Lição 10: Como algo é demonstrado através de uma causa não simultânea com seu efeito. Como uma causa não simultânea com seu efeito é tomada como termo médio na demonstração
Bekker: 95a10-b1
a10. O efeito pode ainda estar— a13. Por exemplo, a lua— a23. Mas e quanto aos casos— a24. como nos parecem— a27. Ora, segundo esta teoria— a32. ser o intervalo de tempo— a35. E o mesmo argumento— a39. E é ainda uma
Após mostrar como os quatro gêneros de causas são usados como termos médios na demonstração, o Filósofo mostra agora como, em diferentes casos, algo é demonstrado através de uma causa. Mas há duas diferenças a serem notadas a este respeito: a primeira diferença é se a causa é ou não simultânea com seu efeito; a segunda diferença é se a causa produz seu efeito sempre ou apenas como regra geral — esta segunda diferença será discutida mais adiante (96a8) [L. 12].
Quanto à primeira, ele faz duas coisas. Primeiro, mostra como algo é provado através de uma causa que é simultânea com aquilo de que é causa. Segundo, como algo é demonstrado através de uma causa que não é simultânea com aquilo de que é causa (95a23).
Quanto ao primeiro ponto, deve-se notar que, uma vez que alguém está envolvido com as noções de anterior e posterior quando analisa o movimento, também ao considerar as causas do movimento é preciso levar em conta que a causa e o causado se relacionam como anterior e posterior. Pois é óbvio que um agente natural causa seu efeito movendo algo. Além disso, assim como o objeto móvel é levado ao termo de seu movimento em virtude do movimento inteiro, também em virtude da primeira parte desse movimento é levado à segunda parte, e assim por diante. Logo, assim como o movimento inteiro é a causa do estado de repouso subsequente, a primeira parte do movimento é a causa da parte subsequente, e assim por diante.
Esta análise é verdadeira quer nos limitemos a um objeto que está sendo movido sem interrupção do começo ao fim, quer a vários objetos dos quais o primeiro move o segundo e o segundo move o terceiro. E embora, ao mesmo tempo em que o primeiro motor move seu objeto, esse objeto esteja sendo movido, contudo o objeto assim movido continua a agir como motor mesmo depois de parar de ser movido. Consequentemente, enquanto está agindo como motor, outro objeto está sendo movido. Desta forma, vários objetos móveis são sucessivamente movidos de tal modo que um é a causa do movimento de outro, e assim por diante, como acontece no caso de objetos arremessados, cujo movimento o Filósofo explicou na Física VIII. Portanto, neste exemplo, acontece que a causa não é simultânea com aquilo de que é causa, na medida em que a primeira parte do movimento é a causa da segunda parte, ou o primeiro objeto movido move o segundo.
Mas, embora o movimento tenha sucessão em suas partes, é contudo simultâneo com sua causa motora. Pois o objeto móvel é movido ao mesmo tempo em que o motor age, na medida em que o movimento não é senão o ato existente no objeto móvel a partir do motor, de tal modo que em virtude desse ato o motor é dito mover e o objeto é dito ser movido. De fato, a exigência de que a causa seja simultânea com o que é causado deve ser cumprida ainda mais em coisas que estão fora do movimento, quer tomemos algo fora do movimento como o termo do movimento — como a iluminação do ar é simultânea com o nascer do sol — quer no sentido de algo absolutamente imóvel, quer no sentido de causas essenciais que são a causa do ser de uma coisa.
Quanto ao primeiro ponto, portanto, ele faz duas coisas. Primeiro, expõe o que pretende estabelecer. Segundo, esclarece isso com exemplos (95a13).
Diz então primeiro (95a10) que sempre que a causa é simultânea com seu efeito, é necessário tomar a mesma causa para o vir a ser ou o "ter vindo a ser" ou a existência futura, como é tomada para a existência atual: pois se a causa é simultânea com aquilo de que é causa, então, assim como é necessário que, quando a causa existe, o efeito seja, também é necessário que, quando a causa está vindo a ser, o efeito esteja vindo a ser; e quando a causa tiver vindo a ser, o efeito deva ter vindo a ser; e quando a causa tiver sido, o efeito terá sido. Nem vale objetar que, quando um construtor está vindo a ser — enquanto aprende a arte da construção — o edifício ainda não está sendo construído: pois "construtor" não designa a causa em ato do edifício, mas a causa em potência, ou como possuidor da habilidade. Mas "alguém construindo" denota a causa em ato: é esta causa que deve ser simultânea com aquilo de que é causa, como é afirmado na Física II. Há identidade no sentido de que em todos esses casos o termo médio é a causa. Contudo, isso deve ser tomado segundo uma devida proporção, ou seja, de modo que o ser da causa corresponda ao ser do efeito, e o vir a ser da causa ao vir a ser do efeito, e o "ter vindo a ser" da causa ao "ter vindo a ser" do efeito, e o ser futuro da causa ao ser futuro do efeito.
Em seguida (95a13), ele esclarece o que disse com dois exemplos, o primeiro dos quais diz respeito ao eclipse da lua. Pois dizemos que houve um eclipse da lua ontem, porque a terra se interpôs entre o sol e a lua ontem; e que um eclipse da lua está agora se formando, porque tal interposição está agora se formando; e que amanhã haverá um eclipse da lua, porque a terra estará entre eles então; e que agora há um eclipse da lua, porque a terra está agora interposta.
O segundo exemplo diz respeito ao gelo. Assim, poderíamos afirmar o que é o gelo e tomar como sua definição que ele é água rigidamente congelada. Portanto, seja C água, i.e., o extremo menor, e A congelado, i.e., o extremo maior, e tome B como o meio, i.e., aquilo que carece completamente de calor. Pois quando aquilo que é úmido emite calor, congela; portanto, quando emite calor intensamente, o objeto úmido torna-se muito espesso e duro. Trazendo isso para a forma silogística, portanto, diremos que B está em C, ou seja, porque o gelo envolve uma renúncia completa ao calor; mas A está em B, porque aquilo que carece completamente de calor está congelado. Portanto, assim como o fato de ter uma deficiência de calor é a causa de o gelo ser água completamente congelada, também a causa de o gelo se formar é que B está se formando. E o mesmo vale para ter se formado e para a futura formação. E assim ele conclui que, se a causa e o causado são tomados como simultâneos, é necessário que eles sejam simultâneos no formar-se, no ser, no ter-se formado e no futuro formar-se.
Em seguida (95a23), ele mostra como uma causa que não é simultânea com seu efeito é tomada como o meio da demonstração. Primeiro, nas coisas que se formam em linha direta. Segundo, nas coisas que se formam reciprocamente (95b38) [L: 12]. Sobre o primeiro, ele faz três coisas. Primeiro, ele expõe a questão. Segundo, ele interpõe algo que deve ser conhecido para resolver a questão (95a27). Terceiro, ele estabelece a questão (95b1) [L. II]. Em relação ao primeiro, ele faz duas coisas. Primeiro, ele propõe a questão. Segundo, ele a elucida (95a24).
Primeiro, portanto (95a23), ele propõe a questão, a saber, se, no caso de causas que não são simultâneas com o que causam, deve-se dizer que o que é causado segue sua causa de acordo com uma sucessão temporal contínua, ou não?
Então (95a24), ele reapresenta a questão de forma mais clara. Pois vemos que algumas causas das coisas não existem ao mesmo tempo que essas coisas: assim, a causa de um "ter-se formado" é algo anterior a ele, a saber, um "formar-se"; e a causa de um "ter-se formado no futuro" é um "estar se formando no futuro"; e, novamente, a causa de um "formar-se" é um anterior "ter-se formado". Portanto, a questão é esta: Essas causas que se seguem uma à outra existem em um intervalo contínuo de tempo ou não? Pois é necessário que o demonstrador saiba disso, porque, se não há continuidade nessas causas, não será possível empregar um princípio imediato, porque entre dois "agoras" descontínuos é sempre possível tomar algo intermediário. Consequentemente, se aquele "agora" durante o qual o efeito existe não é contínuo com aquele "agora" no qual a causa existe, será possível encontrar uma causa entre eles, e assim ad infinitum.
Então (95a27), ele explica algo que deve ser entendido para resolver esta questão. Primeiro, ele propõe o que pretende. Segundo, ele prova o que propôs (95a32).
Em relação ao primeiro (95a27), deve-se notar que, assim como uma linha é uma coisa contínua, mas um ponto é um indivisível que termina e divide a linha, também o processo de tornar-se ou de ser movido é algo contínuo, mas o fato de ter sido movido ou de ter-se formado é algo indivisível que pode ser tomado tanto como terminando um movimento inteiro quanto como dividindo o movimento, no sentido de ser o fim da primeira parte e o início da segunda parte do movimento, assim como no caso de um ponto que divide a linha.
Desta forma, portanto, um "ter-se formado" é tanto uma causa que precede um "formar-se" do qual é o princípio, quanto um efeito que segue o "formar-se" do qual é o término. Portanto, se devemos demonstrar, o silogismo demonstrativo deve proceder de um posterior "ter-se formado" para um anterior "formar-se". Assim, diríamos: "Isto se formou; portanto, aquilo estava anteriormente se formando." Mas porque o próprio "ter-se formado" é o princípio do "formar-se" (ou as coisas que se formaram são a causa daquelas que estão se formando), segue-se que o primeiro está similarmente relacionado às coisas que estão se formando, ou seja, que se pode silogizar de um posterior "formar-se" para um anterior "ter-se formado", como se disséssemos: "O sol está sendo movido para o meio dos céus; portanto, ele foi previamente movido para um ponto no leste." Mas não se pode silogizar do que é anterior para o que é posterior e dizer, por exemplo, que porque isto primeiro se formou, segue-se que o que é posterior está se formando ou se formou. E o que é verdadeiro sobre a relação entre formar-se e ter-se formado aplica-se ao que ter-se-á formado e ao que estará se formando.
Então (95a32), ele prova o que disse. Em relação a isso, ele faz duas coisas. Primeiro, ele prova sua proposição com uma razão baseada na noção de tempo considerada absolutamente. Segundo, com uma razão baseada no tempo que intervém entre uma causa que é anterior e um efeito que é posterior (95a39).
Ele diz, portanto, primeiro (95a32) que a razão pela qual não se pode silogizar do que é anterior para o que é posterior é que, uma vez posto o anterior, não é necessário que o posterior siga, seja em algum tempo definido, seja em algum tempo futuro indefinido.
Primeiro, portanto, ele manifesta isso em relação a um tempo determinado, como no caso em que poderíamos dizer: "O paciente tomou o remédio; portanto, ele será curado em tal e tal dia". Pois, se alguém pudesse silogizar a partir de um fato anterior para algo que ocorrerá posteriormente em um tempo determinado, seria possível concluir que, porque é verdadeiro dizer que isto aconteceu, ou seja, que o paciente tomou o remédio, também será verdadeiro dizer que o que é subsequente ocorreu, ou seja, que ele foi curado. Mas isso não se segue: porque é possível descobrir algum tempo em que é verdadeiro dizer que ele tomou o remédio, mas ainda não é verdadeiro dizer que ele foi curado, digamos, o tempo entre a ingestão do remédio e a obtenção da cura.
E é isto que ele diz, a saber, que a razão pela qual a conclusão mencionada não se segue é porque, durante o ínterim, é falso dizer que isso ocorreu, ou seja, que ele foi curado, embora o outro já tenha ocorrido, ou seja, que ele tomou o remédio. O mesmo raciocínio vale em relação ao futuro. Pois não podemos concluir: "Ele está agora tomando o remédio; portanto, ele será curado", referindo-se a algum tempo determinado; porque isso não será verdadeiro para cada período subsequente de tempo, ou seja, não no tempo intermediário.
Em segundo lugar (95a35), ele prova o mesmo ponto em relação a um tempo futuro não especificado, como quando poderíamos dizer: "Ele está tomando o remédio; portanto, ele será curado". Pois não se segue que, porque isto ocorreu, ou seja, que ele tomou o remédio, isto será, ou seja, que ele será curado. Pois já foi estabelecido que uma causa que infere necessariamente seu efeito é simultânea com seu efeito. Além disso, o termo médio que é tomado é homogêneo, ou seja, de um só gênero. Por exemplo, para provar que certas coisas ocorreram no passado, toma-se como termo médio e causa algo que ocorreu no passado; da mesma forma, para coisas do futuro, algo que é futuro, e para coisas que estão em processo de vir a ser, toma-se o que está vindo a ser, e para coisas que existem, toma-se o que existe. No entanto, quando se silogiza: "Isto ocorreu; portanto, isto será", o termo médio tomado não é de um só gênero, mas um termo médio é anterior e o outro subsequente. Portanto, tendo postulado o anterior, o subsequente não se segue necessariamente naqueles casos em que o efeito das causas pode ser impedido.
Em seguida (95a39), ele apresenta outro argumento que se baseia no tempo intermediário. E diz que, assim como, por parte do tempo considerado absolutamente, é óbvio que não se pode silogizar do anterior ao subsequente, seja segundo um tempo especificado ou segundo um tempo não especificado; assim também, por parte do tempo intermediário, não é possível assumir um tempo especificado ou não especificado no qual o que é subsequente possa ser concluído a partir do anterior. Pois já foi estabelecido que, durante todo o tempo intermediário, é falso dizer que o subsequente existe, mesmo que o anterior já tenha ocorrido.