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Capítulo 1

Termo 1

Ação

Que a ação, isto é, a operação da virtude, não se faz por causa de outra coisa, mas por causa do seu próprio bem.

Que toda ação é seguida de alegria ou de tristeza.

Termo 2

Acrocholi (ἀκρόχολοι)

Que os acrocholi estão na superabundância da ira e se irritam com todo aborrecimento.

Termo 3

Agrios (ἄγρῐος)

Que o agrios é totalmente inútil para as falas jocosas; pois, nada contribuindo, entristece-se em tudo.

Termo 4

Jogador

Que o jogador, o espoliador de mortos e o ladrão estão no número dos iliberais.

Termo 5

Acusação

Que as acusações e queixas ocorrem, só ou principalmente com razão, na amizade que é segundo o útil.

Que ocorrem sobretudo quando não fizerem a troca segundo a mesma medida e se dissolverem.

Que as acusações ocorrem de modo diferente nas amizades que são segundo a superexcelência.

Que as acusações na amizade deleitável acontecem sobretudo quando a amizade não se funda sobre o mesmo em ambos.

Que a acusação não existe na amizade dos costumes, porque ela existe segundo ela mesma.

Que alguém acusa se o seu amigo ama por causa do útil, mas finge amar por causa do honesto costume.

Termo 6

Aquele que recebe

Que aquele que recebe daquele de quem não convinha receber, por não ser amigo, pecou imediatamente.

Que aquele que recebe deve retribuir o benefício se for capaz; mas, se for incapaz, então aquele que deu não considera digno o que recebe dele.

Que aquele que recebe deve ordenar e medir a retribuição quando algo é concedido sem acordo, e as leis consideram isto mais justo.

Termo 7

Aquele que empresta

Que a quem empresta nem sempre se deve emprestar; como se me emprestou alguém, sendo eu epyeikes (ἐπιεικεῖς), e ele julgou lucrar, e eu o julgar mau, não é igualmente digno que eu lhe empreste.

Que os que emprestam não buscam o bem daqueles a quem emprestam senão por causa do lucro; mas os que fazem o bem os amam ainda que nada lhes deva advir.

Termo 8

Fazer

Que, para que o homem não faça coisas más, é preciso que seja bem criado e habituado e que viva segundo empreendimentos virtuosos; e isso acontecerá se viver segundo a ordem do intelecto que tem força coativa.

Termo 9

Agathon

Agathon said: One thing alone is outside God's power: to make undone those things which are certainly done.

The same said: art loves fortune and fortune, art.

Term 11

The Sullen

The sullen are those who hold hold on to anger for a long time and only rest once they receive recompense, for vengence is what settles their impulse of anger.

Term 12

Alcmaeon

He was compelled to kill his mother.

Term 13

Vulgarity

It is an excess with regard to magnificence.

Term 14

Friendship

Friendship is a kind of virtue or it accompanies virtue.

It is most necessary for life since no one would chose to live without friends.

Those who are very wealthy and possess power are in most need of it.

It is necessary with respect to life in misfortune, because in need and in other misfortunes, a man takes refuge in his friends.

It is necessary for the young and the old, because the young are prevented from erring by their friends and the aged are cared for by it.

It leads men to act and to think.

It seems to occur innately in us, not only among men, but also among birds and in a great number animals.

It seems to exist naturally in men, since all men appear familiar and friendly toward others, as when a man stops someone, known or unknown to him alike, from going astray.

That is is necessary for life because states and lawgivers strive especially to sew concord.

It is an honest good, since we praise men who love their friends.

Some men think good men and friends the same.

There is a kind of likeness in friends and men are friends insofar as they are like-minded.

For some, friendship consists in opposition, since all potters quarrel with one another.

Que a causa da amizade é, segundo alguns, a contrariedade, pois os contrários separados se amam, como a terra seca ama a chuva úmida.

Que a amizade provém disto, como disse Empédocles, do fato de que o semelhante ama e deseja o que lhe é semelhante.

Que não se chama amizade ao amor das coisas inanimadas, pois as coisas inanimadas não podem retribuir o amor.

Termo 15

A amizade útil e a deleitável

Que a amizade útil e a deleitável o são por acidente, pois não se amam por si mesmos, mas por causa da utilidade e do deleite.

Que a amizade útil se encontra nos velhos e nos jovens; pois os velhos buscam não o deleitável, mas o útil, e os jovens buscam-no por causa do hábito.

Que tais amizades são facilmente dissolúveis, pois, dissolvido aquilo por causa do qual eram amigos, dissolve-se também a amizade.

Que a amizade dos jovens parece existir por causa do deleite, pois vivem segundo o deleite e buscam sobretudo o deleitável.

Que nos jovens a amizade deleitável se dissolve facilmente, pois, com o passar da idade, também as coisas deleitáveis se tornam outras.

Que segundo a amizade útil e deleitável é possível ter muitos amigos, pois muitos podem tornar-se úteis e deleitáveis.

Que a amizade deleitável é mais amizade do que aquela que é útil, pois nela há maior igualdade, e tal é a amizade dos jovens.

Termo 16

Sobre a amizade nos negócios

Que a amizade existe por causa da utilidade dos que negociam.

Que a amizade do honesto permanece enquanto forem bons segundo a virtude que era causa da amizade.

Que é duradoura; pois racionavelmente tolera tudo o que é preciso existir entre amigos.

Que é a melhor e a máxima amizade.

Que é rara, pois só existe nos virtuosos, que são poucos, e requer tempo e convívio.

Que a amizade deleitável tem semelhança com a amizade do honesto, pois os bons são deleitáveis a si mesmos; e também com a amizade útil, pois tais homens são bons uns para os outros.

Que, entre as outras amizades diversas da verdadeira amizade, as mais permanentes são aquelas em que se dá algo igual de parte a parte.

Que muitos permanecem na amizade deleitável por causa da semelhança de costumes advinda do convívio, sendo de costumes semelhantes.

Que segundo a amizade útil e deleitável pode acontecer que sejam amigos os maus entre si, e o virtuoso com os maus, e qualquer um que não seja nem bom nem mau com qualquer outro.

Que só a amizade dos bons, que é verdadeira, é imutável, pois tais homens, que são verdadeiros amigos, não creem facilmente em quem quer que fale mal daquele que por muito tempo foi provado por eles.

Que, embora haja muitas espécies de amizade, a principal é, contudo, aquela que é dos bons enquanto bons, pois ela se funda no bem absolutamente, isto é, no honesto, ao passo que as outras se fundam em algum bem sob certo aspecto.

Que as amizades útil e deleitável nem sempre unem os amigos entre si, pois não se conjugam por si, mas por acidente.

Que a amizade não se dissolve absolutamente por causa da distância dos lugares, mas o seu exercício é impedido; se, porém, tal distância provocar uma longa ausência, provoca o esquecimento da amizade, pois, como se diz no provérbio: muitas amizades a falta de convívio dissolve.

Que a amizade se diz igualdade, e sobretudo aquela que existe entre os bons.

Que segundo a amizade perfeita não é possível ser amigo de muitos, assim como não é possível amar muitos ao mesmo tempo; pois assemelha-se a uma superabundância, que por natureza se dirige a um só.

Que todas as amizades mencionadas consistem na igualdade, pois o mesmo é feito por ambos e querem-no reciprocamente, ou permutam uma coisa por outra, como o deleite pela utilidade; mas tais homens são menos amigos e permanecem menos tempo.

Que as outras amizades parecem ser amizades por causa da semelhança que têm com a verdadeira amizade que é segundo a virtude, na qual há o útil e o deleitável; e ao mesmo tempo parecem não ser amizades por causa da dessemelhança, pois estas passam rapidamente, ao passo que aquela é permanente, e por causa das outras coisas em que diferem.

Que as amizades que existem por superabundância e são diversas das amizades antes mencionadas, como a do pai para com o filho, a do mais velho para com o mais jovem e a do que governa para com o governado, diferem entre si; e isto ele prova por dois meios.

Que a amizade dos filhos para com o pai é duradoura quando os filhos retribuem aos pais o que é preciso, e reciprocamente os pais aos filhos.

Que nas amizades segundo a superabundância deve haver um amor análogo, de modo que, se o superior é melhor, seja mais amado do que ama, pois então, segundo a dignidade, haverá uma certa igualdade.

Que a amizade não permanece nem um estima o outro se houver muita distância segundo a quantidade de virtude, ou de malícia, ou de riqueza, como se vê nos deuses e nos reis, que superam a todos em todos os bens, e nos sábios com relação aos ignorantes, que não são dignos de nada; contudo, nestas coisas não é certo definir até que ponto a distância dissolve a amizade e até que ponto não a dissolve.

Que a amizade consiste mais em amar do que em ser amado; e disto é sinal que as mães, que têm um amor intenso pelos filhos, não se importam se não são amadas pelos filhos pequenos por causa da ignorância; elas, porém, cuidam de amá-los e providenciam que sejam criados.

Que a amizade é uma certa igualdade e semelhança.

Que a amizade útil e a deleitável permanecem mais do que a amizade do mau, pois duram enquanto proporcionam entre si deleites e utilidades.

Que a amizade fundada na contrariedade parece ser sobretudo útil, como a do pobre para com o rico e a do indisciplinado para com o instruído, pois todo aquele que busca o útil ama aquilo em que existe o que a ele mesmo falta.

Que a amizade e a justiça parecem estar nas mesmas coisas e versar sobre o mesmo, isto é, sobre as relações de comunicação.

Que a amizade existe na medida em que se compartilha; e assim se chamam companheiros de armas e companheiros de navegação.

Que, das amizades, umas são maiores e outras menores.

Que a amizade e a justiça diferem conforme as diversas relações de comunicação, pois não é a mesma relação a dos pais para com os filhos e a dos irmãos e a dos que foram criados juntos.

Que a amizade e a justiça recebem aumento das mesmas coisas, pois, segundo a maior comunicação, maior é a justiça e a amizade; por exemplo, privar de dinheiro um companheiro é mais grave do que privar um cidadão, e ferir o pai é mais grave do que ferir qualquer outro.

Que a amizade existe em cada forma de governo na medida em que se conserva aquilo que é justo, como no reino o rei presta benefício aos súditos.

Que a amizade régia e a paterna estão em situação de superioridade, e por isso nelas o justo não é o mesmo, mas deve-se dar a cada um segundo a sua dignidade.

Que a amizade do homem para com a esposa, se é como na aristocracia ou nos assuntos políticos, é tal que a cada um se dá segundo a sua virtude.

Que a amizade dos irmãos e dos que têm a mesma idade e de todos os que são de uma mesma formação e de um mesmo costume são semelhantes à amizade que corresponde à timocracia, na qual os cidadãos querem ser iguais e justos, e cada um governar em sua parte.

Que, naqueles em que nada há de comum entre o que manda e o que é mandado, não há amizade nem justiça, mas é como a do artífice para com os instrumentos.

Que a amizade não se dirige às coisas inanimadas, nem para com elas há justiça, nem para com o escravo enquanto escravo.

Que há amizade para com ele enquanto homem e não enquanto escravo.

Que a amizade, assim como o justo, pode existir para com todo aquele que é capaz de participar da lei e do pacto.

Que toda amizade está na comunicação.

Que a amizade entre parentes parece ser de muitas espécies e depender toda da amizade paterna.

Que muito contribui para a amizade a convivência e a igualdade segundo a idade; e esta se assemelha à amizade fraterna.

Que a amizade dos que foram criados juntos se assemelha à fraterna.

Que a amizade dos sobrinhos e dos parentes se aproxima da dos amigos; e são mais e menos próximos conforme mais distam do chefe, isto é, do primeiro tronco.

Que a amizade dos filhos para com os pais é como para com um bem que os supera, e é semelhante à amizade dos homens para com os deuses.

Que a amizade dos pais para com os filhos tem em si o deleitável e o útil mais do que aquela que é dos estranhos, pois a vida que compartilham é mais comum.

Que entre o homem e a esposa parece existir amizade segundo a natureza.

Que na amizade do homem e da esposa parece haver o útil e o deleitável e, se forem virtuosos, ela existirá por causa da virtude; pois assim se alegrarão um no outro.

Que em todas as amizades não é o mesmo o modo de conviver, assim como também não é o mesmo o justo.

Que, existindo três amizades e estando cada uma delas dividida em igual e superior, uma vez que acontece que um dos amigos seja igual e, por outro lado, um seja melhor, é preciso que, onde as amizades são iguais, todas as coisas iguais sejam retribuídas pelos amigos mutuamente e segundo a própria coisa; mas nas amizades desiguais é preciso que sejam retribuídas segundo a proporção.

Que somente na amizade que se funda no útil surgem acusações e queixas.

Que na amizade que se funda na virtude não há acusações, pois, se os que são amigos assim existem, estão prontos a agir bem; pois isto é obra da virtude e da amizade.

Que na amizade que existe por causa do deleite não há acusação duradoura, pois ao mesmo tempo se realiza para ambos aquilo que desejam, se se alegram em conviver, e parece ridículo aquele que acusa o que não lhe dá deleite, uma vez que pode não conviver.

Que a amizade que existe por causa do útil é dada a acusações, pois em tal amizade, usando um do outro para a utilidade que supre a sua indigência, um acusa o outro de que recebe menos do que é digno e do que necessita, e o outro, por sua vez, de que não pode bastar a tantas coisas quantas os necessitados carecem.

Que a amizade útil é em parte moral e em parte legal, e que a legal é em parte venal, de mão em mão, e em parte espera segundo o tempo, e esta é mais liberal; pois tem uma dilação amigável.

Que a amizade moral não está em acordos expressos, mas é como quando alguém dá a um amigo ou a qualquer outro, considerando que receberá do mesmo outro tanto ou mais, não como quem dá liberalmente, mas como quem empresta.

Que na amizade moral, que é sem pacto, há acusação quando um amigo não retribui de modo semelhante àquilo que o outro esperava, e então o acusa e dissolve a amizade.

Que na amizade que existe por causa do útil, a medida é a utilidade daquele que recebe.

Que nas amizades segundo a virtude não há, na verdade, acusações; contudo, as recompensas são medidas pela escolha daquele que age, a qual é o principal nas virtudes.

Que nas amizades que existem segundo a superioridade diferem as acusações.

Que a amizade se dissolve quando cada um dos amigos julga-se digno de receber mais.

Que a amizade requer que se retribua o que é possível, quando não se pode retribuir o suficiente segundo a dignidade.

Que em todas as amizades de pessoas diferentes a proporção, isto é, o retribuir a cada um segundo a sua proporção, iguala os amigos; assim como na política se dá a cada artífice segundo a dignidade da sua obra.

Que na amizade amorosa às vezes o amante acusa porque, amando em excesso, não é correspondido, embora nada tenha de amável.

Que a amizade que se funda nos costumes permanece por si mesma e por isso não tem acusações.

Sobre a amizade na qual alguém parece amar por causa do costume e ama por causa do deleitável.

Que, sendo muitas as diferenças de amizade, alguns são considerados amigos segundo uma e são amigos segundo outra.

Que a amizade deve ser dissolvida imediatamente com os incuráveis; mas àqueles que podem ser corrigidos deve-se prestar auxílio mais quanto ao costume do que quanto aos bens materiais, tanto mais quanto a virtude é melhor e mais essencial à amizade.

Se se deve conservar o exercício da amizade caso um permaneça na virtude e o outro, porém, se torne mais virtuoso e difira muito em virtude; e diz que isso não acontece.

Que a amizade não pode permanecer entre aqueles dos quais um permanece na virtude e o outro, porém, se torna mais excelente em virtude; e exemplifica com as amizades que se formam na infância, quando um cresce em virtude e o outro permanece nas coisas pueris, de modo que não podem ser amigos, uma vez que não se alegram nem se entristecem com as mesmas coisas.

Que na amizade útil não se devem fazer muitos amigos, pois é laborioso socorrer e retribuir a muitos, e não basta para a própria vida, enquanto se quer socorrer a muitos.

Que também na amizade de prazer não se devem fazer muitos amigos, pois para o prazer bastam poucos, e, se se multiplicarem, impede-se o prazer familiar.

Que a amizade do honesto pode existir com tantos quantos o homem pode conviver, mas é manifesto a qualquer um que não é possível conviver com muitos e distribuir-se a si mesmo; e confirma-o por três razões.

Que, segundo a amizade de camaradagem, que é dos que são semelhantes nos costumes, não é possível ter muitos amigos.

Que, na amizade política, é possível ter muitos amigos, pois o homem pode conviver com prazer com todos os cidadãos, e não apenas de modo complacente, mas verdadeiramente.

Que a verdadeira amizade, que existe por causa da virtude e dos próprios amigos, não se estende a muitos, pois poucos assim se podem encontrar.

Que a amizade dos maus é má, pois conduz ao mal, enquanto os que não estão firmes na virtude se associam aos maus e se assemelham a eles, e assim também se tornam maus; ao passo que a dos bons se torna melhor, enquanto em ambos cresce a bondade a partir das boas conversas e ações, e eles se dirigem mutuamente.

Termo 17

Coisas amigáveis

Que os que rapidamente fazem uns aos outros obras amigáveis têm a vontade de amizade, que é veloz, mas ainda não a amizade, a não ser que sejam também amáveis e o saibam.

Que as coisas amigáveis para com os amigos nascem e se determinam a partir daquelas que o homem tem para consigo mesmo.

Termo 18

O amável

Que nem tudo é amável, mas o bem.

Que é amável e elegível o que é absolutamente bom; amável sob certo aspecto, porém, é o que é bom e deleitável para cada um; e o bom é bom por causa de ambos.

Termo 19

Amor

Que o amor se assemelha a uma paixão, ao passo que a amizade se assemelha a um hábito, visto que ela é acompanhada de reciprocidade e segundo a escolha, e a escolha procede do hábito, porquanto um quer o bem do outro por causa dele; mas o amor que pode existir para com as coisas inanimadas é sem reciprocidade e sem escolha.

Termo 20

Amizade

Que a amizade é o meio-termo em todas as obras que pertencem à vida; aquele que excede sem qualquer propósito chama-se complacente, mas o que age por causa da utilidade, adulador; e o que peca por falta, desagradável em tudo, é litigioso e intratável.

Termo 21

O amigo

Que aquilo que se faz por meio dos amigos, de algum modo é feito por nós, pois o princípio que move a agir está em nós.

Que o amigo quer o bem do amigo por causa dele mesmo; mas é ridículo querer o bem para o vinho; contudo, se se quer que ele se conserve, por acidente se lhe quer o bem, para depois bebê-lo.

Que os amigos querem permanecer juntos durante o dia e conviver.

Que os que são amigos por causa do útil são menos amigos do que os que o são por causa do deleitável, e permanecem menos tempo; pois tal amizade se dissolve junto com o proveito.

Que por causa do útil os homens se dizem amigos, assim como as cidades por causa do proveito nas alianças de guerra.

Que por causa do prazer também se dizem amigos, como as crianças que se amam mutuamente.

Que os maus podem ser amigos por causa do útil e do deleitável, sendo semelhantes nessas coisas; mas, por si mesmos, não são amigos absolutamente.

Que, assim como nas outras virtudes alguns são bons em ato, outros segundo o hábito, assim também na amizade alguns são amigos em ato, convivendo com prazer uns com os outros, e outros segundo o hábito, como os que dormem e os que estão separados pelos lugares, que têm o hábito pelo qual depois agem amigavelmente.

Que nada é tão próprio dos amigos como conviver; pois até os bem-aventurados desejam permanecer juntos durante o dia, e não lhes convém ser solitários.

Que os bem-aventurados e os demais buscam amigos deleitáveis, os quais é preciso que sejam bons e agradáveis a eles mesmos, e assim terão neles tudo aquilo que é preciso haver nos amigos.

Pergunta-se se os amigos querem para os amigos os maiores bens, por exemplo, ser deuses, visto que pelos maiores bens se dissolve a amizade.

Que o amigo que excede se torna adulador, se for arrastado para fora do meio-termo.

Que o amigo é mais louvado por amar, e disso se manifesta a imperfeição da amizade daqueles que querem mais ser amados do que amar.

Que são amigos mais duradouros, e mais duradoura é a amizade daqueles em que se ama e se é amado segundo a dignidade de cada um; pois, se são desiguais nas dignidades, por isso se tornam iguais segundo a proporção, quando cada um recebe o que lhe é devido; e os mais duradouros são os que são semelhantes na virtude.

Que o amigo virtuoso não proporciona ao amigo obras más, mas antes o proíbe; e assim, sendo constantes na virtude, serão constantes na amizade.

Que entre amigos todas as coisas são comuns.

Que, quando cada um dos amigos julga-se merecedor de receber mais do outro do que reciprocamente, surge uma queixa diversa e dissolve-se a amizade.

Que o amigo melhor e superior julga que lhe convém ter mais, pois ao melhor e mais útil se deve dar mais; porque, se não se retribui a cada um segundo a dignidade das obras, haverá servidão daquele que despende mais, e não amizade.

Que o amigo superior deve receber mais, assim como na troca de dinheiro recebem mais os que contribuem com mais.

Que o amigo necessitado e inferior, ao contrário, julga dever receber mais, pois é próprio do bom amigo que baste ao amigo também em suas necessidades; de outro modo, sua amizade seria inútil, se o inferior nada recebesse de seu amigo superior.

Que é próprio do bom amigo que ele baste ao amigo em suas necessidades.

Que cada um dos amigos parece merecer, e a ambos se deve dar mais, mas não da mesma coisa: ao superior, mais honra; ao necessitado, porém, mais proveito.

Que ao amigo que é útil pela doação de dinheiro se deve retribuir com honra.

Se se deve servir mais ao amigo ou ao homem virtuoso.

Se se deve dar liberalmente a um amigo mais do que retribuir a graça a um benfeitor pelos benefícios, caso não haja recursos para ambos.

Que para com os amigos e os irmãos devemos ter confiança e a comunicação de todas as nossas coisas.

Que o amigo é semelhante ao amigo.

Que o amigo que dissolve a amizade com um amigo que não é tal qual o amou não faz nada de inconveniente.

Se, após a dissolução da amizade, deve-se comportar em relação ao amigo de modo diferente do que se ele nunca tivesse sido amigo, ou se é preciso guardar a memória da amizade anterior.

Que o amigo quer e realiza bens para o amigo, ou o que aparenta bem, por causa do próprio amigo; e quer que o amigo exista e viva por causa do próprio amigo; e convive e escolhe as mesmas coisas que o amigo, e alegra-se e entristece-se com o amigo.

Que o amigo é outro eu mesmo.

Que o bom amigo é, por natureza, digno de ser escolhido pelo homem bom e diligente.

Que o bom amigo se comporta em relação ao amigo assim como se comporta em relação a si mesmo, pois o amigo é outro ele mesmo; e por isso, conforme escolhe o seu próprio ser, assim também escolhe o amigo, enquanto este partilha com ele conversas honestas e pensamentos.

Se alguém deve fazer para si muitos amigos. E resolve as razões; o exemplo dos peregrinos: pois, assim como é enfadonho não receber nenhum estranho e peregrino, e não é seguro receber a todos, assim é enfadonho não ter nenhum amigo e perigoso admitir qualquer um.

Termo 22

Amar

Se alguém ama o bem absolutamente ou o bem para si mesmo, visto que às vezes há dissonância entre estes; e resolve que o bem absolutamente é amável, e para cada um é amável o seu próprio bem.

Que alguns buscam ser amados mais do que amar, por amor da honra; e por isso são muitos os que amam a adulação.

Que ser amado e ser honrado parecem próximos, e, porque muitos desejam ser honrados por causa de serem amados, muitos buscam ser amados por causa de serem honrados.

Que ser amado é melhor do que ser honrado, porque é digno de ser escolhido por si mesmo, ao passo que ser honrado o é por causa de outra coisa ou por causa da esperança de lucro, assim como alguns, indignos de honra, alegram-se por serem honrados por aqueles que estão no poder.

Que não é preciso que alguém ame o homem mau, nem que se assemelhe ao perverso.

Termo 23

Amantes

Que os que amam as flautas não podem atender às palavras que lhes são ditas; e por isso, quando muito nos alegramos na amizade, não podemos discernir as outras coisas.

Termo 24

O amante

Que os amantes parecem ridículos, os que julgam ser amados tanto quanto amam, se porventura não há neles aquilo que deve ser amado; mas, se há, talvez devam ser considerados dignos de modo igual.

Que os que amam a si mesmos são censurados.

Que os que amam a si mesmos são, segundo a opinião do vulgo, aqueles que atribuem a si mesmos mais de bens materiais, de honras temporais e de deleites, porque creem que tais coisas são as melhores, e entregam tudo às concupiscências e à parte irracional da alma; e por isso tais homens são justamente repreendidos.

Termo 25

Amar

Se alguém deve amar sobretudo a si mesmo ou ao amigo.

Termo 26

Amor

Que o amor não é de qualquer coisa, mas do objeto desejado que é amável; o qual, de fato, divide-se em bem, deleitável e útil, dos quais dois, a saber, o bem e o deleitável, são amados como fins, e o útil, porém, como aquilo que conduz a um e a outro.

Termo 27

A alma

Que acerca das partes da alma se determinou o quanto pertence às questões investigadas, porque certificar-se em mais é mais trabalhoso do que o proposto, e suficientemente se disse nos discursos exteriores, isto é, no livro Da alma.

Que, das partes da alma, uma é irracional e outra tem razão; e nada importa, para o presente, se as duas coisas mencionadas são distintas entre si como partes ou como todo.

Que na alma há algo inato que se opõe e resiste à razão.

Que na alma, ainda que não o vejamos, há um movimento distorcido como nos corpos.

Que na alma há três coisas: paixões, potências e hábitos, e a virtude será alguma dentre estas; e exemplifica cada uma delas.

Termo 28

O animal

Que todos os animais discernem os alimentos e com estes se alegram, mas com aqueles não.

Que, dentre os animais, um é agressivo, outro estúpido, outro voraz.

Que o animal sempre se esforça em ver e em ouvir.

Que todos os animais carecem de felicidade, porque estão privados da operação especulativa.

Que nenhum dos demais animais é feliz, porque de modo algum participam da especulação.

Termo 29

Amação

Que, como a amação é semelhante à ação, mais está naquele que é abundante no agir.

Termo 30

Apetite

Que o apetite do deleitável é insaciável e, de toda parte, próprio do insensato, e a concupiscência aumenta suas próprias obras conforme estas são semelhantes.

Que o apetite é do meio.

Termo 31

O homem que observa o meio

Que o autecasto é aquele que é veraz na vida e na palavra, confessando serem a respeito de si mesmo as coisas tais como existem, e nem maiores nem menores.

Termo 32

Arte

Que todas as artes se possuem juntamente com a prudência, segundo as quais alguém é dito absolutamente bom.

Que as artes se ordenam sob uma certa virtude, assim como sob a equestre a de construir navios.

Que as artes superiores são chamadas arquitetônicas.

Que a arte e a virtude versam sobre o que é mais difícil.

Que aquilo que é feito pelas artes possui em si o bem, isto é, o modo pelo qual é bem feito.

Que a arte visa o meio-termo, pois, quando alguma obra de arte está bem feita, nada há a retirar nem a acrescentar.

Que as artes seriam destruídas se aquele que dá não desse quanto e qual convém, e aquele que recebe não recebesse tanto e tal quanto vale a sua obra.

Que a arte não se ocupa daquilo que ocorre por acidente.

Que a arte é um hábito produtivo acompanhado de razão.

Que a arte versa sobre a produção e o artefato, e sobre considerar como se faz algo dentre as coisas contingentes cujo fim está naquele que produz e não no que é produzido.

Que a arte versa sobre as coisas factíveis, ao passo que a prudência versa sobre as coisas agíveis.

Que a arte arquitetônica é a que estabelece a lei.

Que a arte cosmética e a culinária parecem ordenar-se ao prazer.

Termo 33

O asno

Que o asno certamente prefere o feno ao ouro, pois para os asnos o alimento é mais deleitável que o ouro, como diz Heráclito.

Termo 34

O artífice

Que o artífice que quer tornar-se perfeito deve começar pelo conhecimento dos universais, e assim chegar a conhecer isto ou aquilo, pois já se disse que as ciências versam sobre isso.

Termo 35

Os argivos

Que os argivos, julgando lutar apenas contra os sicônios, depararam-se com os lacônios, que eram belicosíssimos, e por isso fugiram imediatamente; assim, os ignorantes, desconhecendo as condições do combate, fogem de imediato.

Termo 36

O certame

Que nos certames não são os mais valentes que mais combatem, mas os mais potentes e os que possuem os melhores corpos.

Termo 37

O adúltero

Que os adúlteros, por concupiscência, realizam muitos atos audaciosos; contudo, nem por isso são corajosos.

Termo 38

O atleta

Que, assim como os atletas combatem com os inexperientes.

Termo 39

A inépcia

Que a inépcia é uma arte produtiva acompanhada de razão falsa.

Termo 40

Anaxágoras

Que Anaxágoras e outros que se ocupam de coisas admiráveis e difíceis são chamados sábios, e não prudentes.

Termo 41

O avaro

Que o avaro é injusto e, por isso, ocupa-se não de todos os bens, mas de quaisquer fortunas e infortúnios.

Que o avaro está contido sob o desigual como sob algo comum.

Termo 42

O audaz

Que o audaz é aquele que excede no ousar diante das coisas terríveis, pois se lança a tudo.

Que os audazes voam adiante antes dos perigos e, quando neles se encontram, afastam-se; mas com o corajoso ocorre o contrário.