Lição 1/b
Now what comes to be out of several villages, all now having the end of self-sufficiency, is the complete community, the city; which is to say, consequently, that it is made for the sake of living, and exists for the sake of living well.
Because of this, every city is natural if, indeed, the first communities are; for it is their end, and nature is the end. For as each thing is in its completed generation, this we say to be the nature of each thing, whether human beings, horses, or the household.
Moreover, what something is for the sake of and is an end is the best, but self-sufficiency is an end and the best.
From this it is clear that the city is one of the things that is natural, and that man is by nature a civic animal. And he who is without a city by nature and not by fortune is either, is either crooked, or better than a man. Such is he whom Homer denounces: unsociable, lawless, evil. One with such a nature is like this and is bent on war, wishing to exist without any yoke, as do the wild birds.
Now, that man is more of a civic animal than the bees and all herd animals is very plain. For nature, as we say, makes nothing in vain, and only man has speech, beyond the animals; for the voice is, indeed, a sign of pleasure and sorrow, and because of this it exists among other animals; for their nature has reached the point at which it has the sense of sorrows and pleasures and they signify them to each other. But speech [exists] in showing the constructive and the harmful, and therefore, the just and the unjust; for among all the animals it is proper only to man to have a sense of good and evil, the just and the unjust, and the like. And union in such things produces the household and the city.
Accordingly, the city is before the household, and before each one of us; for it is necessary that the whole be before the part. For if the whole [body] is destroyed, there will be no foot or hand, except equivocally, as we might speak of a stone hand; for it will be like this if decayed, since all things are defined by their work and their virtue. This is why it will no longer have the same existence and will not be called the same thing, but will be named equivocally. So therefore, that the city is natural and is prior to each individual is clear. For each individual is not self-sufficient separately, and likewise, the other parts maintain themselves with reference to the whole. But he who is unable to unite with others or requires nothing because he is self-sufficient is no part of the city because he is either a beast or a god.
Moreover, nature puts an impulse in everyone toward such a community. But he who first instituted it was the cause of the greatest of goods. For just as man, when perfected, is the best of the animals, so also when he is separated from law and justice, he is the worst of them all. For armed injustice is the cruellest, and man is born with weapons to be used by prudence and virtue, which he may use to great effect for contrary ends; because of this, without virtue, man is the most evil and savage of animals, bent on lust and the most rapacious greed. But justice is civic. For dike is the order of the civic community, and dike is the judgment of the just.
Quae autem ex pluribus vicis, etc. After the philosopher determines the communities ordered toward the city, he determines the community of the city itself. And it is divided into three parts.
First, he shows what kind of community the city is.
Second, he shows that it is natural, at propter quod omnis civitas, etc.
Third, he treats of the institution of the city at natura igitur quidem, etc.
Quanto ao primeiro ponto, mostra a condição da cidade no que se refere a três coisas.
Primeiro, mostra a partir de que a cidade se constitui: pois, assim como a aldeia se constitui a partir de várias casas, também a cidade se constitui a partir de várias aldeias.
Em segundo lugar, diz que a cidade é uma comunidade perfeita. Isto ele prova pelo seguinte: como toda associação de todos os homens se ordena a algo necessário à vida, será perfeita aquela comunidade que se ordena a isto, a saber, que o homem tenha de modo suficiente tudo o que é necessário à vida; ora, tal é a comunidade da cidade, pois pertence à noção de cidade que nela se encontrem todas as coisas que bastam à vida humana, tal como de fato acontece; e por isso ela se compõe de várias aldeias, em uma das quais se exerce a arte do ferreiro, em outra a arte do tecelão, e assim das demais. Donde é manifesto que a cidade é uma comunidade perfeita.
Em terceiro lugar, mostra a que a cidade está ordenada. Pois ela foi primitivamente feita em vista do viver, isto é, para que os homens encontrassem de modo suficiente aquilo de que pudessem viver; mas de seu ser provém que os homens não somente vivam, mas que vivam bem, na medida em que, pelas leis da cidade, a vida dos homens é ordenada à virtude.
Em seguida, quando diz propter quod omnis civitas etc., mostra que a comunidade da cidade é natural. E quanto a isto faz três coisas:
primeiro, mostra que a cidade é natural;
em segundo lugar, que o homem é naturalmente um animal cívico, ali onde diz ex hiis igitur manifestum etc.;
em terceiro lugar, mostra o que é anterior segundo a natureza, se um só homem, ou a casa, ou a cidade, ali onde diz et prius itaque civitas etc.
Quanto ao primeiro ponto, apresenta duas razões,
das quais a primeira é a seguinte. O fim das coisas naturais é a natureza delas mesmas; ora, a cidade é o fim das comunidades já mencionadas, das quais se mostrou que são naturais: logo, também a cidade é natural. E que a natureza seja o fim das coisas naturais, ele o prova, ali onde diz quale enim etc., com a seguinte razão. Dizemos ser natureza de cada coisa aquilo que lhe convém quando é perfeita a sua geração: assim como a natureza do homem é aquela que ele tem depois da perfeição de sua geração; e semelhantemente ocorre com o cavalo e com a casa, contanto, porém, que se entenda por natureza da casa a sua forma. Ora, a disposição que a coisa tem quando perfeita a sua geração é o fim de todas aquelas coisas que existem antes de sua geração; logo, aquilo que é o fim dos princípios naturais a partir dos quais algo é gerado é a natureza da coisa: e assim, como a cidade é gerada a partir das comunidades já mencionadas, que são naturais, ela mesma será natural.
Apresenta a segunda razão ali onde diz adhuc quod cuius gratia etc. Ela é a seguinte. Aquilo que é o melhor em cada coisa é o fim e aquilo em vista do qual algo se faz; ora, ter suficiência é o melhor, logo tem a noção de fim: e assim, como a cidade é a comunidade que possui por si a suficiência da vida, ela mesma é o fim das comunidades já mencionadas. Donde é evidente que esta segunda razão é introduzida como prova da premissa menor da razão precedente.
Em seguida, quando diz ex hiis igitur manifestum etc., mostra que o homem é naturalmente um animal cívico.
E, primeiro, conclui isto a partir da naturalidade da cidade;
em segundo lugar, prova isto pela operação própria do homem, ali onde diz quod autem civile etc.
Quanto ao primeiro ponto, faz duas coisas:
primeiro, mostra o que se propôs;
em segundo lugar, exclui uma dúvida, ali onde diz et qui incivilis etc.
Conclui, portanto, primeiro, a partir do que foi dito, que a cidade é uma daquelas coisas que são segundo a natureza; e, como a cidade não é senão uma congregação de homens, segue-se que o homem é naturalmente um animal cívico.
Ora, isto poderia suscitar dúvida em alguém pelo fato de que aquelas coisas que são segundo a natureza estão presentes em todos; não se encontram, porém, todos os homens sendo habitantes de cidades. E por isso, para excluir esta dúvida, diz em seguida que alguns não são cívicos por causa da fortuna, como por serem expulsos da cidade; ou, por causa da pobreza, têm necessidade de cultivar os campos ou de guardar os animais. E isto é manifesto que não é contrário ao que foi dito, a saber, que o homem é naturalmente cívico: porque também outras coisas naturais às vezes faltam por causa da fortuna, como quando a alguém é amputada a mão, ou quando é privado de alimento. Mas, se algum homem tem o não ser cívico por causa da natureza, é necessário que ou seja depravado, como quando isto acontece pela corrupção da natureza humana; ou seja melhor do que o homem, na medida, a saber, em que tem uma natureza mais perfeita do que os outros homens comumente têm, de modo que por si mesmo possa bastar-se sem a sociedade dos homens: como sucedeu em João Batista e no bem-aventurado Antão eremita. E aduz a isto a palavra de Homero, que amaldiçoa um certo homem que não era cívico por causa da depravação; pois diz dele que era insociável porque não podia ser contido pelo vínculo da amizade, e sem lei porque não podia ser contido sob o jugo da lei, e celerado porque não podia ser contido sob a regra da razão. Ora, quem é tal segundo a natureza é necessário que, juntamente com isto, seja também ávido de guerra, como que litigioso e existindo sem jugo: assim como vemos que as aves que não são sociáveis são de rapina.
Em seguida, quando diz quod autem civile animal etc., prova, a partir da operação própria do homem, que ele é um animal cívico, mais ainda do que a abelha e do que qualquer animal gregário, com a seguinte razão. Pois dizemos que a natureza nada faz em vão, porque sempre opera em vista de um fim determinado; donde, se a natureza atribui a alguma coisa algo que de si está ordenado a algum fim, segue-se que esse fim é dado àquela coisa pela natureza. Ora, vemos que, embora alguns outros animais tenham voz, somente o homem, acima dos demais animais, possui a fala; pois, ainda que alguns animais profiram a fala humana, não falam contudo propriamente, porque não entendem o que dizem, mas por um certo hábito proferem tais vozes. Ora, há diferença entre o discurso e a simples voz. Pois a voz é sinal de tristeza e de deleite, e por consequência das outras paixões, como a ira e o temor, as quais todas se ordenam ao deleite e à tristeza, como se diz no livro II da Ética. E por isso a voz é dada aos outros animais, cuja natureza chegou até este ponto: que sintam seus deleites e suas tristezas e os signifiquem uns aos outros por meio de algumas vozes naturais, como o leão pelo rugido e o cão pelo latido; em lugar dos quais nós temos as interjeições.
Mas a fala humana significa o que é útil e o que é nocivo, do que se segue que significa o justo e o injusto: pois a justiça e a injustiça consistem nisto, que alguns sejam igualados ou não igualados nas coisas úteis e nocivas. E por isso a fala é própria dos homens, porque isto lhes é próprio em comparação com os outros animais, a saber, que tenham conhecimento do bem e do mal, do justo e do injusto, e de outras coisas deste gênero que podem ser significadas pelo discurso. Como, portanto, ao homem foi dado o discurso pela natureza, e o discurso se ordena a que os homens comuniquem uns com os outros no útil e no nocivo, no justo e no injusto e em outras coisas deste gênero: segue-se, visto que a natureza nada faz em vão, que naturalmente os homens comunicam entre si nestas coisas. Ora, a comunicação nestas coisas faz a casa e a cidade; logo, o homem é naturalmente um animal doméstico e cívico.
Em seguida, quando diz et prius itaque civitas etc., mostra, a partir do que foi dito, que a cidade é anterior segundo a natureza do que a casa ou do que um só homem singular, com a seguinte razão. É necessário que o todo seja anterior à parte, a saber, na ordem da natureza e da perfeição; mas isto deve ser entendido a respeito da parte da matéria, não da parte da espécie, como se mostra no livro VII da Metafísica. E prova isto assim: porque, destruído o homem inteiro, não permanece nem o pé nem a mão senão equivocamente, do modo pelo qual uma mão de pedra poderia ser chamada mão; e isto porque tal parte se corrompe corrompido o todo, e aquilo que está corrompido não retém a espécie da qual se toma a noção definidora: donde é manifesto que não permanece a mesma noção do nome, e assim o nome é predicado equivocamente. E que a parte se corrompe corrompido o todo, ele o mostra por isto, que toda parte se define por sua operação e pela virtude com que opera: assim como a definição do pé é que seja um membro orgânico que tem a virtude de caminhar; e por isso, uma vez que já não tem tal virtude e operação, não é o mesmo segundo a espécie, mas equivocamente se diz pé. E a mesma razão vale para outras partes deste gênero, que se dizem partes da matéria, em cuja definição se põe o todo, assim como também na definição do semicírculo se põe o círculo: pois o semicírculo é a metade do círculo. Diversamente, porém, ocorre com as partes da espécie, que se põem na definição do todo, assim como as linhas se põem na definição do triângulo.
Assim, portanto, é manifesto que o todo é naturalmente anterior às partes da matéria, embora as partes sejam anteriores na ordem da geração. Ora, os homens singulares comparam-se à cidade inteira assim como as partes do homem ao homem, porque, assim como a mão ou o pé não pode existir sem o homem, assim também nenhum homem, por si só, é suficiente para viver separado da cidade. Se, porém, acontecer que alguém não possa comunicar com a sociedade da cidade por causa de sua depravação, é pior do que o homem e como que uma besta; se, todavia, de nada necessita e é como que possuidor de suficiência por si mesmo, e por isso não é parte da cidade, é melhor do que o homem: pois é como que um certo deus. Resta, portanto, do que foi dito, que a cidade é anterior segundo a natureza a um só homem.
Em seguida, quando diz natura igitur quidem etc., trata da instituição da cidade, concluindo do que foi dito que em todos os homens há um certo ímpeto natural para a comunidade da cidade, assim como também para as virtudes; mas, contudo, assim como as virtudes se adquirem pelo exercício humano, como se diz no livro II da Ética, assim as cidades são instituídas pela indústria humana. Ora, aquele que primeiro instituiu a cidade foi, para os homens, causa dos maiores bens.
Pois o homem é o melhor dos animais, se se aperfeiçoar nele a virtude para a qual tem inclinação natural; mas, se estiver sem lei e sem justiça, o homem é o pior de todos os animais. Isto ele prova assim, porque a injustiça é tanto mais feroz quanto mais armas tem, isto é, mais recursos para fazer o mal; ora, ao homem, segundo sua natureza, convêm a prudência e a virtude, que de si estão ordenadas ao bem: mas, quando o homem é mau, serve-se delas como que de certas armas para fazer o mal, assim como quando, pela astúcia, engendra diversas fraudes, e, pela abstinência, torna-se capaz de suportar a fome e a sede para perseverar mais na malícia, e semelhantemente das demais coisas. E daí vem que o homem sem virtude, quanto à corrupção do irascível, é sumamente celerado e selvagem, como que cruel e sem afeição; e, quanto à corrupção do concupiscível, é péssimo quanto aos prazeres venéreos e quanto à voracidade dos alimentos. Mas o homem é reconduzido à justiça pela ordem civil: o que é evidente por isto, que com o mesmo nome, entre os gregos, se denomina a ordem da comunidade civil e o juízo da justiça, a saber, diki. Donde é manifesto que aquele que instituiu a cidade tirou dos homens o que os fazia péssimos, e reconduziu-os a isto, que fossem ótimos segundo a justiça e as virtudes.