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Lição 11

Vices Opposed to Magnanimity

O que falha por defeito, porém, é o pusilânime, e o que superabunda é o vaidoso. Nem estes, contudo, parecem ser maus, pois não são malfeitores, mas pecadores. [784]

Pois o pusilânime, sendo digno de bens, priva-se a si mesmo daqueles de que é digno. [785]

E parecerá ter algo de mau por não julgar-se a si mesmo digno de bens. Mas também por ignorar-se a si mesmo; pois desejaria aqueles de que era digno, sendo bens. Contudo, tais pessoas não parecem ser insensatas, mas antes preguiçosas. [786]

Tal opinião, porém, parece torná-los também piores. Pois cada um deseja as coisas que são segundo a dignidade. Mas afastam-se tanto das operações boas e dos empreendimentos, como sendo indignos, como também, de modo semelhante, dos bens exteriores. [787]

Os vaidosos, porém, são insensatos e ignorantes de si mesmos. E isto manifestamente: pois como sendo dignos empenham-se nas coisas honráveis, e em seguida são desmascarados. [788]

E ornam-se com veste e com aparência, e com tais coisas querem que suas boas fortunas sejam manifestas. E falam de si mesmos para que por estas coisas sejam honrados. [789]

Opõe-se, porém, à magnanimidade a pusilanimidade mais do que a vaidade. E ocorre mais e é pior. A magnanimidade, portanto, está a respeito da grande honra, tal como foi dito. [790]

784. O que falha por defeito, porém etc. Depois que o Filósofo tratou da magnanimidade, aqui trata dos vícios opostos.

E a respeito disto faz três coisas:

primeiro, determina aquilo que é comum a cada um dos dois vícios;

segundo, trata de cada um em si mesmo, ali: com efeito, o pusilânime etc.;

terceiro, compara um com o outro, ali: opõe-se, porém, à magnanimidade etc.

Diz, pois, primeiro que aquele que fica aquém do meio da magnanimidade é chamado pusilânime, ao passo que aquele que ultrapassa é chamado cáimo, isto é, fumaça, o que nós dizemos inflado ou presunçoso. Não se diz, contudo, que sejam maus, quanto ao fato de que não são malfeitores (pois não infligem dano a ninguém) nem fazem algo torpe; mas, apesar disso, pecam, no fato de que se afastam do meio da razão.

785. Em seguida, quando diz: com efeito, o pusilânime etc., trata de cada um dos vícios em si mesmo.

E primeiro do vício que é segundo o defeito;

segundo, do vício que é segundo o excesso, ali: os cáimos, porém etc.

Acerca do primeiro, faz três coisas.

Primeiro, propõe o ato próprio do pusilânime. E diz que o pusilânime, sendo digno de bens, priva-se a si mesmo daqueles de que é digno, na medida em que não se esforça para operar ou alcançar aquilo que lhe competiria.

786. Segundo, ali: e parecerá ter algo de mau etc., mostra a causa da pusilanimidade.

Nessa causa, por certo, três coisas devem ser consideradas em ordem.

Com efeito, o fato de que alguém se prive dos bens de que é digno acontece, primeiramente, do fato de que não se reputa digno de tais bens, embora seja digno.

Isto, por sua vez, acontece pelo fato de que ignora a própria condição; pois, como o próprio bem é apetecível para qualquer um, se o pusilânime se conhecesse a si mesmo, apeteceria aquilo de que é digno, visto que são certos bens e por si apetecíveis.

Uma ignorância desse gênero não provém da insipiência, porque os insipientes não são dignos de grandes coisas, mas provém antes de certa preguiça, pela qual acontece que não querem lançar-se a grandes coisas segundo a sua dignidade; e este é o terceiro, do qual se originam os outros dois.

787. Terceiro, ali: tal opinião, porém etc., expõe o efeito da pusilanimidade. E diz que tal opinião, pela qual parece a alguém que o homem não é digno dos bens de que é digno, parece tornar os homens piores. Pois cada homem apetece aquilo que lhe convém segundo a própria dignidade. E por isso, quando ignoram a própria dignidade, sofrem de dois modos detrimento em sua bondade.

Primeiro, por certo, porque se afastam das próprias operações das virtudes e das descobertas das verdades especulativas, como se existissem indignos e insuficientes para tais coisas; e, pelo fato de que negligenciam grandes bens, tornam-se piores, porque o exercício de grandes bens torna os homens melhores.

Segundo, porque, pela referida opinião, alguns se afastam dos bens exteriores de que são dignos, os quais servem instrumentalmente às operações das virtudes.

788. Em seguida, quando diz: os cáimos, porém etc., trata do vício que é por excesso.

E acerca disso faz duas coisas.

Primeiro, com efeito, propõe a causa desse vício. E diz que os cáimos, isto é, os presunçosos, são tanto insipientes como ignorantes de sua condição, não por preguiça, como os pusilânimes, mas por insipiência. E isto aparece manifestamente, porque eles se esforçam por fazer ou alcançar algumas coisas honoríficas às quais a sua dignidade não se estende; por isso, quando falham em operá-las ou alcançá-las, aparecem manifestamente dignos de repreensão.

789. Segundo, ali: e se enfeitam com vestes etc., expõe o ato desse vício, que consiste em certa exaltação exterior, na medida em que engrandecem a si mesmos.

Primeiro, por certo, por meio de certos sinais exteriores, ou seja, na medida em que usam vestes ornadas e também se enfeitam quanto à aparência, andando pomposamente, e fazem outras coisas desse gênero para manifestar a sua excelência nos bens exteriores da fortuna.

Segundo, porque também manifestam coisas desse gênero com palavras, como se, por meio delas, quisessem alcançar honra.

790. Em seguida, quando diz: opõe-se, porém etc., compara os referidos vícios entre si. E diz que a pusilanimidade se opõe mais à magnanimidade do que a caimotes, isto é, a presunção.

E disso aponta duas razões.

A primeira delas é que, assim como se estabeleceu no livro II, o vício que acontece mais amiúde, por causa de uma maior inclinação da natureza humana para ele, opõe-se mais à virtude que está ordenada principalmente a que se reprimam as inclinações humanas para o mal; ora, é manifesto que mais vezes acontece que alguns sejam pusilânimes, ou seja, que omitam fazer os bens que poderiam, do que se estendam a fazer bens que não podem; por isso, a pusilanimidade se opõe mais à virtude.

A outra razão é que a pusilanimidade é pior, enquanto torna os homens piores, como se estabeleceu acima; ora, o que é pior opõe-se mais à virtude; e assim fica patente que a pusilanimidade se opõe mais à virtude.

791. Por fim, conclui, a modo de epílogo, que a magnanimidade versa sobre a grande honra, como foi dito.