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Capítulo XXXIII — A oração de Romualdo salva marinheiros durante uma tempestade

Em outra ocasião, aqueles mesmos irmãos enviaram novamente mensageiros a Romualdo, pedindo com ainda maior solicitude conselho sobre a mesma questão.

O venerável homem lhes disse:

“Escreverei agora um pequeno livro sobre os ataques dos demônios e vo-lo darei quando regressardes; ou talvez eu mesmo vá convosco.”

Ao ouvirem isso, lançaram-se imediatamente com o rosto por terra e suplicaram com grande insistência que se dignasse acompanhá-los.

No segundo dia, Romualdo declarou sem hesitação que realmente iria com eles e ordenou que procurassem um navio.

Quando o bispo de Parenzo soube disso, foi tomado de grande tristeza. Ao encontrar os monges correndo de um lado para o outro por causa da embarcação, cobriu-os de muitos insultos injustos.

Publicou ainda um édito dirigido a todos os que permaneciam no porto: quem ousasse fornecer um navio a Romualdo e partir com ele faria uma viagem sem retorno e nunca mais voltaria a Parenzo.

Enviou-se então apressadamente um mensageiro ao bispo de Pola, pedindo que mandasse sem demora uma embarcação ao bem-aventurado homem. Aquele bispo, com efeito, havia muitas vezes exortado Romualdo a não permanecer escondido numa reclusão tão obscura, mas a dirigir-se a um lugar onde pudesse conquistar almas em maior abundância; não deveria brilhar apenas para si como brasa escondida, mas derramar sobre todos os que estavam na casa de Deus os raios de sua luz, como lâmpada colocada sobre o candelabro.

Enquanto esperavam o mensageiro, Romualdo disse aos irmãos:

“Ficai sabendo sem nenhuma dúvida que aquele irmão chegará tarde e que teremos de partir em outro navio antes de seu regresso.”

Quando chegou o santo dia do Senhor, nas primeiras luzes da aurora, disse a certo irmão que o assistia, chamado Engelberto, mais tarde constituído arcebispo entre os pagãos:

“Olha bem para o mar e verás dois navios, ainda muito distantes, vindo em nossa direção com igual velocidade. Um deles certamente deverá levar-nos.”

Engelberto esforçou a vista e examinou atentamente tudo, mas não conseguiu perceber sinal algum de embarcação.

À medida, porém, que o dia clareava, viu finalmente ao longe dois navios aproximando-se; por causa da enorme distância, pareciam apenas duas aves sobre o mar.

Quando entraram enfim no porto, perguntou-se aos remadores se aceitariam Romualdo em sua embarcação. Eles se encheram imediatamente de alegria, colocaram a si mesmos e tudo o que possuíam à disposição do santo e declararam que se considerariam bem-aventurados por carregar pérola tão preciosa.

Não quiseram, contudo, partir naquele dia, porque temiam o aspecto ameaçador do céu. Romualdo os exortou a iniciar imediatamente a viagem, confiando na graça divina, e prometeu que nenhum perigo lhes aconteceria. Eles, porém, permaneceram ali durante todo o dia e só começaram a navegar à noite.

Ao amanhecer, os ventos enfureceram-se de repente, levantou-se uma tempestade e o mar pareceu revolver-se desde o fundo.

Violentas rajadas lançavam-se de todos os lados sobre os marinheiros, fazendo o navio oscilar de um lado para o outro e quase desprendendo todas as tábuas.

Podia-se ver alguns homens despindo-se para nadar, outros amarrando-se a diferentes partes do navio, outros ainda agarrando remos ou pedaços firmes de madeira para poder flutuar sobre as ondas.

Em perigo tão extremo, quando todos já desesperavam e não duvidavam de que o naufrágio fosse iminente, Romualdo recorreu à sua arma habitual: a oração.

Afastou um pouco da cabeça a cobertura, inclinou-a sobre o peito e, em silêncio, derramou preces ao Senhor.

Depois disse ao abade Anso, que se encontrava perto dele:

“Dize aos marinheiros que não tenham medo algum. Saibam todos, sem nenhuma dúvida, que sairão daqui ilesos.”

Mal passara um instante e, contra toda esperança, o navio começou a dirigir-se por si mesmo, sem esforço humano. Foi rapidamente levado até o porto da cidade de Caorle.

Todos deram então as devidas graças a Deus libertador e confessaram que haviam sido manifestamente arrancados das garras da morte pelos méritos de Romualdo.