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Capítulo 10

Termo 1

Louvamos

Que louvamos a virtude por causa das obras e dos atos; e o forte e o corredor.

Que, se os deuses fossem louvados em referência a nós, seria uma irrisão.

Termo 2

Louvor

Que o louvor não é das coisas ótimas, das quais é a felicidade, mas algo maior e melhor.

Que o louvor é da virtude e das obras da virtude.

Que o louvor é maior no dar do que no receber.

Termo 3

As coisas louváveis

Que chamamos as virtudes de louváveis.

Termo 4

O louvável

Que o louvável está em algo qualitativo e em algo relativo.

Termo 5

A lei

Que os legisladores punem os que agem mal, mas honram os que agem bem.

Que é próprio do legislador determinar o que é voluntário e involuntário.

Que as leis a respeito de tudo visam àquilo que é útil a todos ou aos melhores.

Que não é difícil entender as leis.

Que a lei prescreve as obras de todos, como as obras do forte, não abandonar a linha de batalha, e não cometer adultério nem injuriar.

Que a lei prescreve viver segundo cada uma das virtudes, e proíbe cada uma das malícias.

Que toda lei propõe universalmente, mas em certas obras não é possível dizer algo reto de modo universal.

Que a lei toma aquilo que na maior parte e mais frequentemente se faz retamente e o estabelece universalmente; contudo, o legislador não ignora que da sua lei sucede erro se em todos os casos for mantida uniformemente; não obstante, a lei é reta, porque atende àquilo que sucede na maioria dos casos.

Que segundo a lei não devem ser feitas todas as coisas, porque a respeito de algumas não se pode estabelecer uma lei uniforme; e por isso é necessário um juízo que discirna em quais casos, a saber, a lei deve ser observada, como exemplifica com a régua da construção de Lesbos.

Que tudo o que a lei não ordena, isso proíbe; por exemplo, a lei não ordena matar-se a si mesmo.

Que as leis são feitas em toda parte para que, acerca das convenções voluntárias, não se faça punição de modo que um seja obrigado a pagar mais do que prometeu.

Que as leis julgam ser mais justo que aquele a quem foi concedido meça a recompensa, do que quem concede.

Termo 6

A lei

Que necessitamos das leis por toda a vida, porque muitos obedecem mais à necessidade do que à palavra.

Que alguns legisladores ou instituidores de leis dizem que é preciso incitar à virtude alguns, em vista do bem, por meio dos prêmios que concedem àqueles que se tornaram obedientes pelos bons costumes precedentes, e dar penas aos desobedientes, e exterminar totalmente os incuráveis.

Que é preciso viver segundo uma lei que tenha poder coercitivo, para que ninguém pratique males voluntária ou involuntariamente.

Que a lei, sendo uma palavra proveniente de alguma prudência e inteligência, tem poder coercitivo.

Que a lei que prescreve a equidade não é onerosa.

Que somente na cidade dos lacedemônios, ou em poucas, os legisladores parecem ter cuidado da criação das crianças e das ocupações em que se deve viver; nas outras cidades, porém, isso foi negligenciado e cada um vive como quer.

Que, assim como as leis estão nas cidades, assim as palavras paternas estão nas casas.

Que, visto que alguém se torna bom por meio das leis, se quer tornar melhores a alguns, sejam muitos ou poucos, deve tornar-se legislador; porque não é de qualquer um dispor bem, mas de quem sabe segundo alguma disciplina, assim como conhecer as coisas medicinais não é senão do médico.

Pergunta-se de onde e de que modo alguém pode tornar-se legislador.

Que as leis se assemelham às obras políticas.

Que, pelo conhecimento e pela reunião das leis, os homens se tornam mais capazes de entender as coisas civis e mais preparados do que os outros.

Termo 7

As coisas legais

Que todas as coisas legais são de algum modo justas.

Que as coisas legais são as que estão determinadas pela lei, e cada uma delas é justa.

Que as coisas legais são produtoras e conservadoras da felicidade e de suas partes na comunicação política.

Que as coisas legais são tudo aquilo que é estabelecido por lei pelos que têm autoridade em casos particulares, como sacrificar a Brásidas.

Termo 8

A liberalidade

Que a liberalidade é uma mediania acerca das riquezas.

Que a liberalidade está mais em dar do que em receber.

Termo 9

O homem liberal

Que o homem liberal é louvado quanto à doação e ao recebimento de riquezas, e mais quanto à doação, e não nas coisas bélicas, nem nos prazeres, nem nos juízos.

Que o homem liberal é aquele que usa da melhor maneira as riquezas, acerca das quais existe a liberalidade.

Que se chamam liberais os que dão mais do que recebem.

Que não são muito louvados os que não recebem.

Que os liberais são amados ao máximo, pois são úteis na doação.

Que os liberais se comportam audaciosamente quanto ao desembolso das riquezas, mas são temerosos nos perigos bélicos; e por isso a fortaleza não se dá acerca desse tipo de coisas.

Que não é liberal aquele que dá a quem não deve, ou não em vista do bem, mas por outra causa; mas tem outro nome.

Que nenhum liberal se entristece com aquilo que dá, e isso é o que convém.

Que o liberal não recebe de onde não deve, porque todo aquele que assim recebe honra as riquezas como se fossem desejáveis por si mesmas.

Que o liberal não é pedinte, pois não é próprio de quem beneficia ser beneficiado por outros.

Que o liberal tira das próprias posses não como um bem, mas como algo necessário, para que tenha o que dar.

Que o liberal procura os bens para que sempre possa ter o suficiente para dar.

Que o liberal não dá a todos, para que tenha o que dar a quem deve, e quando e onde é bom.

Que é próprio do liberal dar superabundantemente, de modo que deixe para si o menos, porque não lhe cabe olhar para si mesmo, mas para os outros.

Que são mais liberais para dar não os que adquiriram, mas os que receberam o patrimônio, porque não experimentaram a indigência.

Que o liberal não se enriquece facilmente, nem é dado a receber nem a guardar as riquezas, mas a desembolsá-las e a dá-las, pois não ama as riquezas senão em vista da doação.

Que o liberal não dá a quem não deve, nem o que não deve, nem quaisquer outras coisas semelhantes, porque isso não seria próprio da liberalidade.

Que o liberal é aquele que gasta segundo o patrimônio e nas coisas que deve o que deve; e nisto difere do pródigo, que gasta em excesso.

Que o liberal dará e gastará com prazer naquilo que deve, indiferentemente nas coisas grandes e pequenas; e recebe de onde deve e o que deve.

Que o liberal, se gasta algo de modo diverso do ótimo, entristece-se, mas moderadamente.

Que o liberal é bastante comunicativo nas riquezas e pode suportar bem injustiças, e mais se aflige se não dá o que deve ser dado do que se dá o que não deve ser dado.

Que a liberalidade não deve ser medida segundo a quantidade do que é dado, mas segundo o patrimônio e o hábito de quem dá.

Termo 10

Os Lacônios

Que os Lacônios não recontavam os serviços que haviam prestado aos atenienses, porque não os ouviam de bom grado.

Termo 11

Aquele que lança a pedra

Que aquele que lança a pedra o faz voluntariamente, mas não está em sua vontade retomá-la; assim se dá com o justo.

Termo 12

O Leão

Que o leão não se alegra com a voz do boi, mas com o comê-lo, quando pela voz percebe que está próximo.

Termo 13

O Leito

Que todos desejam o leito, diz Homero, tanto o jovem quanto o que está a crescer.

Termo 14

As Madeiras

Que se endireitam as madeiras tortuosas.

Termo 15

O Luxurioso

Que, se alguém se entrega à luxúria por causa do lucro, não é luxurioso, mas avaro; mas quem consome muito com luxúria é mais luxurioso do que avaro.

Termo 16

O Jogo

Que o jogo é um certo repouso na vida.

Que aquele que, sendo excessivo no jogo, querendo de todo modo provocar o riso mais do que dizer coisas belas e honestas, é chamado bomolochus; mas os que nem querem dizer algo jocoso nem ouvem com prazer são chamados agrici e duri; e os que usam do jogo com moderação são chamados eutrapeli.

Que o jogo do homem liberal difere do jogo do servil, e o do disciplinado, do indisciplinado.

Que o jogo e o repouso são necessários na vida.

Que alguns jogos são deleitáveis, os quais são buscados por si mesmos.

Que é inconveniente estabelecer o jogo como fim da vida humana.

Que esforçar-se e trabalhar por causa do jogo parece insensato e muito pueril.

Que o jogo se ordene ao estudo, segundo Anacársis, parece estar correto; pois o jogo se assemelha ao repouso.