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Lição 13

Friends Needed in Both Prosperity and Adversity

Ora, é nas boas fortunas que há mais necessidade de amigos, ou nos infortúnios? Pois em ambos são requeridos; com efeito, os infortunados necessitam de auxílio, e os afortunados de conviventes e daqueles a quem beneficiar; pois querem operar o bem. [1925]

É certamente mais necessário nos infortúnios; por isso aqui há necessidade de amigos úteis. Mas é melhor nas boas fortunas; por isso também procuram os honestos, pois é mais digno de escolha beneficiar a estes e conversar com eles. [1926]

Pois é deleitável também a própria presença dos amigos, tanto nas boas fortunas quanto nos infortúnios. [1927-1928]

Pois os que estão tristes são aliviados pelos amigos que se condoem. Por isso, ainda que alguém duvide se, por assim dizer, assumem o peso do sofrimento. Ou, não sendo isso o caso, a presença deles, sendo deleitável, e a consciência de que se condoem tornam menor a tristeza. Se, portanto, por causa disto ou por causa de alguma outra coisa são aliviados, deixe-se de lado; parece, contudo, acontecer o que foi dito. [1929]

Ora, a presença deles parece ser algo misto. Pois o próprio ver os amigos é deleitável, e de outro modo também para o infortunado, e torna-se certo auxílio para não se entristecer; pois o amigo é consolador tanto pela visão quanto pela palavra, se for hábil: pois conhece o caráter e aquilo em que se deleita e se entristece. Mas sentir que ele se entristece nos próprios infortúnios é triste; pois todos fogem de ser causa de tristeza para os amigos. [1933]

Por isso os homens de índole viril naturalmente receiam que seus amigos se entristeçam por causa deles e, a não ser que sejam excessivamente insensíveis à dor, não suportam a tristeza que a sua própria tristeza causa aos amigos; e de modo algum lhes agrada ter companheiros de pranto, porque eles mesmos não são dados a lamentar-se. As mulheres, porém, e os homens de tal índole, alegram-se em ter outros angustiados junto com eles e amam como amigos os que se condoem deles. Mas é preciso imitar em tudo o melhor, isto é, o de índole viril. [1934]

Nas boas venturas, porém, a presença dos amigos proporciona tanto uma convivência deleitável quanto a consciência de que eles se deleitam com os nossos bens. [1936]

Por isso parecerá que se deve chamar prontamente os amigos para as boas venturas, pois é preciso que o bom seja benfazejo; mas, para os infortúnios, com relutância, pois é preciso transmitir o mínimo possível dos males, donde aquele dito: Basta que eu esteja em desventura. E deve-se convocá-los sobretudo quando, com pouca perturbação sua, possam ajudar muito a quem os chama. [1937]

Ir, porém, ao contrário, talvez convenha. Aos que estão em desventura, ir mesmo sem ser chamado e prontamente, pois é próprio do amigo fazer o bem, e sobretudo àqueles que estão em necessidade e não julgam digno pedir; pois isso é melhor e mais deleitável para ambos. Às boas venturas, porém, ir prontamente para cooperar, pois também para isso há necessidade de amigos. Mas, para receber um benefício, deve-se ir sem pressa, pois não é bom mostrar-se pronto a ser ajudado. Contudo, talvez se deva evitar a opinião de que se é desagradável por ser incômodo, pois às vezes isso acontece. Assim, a presença dos amigos parece, em todas as circunstâncias, digna de ser escolhida. [1940]

1925. Se, porém, nas boas etc. Depois que o Filósofo resolveu a dúvida sobre o número dos amigos, aqui propõe uma dúvida sobre a necessidade deles.

E a respeito disso faz três coisas:

primeiro, propõe a dúvida;

segundo, resolve-a, ali: é mais necessário etc.;

terceiro, prova algo que havia suposto, ali: pois também a presença etc.

Diz, portanto, primeiro, que se pode duvidar se o homem tem mais necessidade de amigos nas boas venturas ou nos infortúnios. É manifesto, com efeito, que em ambas as fortunas os amigos são requeridos; pois nos infortúnios o homem tem necessidade de amigos que lhe tragam auxílio contra as adversidades, ao passo que nas boas venturas os homens têm necessidade de amigos com quem conviver e a quem fazer o bem; pois, se são virtuosos, querem agir bem.

1926. Em seguida, quando diz: é mais necessário etc., apresenta a solução da questão, concluindo do que foi dito que ter amigos é mais necessário ao homem nos infortúnios, nos quais ele carece do auxílio que se dá por meio dos amigos, como foi dito; e por isso, em tal estado, o homem tem necessidade de amigos úteis que lhe tragam auxílio. Mas, nas boas venturas, é melhor, isto é, mais honesto, ter amigos; e por isso, nesse estado, os homens buscam amigos virtuosos, porque é mais digno de escolha fazer o bem a tais pessoas e conviver com elas.

1927. Em seguida, quando diz: pois também a presença etc., prova o que havia suposto, a saber, que há necessidade de amigos em ambas as fortunas.

E primeiro propõe o que pretende. E diz que a própria presença dos amigos é deleitável tanto nas boas venturas quanto nos infortúnios.

1928. Segundo, ali: pois são aliviados etc., prova o proposto.

E primeiro quanto aos infortúnios;

segundo, quanto às boas venturas, ali: nas boas venturas etc.;

terceiro, infere um corolário do que foi dito.

A respeito do primeiro faz três coisas.

Primeiro, manifesta o proposto. E diz que os homens que estão na tristeza sentem um certo alívio pela presença dos amigos que se condoem deles.

1929. Segundo, ali: por isso etc., investiga qual seja a causa disso que foi dito. E apresenta duas causas, com a dúvida sobre qual delas seja a mais forte.

A primeira delas se toma do exemplo dos que carregam algum peso pesado, dos quais um é aliviado pela companhia do outro que toma consigo aquele fardo; e semelhantemente parece que um dos amigos suporta melhor o fardo da tristeza se o outro carrega consigo o mesmo fardo de tristeza.

1930. Mas essa semelhança não parece convir quanto à própria tristeza: pois o outro não toma para si parte da mesma tristeza numérica que alguém padece, de modo que por isso a tristeza do primeiro seja diminuída; pode, contudo, convir quanto à causa da tristeza: por exemplo, se alguém se entristece pelo dano que sofreu, enquanto o amigo assume parte do dano, diminui-se o dano do primeiro e, por consequência, a tristeza.

1931. A segunda causa é melhor e compete quanto à própria tristeza: pois é manifesto que qualquer deleite superveniente diminui a tristeza; ora, o amigo presente e que se condoi produz deleite de dois modos,

de um modo, porque a própria presença do amigo é deleitável,

de outro modo, porque, ao perceber que ele se condoi de si, deleita-se em sua amizade; e assim a sua tristeza é diminuída.

1932. E porque isso está fora do propósito principal, acrescenta que, por ora, deve-se deixar de investigar se, por causa do que foi dito ou por causa de algo mais, os homens entristecidos são aliviados pela presença dos amigos que se condoem deles; manifestamente, porém, aparece acontecer isso que foi dito.

1933. Terceiro, ali: parece, porém etc., mostra que a presença do amigo que se condoi tem uma certa tristeza mesclada.

E primeiro mostra o proposto;

segundo, infere um corolário do que foi dito, ali: por isso os homens de índole viril etc.

Diz, portanto, primeiro, que a presença dos amigos que se condoem parece ter uma certa mistura de deleitável e de tristonho. Pois a própria visão dos amigos é deleitável, tanto por outra razão comum quanto especialmente para o homem em desventura, que é ajudado pelo amigo a não se entristecer, na medida em que o amigo consola o seu amigo, tanto pela visão quanto também pela palavra, se for epidéxio, isto é, apto a consolar: pois um amigo conhece o modo de ser do outro e aquilo em que o seu amigo se deleita e se entristece, e assim pode aplicar-lhe o remédio conveniente contra a tristeza. Desse modo, portanto, a presença do amigo que se condoi é deleitável, mas, por outro lado, é tristonha, na medida em que o homem sente que o seu amigo se entristece em seus infortúnios; pois todo homem bem disposto foge, quanto pode, de ser causa de tristeza aos seus amigos.

1934. Em seguida, quando diz: por isso os homens de índole viril etc., conclui do que foi dito que os homens de ânimo viril naturalmente receiam e evitam que os seus amigos se entristeçam por causa deles (pois é da natureza da amizade que o amigo queira fazer o bem ao amigo, e não ser-lhe causa de algum mal), e de modo algum os homens viris suportam que os seus amigos se entristeçam por causa deles, a não ser que sobreexceda o auxílio que lhes é prestado pelos amigos, em relação à tristeza dos amigos, para não se entristecerem; pois suportam que a sua tristeza seja aliviada por uma pequena tristeza dos amigos, e, universalmente, aos homens viris não agrada ter companheiros de pranto, porque os próprios homens viris não são dados a chorar.

1935. Há, porém, alguns homens de índole afeminada que se deleitam em ter alguns angustiados junto consigo e amam como amigos os que se condoem deles. Mas, nessa diversidade de homens, é preciso imitar em tudo os melhores, isto é, os viris.

1936. Em seguida, quando diz: nas boas venturas, porém etc., mostra a segunda parte do proposto, a saber, que a presença dos amigos nas boas venturas é louvável.

E diz que, nas boas venturas, a presença dos amigos tem dois deleites:

primeiro, a convivência com os amigos, porque é deleitável conviver com os amigos;

segundo, o fato de o homem perceber que os seus amigos se deleitam com os seus próprios bens, pois cada um busca ser para os seus amigos causa de deleite.

1937. Em seguida, quando diz: por isso parecerá etc., infere um corolário do que foi dito, que contém em si alguns ensinamentos morais.

E primeiro quanto aos que convocam os amigos;

segundo, quanto aos que espontaneamente se dirigem aos amigos, ali: ir, porém, ao contrário etc.

A respeito do primeiro, apresenta três ensinamentos morais.

Primeiro, concluindo do que foi dito que, porque é deleitável que o homem perceba os amigos deleitarem-se com os seus próprios bens, é preciso que o homem chame prontamente os amigos às suas boas venturas, para com eles as comunicar; pois é preciso que o bom homem faça o bem ao amigo.

1938. O segundo ensinamento é que o homem chame o amigo aos seus infortúnios tardiamente e com certa relutância; pois o homem deve transmitir ao amigo o mínimo possível dos seus males, e a isso reduz o provérbio de alguém que dizia: basta que eu esteja em desventura, como se dissesse: é suficiente que eu padeça o infortúnio, não é preciso que também os meus amigos o padeçam.

1939. O terceiro ensinamento é que os amigos devem ser chamados aos infortúnios sobretudo quando, com pouca perturbação sua, podem prestar ao amigo grande ajuda.

1940. Em seguida, quando diz: ir, porém, ao contrário etc., apresenta três ensinamentos da parte dos que vão espontaneamente aos amigos.

O primeiro deles é que aos amigos que estão em infortúnios é preciso que alguém vá prontamente, mesmo sem ser chamado, porque é próprio do amigo fazer o bem aos amigos, e sobretudo àqueles que estão em necessidade e que não julgam digno, isto é, que não consideram digno pedir isso ao amigo; pois assim, ao prestar-se auxílio a quem não o pede, para ambos, a saber, para o que presta e para o que recebe, o resultado é melhor, isto é, mais honesto, porque tanto aquele que dá realiza maior obra de virtude quanto também aquele que recebe: pois aquele que dá parece dar mais espontaneamente, e aquele que recebe age virtuosamente ao não querer sobrecarregar o amigo; e é também mais deleitável para ambos, porque ao que recebe se poupa da vergonha que se padece ao pedir ao amigo, e o que dá se deleita mais, por assim dizer, ao realizar a obra de virtude por si mesmo, sem ser provocado.

1941. O segundo ensinamento é que, para as boas venturas do amigo, o homem deve oferecer-se prontamente a cooperar com ele quando for necessário, porque para isso o homem precisa de amigos, a saber, para que cooperem com ele.

1942. O terceiro ensinamento é que, para que o homem seja bem tratado por um amigo bem-aventurado, deve dirigir-se a ele com calma, isto é, sem pressa, e não facilmente; pois não é bom que o homem se mostre pronto a receber ajuda do amigo. Mas o homem deve receiar e evitar a opinião de desagrado, isto é, que não incorra nessa fama de não ser agradável ao amigo por ser incômodo, isto é, por se tornar oneroso ao amigo; o que é manifesto que às vezes acontece: pois, quando alguns demasiadamente se intrometem em receber benefícios, tornam-se onerosos e desagradáveis aos seus amigos. Ou, segundo outra lição, o homem deve receiar, isto é, evitar, a opinião de deleite em demorar-se, isto é, que o seu amigo não julgue a respeito dele que se deleita em demorar-se junto dele por causa dos benefícios.

1943. Por fim, do que foi dito conclui que a presença dos amigos, em todas as circunstâncias, parece ser digna de escolha.