Lição 12: Em todo devir encontram-se três princípios: sujeito, termo da produção e seu oposto
Bekker: 189 b 30-190 b 15
EM TODO DEVIR ENCONTRAM-SE TRÊS PRINCÍPIOS: O SUJEITO, O TERMO DA PRODUÇÃO E SEU OPOSTO
- Após o Filósofo ter investigado o número de princípios por meio da disputação, ele começa aqui a determinar a verdade. Esta seção divide-se em duas partes. Primeiro, ele determina a verdade. Em segundo lugar, onde diz: 'Não prosseguiremos...' (191 a 23; L14 #120ss), ele exclui da verdade já determinada certas dificuldades e erros dos antigos.
A primeira parte divide-se em duas partes. Primeiro, ele mostra que em qualquer devir natural três coisas são encontradas. Em segundo lugar, onde diz: 'Claramente, então...' (190 b 16; L13 #110), ele mostra a partir disso que essas três coisas são princípios.
Acerca da primeira parte, ele faz duas observações. Primeiro, declara sua intenção; em segundo lugar, persegue sua intenção, onde diz: 'Dizemos que...' (189 b 33 #100).
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Como ele havia dito acima [L11 #97] que a questão sobre se há apenas dois princípios da natureza ou três envolve muita dificuldade, ele conclui que deve primeiro falar da geração e produção como comuns a todas as espécies de mutação. Pois em qualquer mutação encontra-se um certo devir. Por exemplo, quando algo é alterado de branco para preto, o não-branco vem a ser a partir do branco, e o preto vem a ser a partir do não-preto. E o mesmo vale para outras mutações. Ele também aponta a razão para esta ordem de procedimento. É necessário falar primeiro daquelas coisas que são comuns, e depois pensar naquelas coisas que são próprias a cada coisa, como foi dito no início do Livro [L1 #6].
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Em seguida, onde diz: 'Dizemos que uma coisa...' (189 b 33), ele desenvolve sua posição. Sobre isso, ele faz duas observações. Primeiro, expõe certas coisas necessárias para provar sua posição. Segundo, onde diz: 'Feitas estas distinções...' (190 a 13 #103), ele prova seu ponto.
Acerca da primeira parte, ele faz duas observações. Primeiro, estabelece uma certa divisão; em segundo lugar, onde diz: 'Quanto a um...' (190 a 5 #102), ele aponta as diferenças entre as partes da divisão.
- Ele diz, portanto, primeiro que em qualquer devir, uma coisa é dita vir a ser a partir de outra coisa com referência ao devir em relação ao ser substancial [esse], ou uma vem a ser a partir de outra com referência ao devir em relação ao ser acidental [esse]. Portanto, toda mudança tem dois termos. A palavra 'termos', contudo, é usada de duas maneiras, pois os termos de uma produção ou mutação podem ser tomados como simples ou compostos.
Ele explica isso da seguinte forma. Às vezes dizemos que o homem se torna musical, e então os dois termos da produção são simples. O mesmo ocorre quando dizemos que o não-musical se torna musical. Mas quando dizemos que o homem não-musical se torna um homem musical, cada um dos termos é composto. No entanto, quando o devir é atribuído ao homem ou ao não-musical, cada um é simples. E assim, aquilo que se torna, i.e., aquilo a que o devir é atribuído, é dito vir a ser simplesmente. Além disso, aquilo em que o próprio devir é terminado, que também é dito vir a ser simplesmente, é musical. Assim, dizemos que o homem se torna musical, ou o não-musical se torna musical. Mas quando cada um é significado como vindo a ser como composto (i.e., tanto o que se torna, i.e., aquilo a que o devir é atribuído, quanto o que é feito, i.e., aquilo em que o devir é terminado), então dizemos que o homem não-musical se torna musical. Pois então há composição apenas da parte do sujeito e simplicidade da parte do predicado. Mas quando digo que o homem não-musical se torna um homem musical, então há composição da parte de cada um.
- Em seguida, onde diz: 'Quanto a um...' (190 a 5), ele aponta duas diferenças no que foi dito acima.
A primeira é que em alguns dos casos mencionados acima usamos um modo duplo de fala, i.e., dizemos 'isto se torna isto' e 'disto, isto vem a ser'. Pois dizemos 'o não-musical se torna musical' e 'do não-musical, o musical vem a ser'. Mas não falamos assim em todos os casos. Pois não dizemos 'o musical vem a ser a partir do homem', mas 'o homem se torna musical'.
Ele aponta a segunda diferença onde diz: 'Quando um "simples"...' (190 a 8). Ele diz que quando o devir é atribuído a duas coisas simples, i.e., o sujeito e o oposto, uma delas é permanente, mas a outra não. Pois quando alguém já foi feito musical, 'homem' permanece. Mas o oposto não permanece, seja o oposto negativo, como o não-musical, ou a privação ou contrário, como o não-musical. Nem o composto de sujeito e oposto é permanente, pois o homem não-musical não permanece após o homem ter sido feito musical. E assim o devir é atribuído a essas três coisas: pois foi dito que o homem se torna musical, o não-musical se torna musical, e o homem não-musical se torna musical. Destas três, apenas a primeira permanece completa em uma produção, as outras duas não permanecem.
- Em seguida, onde diz: 'Feitas estas distinções...' (190 a 13), tendo assumido o anterior, ele prova sua posição, ou seja, que três coisas são encontradas em qualquer produção natural.
A este respeito, ele apresenta três pontos. Primeiro, ele enumera duas coisas encontradas em qualquer produção natural. Em segundo lugar, onde diz: "Uma parte sobrevive..." (190 a 17 #105), ele prova o que havia suposto. Terceiro, onde diz: "Assim, claramente,..." (190 b 10 #109), ele tira sua conclusão.
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Ele diz, portanto, primeiro que, se alguém, tomando como certo o que foi dito acima, deseja considerar o vir-a-ser em todas as coisas que vêm a ser naturalmente, concordará que deve haver sempre algum sujeito ao qual o vir-a-ser é atribuído, e que esse sujeito, embora uno em número e sujeito, não é o mesmo em espécie ou natureza [ratio]. Pois quando se diz de um homem que ele se torna musical, o homem é de fato uno em sujeito, mas duplo em natureza [ratio]. Pois o homem e o não-musical não são os mesmos segundo a natureza [ratio]. Aristóteles, no entanto, não menciona aqui o terceiro ponto, a saber, que em toda geração deve haver algo gerado, pois isso é óbvio.
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Em seguida, onde diz: "Uma parte sobrevive..." (190 a 17), ele prova as duas coisas que havia assumido. Mostra primeiro que o sujeito ao qual o vir-a-ser é atribuído é duplo em natureza [ratio]. Em segundo lugar, onde diz: "Mas há diferentes..." (190 a 32 #107), mostra que é necessário assumir um sujeito em todo vir-a-ser.
Ele mostra o primeiro ponto de duas maneiras. Primeiro, aponta que no sujeito ao qual o vir-a-ser é atribuído, há algo que é permanente e algo que não é permanente. Pois aquilo que não é um oposto do termo da produção é permanente, pois o homem permanece quando se torna musical, mas o não-musical não permanece. E a partir disso fica claro que o homem e o não-musical não são os mesmos em natureza [ratio], já que um permanece, enquanto o outro não.
- Em segundo lugar, onde diz: "Falamos de..." (190 a 21), ele mostra a mesma coisa de outra maneira. Com referência às coisas não permanentes, é muito melhor dizer "isto vem a ser a partir disto" do que dizer "isto se torna isto" (embora esta última também possa ser dita, mas não tão apropriadamente). Pois dizemos que o musical vem a ser a partir do não-musical. Dizemos também que o não-musical se torna musical, mas isso é acidental, na medida em que aquilo que por acaso é não-musical se torna musical. Mas nas coisas permanentes isso não é dito. Pois não dizemos que o musical vem a ser a partir do homem; antes, dizemos que o homem se torna musical.
Mesmo com referência às coisas permanentes, às vezes dizemos "isto vem a ser a partir disto", como dizemos que uma estátua vem a ser a partir do bronze. Mas isso acontece porque pelo nome "bronze" entendemos o "informe", e assim isso é dito em razão da privação que é entendida.
Portanto, pelo próprio fato de usarmos modos diferentes de fala com referência ao sujeito e ao oposto, fica claro que o sujeito e o oposto, como homem e não-musical, são dois em natureza [ratio].
- Em seguida, onde diz: "Mas há diferentes..." (190 a 32), ele prova o outro ponto que havia assumido, a saber, que em toda produção natural deve haver um sujeito.
A prova deste ponto por argumentação pertence à metafísica. Por isso, é provado na Metafísica, VII:7. Ele o prova aqui apenas por indução. Ele faz isso primeiro em relação às coisas que vêm a ser; em segundo lugar, em relação aos modos de vir-a-ser, onde diz: "Geralmente, as coisas..." (190 b 5 #108).
Ele diz, portanto, primeiro que, uma vez que "vir a ser" é usado de muitas maneiras, "vir a ser simplesmente" é dito apenas do vir-a-ser das substâncias, enquanto outras coisas são ditas vir a ser acidentalmente. Isso ocorre porque "vir a ser" implica o início da existência. Portanto, para que algo venha a ser simplesmente, é necessário que anteriormente não tenha existido simplesmente, o que acontece naquelas coisas que vêm a ser substancialmente. Pois quando um homem vem a ser, ele não apenas anteriormente não era homem, mas é verdadeiro dizer que ele simplesmente não era. Quando, no entanto, um homem se torna branco, não é verdadeiro dizer que ele anteriormente não era, mas que ele anteriormente não era tal.
Aquelas coisas, no entanto, que vêm a ser acidentalmente dependem claramente de um sujeito. Pois a quantidade e a qualidade e os outros acidentes, cujo vir-a-ser é acidental, não podem existir sem um sujeito. Pois apenas a substância não existe em um sujeito.
Além disso, é claro, se alguém considerar o ponto, que até mesmo as substâncias vêm a ser a partir de um sujeito. Pois vemos que plantas e animais vêm a ser a partir da semente.
- Em seguida, onde diz: "Geralmente, as coisas..." (190 b 5), ele mostra a mesma coisa por indução a partir dos modos de vir-a-ser.
Ele diz que das coisas que vêm a ser, algumas vêm a ser por mudança de figura, como a estátua vem a ser a partir do bronze; outras vêm a ser por adição, como é claro em todos os casos de aumento, como o rio vem a ser a partir de muitos riachos; outras vêm a ser por subtração, como a imagem de Mercúrio vem a ser a partir da pedra pela escultura. Ainda outras coisas vêm a ser por composição, por exemplo, uma casa; e outras coisas vêm a ser por alteração, como aquelas cuja matéria é transformada, seja pela natureza ou pela arte. E em todos esses casos é aparente que elas vêm a ser a partir de algum sujeito. Portanto, é claro que tudo o que vem a ser vem a ser a partir de um sujeito.
Mas deve-se notar que as coisas artificiais são aqui enumeradas junto com aquelas que vêm a ser simplesmente (embora as formas artificiais sejam acidentes) porque as coisas artificiais estão de alguma forma no gênero da substância em razão de sua matéria. Ou talvez ele as liste por causa da opinião dos antigos, que pensavam das coisas naturais e das coisas artificiais da mesma maneira, como será dito no Livro II [L2 #149].
- Em seguida, quando diz: ‘Assim, fica claro...’ (190 b 10), ele tira sua conclusão. Diz que foi demonstrado, a partir do que foi dito acima, que aquilo a que se atribui o vir a ser é sempre composto. E como em toda produção há aquilo em que o vir a ser se encerra e aquilo a que o vir a ser se atribui — sendo este último duplo, ou seja, o sujeito e o oposto —, fica então evidente que há três coisas em qualquer vir a ser: o sujeito, o termo da produção e o oposto desse termo. Assim, quando um homem se torna músico, o oposto é o não-músico, o sujeito é o homem, e músico é o termo da produção. E, de modo semelhante, a ausência de forma, a falta de figura e a desordem são opostos, enquanto o bronze, o ouro e a pedra são sujeitos nas produções artificiais.