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Capítulo LIX — Uma mulher enlouquecida que se opunha a Romualdo é curada por sua bênção

Certo leigo chamado Arduíno entregou-se a Romualdo para receber o hábito da santa vida religiosa. Depois voltou para casa a fim de dispor de todos os seus bens.

Quando sua esposa o viu chegar, gritou-lhe, tomada sem dúvida por violenta fúria:

“Então, meu bom homem, voltas agora daquele herege, daquele velho sedutor, para me abandonares miserável e privada de todo auxílio humano?”

Mal pronunciara essas palavras, perdeu imediatamente a razão e começou a delirar e a estremecer como se fosse abertamente atormentada por um demônio.

O santo homem tinha este costume: sempre que enviava irmãos em viagem, dava-lhes, como bênção, pão, frutas ou alguma outra coisa.

Os discípulos, tendo-o comprovado muitas vezes, estavam convencidos de que, se oferecessem a algum enfermo alguma coisa recebida da bênção do mestre, poderiam restituí-lo são à saúde.

Muitos enfermos, com efeito, recuperavam frequentemente a saúde até mesmo pela água na qual Romualdo havia lavado as mãos.

Tudo isso, porém, precisava ser feito com grande cautela, pois, se o santo homem chegasse de algum modo a tomar conhecimento dessas coisas, era tomado por profunda tristeza.

Depois de aquela mulher permanecer miseravelmente atormentada por muito tempo, alguns irmãos que ali se encontravam deram-lhe um pedaço de pão que haviam recebido do mestre como bênção.

Assim que o comeu, sua mente se acalmou imediatamente e ela ficou inteiramente livre de todo o delírio da loucura.

Então deu graças a Deus todo-poderoso e a Romualdo, seu servo, e já não negou ao marido a permissão para abraçar a vida religiosa.