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LIÇÃO 4 - Todas as Classes de Causas São Estudadas por Uma Única Ciência ou por Várias?

TEXTO DE ARISTÓTELES Capítulo 2: 996a 18-996b 26

  1. Portanto, discutamos primeiro o problema sobre o qual falamos primeiro (181): se é ofício de uma única ciência ou de várias estudar todas as classes de causas.

  2. Pois como seria ofício de uma única ciência chegar aos princípios, já que eles não são contrários?

  3. Além disso, no caso de muitas coisas existentes, nem todos os princípios estão presentes. Pois como pode um princípio de movimento estar presente em todas as coisas imóveis, ou como a natureza do bem pode ser encontrada ali? Pois tudo o que é um bem em si mesmo e por razão de sua própria natureza é um fim e, portanto, uma causa, porque é por causa dele que as outras coisas vêm a ser e existem. Além disso, o fim e aquilo para o qual algo vem a ser é o termo de alguma ação. Mas todas as ações envolvem movimento. Portanto, seria impossível que este princípio estivesse presente em coisas imóveis, nem poderia haver um autoagathon, ou seja, um bem em si. Por isso, também na matemática nada é provado por meio desta causa, nem há qualquer demonstração com base no fato de que uma coisa é melhor ou pior. Nem ninguém faz qualquer menção a algo desse tipo. E por essa razão, alguns dos sofistas, por exemplo, Aristipo, desconsideravam estas coisas. Pois nas outras artes, mesmo nas servis, como a construção e a sapataria, todas as coisas devem ser explicadas com base no fato de que são melhores ou piores; mas as ciências matemáticas não dão nenhuma conta das coisas que são boas ou más.

  4. Mas, por outro lado, se há muitas ciências das causas, e ciências diferentes para princípios diferentes, qual delas deve ser considerada aquela que se busca, ou qual daqueles que as possuem é o mais bem informado sobre o assunto investigado?

  5. Pois é possível que a mesma coisa tenha todas as classes de causas; por exemplo, no caso de uma casa, a fonte do movimento é a arte e o construtor, a razão pela qual ela existe é sua função, a matéria é terra e pedras, e a forma é o plano.

  6. Portanto, a partir das coisas que foram estabelecidas há pouco (14-26:C 36-51) sobre qual das ciências se deveria chamar de sabedoria, há razão para chamar cada uma delas assim. Pois, na medida em que a sabedoria tem precedência e é uma ciência mais autoritativa, e aquela que as outras, como escravas, não têm o direito de contradizer, então a ciência que trata do fim e do bem é tal ciência, porque as outras coisas existem por causa disso.

  7. Mas, na medida em que a sabedoria foi definida (24:C 49) como a ciência das primeiras causas e do que é mais cognoscível, tal ciência será sobre a substância. Pois, embora um sujeito possa ser conhecido de muitas maneiras, dizemos que aquele que sabe o que uma coisa é em seu ser a conhece melhor do que aquele que a conhece em seu não-ser. E no primeiro caso, um conhece melhor que o outro, especialmente aquele que sabe o que uma coisa é, e não quão grande ela é, ou de que tipo é, ou qualquer coisa que ela está naturalmente disposta a fazer ou sofrer. Além disso, no caso de outras coisas, também pensamos que conhecemos cada coisa singular, e aquelas das quais há demonstrações, quando sabemos o que cada uma é, por exemplo, o que é a quadratura, porque é encontrar o termo médio. O mesmo é verdade em outros casos.

  8. Mas, com relação aos processos de geração e ações e toda mudança, pensamos que os conhecemos perfeitamente quando conhecemos o princípio do movimento. Mas isso difere e é oposto ao fim do movimento. E por essa razão parece ser da alçada de uma ciência diferente especular sobre cada uma dessas causas.

COMENTÁRIO

Q 1: Uma única ciência pode considerar muitas causas?

  1. Tendo levantado as questões que causam dificuldade nesta ciência, Aristóteles começa aqui a tratá-las dialeticamente. Isso se divide em três partes. Na primeira parte, ele trata das questões que pertencem ao método de investigação desta ciência. Na segunda (403), ele trata das questões que pertencem às substâncias (“Além disso, há”). Na terceira (423), ele trata das questões que pertencem aos princípios das substâncias (“Quanto aos princípios”).

Em relação à primeira, ele faz três coisas. Primeiro, ele argumenta dialeticamente sobre o método de investigação desta ciência, com referência às causas por meio das quais ela demonstra; segundo (387), com referência aos primeiros princípios da demonstração (“Mas na medida em que”); e terceiro (393), com referência às próprias substâncias (“E há o problema”).

Em relação à primeira, ele faz duas coisas. Primeiro, ele retoma a questão sobre a qual planeja argumentar dialeticamente, concluindo a partir da ordem em que as questões foram listadas que é necessário primeiro debater aquelas questões que foram enunciadas primeiro na lista de questões, a saber, se é função de uma única ciência ou de muitas investigar todas as classes de causas; de modo que, assim, a ordem do argumento corresponde à ordem em que as questões foram levantadas.

  1. Pois como será (191).

Segundo, ele apresenta os argumentos relativos a esta questão; e, em relação a isso, ele faz três coisas. Primeiro (191), ele dá um argumento com o propósito de mostrar que não é ofício de uma única ciência considerar todas as classes de causas. Segundo (193:C 376), assumindo que pertence a ciências diferentes considerar as diferentes classes de causas, ele pergunta qual classe de causa é investigada pela filosofia primeira. Ele argumenta em ambos os lados desta questão (“Mas, por outro lado”). Terceiro (197:C 386), ele extrai desta segunda disputa a conclusão dos primeiros argumentos (“Mas, com relação a”).

Em relação ao primeiro (191), ele dá dois argumentos. Ele diz que, uma vez que pertence a uma única ciência considerar os contrários, como pertencerá a uma única ciência considerar os princípios, já que eles não são contrários? Esta visão, se considerada superficialmente, parece não ter importância; pois parece seguir da destruição do antecedente, como se alguém argumentasse assim: se os princípios são contrários, eles pertencem a uma única ciência; portanto, se não são contrários, não pertencem a uma única ciência.

  1. Portanto, pode-se dizer que, nestas disputas, o Filósofo não apenas usa argumentos prováveis, mas às vezes também usa argumentos sofísticos quando apresenta argumentos introduzidos por outros. Mas não parece razoável que, em uma questão tão importante, um Filósofo tão grande tenha introduzido um argumento que é tanto frívolo quanto insignificante. Portanto, deve-se dar uma explicação diferente, a saber, que, se alguém considera corretamente a natureza das várias coisas que pertencem à mesma ciência, algumas pertencem a uma única ciência na medida em que são diferentes, mas outras na medida em que são reduzidas a algo único. Assim, muitas outras coisas diferentes são encontradas pertencendo a uma única ciência na medida em que são reduzidas a algo único, por exemplo, a um todo único, a uma causa única ou a um sujeito único. Mas os contrários e todos os opostos pertencem essencialmente a uma única ciência pela razão de que um é o meio de conhecer o outro. E disso vem esta proposição provável de que todas as coisas diferentes que são contrárias pertencem a uma única ciência. Portanto, se os princípios fossem diferentes e não fossem contrários, seguir-se-ia que eles não pertenceriam a uma única ciência.

  2. Além disso, no caso de (192).

Aqui ele apresenta o segundo argumento, que é o seguinte. No caso de coisas diferentes que pertencem a uma única ciência, qualquer que seja a ciência que considera uma, também considera a outra. Isso é evidente no caso dos contrários, que são diferentes e pertencem essencialmente a uma única ciência sem serem reduzidos a alguma outra unidade. Mas nem toda ciência que considera uma causa considera todas as causas. Portanto, o estudo de todas as causas não pertence a uma única ciência.

  1. Ele prova a premissa menor assim: Diferentes ciências tratam de diferentes entes, e há muitos entes aos quais não se podem atribuir todas as causas. Ele torna isso claro, primeiro, com relação àquela causa que é chamada de fonte do movimento; pois não parece que possa haver um princípio de movimento em coisas imóveis. Ora, certas coisas imóveis são postuladas, especialmente pelos platônicos, que afirmam que os números e as substâncias são entidades separadas. Portanto, se alguma ciência considera estas, ela não pode considerar a causa que é a fonte do movimento.

  2. Segundo, ele mostra que o mesmo é verdadeiro para a causa final, que tem o caráter de bem. Pois não parece que o caráter de bondade possa ser encontrado em coisas imóveis, se for concedido que tudo o que é bom em si mesmo e por razão de sua própria natureza é um fim. E é uma causa no sentido de que todas as coisas vêm a ser e existem por causa dela e para seu bem. No entanto, ele diz "tudo o que é bom em si mesmo e por razão de sua própria natureza" para excluir o bem útil, que não é predicado do fim, mas dos meios para o fim. Portanto, aquelas coisas que são ditas boas apenas no sentido de que são úteis para outra coisa não são boas em si mesmas e por razão de sua própria natureza. Por exemplo, uma poção amarga não é boa em si mesma, mas apenas na medida em que é direcionada ao fim, a saúde, que é um bem em si mesmo. Mas um fim, ou aquilo para o qual algo vem a ser, parece ser o término de uma ação. Ora, todas as ações parecem envolver movimento. Portanto, parece seguir-se que este princípio, i.e., a causa final, que tem o caráter de bondade, não pode existir em coisas imóveis. Além disso, uma vez que aquelas coisas que existem por si mesmas apartadas da matéria devem ser imóveis, não parece, portanto, possível que exista "um autoagathon", i.e., um bem-em-si-mesmo, como Platão sustentava. Pois ele chamava todas as coisas imateriais e não participantes de entidades que existem por si mesmas, assim como chamava a Ideia de homem, homem-em-si-mesmo, como que não sendo algo participado na matéria. Portanto, ele também chamava de bem-em-si-mesmo aquilo que é sua própria bondade não participada, a saber, o primeiro princípio de todas as coisas.

  3. Além disso, com vistas a fortalecer este argumento, ele introduz um exemplo. Pois, do fato de que não pode haver um fim no caso das coisas imóveis, parece seguir-se que nas ciências matemáticas, que abstraem da matéria e do movimento, nada é provado por meio desta causa, como na ciência da natureza, que trata das coisas móveis, algo é provado por meio da noção de bem. Por exemplo, podemos dar como razão pela qual o homem tem mãos que, por meio delas, ele é mais capaz de executar as coisas que a razão concebe. Mas nas ciências matemáticas nenhuma demonstração é feita dessa maneira, que algo é assim porque é melhor que seja assim, ou pior se não fosse; como se alguém dissesse, por exemplo, que o ângulo em um semicírculo é um ângulo reto porque é melhor que seja assim do que ser agudo ou obtuso. E porque pode haver, talvez, outra maneira de demonstrar por meio da causa final (por exemplo, se alguém dissesse que, se um fim deve existir, então o que existe para o fim deve vir primeiro), ele acrescenta, portanto, que nas ciências matemáticas ninguém faz menção alguma de qualquer uma daquelas coisas que pertencem ao bem ou à causa final. E por esta razão certos sofistas, como Aristipo, que pertencia à escola epicurista, desconsideravam completamente quaisquer demonstrações que empregassem causas finais, considerando-as sem valor em vista do fato de que nas artes servis ou mecânicas, por exemplo, na "arte de construir", i.e., na carpintaria, e na de "sapateiro", todas as coisas são explicadas com base em que algo é melhor ou pior; enquanto nas ciências matemáticas, que são as mais nobres e mais certas das ciências, nenhuma menção é feita de coisas boas e más.

  4. Mas, por outro lado (193).

Aqui ele interpõe outra questão. Primeiro, ele expõe esta questão, que tem duas partes. A primeira parte da questão é esta. Se diferentes causas são consideradas por muitas ciências, de modo que uma ciência diferente considera uma causa diferente, então qual dessas ciências deve ser chamada de "aquela que está sendo buscada", i.e., a filosofia primeira? É aquela que considera a causa formal, ou aquela que considera a causa final, ou aquela que considera uma das outras causas? A segunda parte da questão é esta: Se há algumas coisas que têm muitas causas, qual daqueles que consideram essas causas conhece melhor aquele sujeito?

  1. Pois é possível (194).

Ele esclarece a segunda parte da questão pelo fato de que uma e a mesma coisa é encontrada tendo todo tipo de causa. Por exemplo, no caso de uma casa, a fonte do movimento é a arte e o construtor; a razão pela qual, ou a causa final da casa, "é sua função", i.e., seu uso, que é a habitação; sua causa material é a terra, da qual as paredes e o piso são feitos; e sua causa especificadora ou formal é o plano da casa, que o arquiteto, após primeiro concebê-lo em sua mente, dá à matéria.

  1. Portanto, a partir das coisas (195)

Aqui ele retoma a questão sobre qual das ciências mencionadas podemos chamar de sabedoria com base nos pontos previamente estabelecidos sobre a sabedoria no início desta obra (14:C 36), a saber, se é a ciência que considera a causa formal, ou aquela que considera a causa final, ou aquela que considera uma das outras causas. E ele apresenta em ordem argumentos relativos a cada uma das três causas, dizendo que parece haver alguma razão pela qual "cada oxie das ciências", i.e., qualquer uma que proceda por meio de qualquer causa que seja, deve ser chamada pelo nome de sabedoria. Primeiro, ele fala daquela ciência que procede por meio da causa final. Pois foi afirmado no início desta obra que esta ciência, que é chamada de sabedoria, é a mais autoritativa, e aquela que dirige as outras como subordinadas. Portanto, na medida em que a sabedoria "tem precedência", i.e., é anterior na ordem da dignidade e mais influente em sua direção autoritativa das outras ciências (porque não é correto que as outras a contradigam, mas devem tirar seus princípios dela como suas servas), parece que aquela ciência "que lida com o fim e o bem", i.e., aquela que procede por meio da causa final, é digna do nome de sabedoria. E isso é verdade porque tudo o mais existe para o bem do fim, de modo que, em certo sentido, o fim é a causa de todas as outras causas. Assim, a ciência que procede por meio da causa final é a mais importante. Isso é indicado pelo fato de que aquelas artes que se preocupam com os fins são mais importantes e anteriores às outras artes; por exemplo, a arte da navegação é mais importante e anterior à arte da construção naval. Portanto, se a sabedoria é proeminente e reguladora das outras ciências, parece que ela procede especialmente por meio da causa final.

  1. Mas na medida em que a sabedoria (196).

Aqui ele introduz os argumentos relativos à causa formal. Pois foi dito no prólogo desta obra (26:C 51) que a sabedoria se preocupa com as primeiras causas e com o que é mais cognoscível e mais certo. E de acordo com isso, parece que ela se preocupa com a "substância", i.e., procede por meio da causa formal. Pois entre as diferentes maneiras de conhecer as coisas, dizemos que aquele que sabe que algo existe conhece mais perfeitamente do que aquele que sabe que não existe. Portanto, nos Segundos Analíticos, o Filósofo prova que uma demonstração afirmativa é preferível a uma demonstração negativa. E entre aqueles que conhecem algo afirmativamente, dizemos que um conhece mais perfeitamente do que outro. Mas dizemos que ele conhece mais perfeitamente do que qualquer outro aquele que sabe o que uma coisa é, e não aquele que sabe quão grande ela é, ou o que ela é, ou o que ela pode fazer ou sofrer. Portanto, conhecer uma coisa em si mesma da maneira mais perfeita absolutamente é saber o que ela é, e isso é conhecer sua substância. Mas mesmo no conhecimento de outras coisas, por exemplo, as propriedades de uma coisa, dizemos que conhecemos melhor cada coisa singular sobre a qual há demonstrações quando também conhecemos a quididade de seus acidentes e propriedades; porque a quididade é encontrada não apenas na substância, mas também nos acidentes.

  1. Ele dá o exemplo da quadratura, i.e., quadrar uma superfície de lados igualmente distantes que não é quadrada, mas que dizemos quadrar quando encontramos um quadrado igual a ela. Mas uma vez que toda superfície retangular de lados igualmente distantes é contida pelas duas linhas que contêm o ângulo reto, de modo que a superfície total é simplesmente o produto da multiplicação de uma dessas linhas pela outra, então encontramos um quadrado igual a esta superfície quando encontramos uma linha que é a média proporcional entre essas duas linhas. Por exemplo, se a linha A está para a linha B assim como a linha B está para a linha C, o quadrado da linha B é igual à superfície contida por C e A, como é provado no Livro VI dos Elementos de Euclides.

  2. Isso se torna bastante evidente no caso dos números. Pois 6 é a média proporcional entre 9 e 4; pois 9 está para 6 na razão de 11/2 para 1, e assim também 6 está para 4. Ora, o quadrado de 6 é 36, que também é produzido pela multiplicação de 4 por 9; pois 4 x 9 = 36. E é semelhante em todos os outros casos.

  3. Mas com relação aos processos (197)

Aqui ele apresenta um argumento referente à causa do movimento. Pois nos processos de geração e nas ações, e em toda mudança, vemos que podemos dizer que conhecemos algo quando conhecemos seu princípio de movimento, e que movimento nada mais é do que a atualidade de algo móvel produzida por um motor, como é dito na Física, Livro III. Ele omite a causa material, no entanto, porque essa causa é um princípio de conhecimento do modo mais imperfeito; pois o ato de conhecer não é causado pelo que está em potência, mas pelo que está em ato, como é dito abaixo no Livro IX (805:C 1894).

  1. Então, após ter apresentado aqueles argumentos que pertencem à segunda questão, ele introduz um argumento baseado nas mesmas razões que foram dadas acima (191:C 370 ss.) em referência à primeira questão, a saber, que é ofício de uma ciência diferente considerar todas essas causas pelo fato de que, em diferentes matérias sujeitas, diferentes causas parecem ter o papel principal, por exemplo, a fonte do movimento nas coisas móveis, a quididade nas coisas demonstráveis e o fim nas coisas que são direcionadas a um fim.

  2. No entanto, não encontramos que Aristóteles resolva explicitamente esta questão mais tarde, embora sua solução possa ser inferida a partir das coisas que ele estabelece abaixo em diferentes lugares. Pois no Livro IV (533) ele estabelece que esta ciência considera o ser enquanto ser e, portanto, também lhe pertence, e não à filosofia da natureza, considerar as substâncias primeiras; pois existem outras substâncias além das móveis.

Mas toda substância é ou um ser por si mesma, concedendo-se que seja apenas uma forma; ou é um ser pela sua forma, concedendo-se que seja composta de matéria e forma. Portanto, na medida em que esta ciência considera o ser, ela considera a causa formal antes de todas as outras. Mas as primeiras substâncias não são conhecidas por nós de tal modo que saibamos o que elas são, como pode ser entendido de alguma forma a partir das coisas estabelecidas no Livro IX (1904); e assim, em nosso conhecimento delas, a causa formal não tem lugar.

Mas, embora sejam imóveis em si mesmas, elas são, no entanto, a causa do movimento em outras coisas à maneira de um fim. Portanto, na medida em que esta ciência considera as substâncias primeiras, pertence-lhe especialmente considerar a causa final e também, de certa forma, a causa eficiente.

Mas considerar a causa material em si mesma não lhe pertence de modo algum, porque a matéria não é propriamente uma causa do ser, mas de algum tipo definido de ser, a saber, a substância móvel. No entanto, tais causas pertencem à consideração das ciências particulares, a menos que, talvez, sejam consideradas por esta ciência na medida em que estão contidas sob o ser; pois ela estende sua análise a todas as coisas dessa maneira.

  1. Ora, quando essas coisas são vistas, é fácil responder aos argumentos que foram levantados. Pois, primeiro, nada impede que as diferentes causas nesta ciência pertençam a uma única coisa existente, mesmo que não sejam contrárias, porque são redutíveis a uma coisa – o ser em geral – como foi dito (384).

E de maneira semelhante, embora nem toda ciência considere todas as causas, ainda assim nada impede que uma única ciência possa considerar todas as causas ou várias delas na medida em que são redutíveis a alguma coisa una. Mas, para ser mais específico, deve-se dizer que, no caso das coisas imóveis, nada impede que a fonte do movimento e o fim ou o bem sejam investigados. Por coisas imóveis entendo aqui aquelas que ainda são causas de movimento, como as substâncias primeiras. No entanto, no caso daquelas coisas que nem são movidas nem causam movimento, não há investigação da fonte do movimento, ou do fim no sentido do fim do movimento, embora um fim possa ser considerado como o objetivo de alguma operação que não envolva movimento. Pois, se se sustenta que existem substâncias intelectuais que não causam movimento, como os platônicos afirmavam, ainda assim, na medida em que têm intelecto e vontade, é necessário sustentar que têm um fim e um bem que é o objeto de sua vontade. No entanto, os objetos da matemática nem são movidos, nem causam movimento, nem têm vontade. Portanto, em seu caso, o bem não é considerado sob o nome de bem e fim, embora neles consideremos o que é bom, a saber, o seu ser e o que são. Portanto, a afirmação de que o bem não é encontrado nos objetos da matemática é falsa, como ele prova abaixo no Livro IX (1888).

  1. A resposta à segunda questão já está clara; pois o estudo das três causas, sobre as quais ele argumentou dialeticamente, pertence a esta ciência.