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Capítulo LVI — Engelberto atrai sobre si a separação de Romualdo

Apesar de tudo isso, não foram poucos os homens carnais que ousaram censurar maliciosamente Romualdo e atribuir suas palavras e seus atos ao vício da inconstância.

Certo discípulo seu, que vivia num eremitério situado a alguma distância, deixou-se pressionar por seus parentes e, embora contrariado, acabou concordando em ir a Roma, durante a Quaresma, para tratar de um negócio deles.

O santo homem imediatamente tomou conhecimento disso pelo Espírito e, desgostoso, escreveu a certo irmão que o assistia, dizendo que aquele bom homem evidentemente pretendia dirigir-se a Roma para tratar de semelhante negócio.

O irmão ficou admirado, perguntando-se como o mestre poderia saber disso, pois era evidente que não havia conversado com ninguém vindo de fora. Investigou então cuidadosamente o caso e constatou que tudo era exatamente como o venerável homem havia dito.

Esse irmão foi então procurar outro condiscípulo, chamado Engelberto, que vivia recluso, e lhe contou francamente tanto o que o mestre havia dito quanto o fato de que, sem dúvida alguma, possuía o espírito de profecia.

Engelberto, porém, rejeitou tudo com imprecações. Repreendeu o irmão e, afirmando que aquilo não era verdade, prendeu a si mesmo com as cadeias de uma maldição:

“Se esse homem disse isso pelo espírito de profecia, e não antes pelo demônio, que Deus todo-poderoso não me permita continuar nesta reclusão.”

Mal havia pronunciado essas palavras, e elas se cumpriram.

Poucos dias depois, Engelberto abandonou a reclusão sem a permissão do mestre e, segundo se conta, jamais voltou a vê-lo nesta vida.