Capítulo L — Romualdo é arrebatado durante a Missa e recebe a ordem de explicar os Salmos
Os discípulos impuseram então penitência ao santo homem como se o crime tivesse realmente sido cometido e chegaram a retirar-lhe inteiramente a permissão de celebrar os sagrados mistérios.
Romualdo acolheu alegremente aquela injustiça. Cumpriu a penitência como se fosse de fato culpado da acusação e, durante cerca de seis meses, não ousou aproximar-se do altar sagrado.
Por fim, como ele próprio contou mais tarde àqueles mesmos discípulos, recebeu de Deus uma ordem: se temia perder a graça divina, deveria abandonar inteiramente aquela simplicidade sem discernimento e celebrar com confiança os sagrados mistérios da Missa.
No dia seguinte, portanto, começou a oferecer o sacrifício.
Quando chegou às segundas orações secretas da Missa, caiu em silêncio, arrebatado em êxtase durante tanto tempo que todos os presentes se admiraram.
Depois lhe perguntaram por que, durante a oferta do sacrifício, fizera pausas tão longas além do costume.
Ele respondeu:
“Fui arrebatado ao Céu e levado diante de Deus. A voz divina ordenou-me imediatamente que explicasse os Salmos segundo a compreensão que Deus infundiu em mim e que, na medida de minha capacidade, pusesse por escrito, em sequência, aquilo que me fosse dado compreender. Fui tomado por tão grande e inabalável temor que não consegui responder coisa alguma, a não ser: ‘Assim seja, assim seja.’”
Depois disso, o santo homem explicou brilhantemente todo o Saltério e não poucos cânticos dos profetas. Ainda que por vezes infringisse as regras da gramática, conservava sempre corretamente o sentido verdadeiro.