Capítulo LIII — Romualdo cura uma dor de cabeça com seu sopro
Embora o santo homem praticasse tamanha austeridade contra si mesmo, mostrava sempre um semblante alegre e um rosto sereno.
Certo irmão chamado Gregório queixou-se um dia de uma forte dor de cabeça. Gemendo muito, dirigiu-se à pequena cela do bem-aventurado homem, onde se encontravam também outros irmãos.
Assim que o viu, o venerável homem atribuiu sem hesitação aquela dor não a algum desequilíbrio dos humores, mas às astúcias do antigo inimigo.
Como se estivesse brincando com o irmão — pois tinha sempre expressão alegre —, soprou-lhe na testa através da janela da pequena cela e fez sinal para que todos os outros presentes fizessem o mesmo.
Depois disso, Gregório ficou tão completamente curado que não sentiu na cabeça o menor vestígio da dor.
Julgo que o santo homem quis proceder dessa maneira porque acreditava que aquele inimigo hostil, causador do sofrimento, deveria ser posto em fuga pelo Espírito Santo que habitava em seu peito.
Para evitar que o louvor fosse atribuído a ele próprio, simulou uma brincadeira e procurou companheiros para realizá-la. Pois também de nosso Redentor se lê que soprou quando concedeu o Espírito Santo aos apóstolos.