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PRECURSORES ESQUECIDOS

CINQUENTA ANOS DE LUTA ANTIMAÇÔNICA: 1890-1940

O início do presente século, no plano da luta antimaçônica, caracteriza-se primeiramente por um número crescente de militantes de valor desigual (publicistas, escritores, políticos), pela criação de organismos de defesa religiosa e pela publicação de revistas especializadas e obras de divulgação.

Em seguida, constituem-se ligas, comitês e uniões, com a intenção de lutar no terreno político e patriótico contra o perigo que a Maçonaria representa para o país.

Todas essas iniciativas possuem um caráter comum: buscam informações sérias e documentação concreta. A ação necessária não pode se alimentar de boatos vagos. É preciso encontrar textos e documentos, e os melhores são aqueles que emanam das próprias lojas. É necessário buscá-los lá, pois as lojas são discretas e não depositam suas publicações sequer na Biblioteca Nacional.

Além disso, a interpretação dos textos não deve ser feita de forma apressada. Ela exige o conhecimento do "clima" interno das lojas para uma análise autêntica.

Daí a necessidade de utilizar "informantes" e "trânsfugas", sem os quais não haveria informação possível. Foi preciso recorrer a métodos quase policiais. Quando, por acaso, um maçom desgostoso deixa sua loja batendo a porta, é um "prato cheio", especialmente se ele publica o relato de sua experiência.

Antes de enumerar os organismos dos quais pudemos encontrar o rastro, é importante observar que esses agrupamentos se entendiam muito mal entre si; tinham ciúmes uns dos outros, excomungavam-se e até suspeitavam reciprocamente de pertencerem à seita que diziam combater.

Este mundo das ligas é instável e complexo. Sua ação, que poderia ter sido de grande eficácia, permaneceu dispersa e em parte estéril porque a união não aconteceu. Monsenhor JOUIN viu o perigo dessa dispersão de esforços e propôs, pouco antes da Primeira Guerra Mundial, estabelecer entre todos esses movimentos um vínculo afetivo sob a forma de uma federação que respeitasse a autonomia interna de cada um. Foi um fracasso total.

As LIGAS

Eis a nomenclatura dos agrupamentos que pudemos identificar. Alguns se transformaram ao longo de sua existência ou se fundiram com outros. Todos desapareceram hoje.

  • Comitê Antimaçônico de Paris, criado em 1897, transformado em 1904 em "Associação Antimaçônica de França" (dirigente: J. Tourmentin; órgão: La Franc-Maçonnerie démasquée).
  • Conselho Antimaçônico de França (Abel Clarin de la Rive; órgão: La France chrétienne antimaçonnique, 1887-1911).
  • Liga Francesa Antimaçônica (Flavien Brenier e Comandante Cuignet).
  • Liga "Le Franc catholique" (Monsenhor JOUIN, 1913).
  • A União Francesa Antimaçônica, tornada A Liga de Defesa Nacional contra a Maçonaria (Copin-Albancelli e Louis Dasté; órgãos: La Bastille, 1902, e À Bas les Tyrans, 1901).
  • Comitê Antimaçônico (General de Castelnau, 1924).
  • A União Antimaçônica de França (Doutor Cousin, 1935).
  • Comitê de Estudos das Questões Maçônicas (faltam informações).
  • O Reerguimento Francês (Le Redressement français) (Lucien Romier).
  • Escritório Antimaçônico Internacional "A Ordem" (de Cardonne e Padre Duperron, 1925).
  • Liga Nacional Antimaçônica (Armand de Puységur, 1934).
  • Federação Joana d'Arc (Liga feminina do Comandante Driant).
ESCRITORES E JORNALISTAS

A lista que publicamos abaixo, por ordem alfabética, não é "exaustiva". Sua elaboração exigiu pesquisas frequentemente difíceis e, por vezes, infrutíferas. Ela apresenta, todavia, um conjunto bastante coerente que poderemos completar à medida que novas informações cheguem até nós.

BARBIER (Emmanuel) (1851-1925)

Em nosso primeiro número, publicamos sobre o homem e sua obra uma nota detalhada à qual recomendamos recorrer. Em nosso número 4, relembramos suas lutas.

Se Emmanuel BARBIER também figura nesta lista, é por ser o autor de Infiltrações Maçônicas na Igreja (1910). Este livro prova, utilizando-se de inúmeros exemplos:

  1.  "que a Maçonaria formou o infernal desígnio de corromper insensivelmente os membros da Igreja, inclusive os do Clero e da hierarquia, inoculando-lhes, sob formas especiosas e aparentemente inofensivas, os falsos princípios com os quais promete convulsionar o mundo cristão;
  2.  que os dogmas sociais sobre os quais muitos católicos e padres fundam hoje a renovação do cristianismo possuem uma fórmula idêntica àquela que a Maçonaria pretendia fazê-los aceitar, e que os procedimentos de que se servem para determinar e arrastar a Igreja a esta transformação são identicamente aqueles cujo emprego a maçonaria havia determinado".
BERGERON (Emile)

Professor no Colégio Chaptal, em Paris, militou por volta de 1920 em diversos partidos de emancipação democrática, combatendo simultaneamente o comunismo e a Maçonaria. Criou em 1924 o jornal Le Réveil français ("O Despertar Francês"), que durou cinco anos e orientou-se cada vez mais para a luta antimaçônica. Muito combativo, Emile BERGERON pretendia que seu trabalho resultasse em uma ação política de envergadura, que, na realidade, permaneceu modesta. No campo da informação, o Le Réveil français não trazia nada de muito novo, mas era um bom jornal de divulgação e propaganda.

BESSONIES (Gabriel de) (1859-1913) — Pseudônimo: Gabriel SOULACROIX

Padre da diocese de Paris, inicialmente professor no Pequeno Seminário de Notre-Dame des Champs e depois capelão de N.-D. des Victoires, dirigiu primeiro a revista criada por Dom FAVA, La Franc-Maçonnerie démasquée ("A Maçonaria Desmascarada").

Enganado por Léo Taxil, o Padre de BESSONIES tornou-se mais circunspecto posteriormente. Desempenhou um papel importante no "Caso das Fichas" (Affaire des Fiches). Antigo professor de Bidegain, converteu-o e o levou a entregar à Liga da Pátria Francesa as fichas de informações que o Gabinete do General André recolhia sobre os oficiais da ativa, com o intuito de expurgar o Exército de seus elementos clericais ou antirrepublicanos. Essa divulgação teve uma repercussão imensa.

BIDEGAIN (Jean)

Secretário-geral adjunto do Grande Oriente de França, falecido em 1926. Relataremos em um próximo artigo o que foi exatamente esse "Caso das Fichas", em cuja origem se encontra a "traição" de Bidegain. Mencionamos hoje o seu nome apenas para relembrar que ele é autor de quatro livros interessantes que nos fazem vivenciar, por dentro, a existência cotidiana do Conselho da Ordem do Grande Oriente e assistir às suas assembleias. É este o objeto essencial do primeiro desses livros, Le Grand Orient de France, ses doctrines et ses actes (1905).

Visages et Visages maçonniques (1906) é, sobretudo, uma coletânea de documentos anexados ao dossiê da luta antimaçônica. Encontra-se ali um pouco de tudo: o relato da evolução espiritual do autor; um estudo sobre a política maçônica no início do século e seu anticlericalismo; a lista das sociedades que a seita criou e aquelas nas quais se infiltrou...

Magistrature et Justice maçonniques (1907) apresenta, através de vários casos, a situação dos juízes maçons e sua imparcialidade.

Por fim, Une Conspiration sous la Troisième République — La Vérité sur l'Affaire des Fiches (1910). Este livro, diz-nos o autor, foi escrito "com a mais religiosa preocupação pela verdade". E aqueles que se garantem fiadores dessa verdade acrescentam que ele relata "com a mais escrupulosa exatidão" a história da "traição" de Bidegain.

BORD (Gustave)

É o autor de um estudo muito objetivo, La Franc-Maçonnerie en France des origines à 1815 (1908). Ele definiu seu método da seguinte forma:

"Combato resolutamente, mas lealmente, o espírito maçônico, que acredito ser instrutivo para todas as organizações sociais; por isso, lamento todos os ataques exagerados, excessivos e inexatos, pois, no fim das contas, são injustos, desastrados e impotentes".

Este "antimaçonismo científico" não foi do agrado dos publicistas que permaneciam presos ao antimaçonismo fantasmagórico; isso rendeu a Gustave BORD sérias inimizades e o desencorajou de prosseguir com sua obra. Apenas um volume (dos três previstos) foi publicado. É uma pena, pois a obra é de mão de mestre.

BOULIN (Paul) (1875-1933)

Padre da diocese de Troyes — Pseudônimos: (Roger DUGUET, Pierre COLMET, I. de RECALDE). Membro do Sodalitium Pianum ("La Sapinière"). Pároco rural em Aube e em Oise, professor, secretário-geral do L'Univers (1908), colaborador da L'Actualité catholique (1921), redator-chefe da Revue Internationale de Sociétés secrètes fundada por Dom JOUIN e especialmente encarregado de sua seção ocultista (1921/1929).

Após um desentendimento com Dom JOUIN, o Padre BOULIN retirou-se para sua diocese de origem em Moussy (Aube). Sua atividade não diminuiu. Publicou os Cahiers antijudéo-maçonniques (6 números lançados) e dois livros curiosos que são, na verdade, romances a chave: L'Élue du Dragon ("A Eleita do Dragão", 1932) e La Cravate blanche ("A Gravata Branca", 1933).

O primeiro utiliza as memórias de Clotilde Bersone, uma satanista aparentemente arrependida. Mostra que, desde o início da Terceira República, o poder na França está nas mãos de uma potência oculta. Seria desejável que uma crítica rigorosa dessas memórias estabelecesse primeiro sua autenticidade e, depois, o grau de credibilidade que se lhes pode atribuir. Nunca é demais desconfiar.

O segundo evoca o "Espírito Novo" em seus primórdios, ou seja, o início da distensão entre a Igreja e a Maçonaria por volta de 1930.

O Padre BOULIN era apreciado de formas diversas. Seus amigos gabavam sua cordialidade, seu desinteresse e sua prestatividade. Por outro lado, uma parte do mundo eclesiástico o via com suspeita. Deve-se dizer que suas posições eram por vezes tendenciosas e suas polêmicas excessivas e injustas.

Foi preciso esperar que Émile Poulat, em seu livro Intégrisme et Catholicisme libéral, esclarecesse os fatos para que se pudesse, hoje, formar uma opinião mais matizada sobre um polemista de grande saber e talento.

BRENIER (Flavien)

Pseudônimos: SALLUSTE, TESTIS, GATEBOIS, BRENIER de SAINT-CHRISTO.

Inicialmente colaborador de Copin-Albancelli, separou-se dele por ser partidário de uma Associação secreta, enquanto C.A. só admitia a luta às claras.

Muito erudito e extraordinariamente bem informado sobre questões políticas, BRENIER possuía, acima de tudo, o gosto pela intriga e pela ação oculta.

Sua obra é negativa. Sua ação exerceu-se principalmente contra seus companheiros de luta. Terminou sua carreira com uma campanha nos jornais de François COTY contra Dom JOUIN e seus colaboradores.

CAVALIER (Auguste)

Autor de Les Rouges Chrétiens ("Os Vermelhos Cristãos"), liderou uma vigorosa campanha antes da última guerra contra os democratas-cristãos em seu jornal L'Intérêt français ("O Interesse Francês"), expondo o conluio que afirmava existir entre eles e a Maçonaria.

COCHIN (Augustin)

Nascido em Paris, em 1876; morto pela França em 8 de julho de 1916, no Calvário de Hardecourt (Somme).

Um historiador de grande valor, a quem uma morte prematura impediu de concluir uma obra que, a julgar pelos escritos póstumos que nos restam, deveria projetar uma luz decisiva sobre as origens da Revolução Francesa.

Diversas coletâneas nos revelam a gênese de seu pensamento: As Sociedades de Pensamento e a Democracia (1921); A Revolução e o Livre-Pensamento (1924); As Sociedades de Pensamento e a Revolução na Bretanha (1925).

O mérito de Augustin Cochin é ter encontrado uma explicação coerente e lógica para os fatos revolucionários, e suas pesquisas levaram a uma conclusão essencial: a negação do movimento espontâneo.

Tudo foi preparado e organizado por agrupamentos particulares, as "Sociedades de Pensamento", entre as quais a Maçonaria ocupou o seu lugar.

Teremos a oportunidade de retornar a estes estudos de importância capital.

Sobre o homem, seu método e suas ideias, existe o livro de Antoine de Meaux, Augustin COCHIN e a Gênese da Revolução (Paris, Plon, 1928), que também contém parte de sua correspondência. O conjunto é muito instrutivo.

COPIN-ALBANCELLI (Paul, Joseph COPIN, dito)

Nascido em Vervins, em 1851; morto em Saint-Cloud, em 1932. Ingressou na Maçonaria em 1884. Antigo Grau 18 (Rosa-Cruz). Deixou o Grande Oriente em 1890, quando se deu conta do antipatriotismo das lojas.

"Uma circunstância", escreveu ele, "permitiu-me vislumbrar que um mundo existia por trás do mundo maçônico, ainda mais secreto que este, insuspeitado por ele, tal como pelo mundo profano".

Desde então, seus trabalhos foram dedicados à difícil busca por essa potência oculta.

Após ter incriminado uma "Conjuração Judaica contra o Mundo Cristão" (título de uma de suas obras), ele modificou seu julgamento e designou os alemães como os verdadeiros inspiradores da Maçonaria (A Guerra Oculta, 1925).

Copin-Albancelli foi um doutrinador de base, muito ouvido e cuja influência se exerceu até sobre mestres como Maurras ou Dom Jouin.

Com seu colaborador Louis Dasté (André Baron), publicou a revista À Bas les Tyrans (1900), tornada mais tarde La Bastille antimaçonnique, e animou diversos agrupamentos antimaçônicos que conheceram uma hora de celebridade e certa eficácia, apesar das desavenças, desconfianças e cisões de militantes frequentemente rivais.

COSTON (Henri)

Nascido em Paris, em 1910. Pseudônimos: St. Charles, St. Pastour, Virebeau. Estreou muito jovem na luta antimaçônica com a publicação de uma revista, La Contre-Révolution (1928); retomou em seguida o título de La Libre Parole (1930-1939); dirigiu as "Nouvelles Éditions Nationales" (extintas em 1935) e publicou livros e folhetos de divulgação que conheceram certo sucesso por serem amplamente documentados e de leitura fácil. Citem-se: Os Mistérios da Maçonaria, Maçons Célebres, A Maçonaria sob a Terceira República, A Maçonaria no Parlamento... Todos esses estudos foram retomados e condensados em uma obra mestra recentemente reeditada: A República do Grande Oriente.

O Sr. COSTON prossegue em sua revista Lectures françaises suas pesquisas sobre a maçonaria.

DELAHAYE (Eugène)

Nascido em 1881. Redator no Nouvelliste de Bretagne (Rennes), diretor-fundador do La Province, semanário de luta pelas ideias tradicionais, DELAHAYE publicou um livro muito vívido sobre a Maçonaria no oeste da França: Uma Reportagem nas Lojas Maçônicas (1928). É também autor de um folheto muito difundido em seu tempo: A Maçonaria e suas Obras (1925).

Eugène DELAHAYE, hoje muito esquecido, é o tipo clássico do jornalista regional talentoso, corajoso, fiel às suas ideias contra tudo e todos, e desinteressado. A época de 1900 a 1940 conheceu um certo número deles; infelizmente, todos esquecidos.

DELASSUS (Monsenhor Henri)

Diretor da Semaine religieuse de Cambrai, publicou numerosos estudos sobre a democracia maçônica, cujos erros denunciava. É, sobretudo, o autor de uma obra importante, A Conjuração Anticristã, surgida antes de 1914 e refundida em 1919 sob o novo título Os Porquês da Guerra Mundial, com o subtítulo: "O Templo Maçônico querendo elevar-se sobre as ruínas da Igreja Católica". Este subtítulo define exatamente as motivações da ação maçônica que o autor denuncia entre muitas outras empresas destruidoras da Cristandade. São três tomos repletos de nomes e fatos. Um verdadeiro trabalho de beneditino, infelizmente esquecido.

DUNET (Amédée)

Ex-maçom do Rito Escocês. Ex-Grau 33, ex-Venerável, ex-Grande Secretário-Geral da Grande Loja de França, deixou a Maçonaria em 1933 e colaborou no Jour de Fabry e na R.I.S.S. de Dom Jouin. É autor de um livro muito documentado surgido em 1934: Os Escândalos Maçônicos da Previdência Social. Este livro, de fato, ultrapassa o interesse inicial do título e relata também a experiência pessoal do autor no seio das Lojas.

Deve-se também a Amédée DUNET um folheto: A Maçonaria — O que ela é — O que ela deveria ser — A iniciação (1935).

DUPERRON (Padre Louis)

Pseudônimo: G. la Brèche — Padre da diocese de Paris, diretor dos Cahiers de l'Ordre (1º número em 25 de maio de 1927), publicação que desapareceu por falta de recursos antes da última guerra.

Suas informações são pouco seguras por serem insuficientemente críticas. As listas de maçons publicadas pela revista são, por vezes, errôneas. Certas personagens denunciadas como tal, sem o serem, reagiram com vigor.

Devido a ataques imponderados, os Cahiers de l'Ordre foram objeto de uma repreensão do Conselho de Vigilância da diocese de Paris. Devem ser utilizados com cautela.

FAY (Bernard)

Nascido em Paris, em 1893, professor no Collège de France, publicou uma obra que é autoridade no assunto: La Franc-Maçonnerie et la Révolution intellectuelle du XVIIIe siècle (1935). Dirigiria mais tarde os Documents maçonniques.

FESCH (Paul) (1858-1910)

Padre da diocese de Beauvais, jornalista, fundador do La Croix de l'Oise, colaborou no La Cocarde e no Le Monde (o do Padre Naudet). É autor de La Franc-Maçonnerie contre l'Armée (1905), obra muito documentada sobre as origens e o desenrolar do "Caso das Fichas" (Affaire des Fiches).

O Padre FESCH havia iniciado uma Bibliografia da Maçonaria e das Sociedades Secretas, cuja publicação foi retomada por Joseph Denais. Apenas dois fascículos foram publicados, sendo a impressão da continuação deste trabalho interrompida pela guerra de 1914.

JOUIN (Monsenhor Ernest)

Nascido em Angers, em 1844, morto em Paris, em 1932. Inicialmente noviço dominicano, depois vigário em sua diocese de origem antes de ser incardinado na diocese de Paris. O Padre Jouin ocupou vários postos (Joinville-le-Pont, Saint Médard) antes de se tornar pároco de Saint-Augustin. Em todos esses cargos, manifestou um zelo apostólico intenso e multiforme: fundação de patronatos, criação de casas de servas dos pobres, renovação do ensino do Catecismo, ensaio dramático com um Mistério da Natividade que obteve grande sucesso...

O Padre JOUIN compreendeu muito cedo que todos os seus esforços corriam o risco de ser vãos se permitisse que a Maçonaria destruísse tudo o que ele laboriosamente edificava. Ele cruzara com a Maçonaria em seu caminho e medira sua nocividade. Decidiu, então, mostrá-la tal como era para melhor combatê-la. Esta foi a origem da Revue internationale des Sociétés secrètes (R.I.S.S.) que, de 1912 a 1939, publicou numerosos artigos de valor sobre a Seita. Um suplemento ocultista destinava-se mais particularmente aos especialistas. A R.I.S.S. era considerada por todos, amigos ou adversários, como a mais séria das publicações antimaçônicas. Era plagiada, mas evitava-se cuidadosamente dar a referência.

Acrescentemos que, sob o título Le Péril judéo-maçonnique, Monsenhor JOUIN concebera uma obra em 14 tomos, dos quais apenas 7 viram a luz do dia.

Monsenhor JOUIN fundara a Liga Franco-Católica e tentara, sem sucesso, federar a ação de diferentes agrupamentos similares.

MARQUÈS-RIVIÈRE (Jean)

Pseudônimo: Vérax. Orientalista, membro da Sociedade Asiática e, nesta qualidade, autor de vários livros conceituados: Vers Bénarès, la Ville sainte, À l'Ombre des Monastères thibétains, Le Bouddhisme au Thibet, Le Yoga tantrique et thibétain, onde desenvolve sua experiência com a espiritualidade do Extremo Oriente. (1)

Mestre da Grande Loja de França, Marquès-Rivière buscara na Maçonaria o rastro das tradições orientais, pensando que ela fosse o último refúgio da espiritualidade e da mística no Ocidente.

"Minha experiência pessoal", confessa ele em La Trahison spirituelle de la F.M. (1931), "mostrou-me que esta associação não passa de um ninho de intrigas políticas, um foco de carreirismo, de baixa espionagem e de pequena 'grosseria'".

Deste modo, sua obra será dedicada à "desmistificação" da seita. Colocando-se resolutamente no plano interno, que conhece bem, estuda as Constituições, os regulamentos, os rituais, a organização secreta; mostra também, por ocasião da guerra civil na Espanha, Comment la F.M. fait une révolution et établit sa dictature dans un pays (1937).

Colaborador do La France catholique, criador da revista Les Documents nouveaux (1933/1936) — que trouxe uma massa de informações de primeira linha retomadas em L'Organisation secrète de la F.M. (1935) e Les Grands Secrets de la F.M. (1936) —, Marquès-Rivière, pela segurança de sua informação e pela precisão com que a utiliza, permanece, para o período de 1930-1940, o melhor guia e a melhor referência. Teremos oportunidade de retomar seus livros, pois permanecem válidos.

MICHEL (A. G.)

É autor de dois livros muito documentados: La Dictature de la Franc-Maçonnerie ("A Ditadura da Maçonaria", 1924) e La France sous l'étreinte maçonnique ("A França sob o Jugo Maçônico", 1937), publicados sob o patrocínio da Federação Nacional Católica.

Compostos essencialmente de citações das Assembleias (Convents) do Grande Oriente e da Grande Loja de França, além de outros textos maçônicos, esses livros estabelecem de forma irrefutável que o regime maçônico apresenta um triplo caráter: é ditatorial, hipócrita e corruptor.

NICOUILLAUD (Charles)

Secretário de Dom JOUIN na R.I.S.S., publicou sob o pseudônimo de FOMALHAUT diversas obras tratando de ocultismo.

É autor de L'Initiation maçonnique ("A Iniciação Maçônica", 1914). De leitura fácil e bem informada, este estudo de base parte das iniciações antigas, dos Mistérios de Ísis, para chegar às sociedades secretas de hoje, que mantiveram os métodos de recepção de adeptos da antiguidade, porém de forma menos severa e menos séria. O autor passa em revista, em seguida, os modos de iniciação próprios aos diferentes graus maçônicos.

OLLIVIER (Georges)

Colaborador da Revue internationale des Sociétés secrètes, autor de várias obras: La Franc-Maçonnerie a-t-elle étouffé le 6 Février? ("A Maçonaria sufocou o 6 de Fevereiro?"), Le Féminisme et la F.M. ("O Feminismo e a Maçonaria"), entre outras.

Interessou-se especialmente pela infiltração maçônica nos meios profissionais em seu livro muito documentado, Les Fraternelles maçonniques ("As Fraternais Maçônicas", 1936).

Essa infiltração discreta e perseverante das lojas exerce-se tanto no seio da polícia, entre os jornalistas e entre os viajantes e representantes comerciais, quanto no corpo médico e entre os artistas.

PONCINS (Léon de)

Nascido em Civens (Loire), em 3 de novembro de 1897; morto em Toulon, em 1975. Produtor rural, especializou-se no estudo dos movimentos revolucionários contemporâneos e mostrou a influência das Sociedades Secretas nas grandes convulsões políticas e sociais.

Seu primeiro livro, Les Forces secrètes de la Révolution ("As Forças Secretas da Revolução", 1928), foi seguido por cerca de quinze outros que expõem os diferentes aspectos dessa subversão. La Franc-Maçonnerie puissance occulte (1932), La Franc-Maçonnerie d'après ses documents secrets (1934) e Christianisme et Franc-Maçonnerie (1969), são três obras compostas a partir de citações de autores maçônicos e documentos autênticos, cuja argumentação serena se impõe.

O Sr. de PONCINS dirigiu, antes da guerra (1937-1939), uma revista internacional, Contre-Révolution, cujos artigos mantêm hoje todo o seu valor.

SANTO (Joseph) (1869-1944)

Ver nosso artigo publicado no número 6 do Boletim BARRUEL.

SWITKOW (N.) 

Ex-coronel russo emigrado na França. Após ter publicado La Franc-Maçonnerie dans l'Émigration russe, organizou em cinco volumes, por volta de 1936, a nomenclatura dos maçons franceses conhecidos. Devem-se a ele a Lista dos Maçons do G.O. (2 volumes), a Lista dos Membros da Grande Loja de França (2 volumes) e A Maçonaria Feminina — Lista dos Membros do Direito Humano (1 volume).

TALMEYR (Maurice) (1850-1931)

De seu verdadeiro nome, Maurice COSTE. Brilhante jornalista, um dos melhores cronistas judiciários da "Bela Época". Na segunda parte de sua vida, dedicou-se à defesa das mais nobres causas patrióticas ou religiosas.

Além de coletâneas de reportagens e memórias que não envelheceram, escreveu dois pequenos livros que anunciam a futura posição de Augustin Cochin sobre a não espontaneidade dos movimentos "populares" guiados por uma potência oculta. São eles: Comment on fabrique l'Opinion ("Como se fabrica a Opinião", 1905) e La Franc-Maçonnerie et la Révolution française (1909).

TOURMENTIN (1850-1931)

Pseudônimo de um padre que alguns dizem ser o Padre J. de VILLEMON, outros (e é o nome sob o qual figuram suas obras na Biblioteca Nacional), o Padre Henry Joseph.

Lutador corajoso e eficaz, animou desde o início o Comitê Antimaçônico de Paris, do qual assumiu a liderança em 1904. Dirigiu o La Franc-Maçonnerie démasquée de 1901 até seu desaparecimento em 1924. Publicou em 1908 um Repertório Maçônico contendo os nomes de 30.000 maçons (o primeiro do gênero) e popularizou os conhecimentos maçônicos por meio de seu Catecismo Antimaçônico, que obteve grande sucesso. A obra de Tourmentin reflete uma preocupação real com a pesquisa e a objetividade.

Sabe-se hoje que ele tinha entre seus informantes um Venerável de Loja!

VALLERY-RADOT (Robert)

Nascido em Avallon, em 1886. Primeiro poeta de grande sensibilidade religiosa, depois romancier, e enfim autor de ensaios conceituados que expressam um cristianismo profundo.

Escreveu, em particular, Le Drame spirituel de l'Histoire contemporaine ("O Drama Espiritual da História Contemporânea") em 4 volumes. Dois são dedicados à Maçonaria: La Dictature de la Franc-Maçonnerie (1934) e La Franc-Maçonnerie vous parle (1941).

VIGNEAU (Albert)

Antigo mestre da Grande Loja de França. Deixou a Maçonaria em 12 de março de 1934 e relatou em sua obra anedótica suas memórias de maçom, La Loge maçonnique ("A Loja Maçônica", 1935). Essas anedotas reconstituem o "clima" das lojas do rito escocês da época.


A esta nomenclatura conviria acrescentar todos os artigos publicados antes de 1914 e especialmente no tempo do Combismo (era de Émile Combes) na imprensa católica. Nem todos têm o mesmo alcance, mas todos permitem reconstituir o "clima" da época. Os jornais diários regionais, os mandamentos episcopais, as "Croix" de província e os semanários católicos são particularmente preciosos porque evocam, não mais no campo das ideias puras, mas na realidade concreta e no plano local, os fatos da tirania maçônica e a reação da opinião católica. O levantamento desta imprensa — verdadeiro trabalho de titã — poderia ser objeto de uma tese original e certamente interessante. Quem a empreenderá?

Nos artigos que se seguirão, nosso objetivo será mais modesto. Propomo-nos, para o período de referência, a iluminar de perto certos episódios da luta antimaçônica: o "Caso das Fichas", a conversão controversa de Jules Doinel (Stanislas Kotska), o renovador da Gnose, e a contribuição excepcional de Augustin Cochin para o estudo das Sociedades de Pensamento...

Matéria não falta.

F. M. d'A.


(1) O caso de Marquès-Rivière é complexo e não deve ser avaliado apressadamente pois, por muitos aspectos, recorda o de René Guénon. Ambos eram adeptos das doutrinas orientais e assim permaneceram.

Se ambos, embora com diferenças, "tiveram sua crise" contra a Maçonaria e os organismos adjacentes, não se deve perder de vista em que condições isso ocorreu: a Maçonaria estava então em plena fase racionalista e política, até mesmo "politiqueira e conspiratória", e os elementos que queriam reconduzi-la ao espiritualismo anticristão (gnóstico) tinham muita dificuldade em ser ouvidos.

O tempo em que o "tradicional" Guénon pôde enganar os cristãos tradicionalistas de então foi bastante curto, e o "duas vezes nascido" partiu para o Egito para fundir-se no Islã, ao qual aderira clandestinamente por volta de 1910.

Marquès-Rivière, por outro lado, teve uma longa e interessante atividade antimaçônica que o levou a publicar inúmeras obras. Mas ele também acabou por retornar ao Oriente e, há muitos anos, é monge budista na ilha de Ceilão.