Prólogo
Paulo, convertidos os cretenses, consagrou ali Tito arcebispo, para que os instruísse em tudo o que visse oportuno. Tendo, porém, Paulo ido a Nicópolis (o que esta Epístola parece insinuar nas passagens seguintes), escreveu esta Epístola a Tito; ouvira, com efeito, a respeito dele que exercia o ofício episcopal com demasiada simplicidade; porque os hereges, ou quaisquer perversos, não os expulsava da Igreja pelo império pontifical, como convinha. Denunciava-lhes, sim, que agiam mal e deviam desistir; mas, não cessando eles do mal começado (o que a dignidade pontifical exigia), não os coibia, mas humildemente os suportava. Por isso Paulo escreve esta Epístola a Tito, tratando nela do ofício pontifical, de modo a instruí-lo sobre quais bispos deve consagrar pelas cidades do seu arcebispado; demorando-se sobretudo nesta instrução, para que use do poder e império pontifical, porque, embora ser simples seja bom, a excessiva humildade do bispo traz incômodo ao regime da Igreja; e por isso adverte Tito que ensine, exorte e argua com império episcopal; e, se há hereges que não querem corrigir-se, os expulse da Igreja. E assim tratando do ofício episcopal, pretende tornar Tito um bispo perfeito, para que, pelo exemplo dele, tornasse animados quaisquer bispos demasiado simples e usassem do império episcopal.