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Lição 15

The Act of Fortitude

Ora, o terrível não é o mesmo em todas as coisas. Mas dizemos que algo é também acima do homem; isto, portanto, é terrível para todo aquele que tem intelecto. Ao passo que aquilo que é segundo o homem difere pela magnitude e naquilo que é o mais e o menos. E semelhantemente também as coisas ousáveis. [543]

Ora, o forte não fica estupefato, mas age como homem. Temerá, portanto, também tais coisas; mas, como é preciso e como a razão o determinar, suportá-las-á pelo bem, pois este é o fim da virtude. Ora, é possível temer estas coisas mais e menos, e ainda temer como terríveis coisas que não são terríveis. E dos pecados sucede que um consiste em temer o que não se deve, e outro em temer não como se deve, ou quando não se deve, ou algo de tal gênero. E semelhantemente também acerca das coisas ousáveis. [545]

Aquele, portanto, que suporta e teme as coisas que é preciso, e por aquilo que é preciso, e como é preciso, e quando é preciso, e semelhantemente também ousa, esse é forte. Pois segundo a dignidade e como a razão o determinar, o forte padece e opera. [547]

Ora, o fim de toda operação é aquele que é segundo o hábito. E para o forte a fortaleza é um bem, e tal é também o fim, pois cada coisa se determina pelo fim. É, pois, pelo bem que o forte suporta e opera as coisas que são segundo a fortaleza. [549]

Ora, dentre os que excedem, aquele que excede pela impavidez é inominado. Já foi dito por nós anteriormente que muitas coisas são inominadas. Ora, seria certamente alguém insano ou sem sensação de dor, se nada temesse, nem terremoto nem inundações, como dizem dos celtas. [551]

Ora, aquele que excede no ousar acerca das coisas terríveis é audacioso. Ora, o audacioso parece também ser soberbo e fingidor de fortaleza; assim, pois, como aquele se comporta acerca das coisas terríveis, assim este quer parecer; portanto, naquilo em que pode, imita-o. Por isso também muitos deles são audaciosos tímidos; pois, ousando nestas coisas, não suportam as coisas terríveis. [552]

Ora, aquele que excede no temer é tímido; pois teme tanto as coisas que não é preciso quanto como não é preciso, e todas as coisas de tal gênero o acompanham. É também deficiente no ousar, mas nas tristezas, excedendo, torna-se mais manifesto. [553]

Certamente, o desesperado é tímido, pois teme todas as coisas; o forte, ao contrário, pois no ousar é de boa esperança. [554]

Ora, é acerca dessas coisas que existem tanto o tímido quanto o audaz e o forte, mas comportam-se de modo diferente em relação a elas. Pois estes excedem e falham, enquanto aquele se comporta de modo mediano e como é preciso. [555]

E os audazes lançam-se para frente e querem estar diante dos perigos antecipadamente, mas neles próprios recuam. Os fortes, porém, são vigorosos nas operações, mas antes permanecem tranquilos. [556]

Assim, pois, como foi dito, a fortaleza é uma mediania acerca das coisas que inspiram ousadia e das terríveis, das quais se falou, e ela deseja e suporta as coisas porque é bom fazê-lo ou porque é torpe não fazê-lo. Mas morrer fugindo da pobreza ou de um desejo ou de algo triste não é próprio do forte, mas antes do tímido; pois é moleza fugir das coisas laboriosas, e tal pessoa não suporta a morte porque é bom, mas fugindo de um mal. Assim, pois, a fortaleza é algo desse tipo. [557]

543. Não é terrível em todas as coisas etc. Depois que o Filósofo investigou a matéria da fortaleza, aqui determina acerca do ato dela.

E primeiro distingue o ato dela dos atos dos vícios opostos;

segundo determina acerca de certas coisas que têm ato semelhante ao da fortaleza, ali: dizem-se, porém, também outras etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas:

primeiro determina como os atos podem diversificar-se acerca da matéria acima investigada;

segundo mostra qual seja o ato próprio da fortaleza por comparação aos atos dos vícios opostos, ali: aquele, pois, que as coisas que é preciso etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas:

primeiro atribui a razão de diversificar os atos acerca da matéria mencionada;

segundo mostra como se diversificam, ali: o forte, porém, é imperturbável etc.

Diz, portanto, primeiro que não é a mesma coisa terrível para todos:

544. como o temor está no irascível, cujo objeto é o árduo, não há temor senão de algum mal que de algum modo está elevado acima da capacidade daquele que teme; por isso, algo é terrível para a criança que não é terrível para o homem já formado. Há, porém, algum mal que excede a capacidade humana, ao qual ela não pode resistir, como o terremoto, as inundações do mar e outras coisas desse tipo; por isso, um mal desse tipo é terrível para qualquer homem sábio que tem reto juízo do intelecto. Aquele terrível, porém, que é conforme o homem, como que não excedendo a sua capacidade de resistir, difere de dois modos:

de um modo segundo a diversa magnitude da coisa, por exemplo, é mais terrível se se reunirem muitos inimigos do que se poucos;

de outro modo segundo o mais e o menos, por exemplo, que odeiam mais ou menos ou se aproximam mais ou menos. E o que foi dito acerca das coisas terríveis deve-se dizer semelhantemente também acerca das coisas que inspiram ousadia, porque acerca do mesmo objeto estão o temor e a audácia, como acima foi dito.

545. A seguir, quando diz: o forte, porém, é imperturbável etc., mostra, segundo a razão mencionada, como se diversificam os atos acerca da matéria mencionada. E diz que, quando se diz que o forte não se perturba por causa do temor, deve-se entender conforme convém ao homem que, se tiver intelecto, temerá as coisas que estão acima do homem. Por isso, também o forte temerá tais coisas; contudo, no caso de necessidade ou de utilidade, suportará tais coisas como é preciso e como julgará a reta razão, que é própria do homem, isto é, de tal modo que, por causa do temor de tais coisas, não se afastará do juízo da razão, mas suportará coisas terríveis desse tipo, por maiores que sejam, por causa do bem, que é o fim da virtude.

546. Acontece, porém, às vezes que alguém teme mais ou menos as coisas terríveis que estão acima do homem, ou conforme o homem mais ou menos do que a razão julga; e ainda mais, acontece que teme como terríveis as coisas que não são terríveis; e nisto consiste o pecado do homem, que é contra a reta razão. E assim como a doença acontece no corpo pela desordem de qualquer humor, assim também o pecado contra a razão acontece na alma pela desordem de qualquer circunstância; por isso, acerca do temor às vezes se peca por isto, que alguém teme o que não é preciso temer, e às vezes por isto, que teme quando não é preciso temer, e o mesmo deve-se dizer das outras circunstâncias acima expostas. E o que foi dito acerca das coisas terríveis, deve-se entender também acerca das coisas que inspiram ousadia, das quais vale a mesma razão, como foi dito.

547. A seguir, quando diz: aquele, pois, que etc., mostra qual seja o ato da fortaleza por comparação aos vícios opostos.

E acerca disto faz duas coisas:

primeiro expõe o ato da virtude e dos vícios;

segundo compara a virtude com certas coisas que lhe parecem semelhantes, ali: e os audazes, com efeito, lançando-se para frente etc.

Acerca do primeiro faz três coisas:

primeiro determina o ato da virtude e dos vícios quanto ao temor e à audácia;

segundo quanto à esperança e ao desespero, ali: o que desespera, pois, alguém etc.;

terceiro conclui com um epílogo, ali: acerca dessas coisas, pois etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas:

primeiro determina o ato do virtuoso;

segundo os atos dos viciosos, ali: os que excedem, porém etc.

Acerca do primeiro faz duas coisas:

primeiro propõe o que pretende;

segundo esclarece algo que havia dito, ali: o fim, porém, de toda etc.

548. Diz, portanto, primeiro que aquele que suporta as coisas que é preciso suportar e foge por temor daquelas que é preciso evitar, e faz isto por causa daquilo pelo qual é preciso, e do modo pelo qual é preciso, e quando é preciso, chama-se forte; que também, semelhantemente, ousa as coisas que é preciso e por causa daquilo etc. E atribui a razão disto, dizendo que, porque o forte e virtuoso padece, por meio do temor, e opera, por meio da audácia, conforme é digno e conforme a reta razão dita; pois toda virtude moral é conforme a reta razão, como acima foi tratado.

549. A seguir, quando diz: o fim, porém, de toda etc., esclarece algo que havia dito, a saber, por causa de que é preciso que o forte opere. E diz que o fim de qualquer operação virtuosa é conforme a conveniência do próprio hábito; pois o hábito causado pelo costume move à maneira de uma natureza, pelo fato de que o costume é como que uma certa natureza, como se diz no livro Da memória. Ora, o fim último do agente natural que opera é o bem do universo, que é o bem perfeito, mas o fim próximo é imprimir a sua semelhança em outro, como o fim do quente é fazer coisas quentes por meio de sua ação. Semelhantemente, também o fim último da virtude que opera é a felicidade, que é o bem perfeito, como foi tratado no livro I, mas o fim próximo e próprio é que a semelhança do hábito exista em ato.

550. E isto é o que diz, que o bem que o forte pretende é a fortaleza, não certamente o hábito de fortaleza que já preexiste, mas a semelhança dele em ato, e isto também é o fim, porque cada coisa que existe por causa do fim é determinada em sua própria noção segundo o próprio fim, pois a partir do fim se toma a noção daquilo que é ordenado ao fim; e por isso o fim da fortaleza é algo pertencente à noção de fortaleza. Assim, pois, o forte suporta e opera por causa do bem, e isto na medida em que pretende operar as coisas que são conforme a fortaleza.

551. A seguir, quando diz: os que excedem, porém etc., determina os atos dos viciosos.

E primeiro daquele que falha no temer;

segundo daquele que excede no ousar, ali: aquele, porém, que no ousar etc.;

terceiro daquele que abunda no temer, ali: aquele, porém, que no temer etc.

Diz, portanto, primeiro que, entre os vícios pertencentes ao excesso, é sem nome aquele que excede por impavidez, isto é, aquele que nada teme. Ora, acima foi dito que muitas coisas são sem nome, e isto acontece principalmente naquelas que raramente ocorrem; ora, tal impavidez raramente ocorre; pois não acontece senão em algum insano ou em alguém que não tem o sentido da dor, isto é, que nada tema, por exemplo, nem o terremoto nem as inundações nem algo do gênero, como se diz acontecer a certos que se chamam celtas, que é o nome de um povo. Aqui diz que ele é sem o sentido da dor, porque são as mesmas as coisas que tememos como futuras e daquelas de que, quando presentes, nos doemos.

552. A seguir, quando diz: aquele, porém, que no ousar etc., trata daqueles que excedem no ousar. E diz que aquele que, acerca das coisas terríveis, excede no ousar, de modo que audazmente ataque as coisas terríveis além do que a razão dita, chama-se audaz. Há, porém, alguém que não é verdadeiramente audaz, mas o parece, a saber, o soberbo que finge ser forte; por isso, assim como o forte ou audaz se comporta acerca das coisas terríveis, assim o soberbo procura aparentá-lo, e por isso, quando pode sem perigo, imita as obras do forte ou do audaz. Por isso, muitos daqueles que parecem fortes ou audazes são tímidos porque, comportando-se audazmente naquelas coisas que têm pouco perigo, quando sobrevêm as coisas que são muito terríveis, não as suportam.

553. A seguir, quando diz: aquele, porém, que no temer etc., determina acerca daquele que excede no temer. E diz que tal se chama tímido, porque teme as coisas que não é preciso temer e do modo pelo qual não é preciso, e semelhantemente segundo as outras circunstâncias. E este mesmo que excede no temer falha no ousar, pois não há razão alguma pela qual alguém não ataque algumas coisas terríveis para destruí-las senão por causa do temor; mas a falta de temor pode existir sem a audácia de atacar, pois não se segue que todo aquele que não foge como é preciso invada mais do que é preciso; mas todo aquele que falha em invadir o que é preciso não o faz senão por causa do temor; e por isso separou a falta de temor do excesso de audácia, mas conjugou o excesso de temor à falta de audácia. E embora o tímido exceda no temer e falhe no ousar, contudo é mais manifesto por isto, que excede no temor das tristezas, do que por isto, que falha no ousar, porque a falta não é tão percebida quanto o excesso.

554. A seguir, quando diz: o que desespera, pois etc., mostra como as coisas mencionadas se relacionam com a esperança e o desespero. Para evidência disto deve-se considerar que o objeto da audácia e do temor é o mal, mas o objeto da esperança e do desespero é o bem; ora, o apetite tende ao bem por si, mas por acidente foge dele em razão de algum mal a ele associado; semelhantemente, também o apetite foge do mal por si; ora, aquilo que é por si é causa daquilo que é por acidente, e por isso a esperança, cuja função é tender ao bem, é causa da audácia, que tende ao mal que ataca; e pela mesma razão o temor, que foge do mal, é causa do desespero, que se afasta do bem. E por isso diz que o tímido é desesperado na medida em que teme falhar acerca de todas as coisas, ao passo que o forte, ao contrário, na medida em que ousa mostra-se ser de boa esperança.

555. A seguir, quando diz: acerca dessas coisas, pois etc., faz o epílogo do que foi dito, concluindo do que foi mencionado que acerca das paixões mencionadas estão tanto o tímido quanto o audaz e o forte, mas comportam-se de modo diferente em relação a elas. Pois o audaz e o tímido excedem e falham no ousar e no temer, mas o forte comporta-se de modo mediano nessas coisas e como é preciso, isto é, segundo a reta razão.

556. A seguir, quando diz: e os audazes, com efeito etc., compara a fortaleza com certas coisas semelhantes a ela.

E primeiro mostra a diferença do forte para o audaz;

segundo para aquele que suporta a morte para evitar alguns incômodos, ali: assim, pois, como foi dito etc.;

quanto aos tímidos, porém, não parecem convir em nada com os fortes, e por isso não se preocupa em atribuir a diferença entre eles. Diz, portanto, primeiro que os audazes, antes dos perigos, lançam-se para frente e querem, isto é, correndo a eles velozmente e ardentemente, porque se movem pelo ímpeto da paixão à margem da razão; quando, porém, estão nos próprios perigos, recuam, porque o movimento da paixão precedente é vencido pela dificuldade iminente. Mas os fortes, quando estão nas próprias operações difíceis, são vigorosos, porque o juízo da razão a partir do qual agem não é vencido por dificuldade alguma; mas antes de chegarem aos perigos permanecem tranquilos, porque não agem pelo ímpeto da paixão, mas pela deliberação da razão.

557. A seguir, quando diz: assim, pois, como etc., mostra a diferença do forte para aquele que suporta a morte para evitar incômodos. E diz que, como foi dito, a fortaleza é uma mediania acerca das coisas que inspiram ousadia e das terríveis, que são males, e nas quais foi dito, a saber, nos perigos de morte, e ela deseja operar virtuosamente e suporta tais perigos para que advenha algum bem, a saber, o honesto, ou para que fuja de algo torpe, a saber, o desonesto. Mas que alguém morra, lançando as mãos sobre si mesmo ou padecendo de bom grado a morte infligida por outro, para fugir da pobreza ou do desejo de alguma coisa que não pode ter ou de qualquer outra coisa que provoca tristeza, não pertence ao forte, mas antes ao tímido, por dupla razão:

primeiro, certamente, porque parece ser uma certa moleza de ânimo, contrária à fortaleza, o fato de alguém não poder suportar coisas laboriosas e tristes;

em segundo lugar, porque não suporta a morte por causa de um bem honesto, como o corajoso, mas fugindo de um mal penoso.

558. Por fim, conclui que, a partir do que foi dito, se pode saber o que é a fortaleza.