Capítulo VI
1. Não tenhais discussões, ou terminai-as imediatamente, para que a ira não se converta em ódio e um argueiro se transforme numa viga, tornando a alma homicida. Na verdade, assim esta escrito: “Quem odeia seu irmão é um homicida” (um Jo 3, 15).
2. Quem ofendeu seu irmão com insulto, palavras injuriosas ou lançando-lhes em rosto uma culpa, procure remediar quanto antes, com inteira reparação, o que fez; e o ofendido perdoe sem discussão. Se mutuamente se injuriarem, mutuamente deverão perdoar-se por causa de vossas orações, que, quanto mais freqüentes tanto mais santas devem ser. Melhor é, na verdade, aquele que, embora freqüentemente tentado pela ira, apressa-se a pedir perdão a quem reconhece ter injuriado, que aquele que dificilmente se inclina a pedir perdão. O que nunca decide pedir perdão, ou não o faz de coração, não tem razão de estar no mosteiro ainda quando não seja dele expulso. Portanto, abstende-vos de palavras duras; e se as tiver pronunciado não demoreis em proporcionar o remédio com os mesmos lábios com que feristes.
3. Quando a necessidade da disciplina vos obriga repreender duramente na correção dos menores, mesmo que advertirdes depois que vos excedestes, não exigimos peçais perdão, não aconteça que, por guardar uma extrema humildade, quebre-se a autoridade de governo entre aqueles que devem obedecer. Deveis, entretanto pedir perdão ao Senhor de todos, que conhece com que benevolência amais também aqueles que repreendestes além da justa medida. Na verdade, o amor entre vós não deve ser carnal, mas espiritual.