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Capítulo 17

Termo 1

Temperança

Que a temperança e a fortaleza parecem ser virtudes das partes irracionais.

Que a temperança não se refere aos prazeres da visão, da audição e do olfato senão por acidente, na medida em que por eles se faz a recordação dos alimentos concupiscíveis.

Que o temperante deseja moderadamente os prazeres, tudo o que conduz à saúde e à boa disposição, conforme a razão dita.

Que o temperante deseja o que é preciso, como é preciso, e apenas o quanto a razão ordena.

Que a temperança é um meio-termo referente aos prazeres e às tristezas, mas não a todos, e sim aos que se referem ao tato, e menos às tristezas.

Que a temperança e a intemperança se referem ao odor por acidente, isto é, na medida em que por eles se lhe representam os alimentos nos quais por si se deleita.

Que a temperança e a intemperança não se referem a todas as partes do corpo, mas somente às que dizem respeito ao alimento e aos prazeres sexuais.

Termo 2

O temperante

Que o temperante se comporta de modo intermediário, pois não se deleita desordenadamente nos prazeres, mas antes se entristece, nem se entristece na ausência deles, nem os deseja, mas deseja certas coisas com medida e não mais do que é preciso.

Que nos tornamos temperantes pelo afastamento dos prazeres, e, uma vez tornados tais, podemos afastar-nos deles ao máximo.

Que todo temperante é continente, mas não o contrário.

Que o temperante e o continente são o mesmo.

Termo 3

Temor

Que o temor é a expectativa de um mal; e ilustra-o com muitos exemplos.

Que o temor entristece e estupefaz.

Que no temor o universal é mais voluntário do que o particular, pois o universal é sem tristeza, ao passo que o particular, por causa da tristeza, estupefaz, como suportar a morte.

Que no temor as coisas singulares parecem ser violentas.

Que quem nada teme, nem terremoto nem inundações, não tem nome; mas pode ser dito insano, como se diz dos celtas, que são estúpidos.

Termo 4

O covarde

Que o covarde é aquele que no temer excede, e teme o que não é preciso e como não é preciso; e tal se denomina mais pela superabundância de temor do que pela falta de audácia.

Termo 5

O terrível

Que há algo terrível que está acima do homem, e que é temido por todo aquele que tem inteligência, e algo segundo o homem, proporcionado a ele, e difere segundo o mais e o menos.

Termo 6

O tirano

Que os tiranos não são ditos pródigos, pois a multidão não suporta facilmente que se dê com superabundância.

Que o tirano visa o proveito de si mesmo; o rei, porém, o dos súditos.

Que a tirania é a pior, é manifesto na medida em que é oposta à melhor.

Que a tirania é a corrupção da monarquia.

Que na tirania, que é a pior, nada ou pouca amizade há, pois nada há de comum entre o que impera e o que é imperado.

Que o tirano se comporta com o súdito como o senhor com o servo, e a alma com o corpo, e o artífice com o instrumento, pois todos os que são desse modo se servem de tais coisas em vista de sua própria utilidade.

Que os tiranos aprovam sobretudo os espirituosos, que se tornam para eles agradáveis naquilo que desejam.

Que não chamamos os tiranos de mesquinhos, mas antes de perniciosos, ímpios e injustos, como quando desolam cidades e saqueiam coisas sagradas.

Termo 7

O comandante de trirreme

Que não há o mesmo gasto para o comandante de trirreme e para quem convoca uma assembleia sagrada.

Termo 8

Tristeza

Que todos fogem da tristeza, não apenas da que é excessiva, mas universalmente.

Que a tristeza é como um fardo pesado que, quanto mais pessoas o assumem, mais leve se torna de carregar; e assim é a presença deleitável do amigo.

Que não se segue, se a tristeza é um mal, que o deleite a ela oposto seja um bem, pois acontece de opor-se tanto um mal a um mal como ambos àquilo que não é nem um nem outro; e esta é a objeção de Platão, e o Filósofo diz que ela nada contribui ao propósito, ainda que diga a verdade.

Que Platão diz que a tristeza é uma falta daquilo que é segundo a natureza, e o deleite, uma reposição; mas o Filósofo o exclui, porque a reposição é uma paixão do corpo, ao qual não compete deleitar-se.

Termo 9

Triste

Que o que é triste alguém pode suportar por pouco tempo, mas continuamente ninguém, ainda que lhe fosse bom.

Termo 10

Timocracia

Que da timocracia advém a corrupção em democracia, pois estas são limítrofes.

Termo 11

Transgressão

Que nas transgressões, assim como há pouco de justo, assim há pouco de amizade.