Capítulo XLI — Um abade simoníaco tenta estrangular Romualdo
Em certa ocasião, Romualdo soube que um veneziano havia usurpado por compra a abadia de Santo Apolinário em Classe, mediante a heresia da simonia, e que, além disso, pecava perversamente contra o próprio corpo.
O incansável soldado de Cristo pôs-se imediatamente a caminho e procurou, por diversos meios, purificar o mosteiro daquele homem.
O réprobo, porém, temendo perder a abadia, não temeu cometer homicídio.
No silêncio da noite, enquanto Romualdo repousava despreocupado no leito, o abade aproximou-se às escondidas e apertou-lhe a garganta entre os dedos ímpios, ardendo cruelmente pelo desejo de sufocá-lo.
A garganta do santo homem ainda não estava inteiramente fechada, e ele conseguiu emitir um som áspero enquanto lutava por respirar.
Naquele mesmo instante, Engelberto, despertado pelos gemidos do mestre, apanhou um tição no fogo que já se apagava e expulsou o ministro do demônio antes que consumasse tão horrendo crime.