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Capítulo 2

Termo 1

Banausius βᾰ́ναυσος

Que o banausius é aquele que gasta os seus bens em grandes despesas não conforme é preciso, como quem alimenta atores nas núpcias e concede aos comediantes, ao passarem, estendendo-lhes púrpura.

Termo 2

Blanditor

Que o adulador é aquele que busca agradar por causa de alguma utilidade em dinheiro.

Termo 3

Beatus

Que se devem chamar felizes aqueles que estão entre os viventes, nos quais se encontram as condições da felicidade.

Que chamamos felizes os homens.

Que os felizes de nada carecem quanto às coisas úteis, mas quanto às deleitáveis.

Que ninguém é feliz sem querer.

Termo 4

Bomolochus βωμολόχος

Que se chamam bomolochi aqueles que se alegram desmedidamente com o riso e a brincadeira.

Que os bomolochi também se chamam graciosos.

Que o bomolochus é menor que o zombador, porque não poupa nem a si mesmo nem aos outros.

Termo 5

Bonum

Que o bem é aquilo que todas as coisas apetecem.

Termo 6

Bestiae

Que os animais não participam da ação, ainda que tenham sentido.

Que se diz que alguns animais são prudentes, pois parecem ter, acerca da vida, uma capacidade de previdência.

Que os animais não são nem continentes nem incontinentes, porque não têm opinião universal.

Que os animais não são nem temperantes nem intemperantes, a não ser metaforicamente, porque não têm nem razão nem escolha.

Termo 7

Bestialitas

Que a torpeza ou o deleite bestial está fora dos limites da malícia.

Que à bestialidade se opõe uma virtude divina e heroica.

Que a bestialidade se encontra sobretudo nos bárbaros.

Que a bestialidade é uma malícia menor que a incontinência humana, mas mais terrível.

Que são deleites bestiais cortar as mulheres grávidas e devorar as crianças.

Termo 8

Barbari

Que alguns gêneros de bárbaros são por natureza irracionais, vivendo apenas pelo sentido.

Termo 9

Bellare

Que ninguém escolhe guerrear por si mesmo, nem em vista do próprio guerrear ou de preparar a guerra; de outro modo, faltando os inimigos, atacariam os concidadãos e os amigos para que não faltassem combates, mas tal pessoa seria um assassino violento.

Termo 10

Benefacere

Que beneficiar é mais trabalhoso, ao passo que receber o benefício parece não dar trabalho; e por isso os que beneficiam amam mais os beneficiados, visto que se amam mais as coisas que se fazem com trabalho.

Termo 11

Benefactor

Que os benfeitores parecem amar mais os beneficiados do que os beneficiados aos que os beneficiam; e, como isso pareça contra a razão, busca-se a razão disto.

Que o benfeitor ama mais o beneficiado, porque o beneficiado é obra do que o beneficia, e, assim como todo homem ama a própria obra mais do que é amado por ela, como acontece aos poetas, que amam mais os seus poemas.

Que o benfeitor ama mais o beneficiado do que o contrário; e apresenta seis pontos que confirmam a sua solução.

Termo 12

Beneficium

Que, se alguém recebe um benefício de um amigo que espera ser retribuído, deve retribuir-lhe espontaneamente conforme a dignidade daquilo que recebe.

Que os que recebem benefícios os depreciam, ao passo que os que dão exaltam os benefícios que deram.

Que os benefícios recebidos devem ser retribuídos mais do que dar algo aos amigos, assim como um empréstimo que se deve restituir tem prioridade sobre um presente a ser dado a um amigo.

Termo 13

Benevolência

Que a benevolência parece ser amizade e não o é; pois ela se dirige a desconhecidos e permanece oculta, ao passo que a amizade não.

Que a benevolência não é afeição, porque a afeição vem com o hábito, ao passo que a benevolência surge repentinamente, tal como acontece em relação aos atletas.

Que a benevolência é o princípio da amizade.

Que a benevolência, se se tornar duradoura, torna-se amizade, mas não aquela que é por causa do útil e do deleitável.

Termo 14

Os benévolos

Que os benévolos amam superficialmente, porque nada querem cooperar.

Que se dizem benévolos os que querem bens aos outros, se destes não se faz o mesmo em troca; e se acontecer que a este suceda o mesmo por parte daquele, isto é, que o ame, haverá aí benevolência com reciprocidade.

Termo 15

O bem

Que o bem é aquilo que todas as coisas desejam.

Que o mesmo é o bem de um só homem e o da cidade, mas o do povo e o da cidade é maior, mais perfeito e mais divino.

Que a respeito do bem humano se determinará suficientemente, se for manifestado segundo a matéria que lhe está subjacente.

Que os bens de que trata a ciência política não foram estabelecidos pela natureza, mas pela lei.

Que os platônicos sustentaram que o bem é aquilo que é bem por si mesmo e é causa de todas as coisas serem boas formalmente, e não efetivamente; pois, se o dissessem, teriam falado bem.

Que o bem por si se diz antes e mais universalmente bem do que aquilo que é uma espécie de derivação ou acidente.

Que o bem se diz igualmente ao ente.

Que não há uma só ideia de todos os bens, pois assim haveria uma só ciência.

Que não é mais bem aquilo que é mais duradouro do que aquilo que dura um só dia.

Que o bem é duplo: por si, e algo conservativo e proibitivo.

Que todas as coisas boas por si não convêm numa só razão de bem por si, como fica manifesto no caso da honra e nas outras coisas que ele enumera.

Que o bem universal é inútil, porque nem o tecelão nem nenhum outro artífice é ajudado em sua arte, se considerar este bem separado, nem operará melhor.

Que o bem que aqui se busca é operado e possuído pelo homem por meio de suas operações; mas o bem separado não é desse gênero.

Pergunta-se o que seja o bem, que é a felicidade segundo a opinião de Aristóteles.

Que o bem operado, que é a felicidade, é único e, se se dissessem muitos, um se ordenaria ao outro, de modo que apenas um seria o operado e o ótimo.

Que o bem suficiente por si é aquele segundo o qual alguém é suficiente não somente se levasse uma vida solitária, mas também para os pais, os filhos, a esposa, os amigos e os concidadãos.

Que o maior bem deve ser mais escolhido.

Que o bem humano se realiza segundo a virtude mais perfeita e ótima.

Que os bens se dizem de três maneiras; pois alguns são exteriores, como os bens da fortuna; alguns interiores, como as virtudes e as ciências; alguns dizem respeito aos corpos, como a saúde e a beleza.

Que os bens que dizem respeito à alma são os bens mais principais.

Termo 16

Bom

Que ninguém é bom se não se alegra com as boas obras; e o mesmo se deve dizer a respeito do justo.

Que alguns bens são requeridos necessariamente para a felicidade, como as virtudes, e alguns operam para ela como instrumentos.

Que os grandes bens tornam o homem mais feliz, porque são feitos por natureza para ornamentar, e o uso deles é bom e virtuoso.

Termo 17

Os bens da fortuna

Que os bens da fortuna são aqueles que são bens absolutamente, mas nem sempre são bens para alguém.

Que os homens perseguem os bens da fortuna com o máximo desejo e rogam por eles.

Que o homem não deve pedir aquilo que é bem absolutamente, mas aquilo que é bem para os próprios que o possuem.

Que não é o mesmo ser cidadão e ser homem bom.

Termo 18

O homem bom

Que os bons e os absolutamente bons são entre si úteis e deleitáveis, porque as ações dos bons são semelhantes.

Que três são as coisas que parecem tornar os homens bons, a saber, a natureza, o hábito e a doutrina.

Que, para que alguém se torne bom por meio da doutrina, é preciso que preexista um costume, isto é, um hábito, consoante à virtude.

Que os bens temporais têm excessos viciosos, e por isso acontece que alguém, ao perseguir os deleites excessivos, é depravado.

Que todos desejam o bem aparente, segundo os pitagóricos.

Que o bom deve ser amante de si mesmo, porque tanto ele próprio se beneficiará agindo bem quanto ajudará os outros.

Que ninguém escolheria possuir para si todos os bens, se tivesse de viver solitário.

Que aquilo que é bom segundo a natureza e deleitável por si mesmo é também assim em comparação com o homem virtuoso.

Que todo bem, acrescentado a outro bem, é mais desejável do que sozinho.

Que os que dizem que nem todas as coisas apetecem o bem não dizem a verdade, porque dizemos ser verdadeiro aquilo que a todos parece; ora, afirma-se comumente que todas as coisas apetecem o bem.

Que é impossível ser bom sem prudência e ter prudência sem virtude moral.

Que o bem se divide de três modos.

Que o bem nos costumes é duplo: um é a operação, outro é o hábito.