Capítulo XXXVI — Romualdo repreende com brandura um ladrão
Em certo dia de festa, enquanto o venerável homem estava sentado em capítulo com os irmãos e os saciava com um banquete de doutrina salutar, interrompeu de repente o sermão, como se sua atenção tivesse sido inquietamente desviada, e começou a gritar:
“Ide! Ide o mais depressa possível, porque ele já está destruindo a cela do irmão Gregório!”
Esse Gregório seria mais tarde consagrado arcebispo entre os pagãos.
Os irmãos levantaram-se imediatamente e correram até a cela, onde encontraram um ladrão que já derrubava as paredes.
Agarraram-no e o arrastaram até o mestre, perguntando o que deveria ser feito com ladrão tão sacrílego.
O santo homem disse-lhes alegremente:
“Também eu não sei, irmãos, o que podemos fazer com pessoa tão má. Arrancaremos seus olhos? Mas então ele não poderá ver. Cortaremos sua mão? Então já não poderá trabalhar e talvez venha a morrer de fome. Se lhe tirarmos o pé, não poderá caminhar. Levai-o para dentro e, antes de tudo, dai-lhe de comer, enquanto deliberamos sobre o que faremos com ele.”
Assim, o santo homem, alegrando-se no Senhor, mandou primeiro alimentar o ladrão; depois o repreendeu com moderação, admoestou-o com palavras doces e permitiu que regressasse em paz para casa.