Skip to main content

Capítulo LXV — Romualdo obtém do imperador Henrique II o mosteiro de Monte Amiata

Nesse meio-tempo, o imperador Henrique veio das regiões de além dos Alpes para a Itália e enviou uma embaixada ao bem-aventurado homem, suplicando-lhe que se dignasse ir ao seu encontro e prometendo que faria tudo o que Romualdo lhe ordenasse, contanto que não lhe recusasse uma audiência.

Como o venerável homem se recusasse terminantemente a romper o silêncio, todos os discípulos começaram unanimemente a suplicar-lhe:

“Mestre, vês que nós, que te seguimos, já somos tantos que não podemos habitar convenientemente neste lugar. Vai, portanto, e pede ao imperador algum grande mosteiro, para que ali estabeleças a multidão dos que te seguem.”

Então o santo homem — não sei se por uma revelação que acabara de receber ou por súbita inspiração de Deus — escreveu-lhes com toda a confiança:

“Ficai sabendo que recebereis do rei, como dádiva, o mosteiro de Monte Amiata. Pensai apenas em quem deveis colocar como abade daquele lugar.”

Dirigiu-se, portanto, ao rei, sem violar o silêncio.

Assim que o viu, o rei levantou-se para recebê-lo e, movido por profunda afeição do coração, exclamou:

“Oh, se minha alma estivesse em teu corpo!”

Depois suplicou-lhe humildemente que falasse, mas naquele dia não conseguiu obter isso dele.

No dia seguinte, quando Romualdo chegou ao palácio, eis que uma multidão de alemães acorreu de todas as partes, apertando-se ao seu redor.

Inclinavam humildemente a cabeça em saudação e, com cuidado, arrancavam pelos da veste de pele que ele usava, guardando-os como relíquias sagradas para levá-los devotamente à própria pátria.

Isso mergulhou o venerável homem em tamanha tristeza que, se não tivesse cedido à insistência contrária dos discípulos, teria regressado imediatamente à sua cela.

Chegando então diante do rei, falou-lhe longamente sobre a restauração dos direitos das igrejas, sobre a violência dos poderosos e sobre a opressão dos pobres; depois de tratar amplamente desses assuntos, pediu-lhe um mosteiro para seus discípulos.

O rei entregou-lhe imediatamente o mosteiro de Monte Amiata e expulsou dali o abade, por ser culpado de muitos males.

Tão grandes foram as adversidades que o santo homem suportou naquele lugar — não apenas da parte do abade expulso, mas também daquele que ele próprio havia escolhido entre seus discípulos e colocado como abade — que, embora Romualdo tenha conseguido suportá-las com enorme paciência, nós não seríamos capazes de narrá-las, ainda que tivéssemos eloquência suficiente.

Mas bastará mostrar, por um único exemplo, de que maneira Deus o auxiliava em todas as coisas; pelo que aconteceu nesse caso, o leitor prudente compreenderá o restante.