Lição 12
Subdivisions of Friendship
Toda amizade, portanto, consiste em uma comunicação, como se disse. [1702]
Pode-se, porém, distinguir a amizade entre parentes consanguíneos e a amizade entre companheiros. [1703]
As amizades políticas, contudo, e as dos que são da mesma tribo e as dos que navegam juntos e quaisquer outras semelhantes assemelham-se mais às comunicativas; pois parecem existir como que segundo certo acordo. Entre estas alguém ordenará também a amizade entre peregrinos. [1704]
Mas também a amizade entre parentes parece ser de muitos modos, e toda ela depende da paterna. [1705]
Com efeito, os pais amam os filhos como sendo algo de si mesmos, e os filhos amam os pais como tendo deles a existência. [1706]
Ora, os pais sabem melhor que os filhos vieram deles do que os gerados sabem que vieram destes. [1707]
E aquele de quem se gera está mais próximo do gerado do que o produto está de quem o faz; pois o que provém de si lhe é próximo, como o dente ou o cabelo ou qualquer coisa que se possua, mas para aquele de quem provém nada é o produto, ou o é em menor grau. [1708]
Mas isso se dá com a quantidade de tempo; pois os pais amam os filhos logo que nascidos, ao passo que os filhos amam os pais com o avançar dos tempos, adquirindo entendimento ou sentido. [1709]
A partir disto fica manifesto por que as mães amam mais. [1710]
Com efeito, os pais amam os filhos como a si mesmos (pois os que provêm deles são como que outros eles mesmos separados), e os filhos amam os pais como deles nascidos. Os irmãos, porém, amam-se mutuamente por nascerem dos mesmos; pois a identidade em relação a estes torna-os idênticos entre si. [1711]
Por isso dizem ser o mesmo sangue e a mesma raiz e coisas semelhantes. São, pois, de algum modo o mesmo, ainda que em indivíduos distintos. [1712]
Muito contribui para a amizade a criação em comum e a igualdade de idade, pois o coetâneo agrada ao coetâneo e os que têm o mesmo modo de vida são companheiros; por isso também a amizade fraterna se assemelha à dos companheiros. [1713]
Os sobrinhos, porém, e os demais parentes ligam-se por meio destes, isto é, por provirem dos mesmos. Uns tornam-se mais próximos e outros mais distantes conforme estejam perto ou longe do ancestral comum. [1714]
Existe nos filhos amizade para com os pais, e nos homens para com os deuses, como para com um bem excelente e superior; pois estes fizeram o maior bem, sendo causas da existência e da criação e da instrução dos que nasceram. [1715]
Tal amizade tem também mais deleite e utilidade do que a dos estranhos, quanto mais comum lhes é a vida. [1716]
Encontra-se na amizade fraterna aquilo que há também na dos companheiros, e mais nos que são virtuosos e, de modo geral, nos semelhantes, quanto mais próximos são; e desde o nascimento se amam mutuamente, e como que de um só costume, os que provêm dos mesmos e foram criados e educados de modo semelhante; e a prova pelo tempo é muito maior e mais firme. [1717]
De modo análogo se encontram também nos demais parentes as coisas próprias da amizade. [1718]
Entre o homem e a mulher a amizade parece existir segundo a natureza. Pois o homem é por natureza mais conjugal do que político. E tanto mais quanto a casa é anterior e mais necessária do que a cidade. E a procriação dos filhos é comum aos animais. [1719]
Para os outros animais, pois, a comunicação existe só até esse ponto; os homens, porém, coabitam não apenas por causa da procriação dos filhos, mas também por causa das coisas necessárias à vida; pois desde o início as tarefas se distinguem, e são diferentes as do homem e as da mulher; bastam-se, portanto, mutuamente, pondo em comum o que é próprio de cada um. [1721]
Por isto tal amizade parece ser útil e deleitável; poderá também existir por causa da virtude, se forem virtuosos. Pois há uma virtude própria de cada um e nela se comprazerão. [1723]
Os filhos parecem ser um vínculo de união. Por isso os estéreis se separam mais depressa. Pois os filhos são um bem comum a ambos, e o que é comum mantém a união. [1724]
Quanto ao modo como o homem deve conviver com a mulher, e de modo geral o amigo com o amigo, parece não se buscar outra coisa senão como observar a justiça. Pois a justiça não parece a mesma do amigo para com o amigo e do amigo para com o estranho, o companheiro e o condiscípulo. [1725]
1702. Toda amizade, portanto, consiste em uma comunicação etc. Depois que o Filósofo distinguiu as espécies de amizade segundo as espécies de comunicação política e econômica, aqui subdivide as referidas espécies de amizades.
E a respeito disto faz duas coisas:
primeiro, expõe o princípio comum para dividir as amizades;
segundo, trata especialmente de algumas amizades, em: mas também a amizade entre parentes parece etc.
A respeito do primeiro faz três coisas.
Primeiro, propõe o princípio comum para distinguir as amizades, concluindo a partir do que foi dito que, como se afirmou acima, toda amizade consiste em comunicação.
1703. Segundo, em: pode-se, porém, distinguir etc., distingue segundo a comunicação as espécies de amizade que menos evidentemente o parecem. E diz que, segundo a diversidade da comunicação, pode-se distinguir uma da outra e das demais a amizade entre parentes consanguíneos, isto é, a que existe entre os consanguíneos, e a amizade entre companheiros, isto é, a que existe entre os criados juntos; pois os consanguíneos têm em comum a origem, e os companheiros a criação.
1704. Terceiro, em: as amizades políticas, contudo etc., distingue segundo isto as amizades que mais evidentemente o parecem. E diz que as amizades políticas, isto é, as que existem entre concidadãos, e as dos que são da mesma tribo, isto é, entre homens da mesma tribo, e as dos que navegam juntos, isto é, entre os que navegam ao mesmo tempo, e quaisquer outras semelhantes, como as dos que combatem juntos ou estudam juntos, têm mais semelhança de comunicação do que a amizade entre consanguíneos e a entre companheiros; pois nestas amizades é preciso reconhecer manifestamente que a razão da amizade é a comunicação. Entre estas pode-se também ordenar a amizade que existe entre os que peregrinam juntos. Mas na amizade entre consanguíneos e entre companheiros não há algo presente e permanente naquilo em que se comunica, e por isso está mais oculto.
1705. Em seguida, quando diz: mas também a amizade entre parentes etc., determina especialmente algumas amizades.
E primeiro, a amizade entre parentes consanguíneos;
segundo, a amizade que existe entre o homem e a mulher, em: entre o homem e a mulher etc.
A respeito do primeiro faz duas coisas:
primeiro, distingue a amizade entre consanguíneos;
segundo, atribui as propriedades de cada parte singular, em: existe nos filhos amizade para com os pais etc.
A respeito do primeiro faz três coisas:
primeiro, trata da amizade do pai para com o filho;
segundo, da amizade dos irmãos entre si, em: os irmãos, porém, entre si etc.;
terceiro, da amizade dos demais consanguíneos, em: os sobrinhos, porém etc.
A respeito do primeiro faz três coisas.
Primeiro, propõe de que modo a amizade paterna se relaciona com as demais amizades entre consanguíneos.
E diz que, embora a amizade entre parentes pareça ser de muitos modos, isto é, dividida em muitas espécies por causa dos diversos graus de consanguinidade, todavia todas as amizades desse gênero dependem da paterna como de um princípio, como ficará patente pelo que se segue.
1706. Segundo, em: com efeito, os pais etc., atribui a razão desta amizade. E diz que os pais amam os filhos por serem algo de si mesmos; pois da semente dos pais são procriados os filhos, donde o filho é de certo modo uma parte do pai dele separada; por isso esta amizade é a mais próxima da dileção com que alguém ama a si mesmo, da qual toda amizade deriva, como se dirá no livro nono; por isso, com razão, se estabelece que a amizade paterna é um princípio. Os filhos, porém, amam os pais enquanto têm deles a existência, como se uma parte separada amasse o todo do qual se separa.
1707. Terceiro, em: ora, os pais sabem etc., compara a amizade paterna com a filial.
E a respeito disto faz três coisas:
primeiro, prefere a amizade paterna à filial;
segundo, prefere a amizade materna à paterna, em: a partir disto fica manifesto etc.;
terceiro, esclarece algo que havia dito, em: com efeito, os pais etc.
A respeito do primeiro apresenta três razões.
A primeira delas é a seguinte. É tanto mais razoável amar alguém quanto mais se conhece a causa do amor. Ora, como foi dito, a causa pela qual os pais amam os filhos é que estes são algo deles mesmos, e a causa pela qual os filhos amam é que são gerados dos pais; mas os pais podem saber melhor quem nasceu deles do que os filhos de quais pais foram gerados, pois aos pais foi conhecida a geração, mas não aos filhos, que ainda não existiam. Por isso é razoável que os pais amem os filhos mais do que o contrário.
1708. A segunda razão ele apresenta ali: e mais aquele de quem se aproxima etc. Ela é a seguinte. A razão do amor em toda amizade de consanguíneos é a proximidade de um em relação ao outro. Mas aquele de quem provém, isto é, o gerador, é mais próximo do gerado do que o feito o é do que o faz, ou seja, do que o gerado o é do gerador; pois o gerado, como foi dito, é como que uma parte separada do gerador, donde parece comparar-se ao gerador como as partes separáveis ao todo, por exemplo, o dente, o cabelo ou algo semelhante; ora, tais partes que são separadas do todo têm grande proximidade com o todo, porque o todo as contém em si, mas não o contrário, e por isso ao todo parece não pertencer nada às partes, ou menos do que o contrário; pois a parte, ainda que seja algo do todo, não é contudo idêntica ao próprio todo, ao passo que toda a parte está incluída no todo. Por isso é razoável que os pais amem os filhos mais do que o contrário.
1709. A terceira razão ele apresenta ali: mas com a quantidade etc. Com efeito, é manifesto que a amizade se consolida pela duração do tempo. Ora, é manifesto que os pais amam os filhos por maior quantidade de tempo do que o contrário; pois os pais amam os filhos logo que nascem, mas os filhos amam os pais no decorrer do tempo, quando adquirem o intelecto, isto é, o uso do intelecto, ou ao menos o sentido, para distinguir os pais dos outros; pois no princípio todos chamam pais a todos os homens e mães a todas as mulheres, como se diz no primeiro livro da Física. Por isso é razoável que os pais amem os filhos mais do que o contrário.
1710. A seguir, quando diz: a partir disto etc., compara o amor materno ao paterno. E diz que, pelas razões acima referidas, pode ficar manifesto por que as mães amam os filhos mais do que também os pais.
E isto de fato é manifesto quanto à primeira razão; pois as mães podem saber melhor quem são seus filhos do que os pais. Igualmente também quanto à terceira; pois antes no tempo as mães, pela convivência, concebem o afeto do amor pelos filhos do que os pais.
Mas quanto à segunda razão, em parte é assim e em parte de outro modo; pois o pai dá ao filho a parte mais principal, isto é, a forma, e a mãe a matéria, como se diz no livro Da geração dos animais.
1711. A seguir, quando diz: pois os pais etc., esclarece o que dissera na segunda razão, a saber, que os filhos são mais próximos dos pais do que o contrário. Isto acontece porque os pais amam os filhos como a si mesmos (pois os filhos que são gerados dos pais são como que os próprios pais, sendo outros que eles apenas nisto que deles se separam), mas os filhos amam os pais não por serem algo deles mesmos, mas enquanto foram gerados deles.
1712. A seguir, quando diz: os irmãos, porém etc., trata da amizade fraterna.
E primeiro apresenta a razão desta amizade;
segundo mostra por meio de que tal amizade se consolida, ali: ora, grande etc.
Diz, pois, primeiro que os irmãos se amam mutuamente pelo fato de nascerem dos mesmos; pois as coisas que são idênticas a um só e mesmo são de certo modo idênticas entre si; donde, sendo os filhos de certo modo idênticos aos pais, como foi dito, a identidade dos filhos com aqueles, isto é, com os pais, faz que os próprios filhos sejam de certo modo idênticos. E daí é que dizemos que os irmãos são idênticos segundo o sangue, segundo a raiz e segundo outras coisas semelhantes. E ainda que o sangue dos pais, que é a raiz comum, seja o mesmo absolutamente, permanece contudo de algum modo essa identidade também nos filhos que se dividem dos pais e uns dos outros.
1713. A seguir, quando diz: ora, grande etc., mostra por meio de que tal amizade se consolida. E diz que muito contribui para a amizade fraterna que os irmãos sejam criados juntos e próximos segundo a idade, porque naturalmente os coetâneos se amam mutuamente e os homens companheiros, isto é, criados juntos, costumam ser de um só costume, o que é causa do amor mútuo; e daí é que a amizade fraterna é semelhante à dos companheiros, isto é, à dos criados juntos.
1714. A seguir, quando diz: os sobrinhos, porém etc., trata da amizade dos outros consanguíneos. E diz que os sobrinhos e outros consanguíneos se aproximam mutuamente pela proximidade de origem e de amizade enquanto provêm destes, isto é, enquanto procedem dos irmãos que são filhos dos mesmos pais; pois por isto se chamam consanguíneos, porque procedem dos mesmos. E dizem-se estes mais ou menos próximos enquanto estão mais próximos ou mais afastados do progenitor, isto é, da primeira raiz da consanguinidade; pois é preciso tomar em tudo o primeiro como medida.
1715. A seguir, quando diz: ora, para os pais etc., apresenta as propriedades das amizades acima referidas.
E primeiro da paterna;
segundo da fraterna, ali: ora, há também na fraterna etc.;
terceiro da que existe entre outros consanguíneos, ali: por analogia, porém etc.
Acerca do primeiro, apresenta duas propriedades.
A primeira delas é que os filhos têm amizade pelos pais como por certo bem supereminente, porque estes são os máximos benfeitores enquanto são para os filhos causa de existir, de ser alimentados e de instrução; e tal é também a amizade do homem para com Deus.
1716. A segunda propriedade ele apresenta ali: ora, tem etc. E diz que a amizade que existe entre filhos e pais tem também deleite e utilidade tanto mais do que a amizade dos estranhos quanto mais levam uma vida comum, do que provém que são mutuamente muito úteis e deleitáveis.
1717. A seguir, quando diz: ora, há etc., apresenta a propriedade da amizade fraterna. E diz que na amizade fraterna se encontram as mesmas coisas que se encontram na amizade dos companheiros, isto é, dos criados juntos, e, se os irmãos são virtuosos e totalmente semelhantes entre si nos costumes, tanto maior é entre eles a amizade proveniente da criação em comum quanto mais próximos são um do outro
e isto segundo três aspectos:
primeiro segundo a duração do tempo, porque logo que nascidos se amaram mutuamente;
segundo segundo uma semelhança mais perfeita, pois parecem ser mais de um só costume os irmãos que são gerados dos mesmos (e assim parecem ter a mesma disposição natural) e são criados juntos e igualmente instruídos pelos pais;
terceiro segundo a experiência da amizade, porque durante muito tempo um provou o outro e por isso a amizade destes é máxima e firmíssima.
1718. A seguir, quando diz: por analogia, porém etc., apresenta a propriedade da amizade que existe entre outros consanguíneos. E diz que aquilo que pertence à amizade dos outros consanguíneos deve ser tomado segundo a proporção da amizade fraterna, porque os outros consanguíneos derivam dos irmãos, como acima se disse.
1719. A seguir, quando diz: ora, para o marido e a esposa etc., trata da amizade do marido e da esposa.
E acerca disto faz três coisas:
primeiro atribui as razões desta amizade;
segundo mostra por meio de que tal amizade se consolida, ali: ora, a união etc.;
terceiro responde a certa questão, ali: ora, de que modo se deve conviver etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas:
primeiro apresenta as razões próprias desta amizade;
segundo mostra como esta amizade se relaciona com as razões comuns da amizade, ali: por causa destas coisas, porém etc.
Acerca do primeiro faz duas coisas;
primeiro apresenta a razão própria desta amizade que compete comumente tanto aos homens quanto aos outros animais;
segundo apresenta a razão que se relaciona propriamente aos homens, ali: aos outros, portanto etc.
Diz, pois, primeiro que entre o marido e a esposa parece haver certa amizade natural. E prova isto pelo argumento a partir do menor: pois o homem é animal naturalmente político, e muito mais está na natureza do homem que seja animal conjugal.
E prova isto por duas razões.
1720. A primeira delas é que as coisas que são anteriores e mais necessárias parecem pertencer mais à natureza; ora, a sociedade doméstica, à qual pertence a união do marido e da esposa, é anterior à sociedade civil, assim como a parte é anterior ao todo; é também mais necessária, porque a sociedade doméstica se ordena aos atos necessários da vida, a saber, a geração e a nutrição; donde é patente que o homem é mais naturalmente animal conjugal do que político.
A segunda razão é que a procriação dos filhos, à qual se ordena a união do marido e da esposa, é comum aos outros animais e assim segue a natureza do gênero, e assim é patente que o homem é mais, segundo a natureza, animal conjugal do que político.
1721. A seguir, quando diz: aos outros, portanto etc., atribui a razão própria da amizade conjugal que convém somente aos homens, concluindo do que precede que nos outros animais há comunicação entre o macho e a fêmea apenas na medida em que foi dito, isto é, somente para a procriação dos filhos, mas nos homens o macho e a fêmea coabitam não somente por causa da procriação dos filhos, mas também por causa daquilo que é necessário à vida humana; pois logo aparece que as obras humanas que são necessárias à vida estão distribuídas entre o macho e a fêmea de modo que algumas convêm ao marido, por exemplo, as que devem ser feitas fora, e algumas à esposa, como fiar e outras coisas que devem ser feitas em casa; assim, pois, bastam-se mutuamente enquanto cada um dos dois traz as próprias obras para o comum.
1722. Donde é patente que a amizade conjugal nos homens não só é natural como nos outros animais, enquanto ordenada à obra da natureza que é a geração, mas também é econômica, enquanto ordenada à suficiência da vida doméstica.
1723. A seguir, quando diz: por causa destas coisas, porém etc., mostra como esta amizade se relaciona com as razões comuns da amizade. E diz que, do que foi dito, aparece que a amizade conjugal tem utilidade, enquanto por ela se faz a suficiência da vida doméstica; tem também deleite no ato da geração, assim como nos demais animais; e, se o marido e a esposa são virtuosos, sua amizade poderá ser por causa da virtude. Pois há uma virtude própria de ambos, a saber, do marido e da esposa, por causa da qual a amizade se torna agradável a um e outro. E assim é patente que tal amizade pode ser tanto por causa da virtude, quanto por causa do útil, quanto por causa do deleitável.
1724. A seguir, quando diz: ora, a união etc., mostra por meio de que se firma tal amizade. E diz que a causa de uma união estável e firme parecem ser os filhos. E daí é que os estéreis, isto é, os que carecem de prole, mais depressa se separam um do outro. Pois entre os antigos fazia-se a separação do matrimônio por causa da esterilidade. E a razão disto é que os filhos são um bem comum de ambos, a saber, do marido e da esposa, cuja união é por causa da prole; ora, aquilo que é comum contém e conserva a amizade, que, como acima se disse, consiste na comunicação.
1725. A seguir, quando diz: ora, de que modo etc., responde a certa questão, a saber, de que modo devem conviver o marido e a esposa. Mas ele responde que perguntar isto não é outra coisa senão perguntar como se comporta aquilo que é justo entre o marido e a esposa; pois assim devem conviver mutuamente, de modo que cada um guarde ao outro o que é justo. O que de fato se diversifica segundo os diversos; pois não parece que se deva observar o mesmo justo para com o amigo, o estranho, o criado junto e o discípulo. E por isso tal consideração pertence à econômica ou à política.