naquilo que é equívoco por acaso, mas enquanto todos os bens dependem de um único primeiro princípio de bondade, ou enquanto se ordenam a um único fim; pois Aristóteles não quis que aquele bem separado seja a ideia e a noção de todos os bens, mas o princípio e o fim. Ou então todos se dizem bens antes segundo a analogia, isto é, a mesma proporção, a saber, enquanto a visão é o bem do corpo e o intelecto é o bem da alma. E por isso prefere este terceiro modo, porque se toma segundo a bondade inerente às coisas, ao passo que os dois primeiros modos se tomam segundo a bondade separada, a partir da qual algo não se denomina tão propriamente.