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LIÇÃO 11 - Um Resumo das Opiniões Antigas sobre as Causas

TEXTO DE ARISTÓTELES Capítulo 7: 988a 18-988b 21

  1. Examinamos, então, de maneira breve e resumida, aqueles filósofos que falaram sobre os princípios das coisas e sobre a verdade, e a maneira como fizeram isso. No entanto, aprendemos com eles o seguinte: que nenhum daqueles que discutiram princípio e causa disse algo além dos pontos estabelecidos por nós na Física.

  2. No entanto, todos abordaram essas causas de forma obscura.

  3. Pois alguns falam do [primeiro] princípio como matéria, quer o suponham um ou múltiplo, e quer o assumam como corpo ou algo incorpóreo, como Platão fala do grande e do pequeno; os italianos do ilimitado; Empédocles do fogo, terra, água e ar; e Anaxágoras de um número infinito de partes semelhantes. Todos esses tocaram nesse tipo de causa, e também aqueles que fazem do primeiro princípio ar ou fogo ou água ou algo mais denso que o fogo ou mais rarefeito que o ar. Pois disseram que algum corpo desse tipo é o elemento primordial. Esses pensadores, portanto, tocaram apenas nessa causa.

  4. Mas outros [introduziram] a fonte do movimento, por exemplo, aqueles que fazem da amizade e da discórdia, ou do intelecto, ou do amor, ou de algo além disso, um princípio das coisas.

  5. Mas a quididade ou substância ninguém apresentou claramente. Aqueles que a expressam melhor são os que postulam as Ideias e as naturezas inteligíveis inerentes às Ideias. Pois eles não consideram as Ideias e as coisas inerentes a elas como a matéria das coisas sensíveis; nem as consideram como a fonte de onde se origina o movimento, pois dizem que essas coisas são antes as causas da imobilidade e daquilo que está em repouso. Mas [segundo eles] as Formas são responsáveis pela quididade de todas as outras coisas, e o uno pela quididade das Formas.

  6. Aquilo em vista do qual existem ações, mudanças e movimentos eles afirmam de algum modo ser uma causa, mas não do modo como estamos determinando as causas, ou do modo como ela é verdadeiramente uma causa. Pois, enquanto aqueles que falam de intelecto ou amor postulam essas causas como boas, eles não dizem que algo existe ou vem a ser por causa delas, mas afirmam que o movimento das coisas deriva delas. Da mesma forma, aqueles que dizem que o uno ou o ser é tal realidade, dizem que é a causa da substância, mas não que as coisas existem ou vêm a ser em vista disso. Por conseguinte, acontece-lhes que de certo modo tanto dizem quanto não dizem que o bem é uma causa; pois não falam dele em seu aspecto principal, mas em um aspecto secundário.

  7. Portanto, todos esses filósofos, por serem incapazes de tocar em qualquer outra causa, parecem testemunhar o fato de que tratamos corretamente das causas, tanto quanto ao seu número quanto aos seus tipos. Além disso, é evidente que todos os princípios devem ser buscados dessa forma ou de alguma semelhante. Quanto ao modo como cada um desses filósofos falou, e como levantaram possíveis problemas sobre os princípios das coisas, discutamos esses pontos a seguir.

COMENTÁRIO

  1. Aqui ele faz um resumo de tudo o que os primeiros filósofos disseram sobre as causas* e, a respeito disso, faz três coisas. Primeiro (79:C 171), mostra que os primeiros filósofos foram incapazes de acrescentar outro tipo de causa às quatro classes de causas dadas acima (34:C 70). Segundo (80:C 172), indica o modo como tocaram nessas causas ("Contudo, todos"). Terceiro (85:C 180), extrai a conclusão que visa principalmente ("Portanto, todos esses").

Ele diz, primeiro (79), que ao dar esse relato breve e resumido, afirmou quem são os filósofos e como eles falaram dos princípios das coisas e do que é verdadeiro sobre a própria substância das coisas. E de suas afirmações, pode-se aprender o seguinte: que nenhum daqueles que falaram sobre causas e princípios foi capaz de mencionar outras causas além daquelas distinguidas no Livro II da Física.

  1. Contudo, todos (80).

Aqui ele dá o modo como trataram de cada uma das causas. Ele faz isso, primeiro (80), de modo geral; e, segundo (81:C 172), de modo especial ("Pois alguns falam").

Assim, ele diz, primeiro, que eles não apenas não acrescentaram nada, mas no modo como abordaram essas causas procederam de forma obscura e não clara. Pois não afirmaram a que classe de causa pertenceriam os princípios por eles postulados; mas deram como princípios coisas que podem ser adaptadas a alguma classe de causa.

  1. Pois alguns falam (81).

Aqui ele mostra de modo especial como tocaram em cada uma dessas causas. Mostra, primeiro (81), como tocaram na causa material; segundo (82:C 174), na causa eficiente ("Mas outros"); terceiro (83:C 175), na causa formal ("Mas a quididade"); e quarto (84:C 177), na causa final ("Aquilo em vista do qual").

Ele diz, primeiro (81), então, que esses filósofos, isto é, os primeiros, todos concordam na medida em que atribuem alguma causa material às coisas. No entanto, diferem em dois aspectos. Primeiro, diferem porque alguns, como Tales, Diógenes e similares, sustentaram que o princípio material é um, enquanto outros, como Empédocles, afirmaram que é múltiplo; e segundo, diferem porque alguns, como o primeiro grupo acima, sustentaram que o princípio material das coisas é um corpo, enquanto outros, como Platão, que postulou uma díade, afirmaram que é algo incorpóreo. Pois Platão postulou o grande e o pequeno, que os platônicos não consideram como um corpo. Os italianos, ou pitagóricos, postularam o ilimitado; mas tampouco isso é um corpo. Empédocles, por outro lado, postulou os quatro elementos, que são corpos; e Anaxágoras também postulou "um número infinito de partes semelhantes", isto é, [afirmou] que os princípios das coisas são um número infinito de partes semelhantes. Todos esses pensadores tocaram "nesse tipo de causa", i.e., a causa material, e também aqueles que disseram que o princípio das coisas é ar ou água ou fogo ou algo intermediário entre esses elementos, i.e., o que é mais denso que o fogo e mais rarefeito que o ar. Pois todos os filósofos como os recém-mencionados afirmaram que algum tipo de corpo é o primeiro elemento das coisas. Assim, a afirmação de Aristóteles é evidente, a saber, que à luz das observações anteriores, esses filósofos postularam apenas a causa material.

  1. Mas outros (82).

  2. Mas a quididade (83)

Aqui ele apresenta suas opiniões sobre a causa formal. Ele diz que a causa pela qual a substância de uma coisa é conhecida, ou seja, a causa formal, ninguém atribuiu às coisas com clareza. E se os filósofos antigos tocaram em algo que pudesse pertencer à causa formal, como Empédocles fez ao afirmar que osso e carne contêm alguma proporção [dos elementos], pela qual são coisas desse tipo, no entanto, eles não trataram o que pertence à causa formal à maneira de uma causa.

  1. Mas entre os outros filósofos, aqueles que postularam as Formas e aqueles aspectos inteligíveis que pertencem às Formas, como a unidade, o número e coisas semelhantes, chegaram mais perto de postular a causa formal. Pois as Formas e tudo o que pertence às Formas da maneira supracitada, como a unidade e o número, não são reconhecidas ou assumidas por eles como matéria das coisas sensíveis, já que colocam a matéria mais ao lado das coisas sensíveis; nem afirmam que as Formas são as causas das quais o movimento se origina no mundo, mas sim que são a causa da imobilidade nas coisas. Pois disseram que tudo o que é encontrado como necessário nas coisas sensíveis é causado pelas Formas, e que estas, ou seja, as Formas, são imóveis. Pois afirmaram que as Formas, por serem imóveis, são uniformes no ser, como foi dito (69:C 156), de modo que definições podem ser dadas delas e demonstrações feitas sobre elas. Mas, segundo a opinião desses homens, as Formas são responsáveis pela quididade das coisas particulares à maneira de uma causa formal, e o uno é responsável pela quididade das Formas.

Todos os anteriores são fracos em relação à causa FINAL

  1. Aquilo por causa do que (84). Aqui ele apresenta as opiniões de certos pensadores sobre a causa final. Ele diz que, em um sentido, os filósofos dizem que o objetivo em vista do qual os movimentos, mudanças e atividades ocorrem é uma causa, e em outro sentido, não. E eles não falam dela da mesma maneira, nem da maneira como ela é uma verdadeira causa. Pois aqueles que afirmam que o intelecto ou o amor é uma causa, postulam essas causas como boas. Pois disseram que coisas desse tipo são as causas de as coisas estarem bem dispostas, já que a causa do bem só pode ser o bem. Daí se segue que eles poderiam fazer do intelecto e do amor causas, assim como o bem é uma causa. Mas o bem pode ser entendido de duas maneiras: (1) de um modo, como causa final, no sentido de que algo vem a ser por causa de algum bem; e (2) de outro modo, como causa eficiente, como dizemos que o homem bom faz o bem.

Ora, esses filósofos não disseram que as causas anteriores são boas no sentido de que são a razão para a existência ou o vir a ser de alguns seres, o que pertence à inteligibilidade da causa final, mas no sentido de que procede dessas causas — intelecto e vontade — um tipo de movimento em direção ao ser e ao vir a ser das coisas; e isso pertence à inteligibilidade da causa eficiente.

  1. De maneira semelhante, os pitagóricos e platônicos, que disseram que a substância das coisas é o próprio uno ou ser, também atribuíram bondade ao uno ou ser. Assim, disseram que tal realidade, ou seja, o bem, é a causa da substância das coisas sensíveis, seja à maneira de uma causa formal, como os platônicos sustentavam, seja à maneira de uma causa material, como os pitagóricos afirmavam.

No entanto, eles não disseram que o ser e o vir a ser das coisas existem por causa disso, ou seja, do uno ou ser; e isso é algo que pertence à inteligibilidade da causa final.

Portanto, assim como os filósofos da natureza afirmaram que o bem é uma causa à maneira de uma (+) causa eficiente e não de uma () causa formal, de maneira semelhante os platônicos afirmaram que o bem é uma causa à maneira de uma (+) causa formal, e não de uma () causa final. Os pitagóricos, por outro lado, consideravam-no uma causa à maneira de uma (+) causa material.

  1. É evidente, então, que em um sentido eles falaram do bem como causa e em outro, não. Pois não falaram dele como causa em seu aspecto principal, mas em um aspecto secundário; porque, de acordo com sua estrutura inteligível própria, o bem é uma causa à maneira de uma causa final. Isso fica claro pelo fato de que o bem é o que todos desejam. Ora, aquilo para o qual um apetite tende é um objetivo. Portanto, de acordo com sua estrutura inteligível própria, o bem é uma causa à maneira de um objetivo.

Assim, aqueles que fazem do bem uma causa em seu aspecto principal afirmam que ele é uma causa final. Mas aqueles que atribuem um modo diferente de causalidade ao bem afirmam que o bem é uma causa, mas apenas de maneira secundária; porque não sustentam que ele é tal por ser bom, mas por aquilo a que o bem acontece pertencer por ser ativo ou perfectivo.

Portanto, fica claro que esses filósofos postularam uma causa final apenas incidentalmente, porque postularam como causa algo que é adequado para ser um fim, a saber, o bem. No entanto, não afirmaram que é uma causa à maneira de uma causa final, como foi dito.

Conclusão

  1. Portanto, todos estes (85).

Aqui ele tira a conclusão a que visa principalmente: que as coisas estabelecidas sobre as causas, tanto quanto ao seu número quanto aos seus tipos, estão corretas. Pois os filósofos anteriores parecem testemunhar isso, sendo incapazes de acrescentar outra classe de causa àquelas discutidas acima. Esta é uma das informações úteis resultantes do relato das visões anteriores.

Outra é que, evidentemente, os princípios das coisas devem ser investigados nesta ciência, ou todos aqueles que os antigos filósofos postularam, e que foram estabelecidos acima, ou alguns deles. Pois esta ciência considera principalmente a causa formal e final, e também, em certo sentido, a causa eficiente.

Agora, não é apenas necessário que as visões acima sejam discutidas, mas, após este exame, também é necessário descrever a maneira como cada um desses homens falou (tanto em que sentido suas afirmações são aceitáveis quanto em que sentido não), e como as afirmações feitas sobre os princípios das coisas contêm um problema.