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LIÇÃO 9 - A Oposição da Afirmação e da Negação Absolutamente

17a 26 Uma vez que é possível enunciar que o que pertence a um sujeito não lhe pertence, e o que não pertence, pertence, e que o que pertence, pertence, e o que não pertence, não pertence, e enunciar estas coisas em relação àqueles tempos fora do presente, bem como em relação ao presente, seria possível negar tudo o que alguém afirma e afirmar o que ele nega. É evidente, portanto, que há uma negação oposta a toda afirmação e uma afirmação oposta a toda negação.

17a 33 Chamaremos esta afirmação e negação opostas de "contradição".

17a 34 Entendo por "opostas" a enunciação da mesma coisa do mesmo sujeito — não equivocamente, porém, nem de nenhum dos outros modos que distinguimos em referência às especiosas dificuldades dos sofistas.

1. Tendo feito a divisão da enunciação, Aristóteles agora trata da oposição das partes da enunciação, isto é, a oposição da afirmação e da negação. Ele já disse que a enunciação é discurso em que há verdade ou falsidade; portanto, ele primeiro mostra como as enunciações se opõem umas às outras; em segundo lugar, ele levanta uma dúvida sobre algumas coisas anteriormente determinadas e então a resolve onde diz: Nas enunciações sobre aquilo que é ou que teve lugar, etc. Ele não apenas mostra como uma enunciação se opõe a outra, mas também que apenas uma se opõe a uma, onde diz: É evidente também que há uma negação de uma afirmação. Ao mostrar como uma enunciação se opõe a outra, ele primeiro trata da oposição da afirmação e da negação absolutamente, e depois mostra de que modo a oposição deste gênero se diversifica da parte do sujeito, onde diz: Uma vez que algumas das coisas com que lidamos são universais e outras singulares, etc. Com respeito à oposição da afirmação e da negação absolutamente, ele primeiro mostra que há uma negação oposta a toda afirmação e vice-versa, e então, onde diz: Chamaremos esta afirmação e negação opostas de "contradição", ele explica a oposição da afirmação e da negação absolutamente.

2. Em relação ao primeiro ponto, que há uma negação oposta a toda afirmação e vice-versa, o Filósofo assume uma dupla diversidade da enunciação. A primeira surge da própria forma ou modo de enunciar. Segundo esta diversidade, a enunciação é ou afirmativa — na qual se enuncia que algo é — ou negativa — na qual se significa que algo não é.

A segunda é a diversidade que surge por comparação com a realidade. A verdade e a falsidade do pensamento e da enunciação dependem desta comparação, pois quando se enuncia que algo é ou não é, se há concordância com a realidade, há discurso verdadeiro; caso contrário, há discurso falso.

3. A enunciação pode, portanto, ser variada de quatro modos segundo uma combinação destas duas divisões: no primeiro modo, o que é na realidade é enunciado ser como é na realidade. Isto é característico da afirmação verdadeira. Por exemplo, quando Sócrates corre, dizemos: "Sócrates está correndo". No segundo modo, enuncia-se que algo não é o que na realidade não é. Isto é característico da negação verdadeira, como quando dizemos: "Um etíope não é branco". No terceiro modo, enuncia-se que algo é o que na realidade não é. Isto é característico de uma afirmação falsa, como em "O corvo é branco". No quarto modo, enuncia-se que algo não é o que é na realidade. Isto é característico de uma negação falsa, como em "A neve não é branca".

A fim de proceder do mais fraco ao mais forte, o Filósofo põe o falso antes do verdadeiro, e entre estes ele enuncia o negativo antes do afirmativo. Ele começa, então, com a negação falsa: é possível enunciar que o que é, a saber, na realidade, não é. Em segundo lugar, ele postula a afirmação falsa: e que o que não é, a saber, na realidade, é. Em terceiro lugar, ele postula a afirmação verdadeira — que se opõe à negação falsa que ele deu primeiro — e que o que é, a saber, na realidade, é. Em quarto lugar, ele postula a negação verdadeira — que se opõe à afirmação falsa — e que o que não é, a saber, na realidade, não é.

4. Ao dizer o que é e o que não é, Aristóteles não está se referindo apenas à existência ou inexistência de um sujeito. O que ele está dizendo é que a realidade significada pelo predicado está ou não está na realidade significada pelo sujeito. Pois o que é significado ao dizer "O corvo é branco" é que o que não é, é, embora o próprio corvo seja uma coisa existente.

5. Estas quatro diferenças de enunciações encontram-se nas proposições em que há um verbo de tempo presente e também nas enunciações em que há verbos de tempo passado ou futuro. Ele disse anteriormente que todo discurso enunciativo deve conter um verbo ou um modo do verbo. Aqui ele faz este ponto em relação às quatro diferenças de enunciações: semelhantemente é possível enunciar estas, isto é, que a enunciação seja variada de diversos modos em relação àqueles tempos fora do presente, isto é, com respeito ao passado ou futuro, que são de certo modo extrínsecos em relação ao presente, já que o presente está entre o passado e o futuro.

6. Uma vez que há estas quatro diferenças de enunciação no tempo passado e futuro, bem como no tempo presente, é possível negar tudo o que é afirmado e afirmar tudo o que é negado. Isto é evidente a partir das premissas, pois só é possível afirmar ou aquilo que é na realidade segundo o tempo passado, presente ou futuro, ou aquilo que não é; e é possível negar tudo isto. É claro, então, que tudo o que é afirmado pode ser negado, e vice-versa.

Ora, uma vez que a afirmação e a negação são por si opostas, isto é, em uma oposição de contradição, segue-se que toda afirmação teria uma negação oposta a ela, e vice-versa. O contrário disto só poderia ocorrer se uma afirmação pudesse afirmar algo que a negação não pudesse negar.

7. Quando ele diz: Chamaremos esta afirmação e negação opostas de "contradição", ele explica o que é a oposição absoluta da afirmação e da negação. Ele faz isto primeiro através do nome; em segundo lugar, através da definição, onde diz: Entendo por "opostas" a enunciação da mesma coisa do mesmo sujeito, etc.

"Contradição", ele diz, é o nome imposto para o tipo de oposição em que uma negação se opõe a uma afirmação e vice-versa. Ao dizer Chamaremos isto de "contradição", nos é dado entender — como Amônio assinala — que ele mesmo impôs o nome "contradição" para a oposição da afirmação e da negação.

8. Então ele define a contradição quando diz: Entendo por "opostas" a enunciação da mesma coisa do mesmo sujeito, etc. Uma vez que a contradição é a oposição da afirmação e da negação, como ele disse, tudo o que é requerido para a oposição da afirmação e da negação é requerido para a contradição. Ora, os opostos devem ser acerca da mesma coisa, e uma vez que a enunciação é composta de um sujeito e de um predicado, o primeiro requisito para a contradição é a afirmação e a negação do mesmo predicado, pois se dizemos "Platão corre" e "Platão não discute", não há contradição. O segundo é que a afirmação e a negação sejam do mesmo sujeito, pois se dizemos "Sócrates corre" e "Platão não corre", não há contradição. O terceiro requisito é a identidade de sujeito e predicado não apenas segundo o nome, mas segundo a coisa e o nome ao mesmo tempo; pois, claramente, se o mesmo nome não é usado, não há uma e a mesma enunciação; semelhantemente, deve haver identidade da coisa, pois, como foi dito acima, a enunciação é una quando significa uma coisa dita de uma coisa. É por isso que ele acrescenta: não equivocamente, porém, pois a identidade de nome com diversidade da coisa — que é a equivocação — não é suficiente para a contradição.

9. Há também certas outras coisas que devem ser observadas com respeito à contradição, a fim de que toda diversidade seja destruída, exceto a diversidade da afirmação e da negação, pois se a negação não nega de todo modo a mesma coisa que a afirmação afirma, não haverá oposição. Pode-se fazer investigação sobre esta diversidade com respeito a quatro coisas: primeiro, há partes diversas do sujeito? Pois se dizemos "Um etíope é branco quanto aos dentes" e "Um etíope não é branco quanto ao pé", não há contradição. Segundo, há um modo diverso da parte do predicado? Pois não há contradição se dizemos "Sócrates corre lentamente" e "Sócrates não está se movendo velozmente", ou "Um ovo é um animal em potência" e "Um ovo não é um animal em ato". Terceiro, há diversidade da parte da medida, por exemplo, de lugar ou de tempo? Pois não há contradição se dizemos "Está chovendo na Gália" e "Não está chovendo na Itália", ou "Choveu ontem" e "Não choveu hoje". Quarto, há diversidade proveniente de uma relação com algo extrínseco? Como quando dizemos "Dez homens são muitos em relação a uma casa, mas não em relação a um tribunal".

Aristóteles designa tudo isto quando acrescenta: nem de nenhum dos outros modos que distinguimos, isto é, que é costume determinar nas disputações contra as especiosas dificuldades dos sofistas, isto é, contra as objeções falaciosas e capciosas dos sofistas, que ele menciona mais plenamente no livro I dos Elencos [5: 166b 28–167a 36].